quinta-feira, 19 de março de 2009

aceita-se permuta de blog

[1596]

cometo erros. há quem diga que não, que nunca erra e raramente se engana, mas eu assumo os erros tal como as virtudes, de tal forma que ao perceber a inqualificável falta dos meus enganos, me penitencio de uma maneira afincada, tanto que na próxima vez que estiver perto de errar novamente, o mecanismo de protecção activa-se per si. penso muito nestas coisas. mas pensar de mais não é um erro.
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depois de (tres) ler, o que escrevi no último post, percebi que apregoei uma teoria certa, mas não era a que eu devia ter defendido. vamos lá ver (têm dois minutos para eu explicar? sim, então cá vai). há dias descobri que existem duas formas de verdade, uma verdade técnica, e uma verdade completa (garanto-vos que é absolutamente impossível contrariar isto, nem do ponto de vista filosófico, com todas as vertentes da lógica) disse eu que acreditava numa espécie de compensação universal, uma que milagrosamente aconteceria como funcional e equilibradora, sendo que todo o mal que te acontece seria compensado com um bem similar. ora isto defendido desta forma é absolutamente egoísta. embora também acredite nisto, defendo algo mais altruísta.
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eu, ou mais propriamente a minha pessoa iluminada e carregada de moral e bons costumes, acha (e pratica) o bem como forma de ser compensado com o bem. ou seja, serás retribuido na mesma moeda, em peso e circunstância, mediante os teus actos. tal como o mal que pratiques, te será devolvido (a ler isto de repente, parece-me ainda pior do ponto de vista literário, e aguardo os delatores deste meu assassinato da prosa).
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mediante isto, e porque me parece que o valor do blog pode descer, aceito permutar este blog por outro de design mais aprumado, mas que seja mais pequeno, dado a disponibilidade monetária não ser muita. até porque continuo em contenção de despesas.
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[admito outro erro - pequeno é certo - mas que me compromete, e é melhor vocês saberem-no por mim. prometi não gastar dinheiro este mês em livros e não resisti. ontem naquele feirinha do bragaparque gastei 1,5 euros num livrinho em saldo do jorge fallorca (que tem um blog agradável e de publicação intensa que descobri há pouco tempo)]
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ia filosofar um pouco sobre a diferença entre um erro pequeno e um erro grande. não me parece altura certa. adianto já o post em demasia e só tinha pedido dois minutos para explicar a minha teoria. devia ser mais conciso. um dia aprendo. mas já agora e se não é muito incómodo, leiam o que me chateia por estes dias. a literatura e a moral. jorge fallorca cita a prémio nobel, doris lessing sobre este tema.
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" [...] Os grandes homens do século dezanove não tinham em comum nem a religião, nem a política, nem os princípios estéticos. Mas o que tinham em comum era um clima de discernimento estético; compartilhavam de certos valores; eram humanistas. [...] Todas as grandes palavras como amor e ódio, vida e morte, lealdade e traição contêm os seus significados opostos e meia dúzia de matizes de duvidosa implicação. As palavras tornaram-se tão inadequadas para exprimir a riqueza da nossa experiência [...] É muito difícil formarmos juízos morais, usar palavras como “bem” e “mal”. [...] maior parte das pessoas que conheço, pessoas da esquerda e da direita, comprometidas ou não, religiosas ou anti-religiosas, mas que, ao menos, têm isto de comum: lêem romances como me parece que devem ser lidos, para obterem inspiração, para alargar a nossa perspectiva da vida. [...] "
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sono? ainda há mais. eu errei ao não cumprir a minha parte do acordo em não gastar dinheiro com os livros, mas sei que ao ler procuro viver noutras dimensões, e sobre outras realidades que enriquecem e enaltecem o moralismo e o humanismo. como diz doris lessing,
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" [...] O que procurava era o calor, a compaixão, a humanidade, o amor pelas pessoas, que ilumina a literatura do século dezanove e que converte todos esses antigos romances numa declaração de fé no homem. [...]"
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depois deste post, o valor de mercado do blog cairá em definitivo para valores próximos do zero à esquerda. porventura o melhor é desistir e dar este espaço a quem tenha mais tino.
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1998... +-



Há álbuns e/ou músicas que marcam uma época.
Fui ao baú, limpei o pó e voltei a por este na aparelhagem. a faixa 11 tem direito a repeat... várias vezes.

terça-feira, 17 de março de 2009

ademanes e amofinações de um homem feliz

[1594]

é horrível a matéria. ter de tocar estes assuntos aflige-me a alma. chateia-me. não gosto de repetir que me sinto um homem de sorte - já dou aqui de borla as coisas das quais ninguém imagina o peso - correndo o risco de me pintarem como um pedante do destino.
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a verdade é que me acorrento às minudências da vida como se elas fossem os solavancos imprescindíveis à evolução. o conceito que eu tenho de felicidade está tão próximo de banal que me questiono tantas vezes se não estarei a enganar-me. sabem, as respostas chegam cobertas da mesma certeza, o que eu sinto é a urgência do tempo, e como não o posso parar ou abrandar, o melhor é mesmo aceitar.
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mas mais do que a proximidade da não-resposta permanente para o que é a felicidade, eu alinho em apreciar o que tenho na verdade. querer mais permanentemente falseia a realidade, denigre a conquista, deprecia o valor do que tens em mãos, distancia-te do real, eleva-te ao estado amofinado e de enfado.
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(interrompo este pensamento só para vos aconselhar este magnífico blog, da fátima rolo duarte. se alguém me mostrar um único blog em portugal que seja melhor que este, no seu global, na estética, grafismo, texto e criatividade, fico muito agradecido)
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como dizia, custa-me falar sobre a minha facilidade em aceitar contratempos. estou demasiado moderado para reclamar ou para protestar. ainda hoje me avariou o carro a caminho do trabalho, e eu o que faço? ponho o rádio mais alto e fico a ouvir boa música enquanto espero pelo meu mecânico, de sorriso largo - e colete reflector - mas com a bonomia de quem já não trabalha para as úlceras nervosas. e o que não tem remédio, remediado está (garanto-vos que há uns anos atrás era capaz de dar três bons pontapés ao carro, dizer todos os nomes feios do dicionário, e ainda exigir a presença do santo-ofício para julgar as trinta putas que me amaldiçoavam) hoje sou incapaz de dizer a palavra putas.
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é horrível a matéria. aceito que haverá quem diga que se tenho sorte era difícil sentir-me de outra maneira. pois é meus caros, a razão assiste ao argumento que exponho a seguir. eu acredito na teoria da compensação universal (isto não existe na wikipédia, acabei de inventar o título - embora se pudesse chamar teoria boomerang) ou seja, de cada vez que nos acontece algo de mau, o universo vai-se encarregar de te repor com algo bom (venham de lá os destiladores de ódio ao esoterismo paulo coelho destas minhas palavras).
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o que olho a medo é para os momentos em que decidi a minha vida e nem sequer me apercebi da importância do que me acontecia nesses momentos. felizmente a imprevisibilidade dos acontecimentos ordena-se de forma positiva para mim. e se hoje não tenho palavras para o momento subime que vivo, é porque a minha teoria está correcta.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

equações da sandice [4]

