sábado, 29 de novembro de 2008

fontes de inspiração

[1373]

a coluna social. a visão de um poeta que ninguém lembra que vive do mesmo ar que nós. a palavra noutro blog em, fontes de inspiração.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

profilaxia

[1372]

ora meus caros, em chegado o final da semana e dada a minha disponibilidade mental para voltar a escrever, queria começar por vos pedir que oiçam este andamento enquanto esperam que eu disserte sobre qualquer coisa. se é que realmente irão esperar. importa pois que estejam muito à vontade e, se não quiserem ler, pelo menos não perderam o tempo todo.
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certas semanas servem para aliviar desnecessárias pressões que imponho a mim mesmo. é o ritmo que necessito para me sentir vivo, mas em determinadas alturas é urgente abrandar.
sem desvirtuar a necessidade da filosofia na nossa vida, é preciso reconhecer que, regra geral, as coisas são até bastante simples. nós, que permanentemente nos fazemos acompanhar de um complicómetro, é que devemos observar o quadro paisagístico da nossa vida ao longe. a distância permite perceber as falhas, as debilidades e os erros. se não assumirmos e encararmos isso naturalmente, dificilmente daremos o passo necessário.
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depois há alegrias incomensuráveis. as que pela sua força se tornam desmedidas. se virem este vídeo, rapidamente perceberão que tipo de sensações experimentei depois do filme que mais aguardei neste outono. o meu êxtase está muito próximo do descrito por saramago. é muito bom terminar o filme e o livro e perceber que isto é uma obra prima, que algo de tão grande só pode ser imaginado, criado, engrandecido, manipulado e tornado estupidamente perfeito, por um grande escritor. e saramago é enorme. (sim. podem argumentar o que quiserem, lobo antunes e o resto dos escritores portugueses todos, que respeito muito - e leio muito em detrimento dos estrangeiros. sim podem argumentar o que quiserem. eu sei do que falo. aliás eu só falo do que sei - aproveito para começar o leilão do último livro do lobo antunes, envio a quem licitar ao melhor preço, ou dou a quem provar gostar muito)
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e assim o tempo, frio por sinal (ontem no estádio municipal de braga estava um frio que nem vos conto) passa mais consentâneo com as exigências naturais que fazemos à vida. e porque dizes isso homem justo, honesto, coerente e imparcial - pergunta a voz interior deste senhor? (sim, só pode ser a dele porque eu não tenho) digo isto porque a profilaxia (cá está a justificação do título) que adoptei é feita à base de barbitúricos literários e placebos poéticos.
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reconverto-me muitas vezes em militante acérrimo de teorias milagrosas. como se a planta imaginada (panaceia) existisse no meu quintal. admito também uma certa incoerência da natureza que me é difícil de suportar. as coisas que não existem, não podem ser cobiçadas. ao mesmo tempo que aquelas que existem, mas não as conhecemos, também não podem ser admiradas. pois eu que me admiro na tenacidade ideológica retiro-me do campo onde se movimenta o xadrez para não sucumbir a um qualquer xeque-mate psicológico. vai daí cerro fileiras em busca da paz inerente ao meu estilo próprio. não se trata de egoísmo, mas antes de um encapotado altruísmo.
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é um procurar não existir grandioso
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depois desprogramo os indícios de contaminação do fim-de-semana. administro a dose necessária de amnésia e volto ao início dos dias dos desejos sabotados pela imaginação.
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(muito sub-repticiamente volto a aconselhar um texto que merece a vossa atenção. diz coisas como esta "a minha escrita é um rumor da tua ausência" ou "e passo os dias neste processo de fingimento reduzindo-te a palavras")
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acaba por ser um contra-senso estar um texto todo a expurgar o mal menor do mundo, e terminar com estas palavras citadas. a intenção era somente mostrar-vos o que eu vou lendo, já que não vejo muita televisão e não posso opinar sobre os atentados recentes. lamentável. eu e os atentados somos lamentos vomitados ao mundo por um deus que vai jogando à roleta com as nossas vidas. felizmente vivo cada vez mais fora deste mundo. ainda agora estava a pensar que hoje e amanhã há promoções sérias e importantes. descontos para todos os melómanos prosaicos.
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de uma forma genérica resultou o esforço. eu debito palavras que vão do desconexo ao estapafúrdio. perco-me em caminhos desnecessários e à vezes exagero na diminuição da capacidade de surpresa. consigo desembaraçar-me de emaranhados de ideias entediantes que me assolam e liberto-me sem esforço do que considero ser uma espécie de pensamentos de minúcia eclética. o que resulta tantas vezes em tiradas ou aforismos de um certo brilho estético. (agora não me ocorre nada. mas aconselho esta frase de um blog que cito recorrentemente [vontade indómita])
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" [...] Por tudo isto, deveriam ensinar na escola: milagres só na Bíblia. E poupavam a todos os futuros adultos muito, muito trabalho. "

