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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

mais um artigo mec

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Braga é quase uma cidade superior. Na semana passada escrevi sobre ela e sobre o Sporting dela e nunca tive tantas reacções. Por uma só coluna recebi mais comentários e citações do que por todas as crónicas que aqui escrevi desde o primeiro número da J.
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Quero agradecer, sobretudo ao magnífico site que é o superbraga.com. É um site de fanáticos do Sporting de Braga, que está em número 1 e, por conseguinte, numa posição de mandar fazer amor à concorrência. Mas não.
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Eles sabem que eu sou um lisboeta e benfiquista genético e incurável e que, ainda por cima, tenho uma panca severa pelo Porto e uma admiração-quase-orgulho pelo FCP.
Sabem que eu queria que o Benfica ganhasse o campeonato, graças ao treinador que roubamos ao Braga. E, no entanto, tiveram a generosidade e a superioridade civilizacional de agradecer o meu elogio e de entendê-lo no espírito em que foi feito.
Desde quando é que um benfiquista, portista ou sportinguista faria isto? Nunca. Os bracarenses são diferentes. São aristocratas. Aceitam amavelmente a admiração do povo enganado e distante.
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Se calhar, são juntamente com os alentejanos litorais, os únicos portugueses que não tratam como estrangeiros os portugueses que tem o azar de não ser de lá.
Mal se chega a Braga, vem logo o abraço do "bem-vindo ao clube!" Não é o clube de Braga. É o clube dos portugueses.
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Uma pessoa diz, quase como se pedisse desculpa, que é do Benfica. Eles respondem: "Não te preocupes, que não levamos a mal. Se calhar, nasceste lá, em Lisboa? E a escolha era seres do Sporting ou do Benfica? Imagino a pressão! Fizeste bem em escolher o Benfica! E o Sporting também é um clube porreiro, apesar de queque. É pena não seres do porto: o Porto é mesmo bom."
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O Sporting de Braga vendeu o treinador genial e faz questão de ficar à frente do clube cem mil vezes mais rico que o comprou. Dirão que é uma questão de tempo. Pois sim, porque o dinheiro significa jogadores muito melhores. Mas, à partida, quando mais interessa, o Sporting de Braga já ganhou este campeonato. As respostas no Superbraga.com - no qual me registei, com o meu e-mail verdadeiro, para poder agradecer - são um exemplo para os outros adeptos dos outros grandes clubes do mundo. Mostram que se pode ser incondicional e fanático sem se ser malcriado ou cego ou agressivo. Mostram que a superioridade genuína não é rejeitar nem desconfiar dos elogios alheios - mas agradecê-los com generosa condescendência, do género "Olha, este pobre desgraçado, preso a outro clube por razões meramente geográficas ou genéticas, ainda tem a clarividência de reconhecer que o Sporting de Braga é um grande clube e a inteligência de compreender que tal se deve a Braga ser uma grande cidade."
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Como benfiquista, há muito que me magoa nesta atitude. Pensave que éramos nós os mais inclusivos. Se fosse Sportinguista, também me magoaria, pensando que éramos os maiores snobs. Se fosse portista, já sabia (com mesmo o medo e respeito) que Braga e o Sporting de Braga são mesmo assim.
Superiores. Gentis. Bem-educados. Sinceros. Como português, tiro-lhes o chapéu. E, com toda a sinceridade, rendo-me a eles.
Mais do que isto, não posso dizer. Mas já disse. Exijo que o Benfica nomeie uma equipa de investigadores que descubra (inutilmente, de certeza) o que eles tem e nós nunca teremos. Serem bracarenses. É uma das poucas coisas que não se podem fingir: ou se é ou não se é. Eles são. Nós não. Paciencia.