[1593]

mais uma vez borges. as histórias em que nos metemos inadvertidamente. a confusão que medra nesta minha cabeça, contrasta com o efeito do sol e do fim-de-semana. relaxo pois. ou não sou eu um pedaço de deus deixado na terra para tentar compreender os seus desígnios.
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estava sentado num café a ouvir uma conversa alheia. a partir de nova iorque alguém se saudava efusivamente, como se fosse ali ao lado, na outra esquina. como se nova iorque fosse no fundo da rua, como se eu me levantasse, pagasse o café e o conto (ou é o conto que se paga e o café é de borla?), e pensasse em voltar mais tarde para o crepe do café progresso.
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(tento ir no encalço desse limite. desço uma rua, percorro outra convidativa, e entro numas portadas de ferro enormes. imagino-me a encontrar saramago no jardim das roseiras (borges outra vez). mesmo com a vista para rio, apenas me sentava ao seu lado e lhe dizia do meu prazer pelos seus livros. imaginei que ele tinha perdido a consciência de quem era. que apenas sorriria sem a noção de que era o prémio nobel. e ele apenas responderia que as roseiras estariaam para florir, que estava ali sentado à espera do milagre da primavera, o que prova que nem sempre a sandice degenera em tolice)
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aparte a distância entre um post que poderia ser útil e sensato e este, conquanto me divertiria com a imponência do mesmo, sou deveras instado a anuir com o que ele (saramago) diz no seu blog, porque na realidade - a tal que todos vemos e não a que eu apregoo - o que eu vi naquele dia foi o rio. já as roseiras não sei, que estava ocupado com outra beleza mais metafísica.
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" [...] Nada de surpreendente para quem quiser recordar o que sobre ela tenho dito e escrito em já quase um quarto de século que levamos juntos. Desta vez, porém, quero deixar constância, e supremamente o quero, do que ela significa para mim, não tanto por ser a mulher a quem amo (porque isso são contas do nosso rosário privado), mas porque graças à sua inteligência, à sua capacidade criativa, à sua sensibilidade, e também à sua tenacidade, a vida deste escritor pôde ter sido, mais do que a de um autor de razoável êxito, a de uma contínua ascensão humana. Faltava, mas isso não podia imaginá-lo eu, a idealização e a concretização de algo que ultrapassasse a esfera da actividade profissional ou que dela pudesse apresentar-se como seu prolongamento natural. [...] "
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há coisas em que eu acredito sempre. principalmente neste sentimento sem idade e sem limite.
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equações da sandice [3]

[1592]

estava capaz de vos contar uma história
mas como seria difícil guardarem segredo
fica para uma próxima oportunidade.
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obrigado na mesma pela vossa atenção.
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fontes de inspiração

[1591]
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a crónica da semana no sítio do costume, uma deliciosa entrevista com a autora do mês, ana salomé. quem diz o que ela diz, precisa de exposição mediática,
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sábado, 14 de março de 2009

make your choice


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sexta-feira, 13 de março de 2009

zöe [12]

[1589]

à mais bela mulher daquele mundo
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podia comprar um espelho mágico
para lhe dizer
da beleza que carrega.
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prefere que seja eu a repeti-lo todos os dias.
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Quando não temos que fazer...

Queres saber o que aconteceu no dia em que nasceste?
E o que foste numa vida anterior?
Tem alguma piada. Há dados engraçados que eu desconhecia ... noutros, acredita quem quer!

equações da sandice [2]

[1587]
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a verdade é que virem aqui sem passarem antes por ali, e lerem o post do famigerado e aclamado pela crítica, dr. etc - personagem e alter ego construídos com raça e obstinação - uma espécie refinada de luiz pacheco dos nossos dias - é puro delírio e perda de tempo da vossa parte. vale que eu estou atento e vou-vos alertando contra a degeneração qualitativa do vosso intelecto.
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certo também é que, não tendo eu nada de especial para vos dizer, ponho já à vossa consideração dispensarem a leitura do resto do texto, e iniciarem paulatinamente o fim-de-semana sem risco dele se auto-destruir com estas palavras.
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reparem então como com uma pirueta gráfica, construída apenas de palavras (nunca tive muita queda para o desenho, embora me fascinassem os desenhos das mulheres nuas - isto sem perceber naquele tempo, que eram feitos com modelos reais) reparem, dizia eu, como, com o facto de eu estar empenhado em que este post fique à altura da exibição do braga, ele ficará deveras agradável. quem perde uns minutos a ler isto fica de consciência apaziguada com a prática da auto-comiseração da minha pessoa. é que, sem desprimor para o optimismo reinante, o meu pessimismo não pára de me alertar para a correria do tique-taque do relógio e, por inerência, da vida. e detesto desperdiçar leituras no que não vale a pena.
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e depois desta ginástica rítmica compassada de palavreado em latente pré-tensão, respiro fundo. vou só almoçar qualquer coisa ali ao bar. e depois vou ler umas páginas do dom casmurro ao sol enquanto o tempo do almoço não expira. sim é um clássico. sim vale a pena ler. é uma obrigação ler machado assis. e porque num recente livro que li tinha a seguinte citação,
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“No tempo dos meus pais, e até em boa parte no seu e no meu, costumava ser a pessoa que ficava aquém. Agora é a disciplina. É muito difícil ler os clássicos; logo a culpa é dos clássicos. Hoje o estudante faz valer a sua incapacidade como um privilégio. Eu não consigo aprender com isto, portanto alguma coisa está errada nisto. E há especialmente alguma coisa errada no mau professor que quer ensinar tal matéria. Deixou de haver critérios, Mr. Zuckerman, para só haver opiniões.”
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philip roth, a mancha humana
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passo a questionar, que raio é que andei a fazer até ter acordado para esta realidade?
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ontem como hoje estou de bem com o mundo. e mais ainda com deus (não vou ouvir a palestra indústria). para quem começou uma corrida de meio-fundo há tanto tempo, e pensa desistir quando vê a meta aproximar-se, só pode sofrer de perturbações. e eu não sofro. só do mal de escrever.
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quinta-feira, 12 de março de 2009

Acreditar em Deus. Porque sim? Porque não?

Organização: Portal Ateu e
Faculdade de Filosofia - Univ. Católica
Local: Aula Magna da Faculdade de Filosofia - Univ. Católica
Praça Faculdade de Filosofia

Data: 14 de Março (Sábado)
Horário: 15.00h

Realiza-se dia 14 de Março de 2009, às 15h, na Aula Magna da Faculdade de Filosofia de Braga um debate sobre as razões para acreditar em Deus e as razões para não acreditar.

O debate insere-se no Projecto de Investigação ‘Epistemic Studies’ do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da Faculdade de Filosofia, na linha de investigação sobre o diálogo fé-ciência.

A iniciativa é co-organizada também pelo Portal Ateu, uma instituição que procura promover o ateísmo em Portugal. O debate insere-se numa tentativa de esclarecimento recíproco entre crentes e não crentes, com o objectivo de se superarem alguns mal-entendidos de parte a parte, e de assim se esclarecerem os termos do diálogo que deve existir. Pelo Portal Ateu intervêm dois dos seus membros fundadores, Ricardo Silvestre e Helder Sanches. Pela Faculdade de Filosofia intervém Alfredo Dinis. Bernardo Motta intervirá também como crente.

Vou ver se passo por lá. Há mais candidatos?

Porque este blog também é uma rádio!

Brevemente disponível em podcast. A história alternativa de Portugal. Em estudo, uma versão vídeo do documentário. Fica aqui só um cheirinho, a primeira parte do primeiro episódio na sua versão radiofónica. Deixem as vossas críticas e sugestões. O som será melhorado nas próximas edições.

À conquista da europa


Hoje vamos continuar a fazer história frente a uma das melhores equipas francesas, o Paris Saint-Germain!
Força Guerreiros!!!

ó indústria tinhas razão, com um título destes no blog não conseguimos aparecer nos jornais

[1583]
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tinhas razão. com este nome não vamos ficar famosos. ou pior, ainda nos arriscamos a uma excomunhão.
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Curtas #6

A poucos metros do sítio onde estou, está uma menina a dar pontapés e palmadas no rabo a uma estátua de um poeta alentejano. Daqui a pouco está-lhe a chamar "frígido"!

Curtas #5

Depois de vários anos a estudar e a gastar montanhas de dinheiro em cursos e livros para desenvolver a capacidade de comunicar através da telepatia, acabei por comprar um telemóvel.

quarta-feira, 11 de março de 2009

"O super-homem existe, e é americano!"



Terry Gillliam (rei de infames delirios visuais e cúmplice dos sagrados Monty python) disse vencido, sobre Watchmen, "o filme é infilmável!"


Para os desconhecidos da novela gráfica (nome pomposo dado a bandas de desenhas de autor e com conteúdo mais adulto) em questão, Watchmen é definida comummente como o Citizen Kane dos Comics americanos.





Esta reverência para com uma obra (que a revista Time colocou inclusive, entre as 100 obras de ficção mais relevantes do séc.XX) escrita num meio de comunicação (injustamente) considerado menor, confirma-se pelas inúmeras referências contidas na obra (resultantes da obsessão literária do seu autor, o enigmático Alan Moore) que a elevaram a um patamar estilístico e temático mais arrojado, mais adulto, mais inteligente e consequentemente mais elegante e sofisticado!



