um blog da cidade de braga. a cidade dos padres, putas e paneleiros e a puta que os pariu.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
a insigne poesia dos limas
uma casa ancorada num sopé
enraízada no rio,
tombada nas eras,
amíude cortada por ventos,
assustada pela tempestade.
.
é uma casa secular,
consentida pelas mãos do tempo,
moldada pelos olhos,
suja pela poeira,
sentida nos lábios dos dois.
é a casa deles. não só deles.
agora nossa também.
obrigado a todos


quarta-feira, 30 de julho de 2008
a insigne residência dos limas
.
é assim a vida de duas pessoas que vivem no campo. são ambos cuidadosos nos seus afazeres. ela professora universitária, ele engenheiro agrónomo. nada fora do comum, a não ser terem escolhido viver num recolhimento apaziguador. cumprem a sua vida diária nas cidades vizinhas, correm como outros contra o tempo do dia-a-dia estafante, deambulam pelo trânsito caótico como o comum mortal, mas ao converteram-se a este viver recatado, recuperam em pouco tempo o ritmo desacelerado dos pássaros que os visitam nos jardins.
.
(a quinta é mais uma pequena casa recuperada por um arquitecto amigo com experiência nesta área. tudo foi meticulosamente tratado de forma a que nada excedesse o ambiente rural, e a imagem que todos os dias eles veriam ao regressarem a casa seria a de um paraíso perdido, coberto de folhagem, árvores e heras sinuosas. uma recuperação sóbria e condizente com os seus estados de espírito.)
.
hoje estão ambos na sala de estar. não é uma sala comum, com uma enorme passadeira que se estende de uma ponta à outra, com duas mesas de trabalho de ambos os lados. a simetria era algo tão natural na sua organização, que por vezes nem se apercebiam do ambiente geométrico em que se estabeleceram. ela lê uma tese sobre os micro-organismos paleais, ele insiste em resolver enigmas, tentando descodificar umas frases hieroglíficas, uma paixão antiga.
.
na janela, por onde a luz entra sempre com moderação, esbatendo as imagens definidas pelos corpos, está um colibri a observar os nossos inquilinos da natureza. o seu azul-turquesa não passa despercebido ao nosso amante do egipto, que sorri quando o vê.
.
és um colibri que desmaia de azul na minha vida,
que queres tu poeta?
um beijo e um passeio era capaz de servir para relaxar.
tortuosos são os caminhos do senhor…
sim, pois então endireitemos as veredas que ele pode voltar a qualquer momento.
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seguem de mão dada pelo caminho que dá para o rio, conversando sobre o tempo que ele perde a desvendar mistérios tão inúteis como os egípcios.
terça-feira, 29 de julho de 2008
do androids dream?
segunda-feira, 28 de julho de 2008
citações
"A terceira mão é uma outra hipótese
tentada: a reunião por um anel de fogo
de dois que nada nem outrem ligariam,
a terceira mão é a mão que te empurra
para território desconhecido e aquela
que te guia em terra de ninguém "
Manuel Gusmão. A terceira mão, p.73
via [a mancha]
pensamento seguido de pensamento
My Blueberry Nights, Wong Kar-Wai (2007)
domingo, 27 de julho de 2008
O que foi feito do Screech?

A pergunta que se exige é a seguinte:
Afinal, o que foi feito do Screech (que tantos e tão bons momentos de pândega nos proporcionou nas tardes da TV2)?
P.S. Não, o Screech não vive no anonimato em maximinos, ocultado sob o heterónimo de Giga.
sábado, 26 de julho de 2008
algo vai mal no reino da dinamarca [3]
sexta-feira, 25 de julho de 2008
florentino ariza não morreu de amor [7]
florentino ariza não morreu de amor. morreu a dormir num dia de calma subida do rio
dá o teu corpo. não dês o teu coração.
aguardo-te
florentino ariza”
.
aconteceu em viena

"Daydream, delusion, limousine, eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I'm a delusion angel
I'm a fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Lodged in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I'll carry you
You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me?
Don't you know me by now?"
o poeta na rua em "before sunrise"
cortar pela raiz
não interessa, ou nada diz de importante,
parece não ser a melhor forma de te esquecer.
