quinta-feira, 31 de julho de 2008

a insigne poesia dos limas

[1159]

uma casa ancorada num sopé
enraízada no rio,
tombada nas eras,
amíude cortada por ventos,
assustada pela tempestade.
.
é uma casa secular,
consentida pelas mãos do tempo,
moldada pelos olhos,
suja pela poeira,
sentida nos lábios dos dois.

é a casa deles. não só deles.
agora nossa também.

obrigado a todos

[1158]
.
queria agradecer a todos os amigos que ontem se manifestaram. a todos obrigado pelas mais variadas formas parabenizantes. elenco o que ganhei,
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1) ofereci a mim próprio isto,

2) e ofereceram-me isto,


3) mais isto,


4) mais isto,

5) e mais uns belos calções de praia e uma toalha.
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6) mais a certeza de ter muitos, e principalmente, bons amigos.
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acabei por perder isto,

mas o dia era de festa, esperamos que venhas à fnac, para autografares o meu exemplar.

Carroça? Um carrosel...

video

quarta-feira, 30 de julho de 2008

a insigne residência dos limas

[1156]

episódios da vida rural
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a aldeia é pequena, recatada, ordeira, sem sinais de grande desenvolvimento, um ou outro acesso mais arranjado, mas no fim de contas foi por isso que vieram viver para aqui, pelo isolamento. estes dois, marido e mulher sem papel oficial passado pela santa igreja de roma, vivem juntos há doze anos, e nesta terra perdida do mapa mundo, vivem há sete parcimoniosos anos.
..
(a quinta foi comprada depois da morte do velho jeremias, a quem a sorte da viuvez remeteu para um arrastar penoso no tempo, como se perdido da casa, do tempo, dos dias, como que a sua alma há muito vagueasse por outro mundo, e do seu corpo apenas restasse a carcaça ambulante)
..
duas pessoas assim já não se fazem, já não existem, diz o povo que nunca os viu em desentendimento ou discussão. e a verdade é que são uma harmonia em forma de união. dizem que o homem pode ser mais sisudo que a mulher. e talvez o seja. talvez pelas manhãs mais frias se faça sentir a sua indisposição e o seu temperamento acutilante contra o remoinho interior causado pelo frio. são achaques repentinos e passageiros. ao beber um café e ao sair para a lida do jardim, os meandros insondáveis do mau humor rapidamente dão lugar a uma sintonia perfeita com a natureza.
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é assim a vida de duas pessoas que vivem no campo. são ambos cuidadosos nos seus afazeres. ela professora universitária, ele engenheiro agrónomo. nada fora do comum, a não ser terem escolhido viver num recolhimento apaziguador. cumprem a sua vida diária nas cidades vizinhas, correm como outros contra o tempo do dia-a-dia estafante, deambulam pelo trânsito caótico como o comum mortal, mas ao converteram-se a este viver recatado, recuperam em pouco tempo o ritmo desacelerado dos pássaros que os visitam nos jardins.
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(a quinta é mais uma pequena casa recuperada por um arquitecto amigo com experiência nesta área. tudo foi meticulosamente tratado de forma a que nada excedesse o ambiente rural, e a imagem que todos os dias eles veriam ao regressarem a casa seria a de um paraíso perdido, coberto de folhagem, árvores e heras sinuosas. uma recuperação sóbria e condizente com os seus estados de espírito.)
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hoje estão ambos na sala de estar. não é uma sala comum, com uma enorme passadeira que se estende de uma ponta à outra, com duas mesas de trabalho de ambos os lados. a simetria era algo tão natural na sua organização, que por vezes nem se apercebiam do ambiente geométrico em que se estabeleceram. ela lê uma tese sobre os micro-organismos paleais, ele insiste em resolver enigmas, tentando descodificar umas frases hieroglíficas, uma paixão antiga.
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na janela, por onde a luz entra sempre com moderação, esbatendo as imagens definidas pelos corpos, está um colibri a observar os nossos inquilinos da natureza. o seu azul-turquesa não passa despercebido ao nosso amante do egipto, que sorri quando o vê.
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és um colibri que desmaia de azul na minha vida,
que queres tu poeta?
um beijo e um passeio era capaz de servir para relaxar.
tortuosos são os caminhos do senhor…
sim, pois então endireitemos as veredas que ele pode voltar a qualquer momento.

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seguem de mão dada pelo caminho que dá para o rio, conversando sobre o tempo que ele perde a desvendar mistérios tão inúteis como os egípcios.

terça-feira, 29 de julho de 2008

a última blog-novela

[1155]

a insigne residência dos limas
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episódios da vida rural
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hoje a partir das 00:01

do androids dream?