Watchmen, é uma história sobre a seguinte premissa "e se os super-heróis existissem?". O que se segue, numa descrição portentosa de doze capitulos (no livro) e aproximadamente três horas (no filme) é uma mordaz desconstrução do mito efabulado dos super-heróis.



Os super-heróis de Watchmen não têm super-poderes (com a excepção do Dr. Manhattan, apelidado desta forma, por encerrar dentro de si um perigo superior ao da bomba atómica) são descuidados (o homem-traça fica com a sua capa presa numa porta e é impiedosamente baleado) mentalmente insanos ou esquizofrénicos (Rorschach é um vigilante com uma personalidade dúbia, afectado por uma infância traumatizada pelo abuso físico e emocional da própria mãe, sublimando essa mesma fragilidade, partindo dedos e abatendo impiedosamente toda a escória humana) moralmente descomprometidos (Eddie Blake, o comediante, confessa no estertor da morte ter assassinado crianças e mulheres de formas horríveis!). Mas qual o papel reservado na sociedade civilizada a um conjunto de tipos que se vestem de collants apertados e se designam por nomes de guerra ridiculos?






A acção da história passa-se nuns anos oitenta alternativos, em que Nixon se prepara para ganhar as eleições pela quarta vez consecutiva, respirando-se pesadamente o medo causado pelo equilíbrio de terror da guerra-fria. A sociedade civil, inebriada pelos media, implode-se sobre ameaças invisiveis (a grande bomba omnipresente!) fazendo avançar funebremente o relógio simbólico do dia-do-juizo-final! O medo é sempre maior face aquilo que não se compreende e estes super-heróis são estranhamente familiares!


Watchmen é uma obra de época, porque foi escrita dedicadamente na, e para a década de oitenta e esse facto, retira-lhe alguma relevância e actualidade. Simultaneamente, pela sua estrutura gargantuesca, minuciosa e dependente do pormenor (o leitor tem que acompanhar simultaneamente dez, quinze linhas narativas diferentes ao longo da obra!) a novela gráfica daria generosamente mais de trinta horas de filme. Assim, como filmar o infilmável?


Depois de uma pletura de notáveis realizadores vergados à magnitude do projecto, tais como, Terry Gilliam (Doze Macacos), Darren Aronosky (The Wrestler, Requiem for a dream) e outros, Zack Snyder (300, O despertar dos mortos) decidiu reunir as suas tropas e contar todas as espingardas antes de embarcar na odisseia de adaptar, somente, a mais venerada e respeitada novela gráfica da história dos comics americanos!





O filme é uma tradução fiel do livro que lhe serviu de base, estão lá todos os diálogos (por vezes palavra por palavra) todos os enquadramentos, tiques, cadências e acções narrativas, facto que não causa estranheza, dada a natureza cinematográfica dos desenhos originários de Dave Gibbons (desenhador original da novela gráfica). Por outro lado, é essa mesma subtracção criativa voluntária, por parte do realizador Zack Snyder, que causa uma certa sensação de incompletude ou falta de originalidade. Zack Snyder, provavelmente agradece a crítica como um puro elogio, pois a sua reverência para com o material em mãos é tal, que adulterá-lo poderia-lhe parecer heresia.


O filme, a par do "Cavaleiro das Trevas" (escandalosamente esquecido pela academia na nomeação para melhor filme) é em si mesmo uma experiência agradável, pela forma adulta e brutal (os seus heróis violam, sangram, matam e enganam como o comum dos mortais) com que pretende retratar uma história sem subestimar a inteligência do seu público. Alan Moore entendeu esta necessidade de elevar a fasquia, nos anos oitenta, escrevendo algumas das mais provocantes obras de banda desenhada (V de Vingança, Watchmen, Swamp Thing, From hell) finalmente, o cinema parece querer acompanhá-lo!




P.S. Atenção à banda sonora, que apesar de óbvia em alguns momentos, encerra significados deliciosos e subliminares sobre o desenrolar da história (a escolha engloba escolhas improváveis tais como, Simon & Garfunkel, Bob Dylan, billie holyday ou Hendrix) e como alguém disse, estranhamente, tudo isto faz sentido!

Observações

Se os produtos light mantêm o mesmo sabor dos ditos "normais", porque é que não passam a fabricar apenas os light!

É uma treta. A Coca-Cola só me engana uma vez!

zöe [11]

[1578]

Para mim o
amor
fica-me justo
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Eu só visto
a paixão
de corpo inteiro.
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Maria Teresa Horta, Só de Amor
via [abnoxio]
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terça-feira, 10 de março de 2009

equações da sandice

[1577]

oboé,
galinha o põe.
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zöe [10]

[1576]

tenho estado a esculpir as letras
(lascando o ébano para as definir)
procurando nas faces do limite
as sílabas do teu nome.
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queria construir um monumento
(sobrepondo as letras polidas)
para ilustrar à mão pesada do lustro
a afinidade da parte com o teu todo.
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talvez posta aos pés da minha cama
(no breu da noite insensata)
a luz do sonho incida sobre esta imagem
reflectindo a silhueta do teu corpo.
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segunda-feira, 9 de março de 2009

zöe [9]

[1575]

quando eram as cordas suspensas
nos rios
quando eram as ruas suspensas
nos trilhos
quando eram os sonhos suspensos
nos fios
quando eram os olhos suspensos
nos lírios
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eram só rios e ruas e sonhos e olhos
balançando nos ventos lentos dos lírios.
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sábado, 7 de março de 2009

fontes de inspiração

[1574]

a crónica da semana no sítio do costume. a primeira cidade não portuguesa retratada em as cidades e as terras. a primeira visão sobre a cidade de madrid depois da minha viagem. apesar de não ter processado toda a informação, a memória começa a arrumar as imagens.
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sexta-feira, 6 de março de 2009

zöe [8]

[1573]
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e depois há os dias em que
pura e simplesmente
gostava de estar enganado.
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zöe [7]

[1572]
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" Hoje tudo me dói, de não saber
como fazer que a chama te incinere, [...]"
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António Franco Alexandre,
em Duende, Assírio&Alvim, 2002
via [trama]

these days [3]

[1571]
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deveria ter feito um comentário, acrescentado algo ao post anterior desta série sem nexo, ou pelo menos sem intenção definida. estes títulos espremidos ao limite, reclamando em si uma continuidade (nada de mais errado se pensarem que há nas minhas palavras lógica coerente e importante) são apenas as bóias de salvação, para quem no fundo não tem nada a dizer. confesso que os títulos são a razão dos textos e não o contrário. é como diz o senhor do blog do costume, "[...] os títulos têm a capacidade de apelar a outras histórias que a própria imagem [texto] não incorpora [...]" [vontade-indómita]
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mas a minha obrigação para com este blog ultrapassa a própria razão da sua existência. é ver pelas horas que, como um pai admira o seu filho, eu me vejo a apreciar o seu crecimento. daí não deixar de pensar sempre na melhor forma de vos transmitir as mensagens.
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[hoje mesmo, e porque a mais simples alienação da realidade me consola, deixo-vos três pérolas citadas entre aspas, como manda a boa regra da usurpação, mesmo que temporária, do brilhantismo alheio]
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1 - numa caixa de comentários de um blog [um sub-mundo que é impossível acompanhar a toda a hora], pude ler esta citação de marguerite yourcenar,
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" [...]"a felicidade é uma obra-prima: o menor erro falseia-a, a menor hesitação altera-a, a menor falta de delicadeza desfeia-a, a menor palermice embrutece-a", (in "memórias de adriano") [...] "
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2 - no capítulo intítulado "o delírio" da obra de machado assis (memórias póstumas de brás cubas) talvez um dos melhores de que tenho memória na literatura (mas não se fiem muito nela) há uma passagem fenomenal,
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" [...] Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da felicidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura - nada menos que a quimera da felicidade - ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, com escárnio, e sumia-se, como uma ilusão. [...] " (pp. 27)
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3 - só mais um bom momento de relaxe, que isto de textos longos cansa. fiquem com este capítulo roubado do blog [escrita casual] (escusado será dar realce à parte que interessa, porque confio na vossa capacidade de intertextualizar o que está atrás e o que vem a seguir, sendo que a parte "tinha montes de amor para dar, só que ninguém o queria." é a mais hilariante),
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(cliquem na imagem para ampliar)

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quinta-feira, 5 de março de 2009

Não podem ver nada!