.
nem mesmo a indecifrada
.
história não contada, que escorre dos dedos,
(deixa-a ficar escondida)
parece resolver o anseio lascivo que me acorrentou ao perfume.
.
e nem os macios poros da pele que ainda gritam em
sufoco por um toque, ou um deslizar suave
dos cabelos emaranhados nas mãos,
.
me remetem ao olvidar do teu cheiro.
.
(eu fecho os olhos tantas vezes.
eu cruzo os braços veemente.
eu
eu desisto em cada adormecer mudo),
.
não me peças é que
só porque o escrevi para ti.
algo vai mal no reino da dinamarca [2]
quinta-feira, 24 de julho de 2008
algo vai mal no reino da dinamarca *
por hoje não tenho mais nada a dizer
via [existir em intermitências]
geografia como deve ser
- "eia, já viste? este café chama-se coliseu como aquele monumento em italia!"
- "és mesmo burro! em italia é a torre de pisa, o coliseu é em frança. eu quando estive em frança morava mesmo lá ao lado, e olha que estive lá muitos anos!"
- "ah, és capaz de ter razão..."
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Descubra as diferenças
Anúncio Minipreço - 2008
Andy Kaufman - 11 Outubro 1975 - Saturday Night Live
Livro da vida.
Valeu as pena. Balanço positivo.
Deixo para trás um emprego certo mas não quero saber, porque sei onde me apetece estar neste momento e não tenho medo de arriscar.
Não sou escravo da carreira.
A carreira existe para nos servir e não para nos escravizar.
terça-feira, 22 de julho de 2008
PARABENS A MIM!
É impossível.
Não porque a família ou amigos nos ligam a dar os parabéns ou a desejar muitas felicidades e muitos aninhos de vida (até porque é bom ouvir uma voz amiga neste dia difícil), mas sim porque a marca X e marca Y mais as marcas Z, XYZ, %&U e %ZX£, invadem o nosso telemóvel ou e-mail com mensagens de parabéns e ofertas nas respectivas lojas. “Venha, venha, temos uma prenda pra si.” Que praga.
Parabéns para o menino Marke Ting, por tornar este dia um pouco mais insuportável.
acidentes oculares preciosos
parece que a viagem começa a fazer um certo sentido. parece que regressei a um passado onde me encontro pacificado. onde finalmente revejo a minha imagem na liberdade. talvez não se complete de um dia para o outro, mas seja um caminho desenhado com linhas seguras e decididas.
petiscos da caminhada - (ou o post que se poderia chamar: um três, um quatro e um cinco)
o homem sentimental, javier marías (***)
“Nestas páginas que fui enchendo […] reconheço uma voz fria e invulnerável, como a dos pessimistas, que do mesmo modo que não vêem nenhuma razão para viver também não vêem nenhuma para se matarem ou morrerem, nenhuma para terem medo, nenhuma para esperarem, nenhuma para pensarem; e no entanto não fazem senão estas três coisas: ter medo, esperar, pensar, pensar constantemente. […] Pensava tanto que cheguei a fazer das muinhas poucas conversas, […] um mero prolongamento verbal do meu pensamento a sós; pensava tanto nessa altura que cheguei a fartar-me de mim mesmo.”
pp.49
“Este estado típico de adolescente e dos apaixonados recentes, tem as suas exigências, e uma delas, […] é o estabelecimento imediato de uma rotina o mais férrea possível, que não abra espaço ao desconcerto da improvisação nem permita catastróficos vazios que ponham em causa essa incorporação e dêem que pensar […] “
pp.49
crónica de uma morte anunciada, gabriel garcia marquez (****)
“Foi ela quem estoirou com a virgindade da nossa geração. ensinou-nos muito mais do que devíamos aprender, mas ensinou-nos acima de tudo que nenhum lugar da vida é mais triste que uma cama vazia.”
pp.97/98
”As luzes estavam apagadas, mas assim que entrei senti o cheiro de mulher morna e vi os olhos de leoparda insone na escuridão, e depois não voltei a saber de mim até os sinos começarem a tocar.”
