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quarta-feira, 8 de abril de 2009

a origem da espécie

[1634]

" No outro dia perguntaram-me porque escrevia aqui. Bem, a pergunta começou por ser outra. Para ser sincera, perguntaram-me porque tinha começado a escrever aqui. Não querendo voltar a esses tempos de fantasmas e dores e estupidez e não querendo - ou não conseguindo? - relembrar a figura do monstro, respondi, recentrando a questão em mim e esquecendo aqueles dias de borrasca: É tudo por vaidade. [...] " mónica marques, in [um blog da disápora blasée]
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não são poucas as vezes que me questiono sobre o que me faz escrever aqui. mas a pergunta mais recorrente, que fazemos a nós próprios - dado o tempo ser o apagador do giz (vulgo carbonato de sal) da ardósia da minha vida - é quando e porquê. porque começamos um blog? qual a razão?
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a minha razão foi a inveja. digamos que não é um sentimento mau, porque a minha inveja é saudável, dado resultar num estímulo pessoal, ao contrário do resultado recorrente de inércia e que leva a denegrir quem almejou alcançar resultados. assim, como já perceberam, foi por interposta figura notável que me apercebi da existência dos blogs, uma pessoa cuja coragem e intemperança me alertou para uma possível perda de tempo.
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este senhor, uma espécie de bruce chatwin português - errante e vagabundo - que caminha sozinho por sítios recônditos, mostrou-me o seu blog em que imortalizava as caminhadas. só lhe faltava o moleskine claro, coisa que eu tenho para não me faltar onde apontar registos de relevante importância para partilha.
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a origem é esta.
o caminho é este.
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onde terminará a saga é mais difícil, e embora admitindo o esgotar do tempo, as minhas palavras cessarão no dia em que nada de importante restar a escrever.
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sexta-feira, 6 de março de 2009

zöe [7]

[1572]
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" Hoje tudo me dói, de não saber
como fazer que a chama te incinere, [...]"
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António Franco Alexandre,
em Duende, Assírio&Alvim, 2002
via [trama]

these days [3]

[1571]
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deveria ter feito um comentário, acrescentado algo ao post anterior desta série sem nexo, ou pelo menos sem intenção definida. estes títulos espremidos ao limite, reclamando em si uma continuidade (nada de mais errado se pensarem que há nas minhas palavras lógica coerente e importante) são apenas as bóias de salvação, para quem no fundo não tem nada a dizer. confesso que os títulos são a razão dos textos e não o contrário. é como diz o senhor do blog do costume, "[...] os títulos têm a capacidade de apelar a outras histórias que a própria imagem [texto] não incorpora [...]" [vontade-indómita]
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mas a minha obrigação para com este blog ultrapassa a própria razão da sua existência. é ver pelas horas que, como um pai admira o seu filho, eu me vejo a apreciar o seu crecimento. daí não deixar de pensar sempre na melhor forma de vos transmitir as mensagens.
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[hoje mesmo, e porque a mais simples alienação da realidade me consola, deixo-vos três pérolas citadas entre aspas, como manda a boa regra da usurpação, mesmo que temporária, do brilhantismo alheio]
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1 - numa caixa de comentários de um blog [um sub-mundo que é impossível acompanhar a toda a hora], pude ler esta citação de marguerite yourcenar,
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" [...]"a felicidade é uma obra-prima: o menor erro falseia-a, a menor hesitação altera-a, a menor falta de delicadeza desfeia-a, a menor palermice embrutece-a", (in "memórias de adriano") [...] "
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2 - no capítulo intítulado "o delírio" da obra de machado assis (memórias póstumas de brás cubas) talvez um dos melhores de que tenho memória na literatura (mas não se fiem muito nela) há uma passagem fenomenal,
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" [...] Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da felicidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura - nada menos que a quimera da felicidade - ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, com escárnio, e sumia-se, como uma ilusão. [...] " (pp. 27)
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3 - só mais um bom momento de relaxe, que isto de textos longos cansa. fiquem com este capítulo roubado do blog [escrita casual] (escusado será dar realce à parte que interessa, porque confio na vossa capacidade de intertextualizar o que está atrás e o que vem a seguir, sendo que a parte "tinha montes de amor para dar, só que ninguém o queria." é a mais hilariante),
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(cliquem na imagem para ampliar)

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

god damn right its a beautiful day [11]

[1481]
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Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente,
a ideia que fazemos de alguém.
É a um conceito nosso – em suma,
é a nós mesmos –que amamos.
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Bernardo Soares,
in Livro do Desassossego
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O primeiro passo para conseguirmos o que queremos na vida
é decidirmos o que queremos.
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Ben Stein
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roubadas daqui [o exorcismo do silêncio]
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alongam-se os dias de espera. a indústria dos afazeres diários obriga-nos a meditar no tempo e na percepção do tempo. cada decisão depende do espaço necessário que o tempo ocupa. cada vontade esquecida no passado luta por uma afirmação própria e assertiva. e distendemos cada coisa posta no seu lugar para aligeirar a urgência do que se esvai de mansinho.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

god damn right its a beautiful day [10]