[1154]

reprogramei o chip. nada mais poderá interferir na concretização do grande projecto. nada poderá entrar no sistema como um vírus, alterar códigos (mesmo os deontológicos), reavivar memórias supérfluas de não-acontecimentos, reacender desnecessárias citações sobre a humanização das máquinas.
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se a microsoft soubesse como reforcei a fortaleza, contratava-me na certa.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

citações

[1153]

"A terceira mão é uma outra hipótese
tentada: a reunião por um anel de fogo
de dois que nada nem outrem ligariam,
a terceira mão é a mão que te empurra
para território desconhecido e aquela
que te guia em terra de ninguém "

Manuel Gusmão. A terceira mão, p.73

via [a mancha]

pensamento seguido de pensamento

[1152]

há quem lhe chame o sabor amargo da derrota.
eu chamo-lhe o expoente reduzido a uma raíz cúbica.
se é que me entendem.
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"Elizabeth: I’ve never been very good at competition. Some people enjoy it. Not me."

My Blueberry Nights, Wong Kar-Wai (2007)
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domingo, 27 de julho de 2008

O que foi feito do Screech?

And now for something completely diferent...






A pergunta que se exige é a seguinte:


Afinal, o que foi feito do Screech (que tantos e tão bons momentos de pândega nos proporcionou nas tardes da TV2)?



P.S. Não, o Screech não vive no anonimato em maximinos, ocultado sob o heterónimo de Giga.

sábado, 26 de julho de 2008

algo vai mal no reino da dinamarca [3]

[1150]

o avião entrou por uma núvem densa, sem vacilar ou estremecer, e ela olha pela janela apreciando o momento com olhos absortos e divagadores. o seu olhar não vê mais que a escuridão trazida pela núvem. pensa mais um pouco na sereia plantada no meio da rua de copenhaga. talvez por isso cintile uma luz viva no seu olhar, reflectindo um sofrer de saudade ainda que precoce.
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treme-lhe amiúde a mão direita. nela está o peso do livro que a acompanha em cada viagem. o principezinho, é a biblia das citações das suas viagens, a que se recorre quando a alma está suspensa na dúvida.
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(eu vagueio mais uma vez, fantasma sopro-de-brisa, por entre quem não me pressente. é uma missão tantas vezes obscura, tentar interferir na decisão de quem não me pode escutar. sento-me ao pé dela. ela ouve ao longe algo com o que confunde serem arpas divinas, superiores e ancetrais melodias de embalar. é bom sinal. ela está em contacto com o meu mundo. desse modo é mais fácil alertar a rapariga do comboio [hoje em viagem de regresso de avião de copenhaga]. os perigos nunca espreitam a quem está protegido por um fantasma)
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desce os degraus e hesita em pisar o solo português. está muito calor. o ar é mais rarefeito e custa a inspirar uma golfada aliviante. caminha com a caixa de música na mão como uma recordação. não pode deixar de estranhar certa ideia que a invade. uma ideia que não sabe de onde vem. apenas sabe que a decisão está acompanhada do som das harpas.
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não a podemos seguir mais. segue um caminho que julga a fará afastar do destino. mas não sabe que ao tentar fugir irá tropeçar nele.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

florentino ariza não morreu de amor [7]

[1148]

florentino ariza não morreu de amor. morreu a dormir num dia de calma subida do rio