"Nuestros hermanos" também têm um emplastro.

Nim



"No, because my mom reads the newspapper."

Who watches the Watchmen?

Olá amiginhos! Hoje estreia o melhor filme do ano. Vão ver este filme.



Repito: Vão ver este filme!

these days [2]

[1567]

" [...] Como tantas outras coisas na vida, e como dizia um antigo professor meu, tudo se encontra nos Gregos, que voltam a dar resposta a esta questão que eu aqui levanto. Quando Eros se enamorou de Psique, ia visitá-la todas as noites, e ela nunca lhe via a cara. As irmãs da menina, talvez invejosas da sua felicidade, começaram a espicaçá-la e a dizer-lhe que, se calhar, ela andava mas era a dormir com um grande monstro. Assustada, desconfiada, Psique espera que o namorado adormeça, no escuro, e acende uma vela para lhe ver a cara, apenas para se deslumbrar com a beleza de Eros e ficar largos minutos em reverente contemplação, de tal forma que acaba por cair um pingo de cera na pele de Eros. Este acorda, olha para Psique muito pesaroso e abandona-a, dizendo-lhe, tristemente, que "o amor não pode viver sem confiança". É claro que Psique vai à luta, acaba por comer o pão que o Diabo amassou, como se diz, para reconquistar o seu Eros, e lá o consegue novamente, mas aprendeu a sua lição - o amor não pode viver sem confiança.
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E, com esta breve história, deveria estar para sempre arrumada a questão do ciúme e já mais ninguém para toda a eternidade precisaria de se preocupar com isso. Mas tal não acontece, e portanto voltamos à estaca zero."
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Curtas #4

Querer casar não é de homem!
Logo, os homossexuais são todos uma cambada de meninas!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Redemption Song

Recriar Bob Marley.


RedemptionSong.mp3 - Pedro Indy

Bandas sonoras

Podemos não ser os únicos autores do filme ou dos filmes das nossas vidas. Ainda bem, para não estragar o efeito surpresa, ou as maravilhosas linhas que algumas pessoas nos vão escrevendo no imenso argumento. Mas, aqui e ali, lá vamos inserindo uma ou outra linha da nossa autoria, uma ou outra música na banda sonora. A música que se segue é uma das músicas que, aos primeiros acordes, me transporta para um dos capítulos do filme da minha vida. O capítulo da Guiné-Bissau. Sei que também faz parte da banda sonora de outros amigos que fiz na Guiné, para dois deles sei que chega a ser uma música extremamente especial. Gostem ou não do estilo de música, garanto que vale a pena ouvir.

Kaysha - One Love

alegoria da alergia à alegria

[1563]

(juro que escrevi um texto bonito. mas mais uma vez não interessava a ninguém. acreditem que não é má vontade. apaguei tudo porque entrou num caminho perigoso. alegoriar é fácil, mas sobre a alegria é perigoso. e eu temo pela vossa saúde)
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se brás cubas (personagem do livro memórias póstumas de brás cubas, do brasileiro machado assis) tivesse criado o seu emplastro milagroso antes da sua morte, "um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade" (pp.14), então teríamos evitado muitos males.
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mas especular sobre os resultados práticos de um milagre que nunca chegou a acontecer, é ainda mais perigoso que tentar perceber a alergia à alegria.
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terça-feira, 3 de março de 2009

escolhas acertadas [2]

[1562]

está em todo o lado. anuncia-se em vários quadrantes uma manifestação pelo património. está no avenida central, no fontes do ídolo, e no bracara angustia (e estará em mais alguns blogs).
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no próximo domingo dia 8 de março, MARCHA PELAS SETE FONTES. a partir das 9h30, desde o largo da senhora-a-branca, organizado pela junta de s. víctor, com o apoio da ASPA. devemos participar pela preservação do património.
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escolhas acertadas

[1561]
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como sabem, escolho uma obra todos os meses como convidado pelo blog fontes do ídolo. assim, e como este mês é a vez da poesia, decidi escolher estas duas obras da simpática ana salomé.
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............. ´
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as minhas palavras não seriam as melhores para definir a sua poesia, por isso (e abusivamente porque recebi hoje por mail a sua aprovação literária) usarei a definição do colega do blog (e mestre em literatura pela universidade católica), para vos ilucidar sobre o poder da escrita da ana,
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" [...] estamos perante um caso sério de capacidade em habitar outros mundos com a quotidiana visão do dia-a-dia. Como se também a transparente água pudesse ser obscura e densa neblina. "
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these days

[1560]

não é importante eu sei. e até nem me faziam muita falta, mas esqueci-me da chave da gaveta da secretária. e agora que até nem precisa de nada que lá está dentro, até me irrita não a poder abrir. se isto não é o que acontece na vida diariamente, vou ali e já volto.
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domingo, 1 de março de 2009

Ainda o caso das obras apreendidas.

Todos criticam. Ninguém gaba o bom senso dos agentes da P.S.P. que apreenderam os ditos livros. Aquilo não é pornografia que se apresente!

Já ouviram falar de DEPILAÇÃO!!!

A P.S.P. só estava a proteger os cidadãos daquela aberração. Podiam criar uma nova P.S.P. só para estes casos. A Polícia de Segurança Púbica.

Vivam os prémios do cinema.

Depois dos Globos de Ouro os Óscares. Ninguém pára o homem a quem, num blog aqui ao lado confundiram com Di maria. Ele é na verdade o P*(inho), irmão do camurcina Pai Natal. A foto não deixa dúvidas! Parabéns.




* Não revelo a identidade porque ele pode não querer, mas os camurcinas sabem de quem eu falo.

fontes de inspiração

[1557]

esta semana a minha visão da obra do mês do blog fontes do ídolo. a crónica da semana que pode ser lida no sítio do costume, com uma opinião sobre o livro aonde o vento me levar de manuel jorge marmelo.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

de profundis valsa lenta

[1556]

se há coisa que me enerva solenemente é as pessoas escarnecerem sobre assuntos que não deveriam. dizer a alguém que está a ler um livro de merda - balizado pelo seu próprio estado evolutivo na literatura (porque no fundo é disso que se trata quando procuramos mais e melhor na escolha dos livros) - é de uma crueldade sem limites. rir de alguém que lê paulo coelho, só porque os níveis da hermenêutica da escrita do autor não são os mais exigentes, parece-me um acto de frustração de quem já não encontra satisfação no que vai lendo.
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sou obrigado a dizer que no meu caminho de leitura li muito do paulo coelho há uns anos atrás. e gostava muito. serviu como base e trampolim para evoluir de uma forma sustentada nos meus gostos pessoais. a aprendizagem e assimilação de conceitos e critérios de qualidade deve ser gradual, e deve principalmente partir da necessidade do leitor. a necessidade de prazer como leitor.
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isso pode mostrar o crivo labiríntico da nossa personalidade. se negamos o nosso passado, se não sabemos lidar com os nossos erros (e não digo que ler paulo coelho foi um erro), se não aceitamos que tudo faz parte do crescimento e que a experiência de vida - por muito má que ela seja - é absolutamente essencial na construção do presente e do futuro; se com toda esta panóplia de sucessão de factos, não conseguirmos sentir a alegria de crescermos e prendermos nas mãos essa certeza, então o melhor é não ler estas palavras.
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isto foi só um desabafo. porque no fundo estava a tentar distraír-me da vontade indomável de querer comprar este livro, que apesar de antigo e de estar a ser reeditado como obra completa, tem sido revisitado e apreciado por muito boa gente. mas estou em contenção de despesas. mesmo o josé cardoso pires terá de me perdoar, mas a sua última valsa (a do título do post) terá de ficar para outras núpcias.
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Parc des Princes

