quarta-feira, 19 de novembro de 2008

auto-objurgação

[1353]

é um dia que depois do outro se revela insensato. é a difícil tarefa de gerir uma torrente inexaurível. como se afastar a vontade do meu corpo permita à mente respirar um ar saudável. recorro a essa forma fictícia de criar um mundo em que me afirmo como indiferente. é o palco em que a vida nos obriga a representar.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O meu mal é ter uma curiosidade de puta...

Comecemos pela citação supracitada, pertence ao mais sardónico e provocador escritor da actualidade (Miguel Esteves Cardoso) que deu ultimamente duas preciosas entrevistas (Vide revista Ler nº74 e revista Sábado nº235) e eis algumas das suas frases lapidares:
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Sobre Saramago:
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Acho os livros de Saramago mal escritos, no sentido de serem convencidos da sua própria grandeza. É uma éspecie de declaração ao mundo. A importância dos livros só se verifica muito tempo depois.
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Sobre os romances best-seller de Miguel Sousa Tavares:
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Não li (...) Não vou ler. As coisas que tenho para ler são tantas que não tenho tempo nem paciência para ler ficção portuguesa. Para além disso, não quero ler porque me vai chatear.
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Sobre os escritores ensombrados pelos defeitos e vícios da humanidade (Gunter Grass e o seu fascínio pueril sobre o totalitarismo ou Milan Kundera como potencial covarde delator):
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Isso é uma vertente humana (...) Mas isso, por amor de Deus, não tem nada a ver com a obra. A obra é uma coisa que fica. Se tirarmos os filhos da puta da literatura e da pintura ficamos com nada. Se se tirarem os bêbados fica-se com zero. Se deixarmos só os livros feitos por pessoas que se portavam bem, tratavam bem a mulher, eram bons amigos e pagavam as contas a horas, ficamos só com merda.
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Sobre o seu novo período (de absentismo alcoólico e de substâncias psicotrópicas) mais saudável :
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Eu hoje não tomo nada. Nem para dormir. Para mim, deitar-me à noite sem comprimidos era impensável. Parecendo que não, é um bocado javardice tu deitares-te à noite sem comprimidos. Pareces uma besta sadia. Pareço um matarruano. Eu agora durmo e sabe-me bem.
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Sobre Ricardo Araújo Pereira:
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É o cronista mais talentoso da sua geração. Ele é escritor, um actor e um pensador.



O amor, a Pátria, a amizade, o sangue, o pão. É nestas coisas que acredito. Isto é mesmo verdade.
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(Miguel Esteves Cardoso, As Minhas Aventuras na República Portuguesa)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

requiem a uma alma

[1351]

quem procura a fé
através da ciência,
escolhe o caminho mais difícil.
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mas
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em não sendo o único válido,
é por certo o mais
recompens(a)dor.

Propaganda?

O Segredo (afinal era este)!


A Democracia dos Números

Quando a governação de um país se baseia no bem estar das estatísticas e não das pessoas, o ser humano transforma-se num número, condenado a ser apenas isso, um mero caracter no teclado dos computadores do sistema burocrático.

Assim:

As escolas são apresentadas como grandes centros tecnológicos, somando todos os computadores e quadros interactivos de todas as escolas temos um grande número de meios tecnológicos por escola. Fantástico. Na realidade há escolas que têm computadores e quadros em excesso e outras que não têm nenhum. Mas a estatística é que vale.

As taxas de reprovação no ensino em Portugal são cada vez menores. Fantástico. Na realidade é cada vez mais difícil chumbar um aluno por falta de aproveitamento ou até por indisciplina. Este governo prepara-se para acabar com os chumbos, pelo menos até ao 9º ano. Daqui a uns anos, quando estes meninos que passam sempre, mesmo sem saberem nada, chegarem à idade adulta, teremos uma população "altamente especializada". Bom, terão canudos na mão mas quanto ao resto... Mas a estatística vai dizer que em Portugal o ensino está a fazer um excelente trabalho.

Os professores com menos de cinco anos de serviço terão de fazer uma prova a eliminar quem não passa. A universidade atestou a nossa competência ao dar-nos um curso, muitos de nós passaram no estágio, o que constitui mais um atestado de competência. Mas não chega. A prova é a eliminar, o que significa que muitos poderão ficar para sempre inibidos de dar aulas e por isso deixam de contar para o número de professores desempregados. Lá está a estatística daqui a uns anos a dizer que vivemos no paraíso. Acabou o desemprego entre os professores.

Afinal para que serve este tipo de estatística. PROPAGANDA meus amigos, e assim o Sr. Engenheiro vai tapando os olhos da maioria com areia, tanta areia que até parece que é todos os dias segunda-feira de manhã.

Não escrevo PROPAGANDA com o R ao contrário mas bem o poderia fazer. É que isto cheira-me a qualquer coisa...

domingo, 16 de novembro de 2008

Luis Franco Bastos

Este é que vai ser um verdadeiro artista...

http://www.youtube.com/watch?v=lbmqGmqmF1s&feature=related

(vale a pena!)

sábado, 15 de novembro de 2008

a midnight valium for a good night sleep * [2]