pp.102
a desgraça, j. m. coetzee (*****)
“ A vida no campo sempre teve a ver com vizinhos a maquinar uns contra os outros, desejando pestes unas aos outros, desejando colheitas pobres uns aos outros, desejando a ruína financeira uns aos outros, mas, em momento de crise, sempre prontos a ajudarem-se mutuamente. […]”
pp.107
“ Aquele sentimento volta a apoderar-se dele: falta de vontade, indiferença, mas também uma sensação de leveza, como se tivesse sido comido por dentro e apenas sobrasse a carcaça carcomida do seu coração. Como pode, pensa consigo mesmo, um homem neste estado encontrar palavras?”
pp. 141
“Faz uma pausa. Isaacs olha-o com uma atenção penetrante.
- Então - diz Issacs, suavemente, e a palavra desprende-se-lhe dos lábios como um suspiro: - assim caíram os grandes!
[…]
- Talvez seja bom – diz – sofrer uma queda de vez em quando. Desde que não nos quebremos.”
pp. 150
por vezes é melhor não tecer comentários sobre os livros. e desta vez o melhor é aproveitar as palavras de quem os escreveu.
se uma manhã é alegre
se uma manhã é triste
"Uma paz triste a manhã traz consigo;
O sol, de luto, nem quer levantar.
Alguns terão perdão, outros castigo;
De tudo isso há muito o que falar.
Mais triste história nunca aconteceu
Que esta, de Julieta e Romeu."
.
shakespeare, romeu e julieta, acto V - cena III
E o prémio "O que tu queres sei eu!" vai para...
José Couceiro, técnico português que já dirigiu as seleções sub-20 e sub-21 além de clubes como o Alverca, Belenenses, Porto e V.Setúbal, é o novo treinador da seleção da Lituânia.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
porto bike tour 2008
porto, oito da manhã.
espera longa, convívio animado. o porto bike tour 2008, apesar da demora pela confusão gerada por tanta gente junta, torna-se uma experiência animada e desportivamente rica.
é em certos momentos (como este) que podemos pensar um pouco na vida como um trajecto. o esforço dispendido pode ser menor umas vezes, com terreno plano e asfaltado, ou pode ser noutras alturas, mais íngreme e duro, com terreno trepidante e de passagem complicada. no fim de tudo, só é recompensado o genuíno enfrentar das dificuldades.

domingo, 20 de julho de 2008
Contra a ditadura da maioria e dos interesses económicos na televisão pública.
E desta vez a desculpa de que o jogo não passa se deve ao facto de não existir transmissão televisiva por parte do país onde o jogo se disputa, não cola. O jogo passa neste canal Turco (veja aqui a programação da TRT1).
O link para assinar a petição é este aqui:
http://www.ipetitions.com/petition/rtp_desporto/index.html
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Espreita-se na net
promontório
.
Também te digo que é bom perder, as batalhas perdem-se com o mesmo espírito com que se ganham." walt whitman*
talvez me surja em sonhos a lista final das promessas
por cumprir. talvez amanhã, hoje não.
hoje queria ver-te nos lírios selvagens que
crescem no cabo, encrustados nas escarpas,
presos pelas raízes que os seguram da queda.
.
talvez hoje me visite em sonhos o teu sorriso.
talvez amanhã eu escreva a alegria do dia
em que ao anoitecer me beijaste de fugida.
talvez me lembre de tudo isto e o escreva.
talvez amanhã, hoje não.
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hoje remeto a tua imagem suspensa na espuma,
para o fundo do mar. para o fundo da minha alma.
talvez amanhã não acorde para escrever isto,
mas hoje sei que me despedi de ti. hoje. não amanhã.
.
.
Grande Filme
Durões, cromos, people zen, insólitos, um rei da pornografia, poker, ganza, uma excelente banda sonora, tudo isto misturado ao sabor do bom humor inglês.Até o Sting lé deu uma perninha, ao lado de "Vinnie-saiam-da-frente-que-sou-bué-de-mau-e-só-armo-zaragata-Jones".
O filme já é de 98 mas ainda não o tinha visto.
Vi ontem e recomendo.
Ver mais aqui na wikipédia.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Into the wild! booooooooooooooooooring!!

Inicio: He pá sou mesmo rico.