(os armários alinhados do lado direito da sala, com os jarros de porcelana francesa intactos - trazidos de terras gaulesas há mais de 50 anos - escurecem e esbatem a força da luz que entra nas janelas. abertas sempre pela manhã, é a esta hora que são cerradas para que fermina urbino [ou daza, ou ariza - conforme o tempo e o espaço do nome na sua vida], entre a sentar-se na cadeira de baloiço. durante meia-hora fecha os olhos, e não raras vezes adormece entrando em sonhos de recorrente frescura juvenil.)
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na rua, em frente à casa municipal, decorre um concerto de música clássica. o som vai-se imiscuindo em cada casa da vila, entrando ao ritmo do violino pelas portadas e ressoando nos sub-conscientes a cada rasgo do violoncelo. é a 5ª sinfonia de beethoven.
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(no armário estão alinhados os livros de uma colecção de comprada pelo pai de fermina, e que foi crescendo com os gostos do seu primeiro marido, incluindo um sem número de entradas bibliográficas sobre medicina. ao lado direito alinham-se romances, poesia e alguns (poucos) ensaios. o mercador de veneza de shakespeare, é uma da obras a que fermina gosta de regressar, mas o livro pousado em cima da mesa tem uma passagem de romeu e julieta sublinhada,
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"só ri das cicatrizes quem ferida nunca sofreu no corpo."
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o silêncio de fim de tarde nas ruas é característica solene e imperial desta gente. o respeito pela arte, nas suas mais variadas formas, parece querer tornar este povo num estado de superioridade intelectual que o há-de distinguir dos demais vizinhos. ninguém entende estas raízes genéticas, dado que a guerra foi sempre a única forma de se resolverem os conflitos gerados no seu seio. uns jovens estão deitados à sombra das acácias e vão brincando em silêncio, jogando ao de leve com a líbido no tabuleiro do xadrez do amor.
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" minha doce e amada tulipa holandesa,
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que estranho chamar o teu nome a meio da noite, sonhar entusiasmado com o desfecho esperado, e no entanto ao raiar o sol apenas a minha sede e o meu intento do coração permanecem lúcidos. todo eu entro no escuro do dia. visto o meu fato mais estranho e não me importo que me apontem o dedo e me chamem louco. os nomes que temos não nos entendem. já dizia romeu "que há num simples nome? o que chamamos rosa, com outro nome não teria igual perfume?".
por isso os desdenhosos dedos em riste desta gente não podem ser julgados. eles não sabem que nem os nomes nos definem. e por isso eu escrevo em loucos delírios para que não leias. porque o teu nome, nem as palavras podem definir. o teu nome só o meu coração o pode repetir.
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as sereias chamam por mim. vou morrer ali. um dia morrerei ali.
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não me morras antes do meu morrer.

dá o teu corpo. não dês o teu coração.

aguardo-te

florentino ariza”

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acena a um vizinho e fecha a cortina da janela. guarda mais uma carta escrita num tempo longínquo. parecem fantasmas soltos de um cofre a falarem cada um para o seu lado, tantas são as vozes que ecoam na sua cabeça. por vezes desconfia da sua sanidade mental.
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deixemo-la recompor os seus sentidos.

aconteceu em viena












"Daydream, delusion, limousine, eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I'm a delusion angel
I'm a fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Lodged in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I'll carry you
You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me?
Don't you know me by now?"

o poeta na rua em "before sunrise"

cortar pela raiz

[1147]

cortar um poema, de cima a baixo só porque ele
não interessa, ou nada diz de importante,
parece não ser a melhor forma de te esquecer.
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nem mesmo a indecifrada
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história não contada, que escorre dos dedos,
(deixa-a ficar escondida)
parece resolver o anseio lascivo que me acorrentou ao perfume.
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e nem os macios poros da pele que ainda gritam em
sufoco por um toque, ou um deslizar suave
dos cabelos emaranhados nas mãos,
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me remetem ao olvidar do teu cheiro.
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(eu fecho os olhos tantas vezes.
eu cruzo os braços veemente.
eu risco os mundos literários falsários.
eu desisto em cada adormecer mudo),
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não me peças é que mate um poema
só porque o escrevi para ti.

algo vai mal no reino da dinamarca [2]

[1145]
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escreve muitas vezes as palavras certas. por isso aqui fica uma parte boa de um post fantástico.
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" [...] Ela que a certa altura apostou tudo em tornar insignificante o nosso encontro (o outro), que eu fazia promessas insensatas, que eu não tinha o direito de querer que ela significasse alguma coisa, ela recusava que se fizesse poesia à custa dela, não por ser prosaica mas porque tinha medo da poesia, e eu achei isso comovente, alguém que teme a poesia, e a veemência dela [...] "
.
" [...] «depois quem se fode sou eu», isto para que eu percebesse a seriedade dela, e poética nessa brutalidade, que eu não tinha o direito de perturbar o mundo dela, e no entanto deixando que eu de algum modo a tocasse, «for he's touched your perfect body with his mind», mostrando-se tocada e indignada, com uma breve alegria que os olhos rasgados traíam e os lábios romanos suprimiam. [...] "
.
.
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na dinamarca está tudo bem, aqui é que está tudo mal.

do cinema e do teatro




















quinta-feira, 24 de julho de 2008

algo vai mal no reino da dinamarca *

[1144]

ou então está tudo bem na dinamarca, e aqui é que está tudo mal.
.
(afinal ainda tinha qualquer coisa a dizer hoje)
(* expressão shakespeariana que ouvi pela primeira vez da boa da ilustre carminda - insigne professora de inglês da nossa escola - de quem falarei brevemente)

por hoje não tenho mais nada a dizer

[1143]

" [...] Talvez sejas a única luz que não sou capaz de guardar nos olhos, a única história que sei contar. Ocupas todo o meu avesso e adio os dias porque o vento me grita que o teu nome pode ainda ser o meu. [...]"

via [existir em intermitências]

geografia como deve ser

situação real vivida num cafe perto de nós.

