sexta-feira, 16 de novembro de 2007

dever cumprido

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" [...] Nunca respondo a provocações idiotas. O meu pai sempre me disse: ‘nunca te atires à lama a lutar com um porco – primeiro, porque te sujas; segundo, porque é disso que o porco gosta.’ [...] "

Walter Winchell (1897-1972 ) jornalista americano

via [rua da judiaria]

é verdade. só respondo a provocações quando elas vêm de alguém que se eleva acima do que eu vejo.

leiam ou leiam outra vez

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leiam as coisas que por aí se escrevem,
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O que é minhoto é bom - para quando a nossa revolução
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Escrevam ao coronel - tons de azul
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O sexo de Nietzsche - estado civil
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e a inesgotável vida da [luz acesa]

tiradas impetuosas

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aqui, na [escrita casual], diz-se o que se pode fazer para ser feliz, mesmo que nos condenemos ao vício do consumo (livros , filmes e cd's - mais jornais e revistas - sublinho eu). o sentimento de posse, principalmente de um livro, é algo de extraordinário. o cuidado com que lhe tocamos ao ler, como se fosse ao escritor que transportassemos, e a calma como folheamos as páginas , são a prova da vida que ele tem. e depois, mesmo que fique na estante, estará a olhar para (e por) nós todos os dias.
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diz o gustavo sampaio,
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"[...] é estúpida, esta analogia entre o sentimento de posse e a felicidade, mas, na minha pessoa, só se manifesta relativamente a livros, discos e filmes. e quanto às mulheres? nada de possessividade, garanto. porquê? porque quanto mais livres, mais misteriosas, logo mais sedutoras, e mais apaixonantes. uma mulher "cativa" é um aborrecimento constante, como que uma flor sem sol, murchando a cada novo condicionalismo masculino. leiam marcel proust e interiorizem o desastre para onde caminham, indelevelmente, ao aprisionar uma mulher que deseja ser livre, ou seja, uma mulher digna de ser amada [...]"

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Fotos que fizeram história (1)

A imagem de Che

A famosa foto de Che Guevara, conhecida formalmente como "Guerrilheiro Heróico", onde aparece seu rosto com a boina negra olhando ao longe, foi tirada por Alberto Korda em cinco de março de 1960 quando Guevara tinha 31 anos num enterro de vítimas de uma explosão. Somente foi publicada sete anos depois.
O Instituto de Arte de Maryland - EUA denominou-a "A mais famosa fotografia e maior ícone gráfico do mundo do século XX".
É, sem sombra de dúvidas, a imagem mais reproduzida de toda a história expressa um símbolo universal de rebeldia, em todas suas interpretações, (segue sendo um ícone para a juventude não filiada às tendências políticas principais).

mesa de cabeceira

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pedaços de escrita pousados e inertes à espera dos meus olhos.
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confesso que a leitura e o cinema têm sido os momentos mais despertadores da minha consciência hibernante.

a frase do dia

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há dias que se devem exprimir de forma simples. e há frases que se ocupam dessa tarefa de forma rápida, curta e directa,
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"arranja-me uma viagem low-cost para outro mundo..."
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não diria melhor.

Cáfila

Ontem, um conjunto de camelos (significado do susbstantivo comum: cáfila), deu a ganhar 50.000 euros, e a concorrente terminou dizendo:" afinal, eu sei mais que um míudo de dez anos."

Andam para aí tantos à solta... e sem utilidade para ninguém!!!!

P.S: alguns até utilizam a internet...

cinenimação

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de facto fiquei surpreendido e realmente é algo que nunca tinha visto. este filme, já destrinçado pelo nosso Onun, é de facto um marco na comédia. há a ideia de criar uma comédia sem as piadas sexuais corriqueiras, e depois o soft-core é realmente hilariante.
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em "um azar do caraças" - "knocked up" na versão original - há uma mistura de "notting hill" com "american pie", que lhe dá um toque diferente do usual argumento de comédia. sem dúvida que vale a pena ir ver esta inauguração de um novo estilo.
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até a música final (propensa a apelar à lágrima) está muito bem escolhida. louden wainwright - 3. Daughter.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

se eu fosse uma música de josé cid...

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testem a vossa na rádio comercial. tio cid power!

then little by little in substance too

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era a noite que descia. não eras tu que caías. dentro da tua depressão (o que é uma depressão?). era a noite que entrava e não se anunciava. era a noite dos sonhos perdidos e das esperanças achadas. senti que era a última oportunidade de sair desse buraco com cheiro a terra molhada, a depressão (o que é uma depressão?).
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sem sentido, estava à espera de que o calor que envolve a tua cara me enchesse as medidas do sabor dos tempos. idos. foi nesse momento, ainda mal discutido, que saíste. dizias que era a solução para resolver esse problema.
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e a depressão (que é afinal a depressão?), estava ali como companheira inseparável a confortar-me. eu sei que as palavras tinham comprado o espaço e que aos poucos a substância ia diluída na imaginação do que querias ser. mas não foste. e a depressão (que raio! que é isso da depressão?), saiu à noite para comprar um cigarro. e não voltou.
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nem a depressão, nem o cigarro.