terça-feira, 25 de novembro de 2008

o gaijo nunca mais morre!

A "guerra-fria" acabou e o mundo já não assiste impávido ao digladiar entre duas superpotências. O mundo está diferente e o eixo do mal já não pode ser apontado com a anterior clareza maniqueista.
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Este pequena introdução (ao bom estilo Nuno Rogeiriano) serve de prolegómeno (ao bom estilo Pacheco Pereiriiano, ou seja, de pedantismo bazofeiro) a algumas considerações sobre o último filme do James Bond, estapafurdiamente designado de "Quantum of Solace". Sim, o mundo ansiava pela minha opinião sobre o último filme do espião mais conhecido do mundo ao serviço de sua majestade. Por isso (quer gostem ou não!) ai vai amiginhos:
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Para começar, o genérico e em relação ao dueto entre Alicia Keys e Jack White, apenas boas referências. Vultos de gajas nuas q.b. e umas quantas silhuetas tipicamente filme noir, mistério e suspense. Enfim, nada de novo mas também nada de que destoe numa franchise com mais de quarenta anos, que se construiu à custa de certos pormenores repetitivos mas que ajudaram a criar uma mitologia própria.
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O vilão, é uma espécie de Sarkozy com muito mau feitio. Por outras palavras um representante de uma poderosa corporação com interesses pouco altruistas (para não estragar a surpresa) que não sabe andar à porrada e que arrasta a sua interpretação/mais cómica do que própriamente ameaçadora à custa de uma expressão facial (brrrrrrrrrrrr, que medo!) perturbante. Saúde-se de pela primeira vez o vilão do filme não ter um maxilar de metal, três mamilos (sim, ainda hoje tenho pesadelos com o Sir Christopher Lee a abrir a camisa num provador da Zara) um gato, mãos falsas, uma pala ou qualquer outra prótese ou apêndice. O que se entende, porque depois do Austin Powers o filão de pequenas bizarrias físicas em vilões tornou-se...cómico.
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O James Bond. Bem, depois de sean Connery (que ao inicio também não havia satisfeito o autor da saga, Sir Ian Flemming) é preciso ter coragem, para assumir um papel outrora entregue a figuras de tão elevado quilate cinematográfico, como George Lazenby ou até mesmo Timothy Dalton (para quem não os conhece, são uma espécie de Paulo Pires australiano e galês respectivamente).
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Daniel Craig, é um Bond anglo-germânico, frio, insensível, violento, perigoso, sádico com uma pitadinha de sarcasmo e ironia tão tipicamente britânica. No entanto preserva a masculinidade necessária a um autêntico sedutor assassino "larger then life" e dispensa as paneleirices das "gadgets" que outrora pululavam os filmes anteriores (nunca gostei de ver o John Cleese a demonstrar ao James Bond o poder do "dentrífico assassino", ou das cuecas com câmara de filmar, já agora porque não o "telémovel pistola" ou uma "metrlhadora télemovel").
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As Bond Girls, boas! Agora a sério (porque já não vivemos nos anos sessenta) boas e...inteligentes!
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Em conclusão, vou dar umas consistentes três estrelas pelo bom entretenimento. Como aspectos positivos, o argumento (que conclui o arco narrativo iniciado em Casino Royale) escrito por Paul Haggis (um dos mais prestigiados argumentistas/realizadores da actualidade) a acção (que preserva a nostalgia da série mas actualizando-a para a violência menos estilizada dos nossos dias) e a mudança de rumo que a série pretende levar (tornando-a mais séria/realista) mas por outro lado subtraindo-lhe a faceta que (nos) apaixonou gerações, uma espécie de joie de vivre frivola e superficial à base de Martinis, carros rápidos, mulheres bonitas e lugares exóticos.
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

auto-objurgação [11]

