Mostrar mensagens com a etiqueta dimples de verdades. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dimples de verdades. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

salvo-conduto [2]

[1464]

" [...] nunca fiz nada senão esperar diante da porta fechada."
.
marguerite duras, em o amante

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

salvo-conduto

[1463]

parecendo que não, ajuda.
não sei que chamamento do fundo do corredor ainda reverbera nos ecos da planta verde escura. não sei o nome da planta. nem o som que a abraçou. eu fico é aqui sentado no banco estreito de madeira a um canto da sala. tenho medo do que não conheço. assusta-me pensar que aquela voz ainda tem vida, ou que fez aluir o meu sentido inestético do amor.
.
o medo é a essência do escuro. a voz que ficou é a sombra. tenho de me levantar e entrar no quarto pintado de uma treva que me atrevo a ansiar. tenho medo de ver claramente que ficaste de voz mas fugiste de corpo. um dia acorro ao chamado e tento abrir essa porta. já só me falta a chave.
é que parecendo que não, ajuda.
.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

o trigo do joio

[1449]

sempre treparam pela corda da tua beleza
arrombando a entrada da tua morada
por uma das tuas janelas mais incautas e desguarnecidas.
.
nunca tiveram a humildade de bater na tua porta principal
e esperar que a abrisses.
.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

intróito [11]

[1248]

naquela noite, numa estranha vigília que não sabe se a sonhou, adiantou os dedos procurando os seus cabelos, mais rápido que o próprio futuro que tardava em acontecer. depois, o espaço que desapareceu entre eles, (espaço onde viajou num perfume doce entre o seu corpo ausente e o corpo que se anunciava nas suas mãos) foi destruindo o estranho. e então os olhos fechados desfizeram a dúvida, romperam o medo, e os lábios nervosos - doces do perfume - cerraram entre os dentes um amanhã.
.
de mãos dadas transladaram o medo para o infinito mais longínquo, para que nunca regressasse de novo com vida.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

ignomínia

[1232]

dizem alguns de pensamento mais incauto
que à falta de uma realidade possível
tudo não passa de parlapatice.
.
isso, minha querida, são palavras de emulação.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

intróito [8]

[1229]

talvez devesse começar a esquecer o que nunca aconteceu. não é difícil tornarmo-nos reféns do sonho, da imaginação, da ideia que crias, do mundo que ao sonhares se enraíza em ti como se existisse. tantas vezes estivemos juntos num futuro próximo, que acho caminhamos para o fim do que não aconteceu. juntos, hipoteticamente falando.
.
é que nisso da ausência do real, a poesia ganha vida, já dizia jorge luís borges, e eu completo,
.
se eu te cantei em palavras "[...] é porque a desejei e não aconteceu. O poema ganha se não adivinhamos que é a manifestação de um anelo. Não a história de um facto. [...]"

palimpsesto

[1228]

rasurei o pergaminho
reescrevendo de novo o texto
.
só para que ninguém saiba, amanhã
o quanto te amei, hoje.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

intróito [7]

[1227]

há quem não comece com o medo do fim. quem por imperativo de um amor-escatológico, se torne na espera constante do nada. eu arrisco a dizer que talvez haja nos entretantos dos dias, a certeza de que o amor é um logro que me agrada aceitar de olhos de fechados.
.
.
Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer
[...]
quero morrer
com uma overdose de beleza
.
e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador

.
Al Berto

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

lost in translation [4]

[1200]

ainda serei capaz de descobrir uma
teoria
que contradiga esse teu existencialismo-pragmático,
.
não sei é se não será tarde.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

lost in translation [3]

[1197]

sabes,
.
tenho em manuscrito a mais linda carta de amor
que alguma vez fui capaz de escrever.
tenho estado a ultimar os pormenores
a reescrever a parte em que te ofereço
a lua-quase-cheia
as chamadas noites brancas,
a fada e o fauno em uníssono canto
prometendo o meu quase-amor-infinito ao teu destino.
.
sabes,
.
tenho entre mãos umas quantas folhas salpicadas de tinta
porque me tremia a mão ao imaginar-te
sentada a ler esta imaginada-missiva levada
por um pombo correio
embora me falte corrigir o erro essencial.
.
sabes,
.
contenho-me sabiamente perante a demanda do graal,
como se o chegar perto de ti não fosse o objectivo
mas antes conseguir tocar o teu coração.
se fecheres os olhos ao ler-me escrito nesta alegoria
verás um cósmico futuro
carregado de um semblante azul-celeste.
.
(agora, se não te importas
quando passares por aqui,
deixa-me a tua morada, para a poder enviar)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

a verdade

[1093]

sabes daniela,
.
a verdade é discussão antiga, recorrente e volátil.
desde a caverna de platão, que as dúvidas sobre a verdade que
nos entra olhos dentro, se arrastam no tempo, e nem mesmo a filosofia
ou outra ciência mais exacta, arriscou uma fórmula que a desvendasse.
.
(é como procurar deus nos mandamentos ou nas bem aventuranças,
ele não está aí. não está nas palavras)
.
a verdade veste de uma forma simples. sem maquilhagens,
retoques estilísticos, daí passar tantas vezes despercebida.
a verdade é uma pintura sobre tela na natureza, que não traz
sorrisos, mas apenas e só a máxima do rigor.
.
cientificamente podes testar todas as minhas palavras,
.
1) pegas nelas e espalhas uma amostra de adn de verdade
e no fim do dia regista os resultados (verás que sai um gráfico constante
e sem variações duvidosas)
.
ou então,
.
2) pegas em todas as mensagens e textos, e testa-as no polígrafo.
(verás que o gráfico será uma linha de morte)
.
a cegueira da mentira é que não nos deixa ver a verdade.
mas ninguém te poderá mostrar, só tu a podes descobrir.