first offer me in words

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havia naqueles dias frios uma brisa matinal que aquecia os dedos, mas só quando o sol incidia sem inclinação. eu via as manhãs como elas eram, na sua essência, em parte brutais arranques de consciência aos sonhos, noutras vezes mais doce como o embalar das horas crescentes.
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era naquela terra o homem das coisas simples. via em linhas desenhadas no ar, os ângulos e as inclinações que faziam as ruas e os edifícios. e depois de anos sem fio, passos firmes e desenvoltos, voltei há minha terra. a esta terra. onde ainda sei que no natal se comemora o nascer do menino. ali naquela meia-noite de galos, esfreguei as mãos no calor da brasa para me aquecer. e as noites eram de alegria em fundo preto. só o granito destoava.
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sei que aqui, pertenço aos moderadores do tempo certo. aos que sabem que o tempo aqui passa sem pressa porque nascemos aqui. e aos que sabem que quem morre um dia volta de manhã a esfregar as mãos para as aquecer.
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e todos juntos, somos estas pedras desabitadas.

fnac em braga

[403]
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até amanhã estará à porta da nova loja fnac em braga, uma equipa de colaboradores para quem quiser aderir ao cartão fnac. o preço do cartão é de 15 euros em todas as lojas e em todo o ano. a vantagem de irem lá agora, está no facto de receberem um vale de 10 euros para compras, e usufruírem de vantagens (como um desconto de 6 % extra em duas compras por ano) e assim juntarem o utíl ao agradável.
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assim pode ser que consigam a "história do belo" pela módica quantia de 36 - 6% - 10 = 23,84 euros. é fácil e é barato. o preço não é convidativo mas admito (e confiando cegamente no gosto do Onun) que é uma boa prenda de natal.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Querem encher estádios???

"Como é bela a fealdade!"



Chamo a atenção dos leitores com especial gosto pela sinestesia que certos livros nos podem oferecer. Estou-me a referir à História do feio, o segundo tomo de uma cuidadosa compilação de ensaios (iniciada pelo seminal História do belo) reservada ao estudo da complementar oposição entre os canônes do belo e do feiodesde a antiguidade clássica até à actualidade, com a soberba direcção de Umberto Eco.



O livro revela-nos uma autêntica profusão de texturas, cores, sensações e sentimentos dispares, cuja principal missão consiste em desmistificar o conceito do puro horrivel, ou de uma suposta fealdade atemporal. Perto do final da obra, o autor acaba por nos desvelar uma curiosa conclusão sobre o tema do feio hoje que no final de contas poderá perfeitamente representar as futuras convenções de beleza (ex: as tatuagens e piercings que no passado eram usadas com desdém por piratas selvagens e salteadores andrajosos, hoje são ostentadas com orgulho por adolescentes puéris e inocentes).





Em suma, um livro essencial para todos os colecionadores, estetas ou pura e simplesmente para os fãs de Umberto Eco, pela sua qualidade estílistica (são cada vez mais escassas as compilações, ainda por cima de textos tão dispares que nos fazem viajar desde o O homem que ri de Victor Hugo até ao Freaks de Todd Browning) pela originalidade e controvérsia do tema abordado (o feio é, e sempre será, um tema amplamente discútivel) assim como pelo poder dramático da cornucópia de imagens que povoam o livro (desde os reverenciados mestres do horrivel H. Bosch, Bacon, Ensor, Dali até aos improváveis simbolos iconoclastas e fotógraficos da actualidade) tudo isto impresso em papel de tacto aveludado (sim, até as folhas são de superior qualidade!!!) Obrigatório! (boa prenda de natal)




Para vos aguçar o apetite deixo-vos o índice:




Cap.1- A fealdade no mundo clássico;


Cao.2- A paixão, a morte e o martírio;


Cap.3- O apocalipse, o inferno e o diabo;


Cap.4- Monstros e portentos;


Cap.5- O feio, o cómico e o obsceno;


Cap.7- O diabo no mundo moderno;


Cap.8- Bruxaria, satanismo, sadismo;


Cap. 11- O perturbante;


Cap. 14- O feio alheio, o kitsh e o camp;




P.s. - Como senão, o preço, talvez um pouco excessivo, mas atendendo á excelência dos conteúdos...

eu quero acreditar que sim

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honestamente para comemorar apetece-me dizer isto,
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a ingratidão é mesmo uma puta das baratas.
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desculpem estes desabafos, mas às vezes eu sou como diz o santana na sua mais recente criação musical,
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"[...] it was easy to see how the devil himself could be pulled out of me [...]"