- "eia, já viste? este café chama-se coliseu como aquele monumento em italia!"

- "és mesmo burro! em italia é a torre de pisa, o coliseu é em frança. eu quando estive em frança morava mesmo lá ao lado, e olha que estive lá muitos anos!"

- "ah, és capaz de ter razão..."

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Descubra as diferenças

Anúncio Minipreço - 2008

Andy Kaufman - 11 Outubro 1975 - Saturday Night Live

Livro da vida.

Hoje acabo de escrever o capítulo da Guiné.
Valeu as pena. Balanço positivo.
Deixo para trás um emprego certo mas não quero saber, porque sei onde me apetece estar neste momento e não tenho medo de arriscar.

Não sou escravo da carreira.
A carreira existe para nos servir e não para nos escravizar.

terça-feira, 22 de julho de 2008

PARABENS A MIM!

Já tentaram passar despercebidos no dia do vosso aniversário? Ou fazer com que seja um dia igual aos outros, até porque já entramos naquela fase em que celebrar o aniversário é assumir que passou mais um ano e ainda não percorremos a 5ª avenida em cima de uma bola pinchona?
É impossível.
Não porque a família ou amigos nos ligam a dar os parabéns ou a desejar muitas felicidades e muitos aninhos de vida (até porque é bom ouvir uma voz amiga neste dia difícil), mas sim porque a marca X e marca Y mais as marcas Z, XYZ, %&U e %ZX£, invadem o nosso telemóvel ou e-mail com mensagens de parabéns e ofertas nas respectivas lojas. “Venha, venha, temos uma prenda pra si.” Que praga.

Parabéns para o menino Marke Ting, por tornar este dia um pouco mais insuportável.

acidentes oculares preciosos

[1138]


parece que a viagem começa a fazer um certo sentido. parece que regressei a um passado onde me encontro pacificado. onde finalmente revejo a minha imagem na liberdade. talvez não se complete de um dia para o outro, mas seja um caminho desenhado com linhas seguras e decididas.

petiscos da caminhada - (ou o post que se poderia chamar: um três, um quatro e um cinco)

o homem sentimental, javier marías (***)


“Nestas páginas que fui enchendo […] reconheço uma voz fria e invulnerável, como a dos pessimistas, que do mesmo modo que não vêem nenhuma razão para viver também não vêem nenhuma para se matarem ou morrerem, nenhuma para terem medo, nenhuma para esperarem, nenhuma para pensarem; e no entanto não fazem senão estas três coisas: ter medo, esperar, pensar, pensar constantemente. […] Pensava tanto que cheguei a fazer das muinhas poucas conversas, […] um mero prolongamento verbal do meu pensamento a sós; pensava tanto nessa altura que cheguei a fartar-me de mim mesmo.”

pp.49

“Este estado típico de adolescente e dos apaixonados recentes, tem as suas exigências, e uma delas, […] é o estabelecimento imediato de uma rotina o mais férrea possível, que não abra espaço ao desconcerto da improvisação nem permita catastróficos vazios que ponham em causa essa incorporação e dêem que pensar […] “

pp.49


crónica de uma morte anunciada, gabriel garcia marquez (****)

“Foi ela quem estoirou com a virgindade da nossa geração. ensinou-nos muito mais do que devíamos aprender, mas ensinou-nos acima de tudo que nenhum lugar da vida é mais triste que uma cama vazia.”

pp.97/98

”As luzes estavam apagadas, mas assim que entrei senti o cheiro de mulher morna e vi os olhos de leoparda insone na escuridão, e depois não voltei a saber de mim até os sinos começarem a tocar.”

pp.102

a desgraça, j. m. coetzee (*****)



“ A vida no campo sempre teve a ver com vizinhos a maquinar uns contra os outros, desejando pestes unas aos outros, desejando colheitas pobres uns aos outros, desejando a ruína financeira uns aos outros, mas, em momento de crise, sempre prontos a ajudarem-se mutuamente. […]”

pp.107

“ Aquele sentimento volta a apoderar-se dele: falta de vontade, indiferença, mas também uma sensação de leveza, como se tivesse sido comido por dentro e apenas sobrasse a carcaça carcomida do seu coração. Como pode, pensa consigo mesmo, um homem neste estado encontrar palavras?”

