quarta-feira, 18 de julho de 2007

Tradições

Embora um pouco demagógicas, as comparações são de qualquer modo impressionantes. Confesso que não gosto de touradas contudo respeito quem gosta. E há coisas em que podemos e devemos pensar.

À vossa consideração via Devaneios Desintéricos.


7 comentários:

Presidente disse...

Devo dizer que eu sou um aficionado, não pelas tradições, essas já não são o que eram, mas sim pela faiena, pela festa brava, pela lide a cavalo... porque sou um apaixonado não vou esgrimir argumentos que justifiquem tal gosto, já sabemos o que acontece quando pomos a paixão á frente da discusão...

Viva a Liberdade... que nos dá direito à pluralidade de opiniões...

Zé Baptista disse...

Eu pessoalmente, não gosto de tourada, embora tenha alguma dificuldade em tomar uma posição relativamente à legitimidade desse tipo de eventos que envolvem, por um lado a tradição, e por outro, o direito dos animais.

Mas gostar ou não gostar de touradas não é o mesmo que gostar ou não gostar de futebol. Envolve questões éticas importantes como a do direito à cultura (quer queiramos quer não as touradas fazem parte da nossa herança cultural), e a da existência, ou não, dos direitos dos animais.

No entanto, a minha posição actual é mais "anti-touradas" pelos seguintes aspectos:
1- Acredito que os animais têm direitos (embora algumas correntes ético-filosóficas defendam o contrário, argumentando que só os seres humanos têm direitos e deveres, ainda que um desses deveres seja a protecção dos animais).
2- O direito que um povo, grupo ou etnia possa ter às suas tradições deixa muito a desejar! Por estes lados (Guiné-Bissau), é normal, em algumas etnias, a excisão de mulheres que consiste na extracção do clitóris para que estas não tenham prazer no acto sexual. Julgam assim evitar as traições perpétuadas pelo sexo feminino, quando os homens das mesmas étnias podem ter mais do que uma mulher. É tradição mas será legítimo? Não o é com certeza, pelo menos aos olhos da minha, e penso que da vossa rede de crenças culturais.

Aqui é que reside o ónus da questão. A rede de crenças de cada um, que em muitos casos é igual entre os vários elementos de uma determinada cultura.
Cada cultura tem uma rede de crenças mais geral, normalmente comum a todos os indivíduos. Mas, além dessa rede mais geral, os indivíduos podem discordar em alguns pontos menos gerais.

Numa sociedade cada vez mais moderna, onde a pluralidade de redes de crenças se mistura a cada dia, o choque era inevitável e aquilo que era inquestionável à uns anos atrás, como as corridas de touros, é hoje posto em causa por cada vez mais pessoas. O mesmo se passa com a questão do aborto, ou com a liberalização das drogas.

E será cada vez mais assim.

Onde é que eu quero chegar?

Bom, a solução para este tipo de problemas, dada a sua complexidade não me parece nada fácil. No entanto, e celebrando a cada dia a democracia que tanto prezamos, acho que o mais importante neste tipo de questões é sermos capazes de chegar a uma conclusão pela nossa própria cabeça, respeitando as diferentes opiniões dos outros, exceptuando, claro está, tradições como a tal que referi acerca da excisão de mulheres e outras tradições tais. Essas tradições eu não respeito, podem até dizer que estou a desrespeitar o direito que essas culturas têm às suas tradições. Estou-me a cagar! Espetem-me na cruz!

O que eu não suporto neste tipo de questões, é que muita gente não pense por si, e ora é a favor ora é contra, de acordo com o que o Sr. Padre disse ou o que o Sr.Nietzche, o Sr. Marx e o Estaline (a este recuso-me a chamar senhor) disseram.

Graças a Deus, ou à ciência, que neste blog todos pensamos pelas próprias cabeças e respeitamos a opinião dos outros.

Pena é que lá fora, na nossa e noutras sociedades, as coisas nem sempre funcionem assim.

Fernando Pessoa disse...

como repararam eu apenas lancei a discussão, precisamente porque é uma quetão muito ética e do foro pessoal. Mas claro que regozijo ao ver que opinam.

Presidente disse...

Amen, Batista!!!!

O tempo em que alguém, por si só, pensava e os outros seguiam já lá vai...

Por mim viva as touradas... por ti nem por isso, por outros nem pensar... se assim não fosse e se todos se tivessem que reger pelos gostos de alguém, e se dos meus se tratasse, teriam que gramar com as touradas....

Armando (mas branco... ou quase) disse...

A única coisa que eu tenho a dizer acerca das touradas é que sou contra a hipocrisia das mesmas. Os argumentos muitas vezes utilizados de ser uma prova de coragem, o homem contra o animal, o homem a mostrar a sua superioridade em relação ao touro, facilmente caem por terra quando vemos 9 marmanjos de collants em cima de um touro com os cornos cortados. Isto na minha terra ou é cobardia ou paneleirice.

Presidente disse...

Acabe-se com as touradas, talvez se acabem as paneleirices, e os touros também, sim por iriam cria-los depois... a não ser que os ditos defensores dos direitos dos animais os criassem para animais de estimação, afim de com eles se pavonearem de laçinho ao pescoço pelas avenidas das nossas cidades...

Armando (mas branco... ou quase) disse...

Não há aqui uma relação causa/efeito das touradas com as paneleirices (digo eu que não sou toureiro nem paneleiro) mas também não existe relação causa/efeito com a criação/utilidade de um animal. Os "ditos" defensores dos animais não os defendem, nem à sua criação por serem bons animais de estimação ou por terem xixa da boa, defendem-nos porque eles têm direitos (proclamados em assembleia da Unesco, em Bruxelas, no dia 27 de janeiro de 1978)e porque não se conseguem defender a eles próprios.