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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

informação relativamente pouco importante

[1787]


.imagem retirada daqui

estou a preparar uma carta ao ministério da educação a ver se me dá por concluido o meu mestrado, até porque, bem vistas as coisas, já lá estou há dois meses. e cansa, dá trabalho, chateia, temos de estudar, rever matérias, aprender novas, esmiuçar questões, madrugar ao sábado (que chatice), exige sacrifício (muito ou pouco), custa-nos dinheiro (sempre são dois anos a correr bem), enfim é um enfado que nem sei se será importante se mantivermos esta mania de sermos sérios, ou pensarmos que seremos valorizados profissionamente pelas nossas competências e formação.
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tudo isto para dar a palavra ao indústria. ele saberá apelidar tudo isto melhor que eu.
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o problema é que a escuridão ao fundo do túnel é densa, andrajosa e bafienta. como te compreendo dr. etc...
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

ana de amsterdão

[1777]

há uns blogs muito curiosos. este é um deles que vocês devem (ou deviam?) conhecer. ana de amsterdam arrepende-se (e quem ainda não se arrependeu do impulso de comprar um livro levado pela onda publicitária?) do livro ter caído ao acaso na sua bolsa, livro esse que agora também se me dá a conhecer. a saber,
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ricardo adolfo
"Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas"
editora: objectiva

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aqui a entrevista ao ípsilon.
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agora, se era para te arrependeres na página 5, podias ter lido aqui (e vocês também, acaso vos interesse). sempre se poupava algum...tempo.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

boas e más notícias

[1775]
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dias asism, em que se descobrem os pólos, mais valia serem dias de chuva. debaixo de um sol ameno custa saber que a vida é injusta.
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resumindo,
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- Você está disposto a aceitar o duro peso da alegria?
- Estou sim, meu pai.
- Mas, meu filho! você sabe que é quase impossível?
- Sei sim, meu pai,
- Você ao menos sabe que esperança é o grande absurdo, meu filho?
- Sei sim, meu pai.
- Você sabe que há que ser adulto para ter esperança!!!
- Sei, sei, sei!
- Então vai, meu filho, ordeno-te que sofras a esperança.
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clarice lispector via [lei seca]
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

astenia

[1748]

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todos prezam a liberdade de expressão. eu (tal como ele) prezo a liberdade do silêncio.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

eis mais uma corrente recorrente

[1746]

há muito que defendo isto, isto, isto e isto. bem investiguei (nos arquivos) por aqui e acho que nunca o escrevi no blog. pena. tinha ficado bem. apesar de tudo tenho testemunhas da minha indignação contra quem o usa recorrentemente.
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sempre disse que o ponto de exclamção era horrível. depois de ler toda a argumentação dos blogs linkados em cima, reparo que em nenhum deles se diz claramente o que eu penso. em minha opinião o ponto de exclamação é um recurso de fracos que não conseguem empregar uma linguagem clara, expressando apenas em palavras os sentimentos inerentes do texto. é o que chamo de "muleta dos fracos".
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não me parece que seja decisivo para o país. mas esmiuçar isto é bom para mim.
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

meu querido mês de setembro

[1745]

mais um bom autor que optou por um outro modelo e um renovado lugar. da [escrita casual] passou para o [spleen ville]. um bom lugar para parar.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

boa novas

[1744]

há sempre uma boa notícia. desta vez são duas intercaladas com uma má. eu tentei ler este blog, [cicio.blogspot.com], e, espantado, deparo-me com a imagem luzidia do ecrã, de que não há nada registado. não mas havia.
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o certo é que a menina passou a escrever noutro lado, [CANDEIA], e eu roubei estas palavras,
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" [...] Pouca gente me lê e a que lê tem palmos de testa suficientes para o caso de não gostar da primeira linha desistir das seguintes. O que faz muito bem, digo já. Se chegarem até aqui só não vos chamo uma coisa feia porque estou mesmo bem disposta [...]"
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mas há mais. há uma crónica escrita aqui.
tudo boas notícias em setembro de regressos.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

pouco importante

[1743]