pp. 141

“Faz uma pausa. Isaacs olha-o com uma atenção penetrante.
- Então - diz Issacs, suavemente, e a palavra desprende-se-lhe dos lábios como um suspiro: - assim caíram os grandes!
[…]
- Talvez seja bom – diz – sofrer uma queda de vez em quando. Desde que não nos quebremos.”

pp. 150

por vezes é melhor não tecer comentários sobre os livros. e desta vez o melhor é aproveitar as palavras de quem os escreveu.

se uma manhã é alegre

[1137]
.
“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”
.
Fernando Pessoa

se uma manhã é triste

[1136]

"Uma paz triste a manhã traz consigo;
O sol, de luto, nem quer levantar.
Alguns terão perdão, outros castigo;
De tudo isso há muito o que falar.
Mais triste história nunca aconteceu
Que esta, de Julieta e Romeu."
.
shakespeare, romeu e julieta, acto V - cena III

E o prémio "O que tu queres sei eu!" vai para...

José Couceiro

José Couceiro, técnico português que já dirigiu as seleções sub-20 e sub-21 além de clubes como o Alverca, Belenenses, Porto e V.Setúbal, é o novo treinador da seleção da Lituânia.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

porto bike tour 2008

[1134]

domingo,
porto, oito da manhã.
espera longa, convívio animado. o porto bike tour 2008, apesar da demora pela confusão gerada por tanta gente junta, torna-se uma experiência animada e desportivamente rica.



é em certos momentos (como este) que podemos pensar um pouco na vida como um trajecto. o esforço dispendido pode ser menor umas vezes, com terreno plano e asfaltado, ou pode ser noutras alturas, mais íngreme e duro, com terreno trepidante e de passagem complicada. no fim de tudo, só é recompensado o genuíno enfrentar das dificuldades.

apocalíptico

[1133]

se algum dia este blog acabar, será com um post assim, igual a este.

FIM

domingo, 20 de julho de 2008

Contra a ditadura da maioria e dos interesses económicos na televisão pública.

No seguimento do post anterior do RSM, deixo aqui o link para uma petição que procura chamar a atenção para o vergonhoso serviço público da televisão do estado, que prefere transmitir jogos amigáveis entre os chamados "grandes" e o "Cascos de Rolha F. C." em deterimento de jogos de equipas portuguesas em provas oficiais nas competições europeias. É o mesmo serviço que interrompe emissões para dar uns directos acerca da chegada a Londres do novo treinador do Chelsea, um assunto bem mais importante que a maior parte das outras notícias acerca do que acontece em Portugal.

E desta vez a desculpa de que o jogo não passa se deve ao facto de não existir transmissão televisiva por parte do país onde o jogo se disputa, não cola. O jogo passa neste canal Turco (veja aqui a programação da TRT1).

O link para assinar a petição é este aqui:
http://www.ipetitions.com/petition/rtp_desporto/index.html

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Espreita-se na net

Como as televisões portugueses preferem passar jogos em directo dos três grandes mesmo que sejam de preparação, deixando para segundo plano a participação de uma equipa nacional numa prova oficial, a Taça Intertoto, não temos outro remédio senão espreitar o jogo do Braga com o Sivasspor AQUI - Domingo às 17h.

promontório

[1130]