O Braga consegui ontem o justo apuramento para os oitavos-de-final da Taça Uefa, e confirmou a melhor perfomance europeia de sempre do clube.
Segue-se o Paris Saint Germain. A partir de agora tudo é possível, até porque, quando se sonha não há limites!!!

a realidade

[1554]
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às vezes penso em escrever como um analista social, armado de palavreado e conceitos, teorias sociológicas (à boa maneira boaventura sousa santos), munido ainda de razão e certezas inabaláveis - doutra forma as opiniões não ecoam - e sinto-me um verdadeiro português, um mestre opinion-maker dominando a maiêutica, encerrando em cada linha escrita a luz que não entra na alegórica caverna de platão.
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gostava de vos dar esse prazer (em mim, já percebi há muito, esse efeito não pega) e que a vossa peregrinação a este espaço pudesse ser recompensada. tenho pena, mas para isso já sabem onde encontrar os jornais diários.
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mas se querem a realidade, aqui vai um opinião.
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a crise financeira e as subsquentes falências das empresas.
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recentemente, e depois de descobrir o blog do manuel jorge marmelo (o autor do livro há dias recomendado por mim - aonde o vento me levar) tive oportunidade de saber que a sua editora estaria em processo de insolvência, por estas palavras dele, e que o autor, sem outra forma de reaver o seu dinheiro, teria de ficar numa lista de credores, esperando que um qualquer processo judicial se resolva. fiquei a pensar que esses senhores lhe deviam pelo menos 2 euros da minha parte e que a desgraça deste país é que anda meio mundo a viver à custa de outro meio.
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no entanto, gostaria de dizer que a falta de eficácia, profissionalismo ou mesmo aselhice pegada de algumas editoras (ou empresas no geral) são também responsáveis pelo arrastar dos problemas financeiros, a par das megalomanias típicas. a saber,
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1 - em pelo menos duas editoras (livro do dia editores e quid novi) pedi informações de preços, livros ou gerais sem que obtivesse qualquer tipo de resposta. não será um bom exemplo da falta de organização?
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2 - na wook (plataforma de distribuição de livros da porto editora) fui obrigado a cancelar dois livros por falta de cumprimento de entrega dos livros.
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3 - na quasi (reparem como ainda ajudo a publicitar o site), depois de uma encomenda entregue a horas (tudo isto é pago com a devida antecedência) a segunda encomenda - que incluía uns descontos - já demorou um mês, com falta de resposta a emails e outras trapalhadas inexplicáveis.
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assim meus amigos, nunca podemos pensar só no que o país pode fazer para nos salvar da crise, mas também reflectir sobre o papel que temos de desempenhar como agentes consumidores, mas principalmente como trabalhadores. só assim poderemos almejar ter a certeza de que o dinheiro chegue para os nossos salários no fim do mês.
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eu tenho opiniões sobre o meu país. só não quero é ficar deprimido. prefiro ver o mundo com olhos de esperança reforçada num futuro melhor.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

zöe [6]

[1553]
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perdi-me de novo nessa longínqua batalha
em que os teus olhos me urdiam um fim
avassalador de tremores de terra, com as mãos
desunidas pelo caminho a encolher na manhã.
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já nem vou de espada em punho. corto os
destinos em fatiados. a palavra proibida desenha-se
para não sangrar o medo antecipado, com ridículos temores
hoje amaciados pelos aromas de um orvalho verde-escuro.
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esta é a força bruta de um coração que se perfuma em ti.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

acédia

[1552]
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há alturas em que as páginas em branco não me desestabilizam. há dias em que se apodera de mim uma verdadeira apatia. não sei se será resultado do abrandamento da correria. não sei se será resultado de um bem-estar (querer) mais acentuado. não sei se desbravando o princípio desta inocuidade, não chegamos, enfim, a perceber que nunca se teve grande assunto a discutir, muito menos de interesse. temos sempre uma interior vontade de meditar sobre temas que abalem as verdades que dia-a-dia tiramos da prateleira. temos sempre a certeza que alguém sairá melhor de um post do que nós. temos a crença - ridícula - de que nos libertamos de imaginários pesos de consciência, e dessa forma aligeiramos a perda de tempo que é pensar em demasia nos problemas. a acédia pode ser uma vertente purificadora da vontade, de regeneração de certezas, de acertos biológicos com um mundo desregulado.
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e no fim deste post seguiremos com mais uma dúvida, a razão de ser de mais um texto típico da preguiça meditativa.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009

zöe [5]

[1551]

há qualquer coisa no quadro de velázquez, no seu jogo de sombras - ou de luz? o que sobressai, a causa ou o efeito? - que me deixa intrigado. há um jogo de espelhos, há um reflexo de uma imagem num espelho de fundo, quase fotográfico de tanta precisão, que nos lembra a vida como tantas vezes a apreciamos, um palco. há o real e o observado.
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não sei se a luz intensa do corredor principal do museu me tolheu a versatilidade da observação, mas o certo é que há algum tempo que estou parado perante esta obra prima de velázquez. estarei porventura a procurar-te no espelho, como se de alguma forma, e através dos meus olhos, o meu interior se pudesse reflectir neste espaço e tu te anunciasses presente a qualquer hora.
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fontes de inspiração

[1550]

esta semana, publico a partir de madrid. a crónica no local do costume, com laivos de inspiração roubados num artigo genial, frontal e corrosivo de mário crespo. a minha visão näif se quiserem.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

zöe [4]

[1549]

museu do prado, estação de atocha
praça de espanha e praça cibeles,
em todos os cantos de madrid se
projectam os teus cabelos perfumados.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

zöe [3]

[1548]
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zöe
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até hoje desconheço a origem da palavra. fiquei intrigado por a ver utilizada da forma recorrente num blog que já referi aqui algumas vezes [escrita casual] - devem acompanhá-lo porque a par do eclectismo temático do blog, é escrito com muito cuidado, e inclui avaliações muito boas sobre cinema e música - e eu aproveitei para usurpar o nome nesta fase, com a esperança de que ele nos explique um dia a sua origem.
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como dizia, a zöe referida por ele nos seus textos, pareceu tomar forma mítica, quase endeusada, como que se transformasse numa entidade da mitologia grega. saída de uma composição entre mulher física e mulher platónica, passou a ser um ideal de equilíbrio perfeito, a conta-peso-medida criada por decreto entre humanos e deuses.
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zöe
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a própria sonoridade do nome soletrado pausadamente cria uma espécie de espectro que deve assustar uma comum mortal. nada de mais errado. a existência de aproximações à perfeição, prova que há um pequeno passo entre o que se é, e o que nos podemos tornar. o peso metafísico da imagem imprimem-lhes a vantagem de se poderem elevar ao estado contemplativo se procurarem desmaquilhar a superfície puída, o estrado gasto e moído da vaidade, e procurarem uma análise à contra-luz do essencial dos sentimentos.
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nunca sabemos bem quando começa a segunda parte da nossa vida, é sempre um incógnita avaliar a passagem dessa fronteira, mas neste momento experimento uma espécie de segunda oportunidade - não bastando acreditar que já vivi um turbilhão de sensações irrepetíveis - e sinto estar perante um desafio maior, uma aventura e um destino que a minha curta visão futurista não alcança.
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zöe

zöe [2]

[1547]

estava farto das metáforas
até nos ver de novo em dois cisnes
abraçados no meio de um lago.
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Acabei de ver...

Uma praça alentejana. Muitos putos. Um desfile de carnaval. Zorros, cowboys, fadas, príncipes, princesas, campinos e... uma cenoura! Quem é que se veste de cenoura, ou melhor, que pais vestem os filhos de cenoura?!!!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

zöe

[1545]

queria dizer amor. mas as palavras
vão-se eclipsando antes de sonorizarem
esta vontade.
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palavras prensadas nos lábios
entre línguas seguras por paliçadas
em que se vão erigir as praias do teu verão.
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queria dizer amor. mas já não há
cor cinzenta que arranque esta
maldade do meu peito.
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palavras que se entranham nos dedos
ao reterem a força dessa verdade.
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mas é amor que queria dizer-te.

20:45


As portas do Axa voltam-se a abrir para mais um jogo de gala europeia. Desta feita, os "Guerreiros" jogam frente ao conjunto belga do Std de Liége.
Vamos lá ganhar este desafio!!!

