domingo, 9 de novembro de 2008

ponha aqui o seu pezinho [9]

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fim de tarde ameno no funchal. dali via o sobe e desce do teleférico, uns subindo excitados, outros descendo cansados. todos olhando-me como espécimen autóctone. julgo que somos sempre estrangeiros numa terra estranha. aqui - e por sinal nunca me sinto assim tão rapidamente - esvazio o tédio. consigo desligar os motores do cérebro, lançar âncora na memória, e entrar terra adentro num desconhecido aprazível. sou desta terra desde hora em que aterrei.
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solto bafaradas inócuas (a curto prazo). desdenho as horas como se nada mais importante existisse naquele momento. vou sorrindo descontraído. vejo os turistas admirados por estar de calções, estirado numa cadeira que me vai embalando, e retribuo os sorrisos. a comunhão com as gentes da terra é para estes forasteiros uma experiência necessária, uma contribuição para a sociologia do mundo e das nações, uma espécie de mestiçagem cultural. sorrio mais uma vez, porque eles não sabem que eu sou como eles um estrangeiro.
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sou um bom visitante. fecho os olhos amiúde, ao ritmo que uma ou outra núvem trespassa o céu, retendo a força do sol. enumero as vezes que oiço os gritos de vizinhos, nas estreitas ruas da parte velha da cidade. é a minha vez de aprender com eles, levar comigo traços da língua, expressões forçadas pelo tempo, risos e desgraças apalavradas entre madeirenses. vale que daqui não me vêem.
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bafarada de novo.
corto com o mundo e fecho os olhos e oiço um apito de partido de um navio atracado. é a hora de sair e percorrer as ruas. cilindrar esta ignorância que já aflige. descer com outra roupa e outros olhos. os de ver.

sábado, 8 de novembro de 2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

ponha aqui o seu pezinho [7]

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Milan 1 - 0 Braga

Doeu. Principalmente sofrer um golo no último minuto dos descontos. De qualquer forma estou orgulhoso por ser adepto de uma equipa que não temeu San Siro. Apesar da derrota fizeram um grande jogo, com atitude, com tomates e sempre à procura da vitória.

É nisto que também somos grandes. Vamos a San Siro discutir o jogo. Infelizmente em Portugal mais de metade dos clubes da primeira liga, nem em casa procuram discutir jogos contentando-se com o pontinho. É por isso que grande parte dos jogos em Portugal são uma valente bosta. Ainda que algumas equipas queiram jogar, predomina o culto do empate, do desenrasca, do "queima tempo"...enfim.

Obrigado Braga.

(re)citações

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Esta gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
Dum país liberto
Duma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Já que andei pelo youtube...

Este vídeo vem na sequência da animada conversa de Sábado à noite na qual se falava de grandes momentos de televisão. É.

Tributo a John Williams

O vídeo chama-se Star Wars mas contém referência a várias outras obras primas da sétima arte. Em comum todos têm a mágica batuta de John Williams (o grande), autor de verdadeiras pérolas músicais que ajudaram a fazer destes filmes obras memoráveis.

A história de Star Wars sublimemente resumida ao som dos temas principais de Encontros imediatos de 3º grau, Indiana Jones, Super Homem, E.T., Tubarão e Parque Jurassico.

Um trabalho fabuloso de Corey Vidal. Vale a pena ver.

ponha aqui o seu pezinho [6]

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uma semana inteira de chatices para a anfitriã. eu e o anfitrião na galhofa, repetitivos, chatos, tipo altifalantes humanos.
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só o digo porque passo ainda a semana a cantar o famoso hit de rouxinol faduncho, cães de loiça,
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(uma piada só para aliviar aqui um stress repentino)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Emprego SIM, trabalho NÃO!

Porque ainda hoje é quarta-feira e ainda faltam muitas horas de trabalho até sexta à noite, só me apetece dizer:



Trocadalhos

Se o S. Martinho se celebra a 11 de Novembro, quando é que se celebra Santa Rém?