a rua inclina-se demasiado e os espelhos do carro quase tocam as paredes das casas, de tão estreita que se tornou a passagem. deveria ter vindo a pé, mas a força que lhe falta agora servirá apenas para percorrer o pouco caminho até chegar ao miradouro. pára e arranca conforme se vão desviando as pessoas que carregam aos ombros, nos braços e nas mochilas a sua vida diária, sem pressas, sem ressentimentos. são assim estes convivas que noutros tempos foram companheiros de noites animadas de verão. aceitam os dias tal como eles chegam, embrulhados na paz do mar.
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estacionou o carro de costas para o sol, mas não por desrespeito. muito pelo contrário. durante alguns meses de férias aqui passados ele era um companheiro inseparável e até um confidente dos segredos que lhe saltavam no peito. o amor que sentia, a paixão que se iniciou, o namoro, os passeios, tudo o sol sabia com pormenor.
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sentou-se num banco virado para a falésia, e abriu o seu caderno ao mesmo tempo que algumas vozes se faziam ouvir na praia mais próxima. leu a última entrada do seu quase diário,
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"Ouviste dizer que foi bom vencer?
Também te digo que é bom perder, as batalhas perdem-se com o mesmo espírito com que se ganham." walt whitman*
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(a brisa é um sopro do passado tão leve como a sua memória. demasiado ténue para que se recorde do seu perfume, da textura da pele, do cheiro intenso a bronzeador, dos beijos salgados do mar, enfim de tudo o que o fazia entrar no carro e voltar a este local paradisíaco.)
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inspirou. suspirou. sorriu. pegou no papel e escreveu o último poema,
.
promontório
.
talvez amanhã escreva as palavras certas, hoje não.
talvez me surja em sonhos a lista final das promessas
por cumprir. talvez amanhã, hoje não.
hoje queria ver-te nos lírios selvagens que
crescem no cabo, encrustados nas escarpas,
presos pelas raízes que os seguram da queda.
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talvez hoje me visite em sonhos o teu sorriso.
talvez amanhã eu escreva a alegria do dia
em que ao anoitecer me beijaste de fugida.
talvez me lembre de tudo isto e o escreva.
talvez amanhã, hoje não.
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hoje remeto a tua imagem suspensa na espuma,
para o fundo do mar. para o fundo da minha alma.
talvez amanhã não acorde para escrever isto,
mas hoje sei que me despedi de ti. hoje. não amanhã.
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na esquina da praça 25 de abril, está fechado o café meirim. o café era o espaço dos jovens campistas, dos viajantes passageiros, era o local ideal dos encontros amorosos fortuitos de verão, onde as guitarras rodavam de mão em mão, de cantor em artista, animando as festas até de madrugada.
já não sabe onde se escondem os dias vivos desta terra. também dela se despede. talvez hoje, ou talvez amanhã. ou talvez se possam esquecer pessoas, mas nunca os lugares onde fomos felizes.
.
.
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* citação roubada daqui [andré benjamim]

Grande Filme

Durões, cromos, people zen, insólitos, um rei da pornografia, poker, ganza, uma excelente banda sonora, tudo isto misturado ao sabor do bom humor inglês.

Até o Sting lé deu uma perninha, ao lado de "Vinnie-saiam-da-frente-que-sou-bué-de-mau-e-só-armo-zaragata-Jones".

O filme já é de 98 mas ainda não o tinha visto.

Vi ontem e recomendo.

Ver mais aqui na wikipédia.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Into the wild! booooooooooooooooooring!!





Deixem-me resumir o filme "genial" do profeta ascético Cris McCandless:

Inicio: He pá sou mesmo rico.

Desenvolvimento: Vou queimar todos os meus cartões de crédito. Humm, a seguir, vou passear pelas zonas mais reconditas da América, porque ser irreverente implica andar nu no meio da floresta. (momento de extrema burrice, porque como sabemos á noite faz muito frio na floresta)

Fim: Foda-se tenho tanta larica que nem consigo sair desta carrinha abandonada. Vou Morreeeeeeeeeeee....

The end!

P.S. Ao menos Nietzsche teve a extravagância de enlouquecer antes de morrer!

florentino ariza não morreu de amor [6]

[1127]

florentino ariza não morreu de amor. morreu a dormir num dia de calma subida do rio.
.
segunda é dia de feira. terça é dia de descanso e visita ao mosteiro das beneditinas. quarta é dia de matar um animal e de jantar com os convidados ilustres da terra. quinta é dia de cemitério e flores nas sepulturas dos seus dois maridos. sexta é dia de visitar as plantações.

sábado,
decorre na praça uma tourada anual, com uma amostra de animais robustos, há chegas de bois, vendem-se a bons preços os melhores vinhos e as incontestáveis maravilhas da cozinha sul americana.

(fermina está em casa em descanso. o dia de sábado, tal como o de domingo, é dia de repouso e sombra. recolhe-se em casa, nas suas rendas, nos seus animais de estimação, ou simplesmente sem fazer nada. é um dia desenhado a preto e branco, mesmo que não saibamos se o artista o pinta a lápis ou a carvão, o dia é assim sem cor embora com muita luz.)
.
bebe café ao fim do almoço, sempre sozinha, na mesa de 20 convidados, onde repousam os pratos e os talheres de serviço diário. hoje no centro só está uma flor, colhida com os cuidados exigentes de fermina. abre a carta, cerra os olhos, respira fundo, uma e duas vezes, e os olhos finalmente acertam nas palavras,

“meu girasol,
hoje estou sozinho no meu quarto. vi-te passar lado a lado com o teu marido. saberás que me assaltas o estômago por uma semana inteira, roubando-me a vida, e eu sem força, fome ou vontade de sair, estarei aqui a engendrar o plano perfeito. o plano que espero há anos poder concretizar. contudo, minha flor amarelo-radiante, o sol que te faz circular ainda não sou eu. mas serei um dia. e na paz do dia em que o meu peito respirar os teus negros caracóis, eu serei um audaz mendigo a quem calhou em sorte a lotaria.