Liga dos últimos

Estou a ver. Sem dúvida, um dos melhores programas da televisão em Portugal. É genuíno, verdadeiro, um magazine semanal da verdadeira cultura popular portuguesa. Ainda agora, neste preciso momento, um homem diz "truços". Isto é do melhor!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Curtas #3

A Simara, hoje astróloga, já foi cantora e também teve uma banda. Uma banda gástrica.

Post onde, num determinado momento, se diz "espectáculo de variedades" e nunca se diz "freepór"

Nunca fui um grande adepto do carnaval, muito menos da “parolice” de importar do Brasil certas tradições que em nada enriquecem a nossa cultura. Não, não tenho nada contra os brasileiros ou o carnaval brasileiro mas acho que temos as nossas próprias tradições de carnaval e eles têm as deles. Depois, cada povo preserva as suas. É que me faz alguma confusão, chega a ser ilógico, andar semi-nu em Fevereiro ou percorrer as ruas de Vila de Coiso a dançar “um sambinha bem legal e maneirinho”. Já andei semi-nu no Inverno, da parte da cintura para baixo em plena Rua do Souto, mas isso era uma aposta, estávamos ligeiramente alcoolizados, eram quatro da manhã e… lembro-me que outro camurcina também participou com um número à base de flexões.

Em miúdo, o meu traje favorito era o de cowboy. Na realidade, confesso, mesmo fora do carnaval cheguei a vestir-me de cowboy. Graças a Deus, o Brokeback Mountain apareceu muito mais tarde. Eu sei, eu sei, já existiam os Village People mas eu pensava que eram pessoas que se dedicavam à lavoura. O facto de, lá no meio, haver um cowboy era interpretado por mim como, o gajo que tratava da parte das vacas. Só muito mais tarde me ocorreu que ele podia ser o gajo que tratava da parte do boi. Mas isso foi um filme que eu vi muito mais tarde e que metia gladiadores. Mantive a minha masculinidade a salvo! Hoje deve ser preocupante ter um filho que nos diz:

- Pai, posso ir com o Toni brincar aos cowboys para dentro daquela tenda?

- Não filho. Tu agora não és um cowboy. Tu chamas-te Lucas, és um Jedi e queres facturar a princesa Leia! Também podes brincar ao Indiana Jones. Cowboy é que não!

(e aqui esperamos que o Toni não se ofereça para ser a Leia. Ainda estes dias li num blog a preocupação de um pai com o filho de quatro anos que se quer mascarar de Minie. Ainda se fosse de mini, cooper ou Sagres, tanto faz, era de homem!)

Não sei como vou celebrar este ano mas deixo isso para a última da hora, como sempre, uma hora antes de sair de casa, quando as lojas já estão todas fechadas eu tenho uma ideia brilhante! Infelizmente é tarde demais para a concretizar, não fosse essa a história da minha vida. Um dia destes publico aqui a lista das minhas invenções, ideias geniais, que descobri posteriormente já terem sido inventadas. Alguém me lê o pensamento. Com certeza!

Ora, acontece que este ano, estou (no preciso momento em que escrevo este texto) com a barba de alguns dias, e portanto, várias hipóteses se me afiguram. Com jeitinho corto tudo e deixo um bigodinho à Charles Bronson que vai ser uma loucura.

Outra hipótese, sem barba ou com barba, é aderir à sofisticação e substituir o velho cowboy, agora gay e em desuso, pelo disfarce do vaqueiro! O problema é que aquilo besunta muito e não sei se será menos gay andar por aí com o pacote à vista de todos e com a musculatura a brilhar! Sim musculatura, tenho um músculo abdominal extremamente desenvolvido. No outro dia entrei no autocarro e uma senhora pediu ao neto para me dar o lugar das grávidas.

Bom, o melhor vai ser mesmo improvisar e na pior das hipóteses acabo por me vestir de Manuel Pedro, vocalista dos “Camurcinados”, e dou um espectáculo de variedades no sítio do costume. Aproveito e faço o lançamento do próximo single “Um dia destes vou-lhes dar Kuduro”, desta vez sem coquilha apertada.

A ver vamos.

Curtas #2

Se eu quiser medir uma mesa e não tiver fita métrica será que o São Mamede?

É só fazer zoom....!!!

Trata-se da cerimónia da Tomada de posse de Barak Obama.

Podem fazer o zoom que quizerem, que ficará sempre com altadefinição. Esperem um pouco para focar. Podem ver as faces das pessoas, podem ver a música nas partituras da orquestra e podem ver Clarence Thomas a dormir durante o discurso de Obama.

Usem este link e desfrutem da alta definição!!!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Biblioteca Online

Quero partilhar convosco algo que recebi por mail.
Reproduzo em seguida o texto recebido:

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ATENÇÃO !!! DIVULGUEM ...

Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre , mas que está prestes a ser desactivada por falta de acessos.

Imaginem um lugar onde nós podemos gratuitamente:
· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci
· escutar músicas em MP3 de alta qualidade
· Ler obras de Machado de Assis Ou a Divina Comédia
· ter acesso às melhores histórias infantis e vídeos da TV ESCOLA e muito mais.

Esse lugar existe! O Ministério da Educação do Brasil disponibiliza tudo isso, basta aceder ao site:

www.dominiopublico.gov.br

Só de literatura portuguesa são 732 obras!
Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desactivar o projecto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno.

Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

Divulguem para o máximo de pessoas!Obrigado!
__________________________________________________________

Se estiverem interessados cliquem lá no link. Ainda não tive tempo de explorar a fundo o site mas acho que tem mesmo muita coisa que pode interessar a muita gente que por cá passa.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

fontes de inspiração

[1537]

esta semana publiquei duas crónicas, uma atrasada da semana anterior e outra [um poema] desta semana com uma dedicatória especial, no blog do costume.
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não tarda e o blog passa as 50.000 visitas e eu queria aproveitar para agradecer a todos os leitores dedicados e pacientes deste pasquim. apesar de tudo ainda é para vocês que escrevemos, e por quem trocamos visitas em blogs, e por quem estamos atentos às palavras.
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e porque hoje é um dia diferente, porque há uma comemoração, deixo-vos uma passagem escrita por fernando alvim, no jornal metro (13.10.2007),
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" [...] Quando se gosta de alguém — mas a sério, que é disto que falamos — não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há SMS que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque não recebi as flores que pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.

Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de impossibilitar o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campainha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém — e estou a escrever para os que gostam — vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante do que nós. "
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Yes Weekend

Sexta-feira, fim de tarde. Uma esplanada de jardim, em Borba, cheira a primavera por todos os lados, eu, a mini e o belo do prato dos tremoços. Olá fim-de-semana.

Espectáculo!

Curtas #1

Cavaco Silva disse que o país não pode baixar os braços. Não tarda nada e mais de metade dos portugueses têm é de baixar as calças!

weltliteratur *

[1534]

janeiro
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1 # o principezinho, st. exupéry, edições presença
2 # diáro de um mau ano, j. m. coetzee, dom quixote
3 # myra, maria velho da costa, caminho
4 # anáfora, ana salomé, publicações pena perfeita
5 # aonde o vento me levar, manuel jorge marmelo, campo das letras
6 # poemas leya, oferta da edição nº 1000 do jornal de letras
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fevereiro
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7 # o animal moribundo, philip roth, dom quixote
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* título da exposição que esteve patente na fundação calouste gulbenkian (significa "exposição para se ler") e teve como figura principal fernando pessoa.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

os concursos da blogosfera

[1533]