para além dos novos livros à espera de outubro para serem lançados, o CAIM do saramago, o novo do josé luís peixoto (há muito anunciado pelo próprio como o seu melhor livro),
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para mais se informam ainda os interessados que, após ter terminado o seu blog [estado civil] no início do ano, pedro mexia voltou à carga com um novo projecto, a lei seca, devidamente lincado na barra ao lado.
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por agora não tenho mais nada de importante a revelar, a não ser que o jantar dos companheiros de escola foi muito reconfortante e agradável, como bem descreve a nossa amiga su.
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terça-feira, 21 de julho de 2009

feeds

[1735]

ainda assim vale a pena manter os feeds dos mais de 150 blogs. é que este acabou e ainda fui a tempo de ler os ultimos 90 posts. é uma pena, mas ele há-de voltar com outro. um dia qualquer.
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quarta-feira, 27 de maio de 2009

nós e os nós

[1699]

criaturas de deus,
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sim, estou de férias. são factos indesmentíveis pela quantidade de palavras de palavras que vou escrevendo. e lendo. mas estou atento aos vossos blogs, no fundo estão criados laços invisíveis, mas muito extensos e firmes.
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grande abraço.
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

de profundis

[1685]

parafraseando o grande blog,
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"Eu sou David. Golias é a preguiça que há em mim."
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via [vontade indómita]
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domingo, 26 de abril de 2009

fontes de inspiração

[1663]

a crónica no sítio do costume, em fontes de inspiração. um abril amargo, o meu 25 abril.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009

a origem da espécie

[1634]

" No outro dia perguntaram-me porque escrevia aqui. Bem, a pergunta começou por ser outra. Para ser sincera, perguntaram-me porque tinha começado a escrever aqui. Não querendo voltar a esses tempos de fantasmas e dores e estupidez e não querendo - ou não conseguindo? - relembrar a figura do monstro, respondi, recentrando a questão em mim e esquecendo aqueles dias de borrasca: É tudo por vaidade. [...] " mónica marques, in [um blog da disápora blasée]
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não são poucas as vezes que me questiono sobre o que me faz escrever aqui. mas a pergunta mais recorrente, que fazemos a nós próprios - dado o tempo ser o apagador do giz (vulgo carbonato de sal) da ardósia da minha vida - é quando e porquê. porque começamos um blog? qual a razão?
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a minha razão foi a inveja. digamos que não é um sentimento mau, porque a minha inveja é saudável, dado resultar num estímulo pessoal, ao contrário do resultado recorrente de inércia e que leva a denegrir quem almejou alcançar resultados. assim, como já perceberam, foi por interposta figura notável que me apercebi da existência dos blogs, uma pessoa cuja coragem e intemperança me alertou para uma possível perda de tempo.
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este senhor, uma espécie de bruce chatwin português - errante e vagabundo - que caminha sozinho por sítios recônditos, mostrou-me o seu blog em que imortalizava as caminhadas. só lhe faltava o moleskine claro, coisa que eu tenho para não me faltar onde apontar registos de relevante importância para partilha.
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a origem é esta.
o caminho é este.
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onde terminará a saga é mais difícil, e embora admitindo o esgotar do tempo, as minhas palavras cessarão no dia em que nada de importante restar a escrever.
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quinta-feira, 19 de março de 2009

aceita-se permuta de blog

[1596]