Todos a uma só voz


ponha aqui o seu pezinho [5]

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subiram ao ponto mais alto da ilha. mais de 1800 metros de altura e desvio orográfico. no pico do arieiro, em tempos idos, celebravam-se honrarias em benefício da padroeira da terra. os crentes subiam estrada acima até ao topo, só para atirar flores ao vento, levando com elas os maus agoiros. são lendas.
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hoje estes sobem com a vontade de selar um único compromisso. olhos nos olhos, postos cabelos ao vento sereno, sorriram numa tarde de saudação a um dia vindouro. firmaram acordo, doranvante nada mais que um amor terreno, solidificado nas margens dos dias que passarão lentamente, coroado de brilho ofuscador da rotina e monotonia. saberão lidar com todos os contornos sombrios da agrura e do semblante citadino.
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olhos nos olhos, com a pacificação reinante dos silvos rasantes, recitaram a poética frase,
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" deixa-te em mim ser o não nomeado -
[...]
Como a noiva de mel da minha dor
E a papoila ébria dos meus sonhos." *
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funchal, fim de tarde de outono. para eles o outubro aquece. para eles que casam de madrugada. eles que se uniram no pico do arieiro.
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* georg träkl - outono transfigurado, in poemário 2008 - assírio e alvim.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

D. João Peculiar


Após muitos flashes e inúmeras gargalhadas, eis que ainda subsiste, no meio de uma qualquer praça bracarense, uma figura de contornos enigmáticos, com uma face impurturbável e de impunência estóica, como que imune à blague e à jocosidade daqueles que diariamente por ela se cruzam. Mas não se enganem, o seu legado é bem maior do que a devassa (graças a uma opção estética duvidosa que a resvala facilmente para a obscenidade fálica) a que hoje é sujeita por parte dos mais ignorantes.


Foi exactamente isso que aprendi, hoje mesmo, ao folhear as páginas d'A Vida Dramática dos Reis de Portugal (edição Ministério dos Livros, 2008). Assim, apesar de adoentado por mais uma "atípica" gripe da época (sim, na Madeira também se apanham gripes!) foi com grande agrado e comoção que li:


"...após novas juras de fidelidade de Afonso Henriques e o acordo de Zamora, em 1143, pelo que o imperador reconhecea afonso Henriques o titulo de rei (...) è nessa mesma data que Afonso Henriques se faz também vassalo ao papa. D. Afonso Henriques aproveita as boas graças da Igreja, e, por intermédio do arcebispo de Braga, D. João Peculiar, faz com que o papa Inocêncio II aceite a sua vassalagem contra o pagamento de quatro onças de ouro por ano."


Em suma, é pelo contributo diplomático inestimável de D. João Peculiar que D. Afonso Henriques consegue garantir no séc.XII o reconhecimento oficial da independência e autonomia do reino. Assim nasceu Portugal!


(suspende-se a corrente madeirense para uma comunicação ao país)

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em resposta a este comentário, e para que ninguém volte cá com ideias mirabolantes, ou até com vontade de perceber mais do que precisa, aqui vai a minha resposta,
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ora bem, finalmente alguém que vem com vontade de agitar umas águas.
por mim pode tirar o equídeo da pluviosidade que a minha opinião dou-a quando e bem me apetecer.
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o comentário, se bem que de uma forma pouco atrevida, tem que se lhe diga. não chama nomes ao pessoal, não insulta, não agride verbalmente, nem põe em causa a nossa seriedade intelectual.
posto isto, e porque não conheço a menina ou menino, digo-lhe que de política percebo o suficiente, leio o suficiente, e informo-me o suficiente, para não fazer depender a minha opinião de uns panfletários anúncios ou de umas campanhas originais.
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a minha barricada é a cidade de braga. ponto final. não há ninguém com superioridade moral para me acusar do que quer que seja, simplesmente não alimento a vida dos espiões ao serviço da guarda pretoriana, que circula na internet à procura dos inimigos do mesquita.
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já servi a comissão nacional de eleições, e por inerência a cidade e o país de borla. já perdi tempo a explicar ideias, e já me empenhei a sério em campanhas. já lutei contra a ignorância ou falta de informação.
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e continuo. para sua informação até hoje tudo o que dei em prol da luta política e social foi de borla.
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assim sendo e, porque me fartei dos meandros podres da promiscuidade política, porque me fartei de uns quantos meninos ricos que circulam nas juventudes partidárias, porque estou farto da falta de discussão democrática, porque me cansei dos caciques, porque me enjoei de homens honestos que faliram com as mãos no poder, porque me cansei de acreditar, hoje calo-me. talvez não seja a solução. mas é a minha opção.
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se todos fizerem tanto (ou de preferência mais) que eu, estará a cidade bem servida de juventude para um futuro próximo.
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(este blog não é político. fala de política quem quer. a única regra aqui é que todos são livres de escreverem o que bem entenderem)