recebi um magnífico livrinho da sempre simpática tons de azul. travesia do verão de truman capote, é uma obra que se pensa inacabada, apesar de durante anos o escritor ter trabalhado nela. ao que parece terá deixado no lixo este e outros manuscritos [recuperados na altura por um porteiro] e que mais tarde seriam leiloados e publicados postumamente. agradeço a amável oferta por ter participado no concurso de contos intitulado, "era uma vez...", com o seguinte texto,
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era uma vez um estranho homem azul. queria viver no mar, mas não era peixe, e por isso vivia numa caverna, encoberto pela parede de palhota. decidiu-se a memorizar todas as ondas, a viver do som da maresia, a iludir nos seus sonhos o intenso fracasso da sua vida.
já mal se levantava de manhã. cismava em reter os pensamentos mais belos, em que se enraizava nas algas, vencia os tubarões e namorava anémonas. até os golfinhos o haviam visitado em tempos, tentando convencê-lo ao sonho do suicídio. puro engano. o homem não esperava coragem, mas antes uma dádiva divina, guelras. corava de vergonha pela falta de vontade, e ficava a ver-se ao espelho vestido de azul-rosado.
a noite era fria e fazia retinir nos seus ouvidos o som de uma sereia longínqua. escreveu versos de amor. enlaçou milhares de flores em ramos para o dia da comemoração. mas a manhã regressava cruel e real. ele era um homem azul e nunca poderia viver no mar.
suspirava por um sorriso, enquanto as velas ondulavam ao longe na bruma. e a espuma dos dias era a areia cravejada de búzios. corria dias inteiros pela praia, acenando ao farol, como se a providência celeste habitasse na luz do destino. os homens da faina do mar riam do louco homem azul. um dia desapareceu.
dizem os pescadores que foi uma onda que o levou.
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nos próximos tempos irei preparar o nosso primeiro concurso de contos do blog. estou a pensar nos moldes e nos temas. aguardemos pelas novidades.
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a espada de dâmocles

[1532]
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abordar a minha ausência durante estes dias será feito de uma forma muito rápida. acho que a frase certa é, estou menos moribundo que o animal de roth, que o animal do poema de yeats, e mesmo assim experimento o peso suspenso de uma espada na cabeça, presa por um fio muito ténue e que por vezes arriscamos menosprezar.
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queria agradecer a todos as mensagens e os telefonemas que são sempre muito importantes.
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antes de avançar, peço desculpa aos nossos leitores porque há muitos comentários que ainda terei de responder, trabalho que não sei se irei a tempo de repor, e por isso mesmo agradeço a vossa compreensão.
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tenho estado a pôr em ordem as leituras obrigatórias de blogs, a convalescença permite esta única liberdade que é ler, e assim, nos próximos tempos, passarei algum tempo a reflectir sobre maravilhas postadas pelos meus blogs favoritos. espero que seja a melhor forma de recuperar em tempo recorde, que é bem necessário como vocês perceberão.
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[apesar de tudo, os meus companheiros levam este barco a bom porto, estando mais activos que nunca com novidades fresquinhas que me agradou conhecer]
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A dar leite

A equipa da vaca ontem ganhou!!!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Deve ser santa, deve...

Do blog Reflexões de um cão com pulgas retirei a seguinte imagem, que por sua vez foi retirada do site da Santa Casa.


Clique aqui para ver melhor.

That 70's Show





Sou um fã de sitcoms. Não de todas, mas de muitas. Cheers, Seinfeld, Frasier, Alô Alô, Quem sai aos seus, Uma familia às direitas, são apenas algumas das que mais me marcaram ao longo de muitos anos.


That 70's Shows, é uma das sitcoms que passei a venerar mais recentemente. Tinha conhecimento dela há já alguns anos, adorei os episódios que vi, mas devido ao horário tardio e incerto em que era transmitida, raramente a conseguia ver.


Recentemente, o LDS emprestou-me alguns (muitos) episódios que tenho andado a ver. É viciante! É genial e aconselho a toda a gente. VEJAM. As personagens estão maravilhosamente construidas, têm vida própria, as piadas sucedem-se a cada três frases do diálogo e, fabuloso, evita frequentemente aquelas partes lamechas de algumas sitcoms. É sempre a abrir.


Nota final: EXCELENTE. Forte candidata a entrar no meu TOP 5 de sitcoms.

Piadas de bar

Todos temos linguagens próprias, vocabulários comuns a diferentes tipos de situações. Cada grupo, cada situação, tem o seu próprio código.

Quando entro no "sítio do costume" (não me refiro ao Pingo Doce), o bartender, esse monstro (no bom sentido) da hotelaria e restauração, faz-me sempre a mesma pergunta.

Z. da A. - Imprensa, o que é que vai ser?
Eu - Uma verde.
Z. da A. - Fresca ou natural?
Eu - Natural!

É óbvio, pelo menos para um camurcina, que VERDE significa Carlsberg e a resposta NATURAL é dita com uma certa ironia, significando precisamente o contrário. A cerveja quer-se fresca não é?

Ora, no Alentejo fazem-me por vezes a mesma pergunta "Fresca ou Natural?", ao que eu, apesar de pensar que se trata da piadinha típica, respondo "FRESCA", não vá o gajo trazer-me mesmo uma natural.

Hoje fiquei parvo, um bocadinho mais parvo que o normal, enquanto tomava o café e dei graças a Deus por nunca ter alinhado na possível piada. Entra alguém:

Alguém - Boa tarde.
Gajo do Café - Boa tarde.
Alguém - Uma cerveja e uns amendoins, por favor.
Gajo do Café - A cerveja é fresca ou natural?
Alguém - Natural, claro.

Quem é que pede uma cerveja natural e ainda por cima acrescenta a palavra "claro", como quem diz, "olha, olha, havia de ser fresca não?"

Fiquei parvo, eu que acredito que pedir uma cerveja natural é o mesmo que pedir um hamburguer vegetariano. O homem há de ter as suas razões, se calhar anda mal da garganta e eu... aprendi que naquele café jamais entrarei em piadinhas de bar.

Responderei sempre "fresca" e se me perguntarem se quero o um bolo de hoje ou de ontem eu respondo "quero o de ontem, claro!". É que os de hoje, vi-os há pouco serem atingidos por um espirro do pasteleiro.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Classe

SUPER BRAGA

JESUS É GRANDE!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Crooner Vieira POWER

Um dos muitos vídeos de Crooner Vieira no youtube. Um verdadeiro artista!

Os Camurcinados

Aqui está o primeiro single da banda "Os Camurcinados" da qual eu sou o representante legal.

Pelo menos foi o que me disse um deles que é brasileiro "Você é o nosso representante mais legal".

Eles pedem, para já, o anonimato. Seja feita a sua vontade.

Aqui vai o single, a história de Manuel Pedro, vocalista da coquilha apertada, que na sua juventude andou pelo mundo a tocar reco reco.


Eu vou tocar reco reco - Camurcinados

Sanções e Dalilas

Angêla Merkel pondera o aumento de sanções ao Irão???
Mahmoud Ahmadinejad esfrega as mãos e reza para que venham com o cabelo comprido! E sem Dalilas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

o animal moribundo

[1523]

não há maior tristeza que perder a força
e não ser, nesta noite escura,
a meia-lua que te falta.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

w. b. yeats

[1522]

desde o filme galardoado com mais óscares no ano passado, cujo título do filme (e do livro de cormac mccarthy) foi retirado de um poema do escritor irlandês, que estou curioso com a sua poesia.
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[para quem não conhece o poema, ele chama-se "sailing to byzantium" e começa com a lapidar frase "That is no country for old men." ]
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acontece-me voltar a este tema, porque o livro que estou a ler tem um título que foi - mais uma vez - inspirado num poema do mesmo escritor. o título o animal moribundo, de phiplip roth (autor que começo a venerar), foi inspirado no seguinte poema,
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death
.
Nor dread nor hope attend
A dying animal;
(título original)
A man awaits his end
Dreading and hoping all; [...]
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se me fosse possível escrever um romance tão próximo quanto possível da qualidade de roth, ou no mínimo com a profundidade acutilante da sua simplicidade narrativa, optaria por este, "The Four Ages of Man",
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Com seu corpo travou um duelo;
Mas o corpo venceu; anda erecto.

Então lutou com seu coração;
Paz e inocência pronto se vão.

Em seguida lutou com sua mente;
O altivo coração pôs-se ausente.

Agora a guerra com Deus começa:
Meia-noite em ponto, que Deus o vença.
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na falta de arte e engenho, contento-me em pensar no que poderia ter sido um bom livro, a começar por um bom título. algo que no fim da minha vida me deixe um travo amargo que ficará próximo de um "tudo o que não escrevi" de eduardo prado coelho, ou análogo a "os livros que não escrevi" de george steiner . algo que se assemelhe ao velho ditado popular, de vitória em vitória, até à derrota final.
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Quem te viu e quem te vê...