[1477]
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" [...] but, damn, you smell good, like home.
And you make excellent coffee.
That's got to count for something, right? [...]"
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californication
roubado daqui [a morada do silêncio]

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

(re) citações

[1389]

" [...] Acho que há por aí muita gente incapaz de dizer adeus ao que realmente precisa dizer adeus. Passam a vida numa espécie de “até logo”, deixando sempre uma porta entreaberta para o que for preciso. São os mal resolvidos e resolvidas da vida. Uma porta entreaberta deixa entrar frio. Faz corrente de ar. Deixa entrar ladrões, pó, bichos, lixo. E raramente se abre para o que esperávamos. Portas entreabertas não me servem. Estou farta de as ir espreitar. Nunca serviram. Nunca.
Que se fechem as portas mal fechadas. Que se acabe com a corrente de ar. Que possa eu finalmente passar os meus dias descansada sem as ir espreitar de 5 em 5 minutos. [...] "
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

(re)citações

[1339]

do comum dos mortais
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certas coisas
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certas coisas que nós suportamos
não nos dizem respeito,
e nós lidamos com elas
devido ao tédio ou ao medo ou ao dinheiro
ou à pouca inteligência;
a nossa vontade e a nossa esperança
cada vez mais pequenas, [...]

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charles bukowski
versões de manuel a. domingos
do blog [o amor é um cão do inferno]

(re)citações

[1338]

dos amantes

o início
.
quando as mulheres deixarem
de levar espelhos
para todos os lados
talvez nessa altura
elas possam falar comigo
sobre
libertação.

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charles bukowski
versões de manuel a. domingos
do blog [o amor é um cão do inferno]

segunda-feira, 28 de julho de 2008

citações

[1153]

"A terceira mão é uma outra hipótese
tentada: a reunião por um anel de fogo
de dois que nada nem outrem ligariam,
a terceira mão é a mão que te empurra
para território desconhecido e aquela
que te guia em terra de ninguém "

Manuel Gusmão. A terceira mão, p.73

via [a mancha]

pensamento seguido de pensamento

[1152]

há quem lhe chame o sabor amargo da derrota.
eu chamo-lhe o expoente reduzido a uma raíz cúbica.
se é que me entendem.
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"Elizabeth: I’ve never been very good at competition. Some people enjoy it. Not me."

My Blueberry Nights, Wong Kar-Wai (2007)
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sexta-feira, 25 de julho de 2008

algo vai mal no reino da dinamarca [2]

[1145]
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escreve muitas vezes as palavras certas. por isso aqui fica uma parte boa de um post fantástico.
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" [...] Ela que a certa altura apostou tudo em tornar insignificante o nosso encontro (o outro), que eu fazia promessas insensatas, que eu não tinha o direito de querer que ela significasse alguma coisa, ela recusava que se fizesse poesia à custa dela, não por ser prosaica mas porque tinha medo da poesia, e eu achei isso comovente, alguém que teme a poesia, e a veemência dela [...] "
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" [...] «depois quem se fode sou eu», isto para que eu percebesse a seriedade dela, e poética nessa brutalidade, que eu não tinha o direito de perturbar o mundo dela, e no entanto deixando que eu de algum modo a tocasse, «for he's touched your perfect body with his mind», mostrando-se tocada e indignada, com uma breve alegria que os olhos rasgados traíam e os lábios romanos suprimiam. [...] "
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na dinamarca está tudo bem, aqui é que está tudo mal.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

por hoje não tenho mais nada a dizer

[1143]

" [...] Talvez sejas a única luz que não sou capaz de guardar nos olhos, a única história que sei contar. Ocupas todo o meu avesso e adio os dias porque o vento me grita que o teu nome pode ainda ser o meu. [...]"

via [existir em intermitências]

sexta-feira, 11 de julho de 2008

a quem interessar

[1116]

" [...] o amor é imaginar que se ama e esta definição de amor, conducente a um ideal de solidão que se completa a si mesma, pouco tem a ver com espíritos fortes e muito menos com espíritos bondosos ou caritativos [...]"
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" [...] uma afirmação de amor que pode conduzir ao aprofundamento da poética da fragilidade, própria de quem opta por amar em solidão [...]"
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" [...] É uma ideia de amor erótica que não contempla espírito nem exageros da carne, apenas uma fragilidade sustentada por um imaginário em atitude criativa, não diria forte, mas virtualmente intensa. [...] "
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e como o fim-de-semana começa e acaba hoje, i have no further questions.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