O bilhete já cá mora...


Curiosidades e profissões curiosas!

Andando eu a investigar por essa internet fora, acerca do S. Martinho, o que se celebra no dia 11 de Novembro, a fim de descobrir se este das castanhas seria o mesmo de Dume, tropeço com um texto que diz o seguinte:

"São Martinho de Tours é santo patrono dos alfaiates, dos cavaleiros, dos pedintes, dos restauradores (hoteis, pensões, restaurantes), dos produtores de vinho e dos alcoólicos reformados..."

ALTO, PAROU !!!

Há uma pergunta que se impõe:

Alcoólico é profissão? (é que pelos visto existem professores reformados, cozinheiros reformados, médicos reformados e... alcoólicos reformados que até têm padroeiro e tudo!)

E já agora, o S. Martinho de Dume não é o das castanhas nem o dos alcoólicos. O das castanhas é o S. Martinho de Tours. Curiosamente ambos nasceram na Hungria numa localidade chamada Panónia e ambos foram bispos, um em Tours e outro em Braga.

A título de curiosidade, há quem atribua a S. Martinho de Dume a criação da paróquia de Panóias, alusão clara à sua terra natal a Panónia. Sabe-se também que fundou um mosteiro em Dume, ficou conhecido como o bispo da conversão dos Suevos e bispo de Braga. São-lhe reconhecidos alguns textos importantes da Filosofia Medieval.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

domingo, 2 de novembro de 2008

ponha aqui o seu pezinho [3]

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à medida que subimos (em metros medidos por pés) a temperatura desce. o ventos sacodem as asas e os motores seguram a rota definida. o arranque estrépito e os desatinos momentâneos da estratosfera, mostram o longínquo arfar do coração da terra. é o céu normalizado com as afluências de núvens instáveis.
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(não sei se há paralelo com a vida ou com o resto dos dias. certamente que quando subimos na vida não sentimos a vertigem dos graus celsius. nem vemos os estranhos objectos nubulosos que retraem as escolhas.)
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parecemos destituídos de razão. da palavra história resvalamos na tensão de um cadafalso. a rotina acidental reprime o relaxe e a distenção muscular. cerram-se dentes a cada simulação de queda vertiginosa, sentimos no estômago a tortuosa imagem de fogo devastador de outras paragens.
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(a morte, escrita por extenso, é sinalizada ao aviso sonoro que nos obriga a voltar a pôr o cinto de segurança.)
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não escrevo nada no livro de registo. quero preservar apenas o que a memória me quiser oferecer. distraio-me facilmente com a história que vou lendo. as palavras do escritor, registos de viagem curiosamente - embora menos confortável que a minha - dão-me a necessária concentração para enfrentar este novo territótio inóspito. como se um lugar passasse a existir a partir do momento em que o vemos.
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(a ilha da madeira, perdida no mar, fixa nos dentes de monstro quinhentista ancorado ao largo da minha imaginação, passa nestes dias por uma fabulosa turbulência de temperatura. é verão digo eu. e digo bem.)
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à distância, esta manta que me cobre os pés, recolhe os escombros da brusquidão do embate com aquela terra. talvez as peças do puzzle se encaixem um dia.

sábado, 1 de novembro de 2008

a ver se aumentamos as visitas aqui do nosso estimado blog

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a crónica da semana no fontes do ídolo. a ler as fontes de inspiração.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O Migalhas...