Desenvolvimento: Vou queimar todos os meus cartões de crédito. Humm, a seguir, vou passear pelas zonas mais reconditas da América, porque ser irreverente implica andar nu no meio da floresta. (momento de extrema burrice, porque como sabemos á noite faz muito frio na floresta)
Fim: Foda-se tenho tanta larica que nem consigo sair desta carrinha abandonada. Vou Morreeeeeeeeeeee....
The end!
P.S. Ao menos Nietzsche teve a extravagância de enlouquecer antes de morrer!
florentino ariza não morreu de amor [6]
sábado,
decorre na praça uma tourada anual, com uma amostra de animais robustos, há chegas de bois, vendem-se a bons preços os melhores vinhos e as incontestáveis maravilhas da cozinha sul americana.
(fermina está em casa em descanso. o dia de sábado, tal como o de domingo, é dia de repouso e sombra. recolhe-se em casa, nas suas rendas, nos seus animais de estimação, ou simplesmente sem fazer nada. é um dia desenhado a preto e branco, mesmo que não saibamos se o artista o pinta a lápis ou a carvão, o dia é assim sem cor embora com muita luz.)
bebe café ao fim do almoço, sempre sozinha, na mesa de 20 convidados, onde repousam os pratos e os talheres de serviço diário. hoje no centro só está uma flor, colhida com os cuidados exigentes de fermina. abre a carta, cerra os olhos, respira fundo, uma e duas vezes, e os olhos finalmente acertam nas palavras,
“meu girasol,
hoje estou sozinho no meu quarto. vi-te passar lado a lado com o teu marido. saberás que me assaltas o estômago por uma semana inteira, roubando-me a vida, e eu sem força, fome ou vontade de sair, estarei aqui a engendrar o plano perfeito. o plano que espero há anos poder concretizar. contudo, minha flor amarelo-radiante, o sol que te faz circular ainda não sou eu. mas serei um dia. e na paz do dia em que o meu peito respirar os teus negros caracóis, eu serei um audaz mendigo a quem calhou em sorte a lotaria.
não te esqueças de mim, nos dias frios.
dá o teu corpo. não dês o teu coração.
aguardo-te
florentino ariza”
na tolha de linho que cobre a mesa, adensam-se uns pingos de água e sal. nada se mexe neste cenário preto e branco. mas com os olhos molhados, ela nem reparou que o girassol se voltou para ela em comiseração.
deixemo-la chorar.
um zaratustra wild
quarta-feira, 16 de julho de 2008
e(u)clipse
demorei a ouvir o meu pai naquele dia
em que a sua mão ardia na minha cara
e os dedos ressaltavam em vermelho vivo.
(há um par de anos atrás decidi correr o mundo,
ser um saltimbanco de memórias, escrever os rios
e as terras nos pedaços de flores e folhas que colhesse.
mas a sensação de ansiedade mantinha-se inerte
nos meus ossos, de tal forma ardendo que nem
ao dormir eu conseguia esquecer a mão do meu pai.)
regressei à minha terra em busca de um emprego
decente, coerente, cabal, enriquecedor, honesto,
tão verdadeiro quanto impossível ao meu espírito.
poeta, gritava-me a voz do fundo do vale, poeta.
poeta errante, criador de sonhos, vendedor de epopeias
orador de palavras desenhadas, usurpador de corações.
então de joelhos pedi a deus,
deixa-me ser doutor de leis, criador de gado, padre
ou entalhador, cortador de carnes, rico ou pobre
pintor ou cantor, mas não poeta enganador.
deixa-me ver o mundo de cima do monte, vigiar
a costa ou andar de barco, pescador de homens, até
circuncisador, mas não poeta insidioso.
pago em promessa os meus pecados, indo a
meca ou a jerusalém, percorro até aos mosteiros tibetanos
os caminhos tortuosos, mas não poeta.
deixa-me ser homem e pai, cobrador de impostos
cesteiro de vime, oleiro, juiz ou desembargador
mas não este tormento de esperar palavras.
deixa-me ver o teu poder nas escrituras, pedir
nas ruas, assaltar bancos, inventar uma bomba
ou uma arma, mas não trovador sem arte.
não poeta. não poeta-preguiçoso.
deus ergueu sua voz e ordenando que me levantasse,
assentou a sua mão pesada na outra face.
tu não tens jeito para poeta
e a profissão não é deus que a faz.
terça-feira, 15 de julho de 2008
eu também desvendei um mistério
cheguei a esta conclusão, relevante e la paliciana,
de que nada se perde,
se nada se tiver.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Desvendei um Mistério.