cometo erros. há quem diga que não, que nunca erra e raramente se engana, mas eu assumo os erros tal como as virtudes, de tal forma que ao perceber a inqualificável falta dos meus enganos, me penitencio de uma maneira afincada, tanto que na próxima vez que estiver perto de errar novamente, o mecanismo de protecção activa-se per si. penso muito nestas coisas. mas pensar de mais não é um erro.
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depois de (tres) ler, o que escrevi no último post, percebi que apregoei uma teoria certa, mas não era a que eu devia ter defendido. vamos lá ver (têm dois minutos para eu explicar? sim, então cá vai). há dias descobri que existem duas formas de verdade, uma verdade técnica, e uma verdade completa (garanto-vos que é absolutamente impossível contrariar isto, nem do ponto de vista filosófico, com todas as vertentes da lógica) disse eu que acreditava numa espécie de compensação universal, uma que milagrosamente aconteceria como funcional e equilibradora, sendo que todo o mal que te acontece seria compensado com um bem similar. ora isto defendido desta forma é absolutamente egoísta. embora também acredite nisto, defendo algo mais altruísta.
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eu, ou mais propriamente a minha pessoa iluminada e carregada de moral e bons costumes, acha (e pratica) o bem como forma de ser compensado com o bem. ou seja, serás retribuido na mesma moeda, em peso e circunstância, mediante os teus actos. tal como o mal que pratiques, te será devolvido (a ler isto de repente, parece-me ainda pior do ponto de vista literário, e aguardo os delatores deste meu assassinato da prosa).
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mediante isto, e porque me parece que o valor do blog pode descer, aceito permutar este blog por outro de design mais aprumado, mas que seja mais pequeno, dado a disponibilidade monetária não ser muita. até porque continuo em contenção de despesas.
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[admito outro erro - pequeno é certo - mas que me compromete, e é melhor vocês saberem-no por mim. prometi não gastar dinheiro este mês em livros e não resisti. ontem naquele feirinha do bragaparque gastei 1,5 euros num livrinho em saldo do jorge fallorca (que tem um blog agradável e de publicação intensa que descobri há pouco tempo)]
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ia filosofar um pouco sobre a diferença entre um erro pequeno e um erro grande. não me parece altura certa. adianto já o post em demasia e só tinha pedido dois minutos para explicar a minha teoria. devia ser mais conciso. um dia aprendo. mas já agora e se não é muito incómodo, leiam o que me chateia por estes dias. a literatura e a moral. jorge fallorca cita a prémio nobel, doris lessing sobre este tema.
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" [...] Os grandes homens do século dezanove não tinham em comum nem a religião, nem a política, nem os princípios estéticos. Mas o que tinham em comum era um clima de discernimento estético; compartilhavam de certos valores; eram humanistas. [...] Todas as grandes palavras como amor e ódio, vida e morte, lealdade e traição contêm os seus significados opostos e meia dúzia de matizes de duvidosa implicação. As palavras tornaram-se tão inadequadas para exprimir a riqueza da nossa experiência [...] É muito difícil formarmos juízos morais, usar palavras como “bem” e “mal”. [...] maior parte das pessoas que conheço, pessoas da esquerda e da direita, comprometidas ou não, religiosas ou anti-religiosas, mas que, ao menos, têm isto de comum: lêem romances como me parece que devem ser lidos, para obterem inspiração, para alargar a nossa perspectiva da vida. [...] "
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sono? ainda há mais. eu errei ao não cumprir a minha parte do acordo em não gastar dinheiro com os livros, mas sei que ao ler procuro viver noutras dimensões, e sobre outras realidades que enriquecem e enaltecem o moralismo e o humanismo. como diz doris lessing,
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" [...] O que procurava era o calor, a compaixão, a humanidade, o amor pelas pessoas, que ilumina a literatura do século dezanove e que converte todos esses antigos romances numa declaração de fé no homem. [...]"
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depois deste post, o valor de mercado do blog cairá em definitivo para valores próximos do zero à esquerda. porventura o melhor é desistir e dar este espaço a quem tenha mais tino.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

equações da sandice [4]

[1593]

mais uma vez borges. as histórias em que nos metemos inadvertidamente. a confusão que medra nesta minha cabeça, contrasta com o efeito do sol e do fim-de-semana. relaxo pois. ou não sou eu um pedaço de deus deixado na terra para tentar compreender os seus desígnios.
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estava sentado num café a ouvir uma conversa alheia. a partir de nova iorque alguém se saudava efusivamente, como se fosse ali ao lado, na outra esquina. como se nova iorque fosse no fundo da rua, como se eu me levantasse, pagasse o café e o conto (ou é o conto que se paga e o café é de borla?), e pensasse em voltar mais tarde para o crepe do café progresso.
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(tento ir no encalço desse limite. desço uma rua, percorro outra convidativa, e entro numas portadas de ferro enormes. imagino-me a encontrar saramago no jardim das roseiras (borges outra vez). mesmo com a vista para rio, apenas me sentava ao seu lado e lhe dizia do meu prazer pelos seus livros. imaginei que ele tinha perdido a consciência de quem era. que apenas sorriria sem a noção de que era o prémio nobel. e ele apenas responderia que as roseiras estariaam para florir, que estava ali sentado à espera do milagre da primavera, o que prova que nem sempre a sandice degenera em tolice)
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aparte a distância entre um post que poderia ser útil e sensato e este, conquanto me divertiria com a imponência do mesmo, sou deveras instado a anuir com o que ele (saramago) diz no seu blog, porque na realidade - a tal que todos vemos e não a que eu apregoo - o que eu vi naquele dia foi o rio. já as roseiras não sei, que estava ocupado com outra beleza mais metafísica.
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" [...] Nada de surpreendente para quem quiser recordar o que sobre ela tenho dito e escrito em já quase um quarto de século que levamos juntos. Desta vez, porém, quero deixar constância, e supremamente o quero, do que ela significa para mim, não tanto por ser a mulher a quem amo (porque isso são contas do nosso rosário privado), mas porque graças à sua inteligência, à sua capacidade criativa, à sua sensibilidade, e também à sua tenacidade, a vida deste escritor pôde ter sido, mais do que a de um autor de razoável êxito, a de uma contínua ascensão humana. Faltava, mas isso não podia imaginá-lo eu, a idealização e a concretização de algo que ultrapassasse a esfera da actividade profissional ou que dela pudesse apresentar-se como seu prolongamento natural. [...] "
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há coisas em que eu acredito sempre. principalmente neste sentimento sem idade e sem limite.
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sexta-feira, 13 de março de 2009

