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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

ponha aqui o seu pezinho [12]

[1336]

ruas oblíquas, desníveis inquebráveis, pendentes de escoamento rasgadas na rocha, água que tarda em cair do céu, núvens desenhadas a carvão, e azul. muito azul esparramado a pincel, em rasgo de inspiração na planície invertida. não é o pintor que tem arte mas antes a natureza que se excede de vontade.
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(declino o convite do mar. não volto a sofrer da sua fúria)
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percorro a marginal observando as palmeiras. e as cores das flores. os olhos encontaram descanso lírico no jogo visual proporcionado pelo contágio do pólen. acredito na mão suprema, na protecção da intempérie que segura a beleza das plantas. arrisco dizer que me canso de tanta formosa criação. sento-me a reverenciar o extracto de paraíso que se poisou nesta terra. e a sublimar o perfume das flores. relembro a música,
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e canto. porque me recordo dos cheiros retemperantes da loucura temporária, dos olhos parados em suspensão observativa, da contemplação das marés calmas e da espuma do mar que vai esverdiando as rochas dos molhes artificiais.
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(duas crianças brincam em frente ao mar)
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faço o rescaldo dos dias amenos. talvez amanhã o tempo piore e resfrie. acalme. e eu amanhã me deite de novo ao vento da prosa, procurando pescar as palavras soltas do rio que agora começa a chegar à cidade. é sinal de chuva no norte da ilha.
amanhã chega cá.
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e se a chuva assenta o pó, também derrama cheiro a terra molhada. bálsamo bendito a esta terra quis deus dar.

ponha aqui o seu pezinho [11]

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domingo, 9 de novembro de 2008

ponha aqui o seu pezinho [9]

[1326]

fim de tarde ameno no funchal. dali via o sobe e desce do teleférico, uns subindo excitados, outros descendo cansados. todos olhando-me como espécimen autóctone. julgo que somos sempre estrangeiros numa terra estranha. aqui - e por sinal nunca me sinto assim tão rapidamente - esvazio o tédio. consigo desligar os motores do cérebro, lançar âncora na memória, e entrar terra adentro num desconhecido aprazível. sou desta terra desde hora em que aterrei.
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solto bafaradas inócuas (a curto prazo). desdenho as horas como se nada mais importante existisse naquele momento. vou sorrindo descontraído. vejo os turistas admirados por estar de calções, estirado numa cadeira que me vai embalando, e retribuo os sorrisos. a comunhão com as gentes da terra é para estes forasteiros uma experiência necessária, uma contribuição para a sociologia do mundo e das nações, uma espécie de mestiçagem cultural. sorrio mais uma vez, porque eles não sabem que eu sou como eles um estrangeiro.
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sou um bom visitante. fecho os olhos amiúde, ao ritmo que uma ou outra núvem trespassa o céu, retendo a força do sol. enumero as vezes que oiço os gritos de vizinhos, nas estreitas ruas da parte velha da cidade. é a minha vez de aprender com eles, levar comigo traços da língua, expressões forçadas pelo tempo, risos e desgraças apalavradas entre madeirenses. vale que daqui não me vêem.
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bafarada de novo.
corto com o mundo e fecho os olhos e oiço um apito de partido de um navio atracado. é a hora de sair e percorrer as ruas. cilindrar esta ignorância que já aflige. descer com outra roupa e outros olhos. os de ver.

sábado, 8 de novembro de 2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

ponha aqui o seu pezinho [6]

[1319]

uma semana inteira de chatices para a anfitriã. eu e o anfitrião na galhofa, repetitivos, chatos, tipo altifalantes humanos.
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só o digo porque passo ainda a semana a cantar o famoso hit de rouxinol faduncho, cães de loiça,
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(uma piada só para aliviar aqui um stress repentino)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ponha aqui o seu pezinho [5]

[1315]

subiram ao ponto mais alto da ilha. mais de 1800 metros de altura e desvio orográfico. no pico do arieiro, em tempos idos, celebravam-se honrarias em benefício da padroeira da terra. os crentes subiam estrada acima até ao topo, só para atirar flores ao vento, levando com elas os maus agoiros. são lendas.
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hoje estes sobem com a vontade de selar um único compromisso. olhos nos olhos, postos cabelos ao vento sereno, sorriram numa tarde de saudação a um dia vindouro. firmaram acordo, doranvante nada mais que um amor terreno, solidificado nas margens dos dias que passarão lentamente, coroado de brilho ofuscador da rotina e monotonia. saberão lidar com todos os contornos sombrios da agrura e do semblante citadino.
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olhos nos olhos, com a pacificação reinante dos silvos rasantes, recitaram a poética frase,
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" deixa-te em mim ser o não nomeado -
[...]
Como a noiva de mel da minha dor
E a papoila ébria dos meus sonhos." *
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funchal, fim de tarde de outono. para eles o outubro aquece. para eles que casam de madrugada. eles que se uniram no pico do arieiro.
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* georg träkl - outono transfigurado, in poemário 2008 - assírio e alvim.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

domingo, 2 de novembro de 2008

ponha aqui o seu pezinho [3]

[1309]
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à medida que subimos (em metros medidos por pés) a temperatura desce. o ventos sacodem as asas e os motores seguram a rota definida. o arranque estrépito e os desatinos momentâneos da estratosfera, mostram o longínquo arfar do coração da terra. é o céu normalizado com as afluências de núvens instáveis.
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(não sei se há paralelo com a vida ou com o resto dos dias. certamente que quando subimos na vida não sentimos a vertigem dos graus celsius. nem vemos os estranhos objectos nubulosos que retraem as escolhas.)
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parecemos destituídos de razão. da palavra história resvalamos na tensão de um cadafalso. a rotina acidental reprime o relaxe e a distenção muscular. cerram-se dentes a cada simulação de queda vertiginosa, sentimos no estômago a tortuosa imagem de fogo devastador de outras paragens.
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(a morte, escrita por extenso, é sinalizada ao aviso sonoro que nos obriga a voltar a pôr o cinto de segurança.)
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não escrevo nada no livro de registo. quero preservar apenas o que a memória me quiser oferecer. distraio-me facilmente com a história que vou lendo. as palavras do escritor, registos de viagem curiosamente - embora menos confortável que a minha - dão-me a necessária concentração para enfrentar este novo territótio inóspito. como se um lugar passasse a existir a partir do momento em que o vemos.
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(a ilha da madeira, perdida no mar, fixa nos dentes de monstro quinhentista ancorado ao largo da minha imaginação, passa nestes dias por uma fabulosa turbulência de temperatura. é verão digo eu. e digo bem.)
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à distância, esta manta que me cobre os pés, recolhe os escombros da brusquidão do embate com aquela terra. talvez as peças do puzzle se encaixem um dia.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

ponha aqui o seu pezinho [3]

[1304]

não será por aparecer nos jornais do funchal, na primeira vez que saio à noite, nas páginas do jet 7, que vou ficar por cá. até me habituaria rápido a este ambiente maravilhoso, mas não abdico para já da minha terra. paciência para os madeirenses.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

(sem tempo e distraído)

[1297]


vou só ali e já venho. se não voltar, fiquem a saber que gostei muito de vos conhecer.