O que é que as gajas escrevem na primeira página dos manuais escolares umas das outras?
Eu bem as via a pegar nos livros das colegas e a escrever, a escrever... bom, afinal faziam o mesmo que os gajos, o conteúdo do texto é que era diferente.
Hoje enquanto arrumava uns manuais antigos aqui na Guiné, daqueles que nos enviam já um pouco usados e com coisas escritas, deliciosos para um curioso como eu, desfiz a dúvida que há tanto tempo me perseguia.
Nos das gajas diziam coisas assim:
"Olá Tita, é só para dizer que és uma colega espectacular, a melhor das amigas. Podes sempre contar comigo".
ou
"Oi Kika, és a mais linda do mundo, continua a ser assim, nunca deixes de brilhar nossa estrela. És a animação de qualquer festa".
Entre os gajos, grandes machos, havia mensagens mas nada de conices. Era mais do tipo:
"És um paneleiro de merda. Chupa-mos".
ou
"Liskas Bunker, Hitler Punk. Assinado, o Bôda".
Por isso, eu que acredito na igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, sou um fã da diferença que faz de gajos e gajas o complemento ideal de uns e outros.
A igualdade na diferença é possível. E bonita.
era para ser castigo
este fim-de-semana fui abordado por um peixe-aranha,
e tive de me esforçar bastante para o convencer a não me picar.
.
percebeu que era já castigo suficiente o vento e o frio.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Heil Orangutans
a quem interessar
" [...] o amor é imaginar que se ama e esta definição de amor, conducente a um ideal de solidão que se completa a si mesma, pouco tem a ver com espíritos fortes e muito menos com espíritos bondosos ou caritativos [...]"
.
" [...] uma afirmação de amor que pode conduzir ao aprofundamento da poética da fragilidade, própria de quem opta por amar em solidão [...]"
.
" [...] É uma ideia de amor erótica que não contempla espírito nem exageros da carne, apenas uma fragilidade sustentada por um imaginário em atitude criativa, não diria forte, mas virtualmente intensa. [...] "
.
e como o fim-de-semana começa e acaba hoje, i have no further questions.
O Begueiro

Peço desculpa pelo abuso de publicitar assim à "má fila" este meu blog. Mas, para não andar a entupir o blog genial que é o "Blog dos Cinco Pês", com o entulho que vou escrevendo para "O Begueiro", decidi criar este blog à parte. Não quer dizer que deixe de publicar aqui. Jamais!
quinta-feira, 10 de julho de 2008
azeitonas no seu melhor
"ó cupido,
do teu feitiço, nela, nem resquiço,
isto assim não é serviço, não.
.
os meus pedidos sempre indiferidos.
.
será que existe no universo
quem me ofereça solução,
nem que seja em prosa ou em verso,
em perfume ou em poção."
.
sempre em grande, uma música que eu não conhecia dos azeitonas.
blue in words
telegráfico
quando tinha 18 anos, achava que tinha direito a todas as mulheres do mundo.
hoje
dez anos depois,
acho que são todas as mulheres do mundo que deveriam ter alguém como eu, por direito próprio.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
100 blogs no grelhador
cinenimação
sem palavras. nem comentários. só mesmo essa citação que acerta em cheio. e, meu caro poeta defunto, nunca desistir. esse é o princípio.
.
Ensemble, C'est Tout (****)
.Viva o Verão!

