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se há coisa que me enerva solenemente é as pessoas escarnecerem sobre assuntos que não deveriam. dizer a alguém que está a ler um livro de merda - balizado pelo seu próprio estado evolutivo na literatura (porque no fundo é disso que se trata quando procuramos mais e melhor na escolha dos livros) - é de uma crueldade sem limites. rir de alguém que lê paulo coelho, só porque os níveis da hermenêutica da escrita do autor não são os mais exigentes, parece-me um acto de frustração de quem já não encontra satisfação no que vai lendo.
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sou obrigado a dizer que no meu caminho de leitura li muito do paulo coelho há uns anos atrás. e gostava muito. serviu como base e trampolim para evoluir de uma forma sustentada nos meus gostos pessoais. a aprendizagem e assimilação de conceitos e critérios de qualidade deve ser gradual, e deve principalmente partir da necessidade do leitor. a necessidade de prazer como leitor.
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isso pode mostrar o crivo labiríntico da nossa personalidade. se negamos o nosso passado, se não sabemos lidar com os nossos erros (e não digo que ler paulo coelho foi um erro), se não aceitamos que tudo faz parte do crescimento e que a experiência de vida - por muito má que ela seja - é absolutamente essencial na construção do presente e do futuro; se com toda esta panóplia de sucessão de factos, não conseguirmos sentir a alegria de crescermos e prendermos nas mãos essa certeza, então o melhor é não ler estas palavras.
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isto foi só um desabafo. porque no fundo estava a tentar distraír-me da vontade indomável de querer comprar este livro, que apesar de antigo e de estar a ser reeditado como obra completa, tem sido revisitado e apreciado por muito boa gente. mas estou em contenção de despesas. mesmo o josé cardoso pires terá de me perdoar, mas a sua última valsa (a do título do post) terá de ficar para outras núpcias.
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