[1370]

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(valia a pena relembrar estas palavras escritas há um ano. agora sim termina a vossa tortura)

auto-objurgação [10]

[1369]

porque não me apetece escrever mais nada esta semana (por falta de motivo), deixo-vos a última da saga da auto-flagelação. é como diz a minha amiga, um dia vou-me rir disto tudo. mas hoje não é o dia.
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sindroma da má disposição de segunda feira.

Hoje impliquei com o café que me serviram ao almoço. Porque se faz acompanhar o café em grande parte das vezes, de um rebuçado do mesmo sabor?

para um belo dia assim terminar?!...


e esta a linha a seguir?!...


será esta a janela?!


auto-objurgação [9]

[1364]

no campo da batalha que se torna o amor, o discurso feminino assume traços estratégicos pouco decifráveis. é uma espécie de semiótica feminina. há sinais evidentes que nos mostram a necessidade de conhecer por dentro a arte de guerra. há nelas um certo discurso encriptado (por necessidade táctica de defesa).
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a desconstrução do enigma passa pelo domínio da hermenêutica da suspeita. é que se a felicidade está a um pequeno passo, a desgraça está a uma distância ainda menor.

auto-objurgação [8]

[1363]

o amor é uma guerra fratricída em que a tarefa mais difícil é a desminagem da estrada principal do coração.
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auto-objurgação [7]

[1362]

" Quero que saibas
uma coisa.
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Tu sabes como é:
se contemplo
a lua de cristal, os ramos rubros
do outono lento da minha janela,
se toco
ao pé do lume
a impalpável cinza
ou o corpo enrugado da lenha,
tudo a ti me conduz,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fossem pequenos barcos que navegam
em direcção às tuas ilhas que me esperam.
[...]
Se consideras longo e louco
o vento de bandeiras
que percorre a minha vida
e decidires
deixar-me à margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
nessa hora,
levantarei os braços
e as minhas raízes irão
procurar outra terra.
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Mas se em cada dia,
em cada hora,
sentes que a mim estás destinada
com doçura implacável.
Se em cada dia em teus lábios
nasce uma flor que me procura,
ai, meu amor, ai, minha,
todo esse fogo em mim se renova,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor do teu amor se nutre, amada,
e enquanto viveres continuará nos teus braços
sem abandonar os meus."
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Pablo Neruda
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roubado daqui

domingo, 23 de novembro de 2008

auto-objurgação [6]

[1361]
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tantas palavras para dizer que me reprimo na via que uso para ser feliz. não é no fim em si que ela se encontra, mas no meio para lá chegar. e todos os meios justificam este fim.
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sábado, 22 de novembro de 2008

auto-objurgação [5]

[1360]

também me sinto menor ao escrever estas crónicas semanais. é como dizia o mec,
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"É ultradeprimente estares sempre a ler coisas muito melhores do que alguma vez vais conseguir escrever."
(vide a mesma e repetidas vezes citada revista ler, pp. 36)

Olha aí um grande filme!

O Eu, a arte e o tempo. A relação entre estes três aspectos da nossa existência tratada com extrema simplicidade numa comédia simplesmente brilhante.

Para quem acha a filosofia uma trêta e continua pouco motivado para o filme, posso-lhes garantir, no mínimo, umas 10 gajas nuas (no filme, claro!), o que não estraga o nível do filme. É uma nudez explícita, sem censura, mas com classe!

Let's look at the "treila"

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

crime ou castigo

[1358]

simples como o sol que semeia amarelo nos campos de milho em setembro. depois deste vídeo vou,
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"[...] voltar ao mundo
após uma curta eternidade, já sereno
voltar de novo ao mundo [...]"
via [nu singular]

auto-objurgação [4]

[1357]

se te deprimes, por manifesta falha química do hipotálamo, ou simplesmente porque não ingeres suficientes doses activas de serotonina, é porque vês a vida como a elis regina, na sua música sou caipira

" [...] descasei, joguei, investi, desisti. se há sorte, eu não sei, nunca vi [...]"