Ó "migo", eu sei que é Verão, toda a gente fica contente, mas também não é preciso abusar do contentamento... Já ouviste falar da técnica da "lóquinha" na areia? Pois, aí na relva é mais difícil... experimenta andar curvado ou deixa-te ficar deitado ou... ó pá, sei lá! Não precisas é de andar por aí disfarçado de cabide a enojar o pessoal!
uma yoko ono qualquer
esta é pela letra e não sabendo eu dizer coisas bonitas como o nosso fernando pessoa, faço uso das palavras e acordes de um grande artista (john lennon). FP, não leves a mal, também uso palavras tuas nas minha conquistas, principalmente nas mais demoradas ("J'essaie d'emballer une fille intelligente, c'est pas facile. Ca prend plus de temps". - Ensemble, C'est Tout)
dedicado a todas as "yoko onos"
ás dos nossos sonhos, ás que sonham connosco e ás que nos fazem sonhar,
ás que nos inspiram e despiram
ás que passaram, ás que ficam e ás que virão (para breve esperemos)
ás que nos conhecem e ás que não têm essa sorte (porque não querem... é só ir à adega)
Woman
John Lennon
(For the other half of the sky)
Woman I can hardly express
My mixed emotions at my thoughtlessness
After all I'm forever in your debt
And woman I will try to express
My inner feelings and thankfulness
For showing me the meaning of success
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Woman I know you understand
The little child inside of the man
Please remember my life is in your hands
And woman hold me close to your heart
However distant don't keep us apart
After all it is written in the stars
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Well
Woman please let me explain
I never meant to cause you sorrow or pain
So let me tell you again and again and again
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
terça-feira, 8 de julho de 2008
sud-express ghost
8h37
o comboio pára na penúltima estação. seguem neste compartimento umas 20 pessoas todas sentadas e o silêncio interrompe-se com o arrancar do comboio.
de todos os pensamentos que consigo captar, e exceptuando o do homem que está com as canadianas e que vai fazer fisioterapia (pensa em pedir em casamento a sua namorada), há um que me atrai e impressiona.
(ela vai sentada com a cabeça encostada no vidro e conta os jardins que vai vendo desde que iniciou a viagem)
ninguém me vê ou sente. vou vagueando por entre eles como um sopro de brisa entrelaçado na manhã. sinto alguns perfumes. aproximo-me da mulher que aparenta ser nova.
(digo-lhe ao ouvido um segredo que ela não ouve. mas irá ficar no seu subconsciente de tal forma guardado, que daqui a dois dias fará o que lhe acabei de dizer)
ela sorri sem saber que o faz para mim. sorri e olha para a caixa pequena que leva nas mãos. é uma caixa simples e leve, e tem uma mensagem escrita à mão,
(abrir em caso de emergência do coração)
ela sorri outra vez. não abre e a excitação da curiosidade também não a mata.
8h43
o comboio pára no destino final. a mulher sai e, com o sorriso insistente e mais forte, guarda na sua bolsa a caixa com um cuidado vagaroso.
(não sabe ainda que em dois dias abrirá a caixa com a certeza de uma resposta. mas a dúvida ficará maior. é sempre a incerteza do futuro.)
mas nada mais importa se ela sorri.
mimos
segunda-feira, 7 de julho de 2008
do que vou ler
Exercício de Geografia
talvez a função do geógrafo
não seja cartografar
mares, ilhas, montanhas,
tentando dar-lhes
um lugar exacto ou
sentido à sua existência.
talvez a verdadeira
função seja amar
esses mares, ilhas,
montanhas, mesmo que
não tenham um lugar
exacto ou a sua existência
um verdadeiro sentido.
.
*
.
deixa-te de coisas
agarra a rapariga
pela cintura
sem qualquer possibilidade
de resposta
nunca entendi
parece que lhes dá prazer
sentirem-se subjugadas
apesar das fantasias feministas
em que acreditam
deixa-te de coisas
agarra a rapariga
vais ver que ela gosta
se não gostar
culpa o poema
.
Mapa
manuel a. domingos
Livrododia Editores
.
tenho de comprar isto e rapidamente.
do que leio [2]
do blog reflexos,
.
" É mais fácil encontrar as palavras no meio da tristeza.
Os sorrisos não precisam de justificação."
.
o sorriso encerra em si todas as justificações.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
do que leio
quando a prosa respeita a poesia,
.
" [...] Mas, pela experiência que tenho, a poesia ou nos fala de imediato ao coração ou pura e simplesmente não nos diz nada. Um lampejo de revelação e um lampejo de resposta. Como um relâmpago. Como quem se apaixona. [...]"