sinner

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pedro mexia fala de um "gestor de ternura". e diz que não concorda com essa definição. eu se pudesse escolhia essa tarefa para profissão.
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ter que decidir sobre o que abunda como energia renovável, só não há mais porque como em tudo na vida existe quem lucre com a falte dele, seria para mim um enorme prazer. há dias vi um cara tão triste que me apeteceu ser o juiz das distribuições obrigatórias de alegria.
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se pudesse ser assim leve nas escolhas, decidiria que no meu país não há lugar para mulheres tristes, todas teriam um local para se reabastecer. como um verdadeiro maná. do género das caixas de multibanco. pedido de carregamento. em seguida, escolhas as opções, viagem a lisboa com direito a duas horas de carinhos mais um jantar romântico. ou em alternativa, viagem a serralves com direito a beijo demorado na encosta de relva virada a sul.
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e assim, as maravilhas da criação de deus, não seriam mais lobos com pele de cordeiro que explodem como géisers. seriam como cordeiros deliciosos e mansos, prontas para serem deliciadas, massajadas, incendiadas de loucura saudável às mãos dos seus admiradores.

livros em cogitação

[398]

só quero anunciar, aos leitores e apreciadores do escritor josé luís peixoto, que a partir de amanhã estará nas livrarias o seu novo livro, cal - [edição bertrand] -, que engloba uma série de estilos como sendo o teatro, a prosa e a poesia. ao que parece todos os estilos têm de um denominador comum, gente de idade e o mundo rural.
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querem ver que o homem vai falar de galos em capoeiras a comer o milho dos opulentos?

Jantar de Natal do Blog dos Cinco Pês.



Caros companheiros, camaradas, amigos, palhaços desta vida que é um circo, venho por este meio lançar a ideia de uma jantarada de Natal. Sei que ainda é cedo, mas se ficar já marcado, mais fácil será encontrar uma data que se dê às conveniências de qualquer um. Eu por mim, regresso a Portugal a 16 de Dezembro, estou livre, para já, em qualquer dia à excepção do 24 de Dezembro (já tenho um jantar marcado). Da minha parte sugiro (adoro esta palavra japonesa) o dia 21, uma sexta-feira antes do Natal.

Podiamos instituir, desde já, o "Jantar de Natal anual do Blog dos Cinco Pês & Friends", ou seja, um jantar também aberto aos leitores.

É apenas uma ideia para discussão...

verdades incontornáveis

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richard zimler (que reside, actualmente, na zona da foz, no porto, para onde se mudou vindo dos e.u.a.), deu ontem uma entrevista no jornal de notícias, a tocar na ferida que há muito me parece verdade,

"[...] "Farto da atitude egoísta dos escritores, editores e agentes", o autor do recente "A sétima porta" diz ter perdido "a ingenuidade dos primeiros anos de carreira literária", quando acreditava que "a um escritor bastava escrever bons livros e, a partir daí, não enfrentaria mais problemas, pois teria um editor para toda a vida e não existiria rivalidade entre colegas do mesmo ofício". Por isso, garante, ironicamente, que "se um jovem escritor me pedir conselhos para ter sucesso digo-lhe logo que o melhor é escrever uma treta conspirativa sobre religiões e não terá dificuldades em alcançar a fama". [...] "
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eu se escrevesse não batia nos cegos. nem batia nessa tecla batida. nem batia no sistema. escrever é mostrar verdades aos leitores, não é especular mentiras e debravar terrenos fáceis e férteis de favores e especulações.

A comédia tem um novo rei...





Neste último Domingo tive a chance de mais uma vez desfazer um velho lugar-comum, que infelizmente persiste em grassar nas falanges de uma certa juventude pseudo-intelectual, ou seja, a ideia de que o cinema norte-americano não possui elevação artística ou subtileza.



O filme "Knocked Up" traduzido impecávelmente em português para "Um azar do caraças" é verdadeiramente uma pérola. A premissa inicial é estupidamente simples, um rapaz looser e javardolas conhece uma rapariga emancipada e sofisticada numa noite de copos, os dois tem um affair passageiro para nunca mais se lembrarem (a desgosto do nosso protagonista) dessa noite regada por muito álcool. Passadas oito semanas a rapariga está grávida do inesperado Seth Rogen...



Ora, os méritos desta comédia não residem no titulo boçal ou na linha narrativa, tradicional e vulgar, mas sim na pandilha de Judd Apatow, que mais do que actores motivados ora pelo sucesso ora pelos dólares, parecem transparecer para o ecrã uma relação estreita e inabalável de pura amizade e camaradagem (facto a que não será alheia a presença do mesmo núcleo de actores em outras comédias de sucesso, como "Virgem aos 40 anos" ou " O Super-baldas" ou ainda "A balada de Ricky Bobby").



"Um azar do caraças", é acima de tudo um filme cuidadosamente escrito (impagável o gag dos alter egos de uma personagem com uma revivalista barba á eighties) pela mão de um realizador que transborda carinho pelas vidas mais ordinárias do nosso dia-a-dia, ao afirmar-nos ternamente que a banalidade também pode ser excitante (desde a criação de um site soft-core pelos amigalhaços até á insegurança de duas mulheres em crise de histeria aguda à entrada de uma discoteca) ao mesmo tempo que (sem fazer juizos de valor) estabelece dilemas morais (a entrada na idade adulta ou o eterno irresponsável carpe-diem dos amigalhaços) e a solução airosa de como os ultrapassarmos, sem nunca cair na vulgaridade ou em paternalismos moralistas. Ha, e ainda por cima o filme tem muuuuuuuuita graça!