(um portento diga-se). mas não julguem que o chocolate - todo ele pejado da milagrosa substância- trará o segredo e a solução. pode até ser contraproducente (alarga as ancas, se bem me entendem as mulheres).

auto-objurgação [3]

[1356]
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há uma flor num canto deste país que me prendeu aos seus encantos. depois de a apanhar, caminhei vezes incalculáveis a arrancar uma a uma as suas pétalas. desmistifiquei a crença infantil de que o bem-me-quer acaba sempre nas nossas mãos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

auto-objurgação [2]

[1355]
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costumo dizer que vivo sem expectativas. é um mecanismo virtual que fui aperfeiçoando com os anos. foi fruto de vicissitudes várias, umas naturais e aceitáveis (à luz desta mesma perspectiva actual), outras mais fictícias, arrastasdas para as nossas vidas de forma voluntária. por sinal é fácil aprender com a experiência quando criamos formas de nos defendermos da dependência de excitação e vitórias.
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corremos o risco desnecessário de nos tornarmos despegados do sabor da alegria desmesurada (e é tão bom sentir isso), mas também nos desprendemos de disabores dispensáveis. com o passar do tempo, o sistema torna-se um vício - e nisso eu sou um às - de tal forma que inadvertidamente te enredas nos meandros do sistema criado por ti.
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podes mesmo perder a noção de que há sinais evidentes que mostram o domínio do sistema sobre ti. o mecanismo endémico, quase como um sistema imunológico anti-felicidade, vai dominando a percepção que tens de ti mesmo.
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quando deveríamos estar a festejar uma vitória, sentimo-nos impelidos a conter essa emoção. como se prevíssemos que a lei de murphy actuará a qualquer altura sobre nós. perdemos o momento. e ele nunca mais volta.
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agora que analiso esta minha teoria (aplicável apenas e só a mim) admito que de certa forma não é mau ter este sistema activo. é que num passado recente, admitir que o futuro iria melhorar a olhos vistos - como se fosse possível existir uma panaceia para isto -, correu muito mal. amanhã o lugar comum será o da catarse. e prometi um presente a mim mesmo, serenar debaixo do sol de inverno. e até os pombos dos clérigos me farão feliz. palavra de honra.
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(ressalvo que, apesar da promessa, a lei supra citada continuará a existir, embora eu me tenha concentrado noutra, mais especificamente nesta, sendo que compreenderão que um dia o acontecimento tentado acontecerá. veremos qual das leis é mais forte.)

Tudo tão perto

Hoje de madrugada estivemos perto de vencer o Brasil. Estivemos a 90 minutos. Não fosse o descalabro dos 81 minutos restantes da partida e teríamos ganho à "canarinha".
Assisti apenas a 30 minutos do jogo, não posso afirmar se jogamos mal, muito mal ou pessimamente! No entanto, as vozes indignadas que vociferavam "cobras e lagartos" sobre jogadores e treinador, que ecoavam na normalmente pacata pastelaria onde tomo o meu café matinal, faziam-me acreditar que uma vez mais a equipa de todos nós tinha sido uma desilusão.
Mas as conversas não versavam apenas sobre futebol e num diálogo bem mais tranquilo, um casal dissertava sobre os reais problemas dos Portugueses. Num tom de voz que transmitia segurança, o senhor X afiançava à sua companheira estar em posse da solução para a crise.
- Eu se fosse o Primeiro-Ministro tinha solução para esta crise! - afirmou.
Afinei de imediato os receptores auditivos, sim, porque afinal a solução para a crise não é o remédio que todos desejamos obter? E estava ali tão perto.
- Tens? Como? Que fazias? - perguntou curiosa a senhora Y.
- Tenho! É tão simples! - e olhando para o relógio prossegui - Marcava uma reunião com os Ministros todos para as 10 horas...
E naquele preciso instante em que ia ser divulgada a resolução da crise, surgiu a empregada de mesa, que deixando cair sobre a mesa os cêntimos restantes, interrompeu a reunião preparatória do Conselho de Ministros que se avizinhava... Os dois levantaram-se e com eles levaram a solução da crise. E não é que ela esteve ali tão perto!
As conversas sobre o futebol continuaram e ao que parece a crise também!!!