[1723]
Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, seria
mais tolo do que tenho sido.
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Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais
sorvetes e menos lentilha, teria mais problemas
reais e menos problemas imaginários.
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Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.
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Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia a parte alguma sem um
termómetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva
e um pára-quedas e, se voltasse a viver, viajaria mais leve.
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Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no
começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida
pela frente.
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Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo...
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ao que parece a viúva de jorge luis borges diz que este poema não é do escritor. ainda assim deixo-vos este poema porque as palavras não têm dono.
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quarta-feira, 8 de julho de 2009
pessimismo negativista
Publicada por S. G. à(s) 10:58 1 amigos do bagaço
Etiquetas: poesia
terça-feira, 14 de abril de 2009
zöe [18]
[1644]
escrevi um poema mas guardei-o.
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não para mim que não preciso ouvir-me
repetir os meus desejos.
recolhi as palavras para a escuridão que
acalmarão com o tempo o coração desenfreado.
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escrevi um poema e guardei-o. para ti.
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Etiquetas: poesia
segunda-feira, 13 de abril de 2009
fontes de inspiração
[1643]
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julgo que não andará longe de estar esgotada a minha tarefa na poesia. e nota-se por isto, fontes de (pouca) inspiração, no sítio do costume.
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Etiquetas: fontes de inspiração, fontes do ídolo, poesia
quarta-feira, 11 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
zöe [10]
[1576]
tenho estado a esculpir as letras
(lascando o ébano para as definir)
procurando nas faces do limite
as sílabas do teu nome.
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queria construir um monumento
(sobrepondo as letras polidas)
para ilustrar à mão pesada do lustro
a afinidade da parte com o teu todo.
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talvez posta aos pés da minha cama
(no breu da noite insensata)
a luz do sonho incida sobre esta imagem
reflectindo a silhueta do teu corpo.
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Etiquetas: poesia
segunda-feira, 9 de março de 2009
zöe [9]
[1575]
quando eram as cordas suspensas
nos rios
quando eram as ruas suspensas
nos trilhos
quando eram os sonhos suspensos
nos fios
quando eram os olhos suspensos
nos lírios
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eram só rios e ruas e sonhos e olhos
balançando nos ventos lentos dos lírios.
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Etiquetas: poesia
terça-feira, 3 de março de 2009
escolhas acertadas
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
zöe [2]
[1547]
estava farto das metáforas
até nos ver de novo em dois cisnes
abraçados no meio de um lago.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
zöe
[1545]
queria dizer amor. mas as palavras
vão-se eclipsando antes de sonorizarem
esta vontade.
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palavras prensadas nos lábios
entre línguas seguras por paliçadas
em que se vão erigir as praias do teu verão.
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queria dizer amor. mas já não há
cor cinzenta que arranque esta
maldade do meu peito.
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palavras que se entranham nos dedos
ao reterem a força dessa verdade.
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mas é amor que queria dizer-te.
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Etiquetas: poesia
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
w. b. yeats
[1522]
A dying animal; (título original)
A man awaits his end
Dreading and hoping all; [...]
Mas o corpo venceu; anda erecto.
Então lutou com seu coração;
Paz e inocência pronto se vão.
Em seguida lutou com sua mente;
O altivo coração pôs-se ausente.
Agora a guerra com Deus começa:
Meia-noite em ponto, que Deus o vença.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
o trigo do joio
[1449]
sempre treparam pela corda da tua beleza
arrombando a entrada da tua morada
por uma das tuas janelas mais incautas e desguarnecidas.
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nunca tiveram a humildade de bater na tua porta principal
e esperar que a abrisses.
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Etiquetas: dimples de verdades, poesia
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
2009 [9]
[1445]
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
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Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei aos jardins do paraíso
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Cá fora à luz sem véu de dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
.
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
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Sophia de Mello B. Andresen
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
há filisteus no deserto
[1400]
ou os caminhos cíclicos do entroncamento da literatura.
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" [...] Fazes o caminho que só se pode fazer sozinho e de noite, pois todos temos um portão e um jardim para atravessarmos, sozinhos de noite, debaixo e sobre e entre o medo [...]"
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nenhum olhar (bertrand), josé luis peixoto, pp. 82
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" [...] vou buscar o meu coração. guardei-o aqui
algures e, por ti, tenho a certeza, vale a
pena voltar a encontrá-lo e correr todos os
riscos de novo. [...]"
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folclore íntimo (cosmorama), valer hugo mãe, pp. 20
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Etiquetas: casa de osso, josé luís peixoto, poesia, valter hugo mãe
domingo, 14 de dezembro de 2008
a babel do estonteante mundo novo
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
auto-objurgação [7]
[1362]
" Quero que saibas
uma coisa.
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Tu sabes como é:
se contemplo
a lua de cristal, os ramos rubros
do outono lento da minha janela,
se toco
ao pé do lume
a impalpável cinza
ou o corpo enrugado da lenha,
tudo a ti me conduz,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fossem pequenos barcos que navegam
em direcção às tuas ilhas que me esperam.
[...]
Se consideras longo e louco
o vento de bandeiras
que percorre a minha vida
e decidires
deixar-me à margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
nessa hora,
levantarei os braços
e as minhas raízes irão
procurar outra terra.
.
Mas se em cada dia,
em cada hora,
sentes que a mim estás destinada
com doçura implacável.
Se em cada dia em teus lábios
nasce uma flor que me procura,
ai, meu amor, ai, minha,
todo esse fogo em mim se renova,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor do teu amor se nutre, amada,
e enquanto viveres continuará nos teus braços
sem abandonar os meus."
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Pablo Neruda
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roubado daqui
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Etiquetas: poesia
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
(re)citações
[1339]
do comum dos mortais
.
certas coisas
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certas coisas que nós suportamos
não nos dizem respeito,
e nós lidamos com elas
devido ao tédio ou ao medo ou ao dinheiro
ou à pouca inteligência;
a nossa vontade e a nossa esperança
cada vez mais pequenas, [...]
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charles bukowski
versões de manuel a. domingos
do blog [o amor é um cão do inferno]
Publicada por S. G. à(s) 13:17 0 amigos do bagaço
(re)citações
[1338]
dos amantes
o início
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quando as mulheres deixarem
de levar espelhos
para todos os lados
talvez nessa altura
elas possam falar comigo
sobre
libertação.
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charles bukowski
versões de manuel a. domingos
do blog [o amor é um cão do inferno]
Publicada por S. G. à(s) 13:09 0 amigos do bagaço
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
(re)citações
[1322]
Esta gente
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
Dum país liberto
Duma vida limpa
E de um tempo justo
Sophia de Mello Breyner Andresen
Publicada por S. G. à(s) 09:00 2 amigos do bagaço
Etiquetas: poesia
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
eremita
[1247]
desceste a esse inferno
mascarado de solidão
tão forte como um peito aberto
.
e
.
nesse signo de vida cinzenta
és o sangue do meu coração
teu eremitério.
Publicada por S. G. à(s) 18:05 0 amigos do bagaço
Etiquetas: poesia
gira o sol
[1246]
os girassóis
.
Assim fremente e nua,
a luz só pode ser dos girassóis.
Estou tão orgulhoso
por esta flor difícil ter entrado pela casa.
É talvez o último verão,
tão feito de abandono é o meu desejo.
Mas estou orgulhoso dos girassóis.
Como se fora seu irmão.
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Eugénio de Andrade (A Religião do Girassol)
in Poemário Assírio e Alvim 2008
Publicada por S. G. à(s) 13:05 0 amigos do bagaço
Etiquetas: poesia