equações da sandice [2]

[1587]
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a verdade é que virem aqui sem passarem antes por ali, e lerem o post do famigerado e aclamado pela crítica, dr. etc - personagem e alter ego construídos com raça e obstinação - uma espécie refinada de luiz pacheco dos nossos dias - é puro delírio e perda de tempo da vossa parte. vale que eu estou atento e vou-vos alertando contra a degeneração qualitativa do vosso intelecto.
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certo também é que, não tendo eu nada de especial para vos dizer, ponho já à vossa consideração dispensarem a leitura do resto do texto, e iniciarem paulatinamente o fim-de-semana sem risco dele se auto-destruir com estas palavras.
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reparem então como com uma pirueta gráfica, construída apenas de palavras (nunca tive muita queda para o desenho, embora me fascinassem os desenhos das mulheres nuas - isto sem perceber naquele tempo, que eram feitos com modelos reais) reparem, dizia eu, como, com o facto de eu estar empenhado em que este post fique à altura da exibição do braga, ele ficará deveras agradável. quem perde uns minutos a ler isto fica de consciência apaziguada com a prática da auto-comiseração da minha pessoa. é que, sem desprimor para o optimismo reinante, o meu pessimismo não pára de me alertar para a correria do tique-taque do relógio e, por inerência, da vida. e detesto desperdiçar leituras no que não vale a pena.
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e depois desta ginástica rítmica compassada de palavreado em latente pré-tensão, respiro fundo. vou só almoçar qualquer coisa ali ao bar. e depois vou ler umas páginas do dom casmurro ao sol enquanto o tempo do almoço não expira. sim é um clássico. sim vale a pena ler. é uma obrigação ler machado assis. e porque num recente livro que li tinha a seguinte citação,
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“No tempo dos meus pais, e até em boa parte no seu e no meu, costumava ser a pessoa que ficava aquém. Agora é a disciplina. É muito difícil ler os clássicos; logo a culpa é dos clássicos. Hoje o estudante faz valer a sua incapacidade como um privilégio. Eu não consigo aprender com isto, portanto alguma coisa está errada nisto. E há especialmente alguma coisa errada no mau professor que quer ensinar tal matéria. Deixou de haver critérios, Mr. Zuckerman, para só haver opiniões.”
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philip roth, a mancha humana
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passo a questionar, que raio é que andei a fazer até ter acordado para esta realidade?
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ontem como hoje estou de bem com o mundo. e mais ainda com deus (não vou ouvir a palestra indústria). para quem começou uma corrida de meio-fundo há tanto tempo, e pensa desistir quando vê a meta aproximar-se, só pode sofrer de perturbações. e eu não sofro. só do mal de escrever.
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quinta-feira, 12 de março de 2009

ó indústria tinhas razão, com um título destes no blog não conseguimos aparecer nos jornais

[1583]
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tinhas razão. com este nome não vamos ficar famosos. ou pior, ainda nos arriscamos a uma excomunhão.
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sexta-feira, 6 de março de 2009

zöe [7]