Encontrei esta personagem aqui e não resisti!

Twitter

Inicialmente pensei. Mais um Hi5... Entretanto explorei e fiquei rendido. Não tem nada a ver com fotos e coisas do género. É excelente para trocar informações, links, mensagens curtas, piadas e (melhor de tudo) são já vários os jornais e outros meios de comunicação social que participam. Se os adicionarmos recebemos constantemente mensagens com links para notícias fresquinhas e na hora. Está longe de ser um antro de pedófilos e tarados como inicialmente pensava. Está carregado de humoristas, jornalistas, músicos, escritores e pessoas com boas ideias. Vale a pena experimentar.

Se me quiserem adicionar procurem por pedroindy@gmail.com

É muito bom, até para confirmar coisas, como por exemplo, saber se alguém vai faltar à bola ou se já há gajos suficientes para jogar.

www.twitter.com

No início, quando li o Markl a falar sobre isto, torci o nariz como vocês devem estar a fazer neste momento. Depois vão ver que pode ser muito útil.

A Censura voltou !!!

De tempos a tempos é comum surgir entre os camurcinas discussões políticas, aparece o Gordo a chatear-me, o Zezé a dizer que "isto é tudo uma cambada de filhos da p***" e que haviam de "ir todos para o c*r*lh*", e o Indústria a dizer que viu uma loja ou um café com um nome engraçado, numa terra perdida no meio do Alentejo. E isto vem a propósito de quê? Bem, não sei. 

O que sei é que um destes dias estava no blog Geração2009 a ler este post, e fiz um comentário.~

Mas não está lá nenhum comentário!! 

Pois não, os senhores do blog sentiram que isso iria prejudicar a sua "campanha".

Mas o comentário era qualquer coisa nesta linha: "O que é que um presidente de Câmara pode fazer contra uma crise que afecta todas as fábricas deste género em todo o mundo? Vai comprá-la? Nem o Governo salva a Quimonda, sendo esta muito mais importante que a Delphi. Nem o próprio Governo alemão salva a Quimonda alemã, situada na baixa saxónia, uma região conhecida por toda a sua economia ser baseada em fábricas de semicondutores, e que vai ser muito mais afectada do que Braga. Etc,etc,etc"

Bem, conclusão disto??

Políticos são todos iguais, e jotinhas seguem-lhes os exemplos. E quando não tem razão? Censuram!!!! 

P.S. - Já agora se alguém souber quem é o artista que apaga posts quando não lhe convêm, visto que de vez em quando somos visitados por uns jotinhas, é favor dizer que eu tenho ali um bidão de gasolina e umas bombinhas para lhe por no carro.
Não é que goste de explodir coisas, mas algumas valem a pena rebentar.

Juro que isto me aconteceu realmente!

Aqui há uns anos, andava eu a passear por Lisboa, mais precisamente na Pontinha, quando passa uma cara conhecida por mim.

Eu pensei:

- Hei, olha o Anthony Hopkins!

Depois olhei melhor. Afinal era o Chefe Silva.

Aconteceu mesmo e estive a isto (neste momento vocês não podem ver mas estou a fazer um gesto assim com a mão) de lhe pedir um autógrafo.

Porque é que eu não tinha a máquina comigo?

No Sábado passado andei a passear pelos lados da albufeira do Alqueva. Em Mourão, deparo-me com um café com o seguinte nome:


"TUTI-FRUTE"


Não tinha a máquina comigo. Se tivesse também não sei se tirava a foto. Era dia de festa e estava muita gente à porta, o que me poderia trazer algumas lesões ao nível dos genitais. Vou tentar tirar a foto numa outra oportunidade.


Será que o proprietário se chama Umberto Smaila? Alguém se lembra dele?


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Dúvidas...

O Desmarrets, do Guimarães, é alguma coisa ao Jim Henson?

a pluviosidade do olimpo

[1515]

tanto dilúvio senhor. tanta chuva - e em bátegas também (porquê?) - desta forma lavas a terra de um modo esquizofrénico (és tu ou nós que alucinamos?).
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[não insistas. para alindar a face desta gente é preciso recuar ao estado da inocência primordial. e isso só tu conseguirás.]
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não te convenças que aspergir-nos com veemência resolve o assunto. não será assim que nos livrarás dos pecados.
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a amarantina [2]

[1514]

onde se lê eu e tu, leia-se nós.

" [...] Posteriormente, será o marido que, amorosa e delicadamente, lhe lê os manuscritos e os dactilografa. Dia após dia, ano após ano, todos os mundos inimagináveis que se vão impondo na ficção de Agustina passam, numa relação de cumplicidade, pelos dedos de Alberto luís. Costuma dizer-se que por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher; aqui a máxima deve ler-se ao contrário: por detrás de uma grande mulher esteve sempre um grande homem. [...]"
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revista ler, nº76, janeiro 2009 - pp. 45

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Iniciativas

Não seria giro haver mais espaços destes em Braga?


O que seria necessário para desenvolver um espaço deste tipo?

Será que havia pessoas interessadas?

Ando a pensar nisto já há algum tempo .... Sugestões?

Lá estava ele...


Incêndio num centro comercial na Amadora, e quem lá estava? O verdadeiro!!!
Cá para mim ele é a chave para resolver o mistério do caso Freeport. Ele está em todas. Estava de certeza na reunião e portanto sabe de tudo!

o topo da cadeia alimentar

[1511]

se não podemos escrever, podemos ler [passem lá e leiam],
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Tradições

Hoje celebra-se a Senhora das Candeias. Aprendi ontem no café o seguinte:

Senhora das Candeias a rir, Inverno para vir.
Senhora das Candeias a chorar, o Inverno está a passar.

Não sei como é que está o tempo aí por cima. Por aqui está a sorrir. A acreditar na sabedoria popular, o Inverno ainda vai durar.

Inspirei-me na obra que o S.G. ex Fernando Pessoa escolheu como livro do mês no Fontes do Ídolo.

Se eu fosse um gajo do teatro, soubesse fazer malabarismos com bolas e cuspir fogo, achasse que a ganza é uma opção de vida e fingisse ler livros na esplanada da Brasileira, todos os meus filmes seriam assim. Parvos.

p.s.- Não me apeteceu colocar no filme nenhum actor com asas ou alguém a comer escaravelhos. O filme é para ser parvo. Não é para ser completamente parvo.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Semelhanças

O guarda-redes do Belenenses parece o LDS!

Coisas

São 19:00. O Braga entra em campo às 20:00. Tenho um estranho pressentimento de que hoje nos vão tentar calar. Que hoje temos uma arbitragem que nos beneficia e depois todos vão poder dizer "então de que é que se queixam?","vocês também são beneficiados!" Seria uma jogada de artista!!!

Esperemos que nada disto aconteça mas, a acontecer, que o nosso presidente não se arme em "GRANDE" e venha com a desculpa do "se os outros são beneficiados nós também podemos ser às vezes" ou "alguma vez tinha de nos tocar a nós". Que seja antes "ENORME". Que mantenha as críticas anteriores, porque se é a verdade desportiva que nos move, então disponibilize-se para repetir o jogo. Até porque:

Não são as vitórias que movem o verdadeiro adepto. É a paixão por aquilo que é nosso, aquilo que representa uma terra, uma região!

Que se fodam as vitórias se não forem verdadeiras.

Pela verdade.

p.s.- espero escrever um comentário logo à noite a dizer como o meu pressentimento estava errado.

É lixado pá!

Eu não sei se José Sócrates tem alguma coisa a ver com o caso freeport, nem me compete a mim saber. O que eu sei é que, em caso de inocência, o PM deveria repensar a forma como ele e o seu governo têm utilizado a mentira como forma de manipulação de massas. Enquanto professor, já me senti atingido por várias das suas mentiras que também me difamaram, levando a opinião pública a ter hoje uma imagem muito negativa da classe docente. O pior de tudo é que, ao contrário do que com ele se passa, eu não tenho a possibilidade de me explicar todos os dias perante a comunicação social, ficando assim com o meu nome constantemente conspurcado.