não te esqueças de mim, nos dias frios.

dá o teu corpo. não dês o teu coração.

aguardo-te

florentino ariza”

na tolha de linho que cobre a mesa, adensam-se uns pingos de água e sal. nada se mexe neste cenário preto e branco. mas com os olhos molhados, ela nem reparou que o girassol se voltou para ela em comiseração.

deixemo-la chorar.

um zaratustra wild

[1126]

ainda não me convenceram de que aquele maluco, em busca da comunhão com a natureza, num ascetismo nietzschiano, é que está mal. tem de haver um equilibrio entre a luta interior por uma sociedade menos consumista, e o convivio são nessa mesma organização.
.
contudo, há no filme into the wild, a sensação de que a força e a vontade comandam a vida. a morte é que era escusada, no meio de tanta beleza pura.

Só vos digo uma coisa...

Anda tudo como a gaita!....

não sabia que existia isto

[1124]
.
não convém ficar para sempre na ignorância.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

e(u)clipse

[1123]

demorei a ouvir o meu pai naquele dia
em que a sua mão ardia na minha cara
e os dedos ressaltavam em vermelho vivo.

(há um par de anos atrás decidi correr o mundo,
ser um saltimbanco de memórias, escrever os rios
e as terras nos pedaços de flores e folhas que colhesse.

mas a sensação de ansiedade mantinha-se inerte
nos meus ossos, de tal forma ardendo que nem
ao dormir eu conseguia esquecer a mão do meu pai.)

regressei à minha terra em busca de um emprego
decente, coerente, cabal, enriquecedor, honesto,
tão verdadeiro quanto impossível ao meu espírito.

poeta, gritava-me a voz do fundo do vale, poeta.
poeta errante, criador de sonhos, vendedor de epopeias
orador de palavras desenhadas, usurpador de corações.


então de joelhos pedi a deus,

deixa-me ser doutor de leis, criador de gado, padre
ou entalhador, cortador de carnes, rico ou pobre
pintor ou cantor, mas não poeta enganador.

deixa-me ver o mundo de cima do monte, vigiar
a costa ou andar de barco, pescador de homens, até
circuncisador, mas não poeta insidioso.

pago em promessa os meus pecados, indo a
meca ou a jerusalém, percorro até aos mosteiros tibetanos
os caminhos tortuosos, mas não poeta.

deixa-me ser homem e pai, cobrador de impostos
cesteiro de vime, oleiro, juiz ou desembargador
mas não este tormento de esperar palavras.

deixa-me ver o teu poder nas escrituras, pedir
nas ruas, assaltar bancos, inventar uma bomba
ou uma arma, mas não trovador sem arte.

não poeta. não poeta-preguiçoso.

deus ergueu sua voz e ordenando que me levantasse,

assentou a sua mão pesada na outra face.

tu não tens jeito para poeta
e a profissão não é deus que a faz.

terça-feira, 15 de julho de 2008

eu também desvendei um mistério

[1122]

cheguei a esta conclusão, relevante e la paliciana,
de que nada se perde,
se nada se tiver.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Desvendei um Mistério.

Já cortei da lista um dos muitos mistérios que, desde a adolescência, me adandava a martelar aqui na cabeça. A questão era a seguinte:

O que é que as gajas escrevem na primeira página dos manuais escolares umas das outras?

Eu bem as via a pegar nos livros das colegas e a escrever, a escrever... bom, afinal faziam o mesmo que os gajos, o conteúdo do texto é que era diferente.

Hoje enquanto arrumava uns manuais antigos aqui na Guiné, daqueles que nos enviam já um pouco usados e com coisas escritas, deliciosos para um curioso como eu, desfiz a dúvida que há tanto tempo me perseguia.

Nos das gajas diziam coisas assim:

"Olá Tita, é só para dizer que és uma colega espectacular, a melhor das amigas. Podes sempre contar comigo".

ou

"Oi Kika, és a mais linda do mundo, continua a ser assim, nunca deixes de brilhar nossa estrela. És a animação de qualquer festa".

Entre os gajos, grandes machos, havia mensagens mas nada de conices. Era mais do tipo:

"És um paneleiro de merda. Chupa-mos".

ou

"Liskas Bunker, Hitler Punk. Assinado, o Bôda".

Por isso, eu que acredito na igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, sou um fã da diferença que faz de gajos e gajas o complemento ideal de uns e outros.