.
in desgraça, j. m. coetzee
pp. 14
.
e quando a poesia respeita a prosa,
.
" em poucos dias toda a cidade estava pintada de rosa
e por todo os lugares lia-se o teu nome em prosa."
.
classificados, rosa (do teu jeito de ser)
por onde anda a minha vontade
deolinda - fado toninho
deolinda se me estás a ouvir, para quando um dueto com o nosso fadista camurcina ou uma cantiga ao desafio com o zé?
p.s. gosto especialmente dos grafitis nas paredes... mensagens subliminares??
para não parecer que estou sempre a dar sermão aos peixes [2]
o zé manel , não o nosso misterioso colaborador, mas outro que nos visitou (não sei como veio aqui parar) diz coisas muito interessantes,
.
"[...] Importante é, por vezes, ainda tropeçar nas pessoas que fazem este Mundo melhor. [...]"
.
" [...] Só sei que sinto este sentir invadir-me, que é grande e de uma beleza única...
.
Desculpa-me.
Eu não percebo nada do Amor. [...]"
.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Xico Lordelo, o primeiro single.
para não parecer que estou sempre a dar sermão aos peixes
felizmente há quem pense um pouco como eu,
.
[Queria estar, todas as noites, sentada num sofá. Queria poder ouvir-te pela casa. Depois sentavaste ao pé de mim e eu deitava a cabeça no teu colo. E lá ao longe alguém diria "vês, valeu tudo a pena, é só teu" e tu estarias ali simplesmente com o teu jeito. O jeito que eu sempre quis.]
.
"Vens me buscar?" Pergunto-te.
.
"Onde tu quiseres." Respondes.
.
.
e depois há os que dizem o que pensam como eu,
.
"...Não sofrer, e por conseguinte também não fazer sofrer — é certo e valhe-se o altruísmo — tornou-se com os anos na sua maior preocupação. Estava viva, dizia-me. Mas era mentira...."
.
via [vontade indómita]
quarta-feira, 2 de julho de 2008
P.Q.P.
Aqui onde estou, chove, chove, chove, p. q. p., quem pensa que em África só há sol e calor está bem enganado. O calor lá continua, pelo menos ainda ando de t-shirt, mas depois de meses a fio sem uma gota de água, deu para chover e diz quem sabe que isto agora vai até Outubro ou Novembro.
O que vale é que daqui a três semanas já estou de malas na mão a caminho do aeroporto.
Zé Baptista foi-se embora por tempo indefinido. Indústria is back.
a verdade
sabes daniela,
.
a verdade é discussão antiga, recorrente e volátil.
desde a caverna de platão, que as dúvidas sobre a verdade que
nos entra olhos dentro, se arrastam no tempo, e nem mesmo a filosofia
ou outra ciência mais exacta, arriscou uma fórmula que a desvendasse.
.
(é como procurar deus nos mandamentos ou nas bem aventuranças,
ele não está aí. não está nas palavras)
.
a verdade veste de uma forma simples. sem maquilhagens,
retoques estilísticos, daí passar tantas vezes despercebida.
a verdade é uma pintura sobre tela na natureza, que não traz
sorrisos, mas apenas e só a máxima do rigor.
.
cientificamente podes testar todas as minhas palavras,
.
1) pegas nelas e espalhas uma amostra de adn de verdade
e no fim do dia regista os resultados (verás que sai um gráfico constante
e sem variações duvidosas)
.
ou então,
.
2) pegas em todas as mensagens e textos, e testa-as no polígrafo.
(verás que o gráfico será uma linha de morte)
.
a cegueira da mentira é que não nos deixa ver a verdade.
mas ninguém te poderá mostrar, só tu a podes descobrir.
zé camurça (o anti-artista)
da pena do nosso kumba ialá. um portento. a nova moda de verão. lagar's ao rubro. vai ser um sucesso.
.
terça-feira, 1 de julho de 2008
florentino ariza não morreu de amor [5]
florentino ariza não morreu de amor. morreu a dormir num dia de calma subida do rio
.






