100 blogs no grelhador

[1110]
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agora que adicionei o blog número 100 aos meus feeds, tenho de voltar a citar dois dos melhores, não que os outros sejam piores, até porque os leio a todos da mesma forma, mas estes prendem-me de uma forma especial.
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se não vejamos,
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"não há paciência para isto." penso eu a toda a hora. mas talvez haja paciência, não durasse isto há dois anos. dois anos, tanto e tão pouco. e de pensar que só te começo a conhecer agora... nunca mostras quem és. nunca sei com quem estou. afinal do que tens medo? de mim? de ti? não me deixas chegar perto mas também não me deixas ir. que raio de vida me fazes levar.
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desta menina já ninguém quer saber se o seu nome é maria, mas antes que continue a escrever.
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***
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já o camarada da cidade grande, diz o seguinte,
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" [...] No cinema de Kobayashi, ao contrário de na Doutrina Estóica, Sofrimento e Paixão existem como uma opção pessoal, prevalecendo sobre a Razão. Comigo, terei de acrescentar, passa-se exactamente a mesma merda. Agora veja-se onde isso me deixou."
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tenho de admitir que dito por estas palavras até nem parece tão mau. o certo é que, essa forma de encarar a realidade inter-relaccional, me deixa relutante em relação ao futuro. haverá de certeza forma de saír desse impasse. só não sei como. pelo menos sem ceder no que aprecio em mim.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

do que leio [2]

[1102]

do blog reflexos,
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" É mais fácil encontrar as palavras no meio da tristeza.

Os sorrisos não precisam de justificação."
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o sorriso encerra em si todas as justificações.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

para não parecer que estou sempre a dar sermão aos peixes [2]

[1098]

o zé manel , não o nosso misterioso colaborador, mas outro que nos visitou (não sei como veio aqui parar) diz coisas muito interessantes,
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"[...] Importante é, por vezes, ainda tropeçar nas pessoas que fazem este Mundo melhor. [...]"
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ou ainda mais à frente,
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" [...] Só sei que sinto este sentir invadir-me, que é grande e de uma beleza única...
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Desculpa-me.
Eu não percebo nada do Amor.
[...]"
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nem eu amigo, nem eu...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

para não parecer que estou sempre a dar sermão aos peixes

[1096]

felizmente há quem pense um pouco como eu,
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[Queria estar, todas as noites, sentada num sofá. Queria poder ouvir-te pela casa. Depois sentavaste ao pé de mim e eu deitava a cabeça no teu colo. E lá ao longe alguém diria "vês, valeu tudo a pena, é só teu" e tu estarias ali simplesmente com o teu jeito. O jeito que eu sempre quis.]
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"Vens me buscar?" Pergunto-te.
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"Onde tu quiseres." Respondes.
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e depois há os que dizem o que pensam como eu,
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"...Não sofrer, e por conseguinte também não fazer sofrer — é certo e valhe-se o altruísmo — tornou-se com os anos na sua maior preocupação. Estava viva, dizia-me. Mas era mentira...."
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via [vontade indómita]

quarta-feira, 25 de junho de 2008

small strings

[1077]

ainda assim uma guitarra bem afinada, uns acordes menores bem amanhados, dedilhados com finura, e um arranjo vocal semi-rouco, entrando numa letra para o lamechas, resolvem certos problemas.
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é como diz a ilustre marie,
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" Hoje despedi-me do "amor". Mas vou ficar à espera..."
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"Hoje vou chorar tudo. Amanhã tenho coisas para fazer."

sexta-feira, 20 de junho de 2008

rais parta a selecção mas que se lixe que agora a vidinha continua

[1073]

"É uma chatice mas a verdade é que as coisas boas só nos acontecem se formos bons. Bons? É mais se formos honestos, não uma honestidade de cumprir a lei... - eu cá era capaz de profanar uma campa e de roubar os dois olhos de um morto se achasse que isso me dava gozo por um dia -mas uma honestidade para connosco. Tudo menos ser-se cobarde, fingido, um bandido emocional, uma puta: preferia ter cancro a um coração falso. O que não tem nada de beato, é uma questão muito prática. O cancro pode matar, mas a alternativa de certeza que mata. Oh, que se lixe, passa-me a guitarra que eu canto-te um fado num português impecável."
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Truman Capote, Breakfast at Tiffany’s
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roubado [daqui]

quinta-feira, 12 de junho de 2008

a poesia desprendida [6]

[1048]

" Para o homem, momentos há - e é doloroso reconhecê-lo - em que até o universo é uma prisão." pp. 126
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"De muitas coisas se pode morrer
em Veneza
De velhice de susto
de peste
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ou de beleza" pp. 161
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jorge de sousa braga
o poeta nu