[1346]

não é que seja propriamente uma " [...] espelunca favorita de jazz no harlem [...]". é um espaço mais rural, sem luzes carregadas com neons garridos, sem a azáfama da big city, sem os delírios da cidade que nunca dorme. é mais pessoal o atendimento. há clientes que se conhecem há muitos anos, noctívagos de traços influenciados por noites perdidas na crença de encontrar um momento sublime de improviso. é a minha noite de jazz.
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até pelos traços da arquitectura se nota que o ambiente jazzistico vem de dentro para fora. só o som pode ornamentar esta casa com o requinte necessário ao ambiente equilibrado para a música. as bebidas são modestas - etilicamente falando - licores ou vinhos clássicos. só uma bebida tem um sombrero e do resto não sobra mais que atenções voltadas ao palco.
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desde que se proibiu o tabaco que os ambientes se tornaram mais respiráveis, os espaços menos carregados e a música começa a fluir mais naturalmente. são horas seguidas de improvisações de guitarras, solos de bateria do mais velho, rasgos de palmas aos milagres da destreza manual. e o público pede mais, vai cantando seguindo o apelo do cantor, vai-se impacientando esperando por mais um passo de mágica, como se o soul, jazz ou blues, se tornassem num hino de libertação. por entre as conversas das mesas entreabre-se a satisfação, há sorrisos animados, um casal ao canto mais recatado, e os mais velhos absorvem o ambiente como se para eles o tempo fosse mais urgente, como se para eles os dias de animação fossem uma emergência.
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aos poucos a noite fria vai quebrando a gente ao espaço. a hora avança e a partir daqui todos se atrevem a arriscar umas notas. a minha vez chega para cantar uma versão jazz de chico fininho. garanto-vos que se entranha em nós a melodia e vamos seguindo por intuição a tonalidade.
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é a minha homenagem ao chiquinho da bateria. é o velho que se entretém por aqui por paixão à música. é um baterista firme com parkinson.

a midnight valium for a good night sleep *

[1345]
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marco certos
dias
no calendário para registar
que foram
dias
exactamente iguais
a tantos outros
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* sutítulo do blog [vontade indómita]

a cónica da semana

[1344]

os encantos da literatura de viagem. a não perder esta semana a crónica nas fontes de inspiração, do blog dos costume, o fontes do ídolo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Os Contemporâneos

Ontem vi um sketch como não via há muito, não quer dizer que não se tenham feito ultimamente bons sketches, mas o de ontem deixou-me a chorar a rir.

Ainda não o encontrei no youtube para aqui o colocar, deve estar disponível lá mais para domingo ou segunda.

Imaginem uma Feira do Erotismo bem portuguesa. Era a Feira Folcloerótica, uma mistura de Folclore e Erotismo, de morrer a rir. Adorei a parte dos "Dildeiros de Miranda".

Acho que repete no sábado ou domingo à noite. De qualquer forma vou ver se coloco aqui logo que possível. Está de mêdo!

Espontaneidade

Quem andará, afinal, a orquestar manifestações dos alunos contra a Ministra da Educação e os seus Secetrários de estado???
O Secretário de Estado tem a certeza que alguém está por de trás destas manifestações. Só não sabe quem é!!!
Quem fizer chegar informações relevantes a este respeito será recompensado com um Magalhães. Se for professor receberá um BOM na avaliação.

Mini Drunfes

Toda esta agitação com as possíveis greves e manifestações de estudantes, deu para me lembrar dos tempos em que os camurcinas por lá andavam. E, como consequência, lembrei-me destes artistas que vale sempre a pena lembrar e homenagear. Pelos grandes momentos de pagode que nos proporcionaram. Ainda há entre nós quem tenha o cd.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

ponha aqui o seu pezinho [13]

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(re)citações

[1339]

do comum dos mortais
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certas coisas
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certas coisas que nós suportamos
não nos dizem respeito,
e nós lidamos com elas
devido ao tédio ou ao medo ou ao dinheiro
ou à pouca inteligência;
a nossa vontade e a nossa esperança
cada vez mais pequenas, [...]

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charles bukowski
versões de manuel a. domingos
do blog [o amor é um cão do inferno]

(re)citações

[1338]

dos amantes

o início
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quando as mulheres deixarem
de levar espelhos
para todos os lados
talvez nessa altura
elas possam falar comigo
sobre
libertação.

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charles bukowski
versões de manuel a. domingos
do blog [o amor é um cão do inferno]

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Bolsa de valores

O dólar cai ou não cai?




ponha aqui o seu pezinho [12]

[1336]

ruas oblíquas, desníveis inquebráveis, pendentes de escoamento rasgadas na rocha, água que tarda em cair do céu, núvens desenhadas a carvão, e azul. muito azul esparramado a pincel, em rasgo de inspiração na planície invertida. não é o pintor que tem arte mas antes a natureza que se excede de vontade.
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(declino o convite do mar. não volto a sofrer da sua fúria)
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percorro a marginal observando as palmeiras. e as cores das flores. os olhos encontaram descanso lírico no jogo visual proporcionado pelo contágio do pólen. acredito na mão suprema, na protecção da intempérie que segura a beleza das plantas. arrisco dizer que me canso de tanta formosa criação. sento-me a reverenciar o extracto de paraíso que se poisou nesta terra. e a sublimar o perfume das flores. relembro a música,
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e canto. porque me recordo dos cheiros retemperantes da loucura temporária, dos olhos parados em suspensão observativa, da contemplação das marés calmas e da espuma do mar que vai esverdiando as rochas dos molhes artificiais.
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(duas crianças brincam em frente ao mar)
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faço o rescaldo dos dias amenos. talvez amanhã o tempo piore e resfrie. acalme. e eu amanhã me deite de novo ao vento da prosa, procurando pescar as palavras soltas do rio que agora começa a chegar à cidade. é sinal de chuva no norte da ilha.
amanhã chega cá.
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e se a chuva assenta o pó, também derrama cheiro a terra molhada. bálsamo bendito a esta terra quis deus dar.

ponha aqui o seu pezinho [11]

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Alterações Climáticas!


Depois de um Verão atípico onde a chuva foi uma constante a imagem fala por si. Estamos no Outono, alguém vende castanhas em frente a uma praia onde há gente a tomar banhos de Sol. O calendário marcava 9 de Novembro.