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pousei os pés na água. límpida.
.
o frio que me encolhe os dedos
o gelo que enrijece a pele
a mágoa que adormece a circulação
e o peito a rebentar.
.
pousei os pés na água. límpida.
.
remexo o fundo coberto de algas
arrasto as pedras milenares
arranco ao espaço uma erva seca
e o peito em histeria.
.
pousei os meus pés na água, límpida,
e o meu peito a rebentar de histeria.
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