[1572]
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" Hoje tudo me dói, de não saber
como fazer que a chama te incinere, [...]"
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António Franco Alexandre,
em Duende, Assírio&Alvim, 2002
via [trama]

these days [3]

[1571]
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deveria ter feito um comentário, acrescentado algo ao post anterior desta série sem nexo, ou pelo menos sem intenção definida. estes títulos espremidos ao limite, reclamando em si uma continuidade (nada de mais errado se pensarem que há nas minhas palavras lógica coerente e importante) são apenas as bóias de salvação, para quem no fundo não tem nada a dizer. confesso que os títulos são a razão dos textos e não o contrário. é como diz o senhor do blog do costume, "[...] os títulos têm a capacidade de apelar a outras histórias que a própria imagem [texto] não incorpora [...]" [vontade-indómita]
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mas a minha obrigação para com este blog ultrapassa a própria razão da sua existência. é ver pelas horas que, como um pai admira o seu filho, eu me vejo a apreciar o seu crecimento. daí não deixar de pensar sempre na melhor forma de vos transmitir as mensagens.
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[hoje mesmo, e porque a mais simples alienação da realidade me consola, deixo-vos três pérolas citadas entre aspas, como manda a boa regra da usurpação, mesmo que temporária, do brilhantismo alheio]
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1 - numa caixa de comentários de um blog [um sub-mundo que é impossível acompanhar a toda a hora], pude ler esta citação de marguerite yourcenar,
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" [...]"a felicidade é uma obra-prima: o menor erro falseia-a, a menor hesitação altera-a, a menor falta de delicadeza desfeia-a, a menor palermice embrutece-a", (in "memórias de adriano") [...] "
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2 - no capítulo intítulado "o delírio" da obra de machado assis (memórias póstumas de brás cubas) talvez um dos melhores de que tenho memória na literatura (mas não se fiem muito nela) há uma passagem fenomenal,
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" [...] Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da felicidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura - nada menos que a quimera da felicidade - ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, com escárnio, e sumia-se, como uma ilusão. [...] " (pp. 27)
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3 - só mais um bom momento de relaxe, que isto de textos longos cansa. fiquem com este capítulo roubado do blog [escrita casual] (escusado será dar realce à parte que interessa, porque confio na vossa capacidade de intertextualizar o que está atrás e o que vem a seguir, sendo que a parte "tinha montes de amor para dar, só que ninguém o queria." é a mais hilariante),
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(cliquem na imagem para ampliar)

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

de profundis valsa lenta

[1556]

se há coisa que me enerva solenemente é as pessoas escarnecerem sobre assuntos que não deveriam. dizer a alguém que está a ler um livro de merda - balizado pelo seu próprio estado evolutivo na literatura (porque no fundo é disso que se trata quando procuramos mais e melhor na escolha dos livros) - é de uma crueldade sem limites. rir de alguém que lê paulo coelho, só porque os níveis da hermenêutica da escrita do autor não são os mais exigentes, parece-me um acto de frustração de quem já não encontra satisfação no que vai lendo.
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sou obrigado a dizer que no meu caminho de leitura li muito do paulo coelho há uns anos atrás. e gostava muito. serviu como base e trampolim para evoluir de uma forma sustentada nos meus gostos pessoais. a aprendizagem e assimilação de conceitos e critérios de qualidade deve ser gradual, e deve principalmente partir da necessidade do leitor. a necessidade de prazer como leitor.
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isso pode mostrar o crivo labiríntico da nossa personalidade. se negamos o nosso passado, se não sabemos lidar com os nossos erros (e não digo que ler paulo coelho foi um erro), se não aceitamos que tudo faz parte do crescimento e que a experiência de vida - por muito má que ela seja - é absolutamente essencial na construção do presente e do futuro; se com toda esta panóplia de sucessão de factos, não conseguirmos sentir a alegria de crescermos e prendermos nas mãos essa certeza, então o melhor é não ler estas palavras.
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isto foi só um desabafo. porque no fundo estava a tentar distraír-me da vontade indomável de querer comprar este livro, que apesar de antigo e de estar a ser reeditado como obra completa, tem sido revisitado e apreciado por muito boa gente. mas estou em contenção de despesas. mesmo o josé cardoso pires terá de me perdoar, mas a sua última valsa (a do título do post) terá de ficar para outras núpcias.
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