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Revista “J” do jornal “O Jogo” de 11-10-2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

equações da sandice [7]

[1627]

dá-me para ler certas coisas que me entram pelo olho dentro. descobri esta entrevista, e deixei-me estar na cadeira a ouvir (note-se a diferença) estes dois senhores numa conversa amena. é agradável perceber que não podemos deixar crescer um mito. estas pessoas que admiramos pela sua inteligência, são simples humanos como nós que buscam a razão de viver como todos nós. de preferência com um bom garfo, uma bom vinho, uma boa conversa.
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em larga medida admito que me delicio como eles desarmam a vida e a razão porque se deve ler. é verdade que a máxima expressada por mec nesta conversa é a que eu professo para mim. aceitar o que temos.
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" [...] Porque é que lês?
Para além de gostar, porque é a forma mais económica de conhecimento. É uma forma de roubo. Um gajo está dois anos a escrever um livro e tu lês aquilo numa noite, percebes? É roubar. É como roubar num supermercado.
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Mas há sempre aqueles que dizem que lêem porque querem ser pessoas informadas, e mais isto, e mais aquilo. Tretas. Tudo tretas.
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Essas pessoas não sabem o que verdadeiramente perdem. É como comprar um livro de viagens para depois ir conhecer o sítio. É ridículo. Os livros servem sobretudo a nossa curiosidade e também um sentimento de controlo que todos temos. Tu, ao leres um livro, és um pequeno deus. [...] Isso não acontece na vida real, essa possibilidade de escolha."
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ao ouvir isto sinto que não há necessidade sequer de explicação do gosto pela leitura. nem para a vida com todas as suas contingências,
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" [...] Há uma frase neste teu último livro que é muito interessante. Escreves tu: «A única atitude inteligente diante da vida é aceitá-la, o que significa aceitar que não é compreensível, previsível ou homogénea». Tu já chegaste mesmo a esta reconciliação contigo próprio?
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Eu acho que é inato. A minha mãe é muito conservadora e esta atitude de aceitação é-nos inculcada. Aceitar é assim: eu não compreendo isto, paciência. Eu não sei consertar o candeeiro, paciência. Tento fazer um prato qualquer, não consigo, vai tudo para o lixo, paciência. Aquela atitude de «não vou desistir, lutarei até ao fim», isso é uma estupidez. Nós somos muito limitados no nosso tempo. Sabemos muito pouco. E isso dá uma grande alegria. [...]"
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salvé mestre mec. em cheio. no relativizar é que está o ganho.
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" [...] Temos de aceitar que somos limitados. Não somos suficientemente inteligentes para saber tudo, perceber tudo. É preciso saber viver com isso. Eu também gostava de ter sido guitarrista mas não tinha talento nenhum. E hoje penso: que falta faz um guitarrista neste país? E neste mundo? [...] "
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ainda bem que há quem pense como eu.
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terça-feira, 6 de maio de 2008

coisa muita para quem sabe disto

[954]

via [ponto gi]
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ainda me lembro de comprar o independente só para ler as crónicas dele. e já lá vão quase 15 anos. parece sempre coisa pouca. desde o livro, o amor é fodido, que me prometi ler o homem. espero em breve cumprir a promessa.
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"[...] Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.[...]"

miguel esteves cardoso,
elogio ao amor

domingo, 2 de dezembro de 2007

And in the end...



Num destes dias fui fulminado por uma persistente insónia e como a leitura notivaga não me conseguia embalar o espírito decidi ligar a televisão. Por entre anúncios, programas e concursos dúbios fui brindado com uma descoberta, uma entrevista a Miguel Esteves Cardoso que passava no canal 1 ás três e meia da manhã. Miguel Esteves Cardoso, falou de Portugal, do seu sol, da sua comida, dos portugueses e das suas vicissitudes, sempre com uma mordacidade e elevação crítica notável. No fim da entrevista, fiquei refastelado a absorver toda uma hora de sublimes apontamentos de humor sobre a vivência num pais cheio de deliciosas contradições e certfifiquei-me se eram de facto quatro da manhã. No fim pensei. O serviço público não deveria começar e terminar de madrugada!


Destaque: Com grande ternura, M.E.Cardoso enaltecia o que os portugueses tem de mais bonito, justamente, a sua entrega total e incondicional ás emoções assim como a falta de lucidez nas suas relações sentimentais. Facto que me fez relembrar as sábias palavras de São Paul McCartney na última música gravada pelos míticos Fab Four de Liverpool, quando dizia:


And in the end

the love you take

is equal to the love

you make!