A igualdade na diferença é possível. E bonita.

era para ser rei

[1120]

e em terra de cegos quem tem 3 ou 4 olhos é o quê?

era para ser castigo

[1119]

este fim-de-semana fui abordado por um peixe-aranha,
e tive de me esforçar bastante para o convencer a não me picar.
.
percebeu que era já castigo suficiente o vento e o frio.

apocalipse dos trabalhadores

[1118]

nunca é demais referir. à venda na fnac (pelo menos desde sábado). a não perder.
.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Heil Orangutans

Eu acho que conheço a pessoa que escreveu isto, mas na versão original havia uma carnificina no final.

a quem interessar

[1116]

" [...] o amor é imaginar que se ama e esta definição de amor, conducente a um ideal de solidão que se completa a si mesma, pouco tem a ver com espíritos fortes e muito menos com espíritos bondosos ou caritativos [...]"
.
" [...] uma afirmação de amor que pode conduzir ao aprofundamento da poética da fragilidade, própria de quem opta por amar em solidão [...]"
.
" [...] É uma ideia de amor erótica que não contempla espírito nem exageros da carne, apenas uma fragilidade sustentada por um imaginário em atitude criativa, não diria forte, mas virtualmente intensa. [...] "
.
e como o fim-de-semana começa e acaba hoje, i have no further questions.

O Begueiro

Divagações, entulho humorístico e diarreias cerebrais.



Peço desculpa pelo abuso de publicitar assim à "má fila" este meu blog. Mas, para não andar a entupir o blog genial que é o "Blog dos Cinco Pês", com o entulho que vou escrevendo para "O Begueiro", decidi criar este blog à parte. Não quer dizer que deixe de publicar aqui. Jamais!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

azeitonas no seu melhor

[1114]

"ó cupido,

do teu feitiço, nela, nem resquiço,
isto assim não é serviço, não.
.
os meus pedidos sempre indiferidos.
.
será que existe no universo
quem me ofereça solução,
nem que seja em prosa ou em verso,
em perfume ou em poção."
.

Ó Cupido - Os Azeitonas

sempre em grande, uma música que eu não conhecia dos azeitonas.

Azar na Praia

É pá! Fui à praia e esqueci-me dos calções de banho em casa...



blue in words

[1112]

resposta ao desafio da nossa querida amiga TONS DE AZUL, muito por respeito e por consideração. "tu não me perdeste".

telegráfico

[1111]

quando tinha 18 anos, achava que tinha direito a todas as mulheres do mundo.
hoje
dez anos depois,
acho que são todas as mulheres do mundo que deveriam ter alguém como eu, por direito próprio.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

100 blogs no grelhador

[1110]
.
agora que adicionei o blog número 100 aos meus feeds, tenho de voltar a citar dois dos melhores, não que os outros sejam piores, até porque os leio a todos da mesma forma, mas estes prendem-me de uma forma especial.
.
se não vejamos,
.
"não há paciência para isto." penso eu a toda a hora. mas talvez haja paciência, não durasse isto há dois anos. dois anos, tanto e tão pouco. e de pensar que só te começo a conhecer agora... nunca mostras quem és. nunca sei com quem estou. afinal do que tens medo? de mim? de ti? não me deixas chegar perto mas também não me deixas ir. que raio de vida me fazes levar.
.
.
desta menina já ninguém quer saber se o seu nome é maria, mas antes que continue a escrever.
.
***
.
já o camarada da cidade grande, diz o seguinte,
.
" [...] No cinema de Kobayashi, ao contrário de na Doutrina Estóica, Sofrimento e Paixão existem como uma opção pessoal, prevalecendo sobre a Razão. Comigo, terei de acrescentar, passa-se exactamente a mesma merda. Agora veja-se onde isso me deixou."
.
.
tenho de admitir que dito por estas palavras até nem parece tão mau. o certo é que, essa forma de encarar a realidade inter-relaccional, me deixa relutante em relação ao futuro. haverá de certeza forma de saír desse impasse. só não sei como. pelo menos sem ceder no que aprecio em mim.

cinenimação

[1109]

sem palavras. nem comentários. só mesmo essa citação que acerta em cheio. e, meu caro poeta defunto, nunca desistir. esse é o princípio.
.

Ensemble, C'est Tout (****)

.
"J'essaie d'emballer une fille intelligente, c'est pas facile. Ca prend plus de temps".

Cromisses!!!

Candidato a super cromo do ano:




Viva o Verão!



Ó "migo", eu sei que é Verão, toda a gente fica contente, mas também não é preciso abusar do contentamento... Já ouviste falar da técnica da "lóquinha" na areia? Pois, aí na relva é mais difícil... experimenta andar curvado ou deixa-te ficar deitado ou... ó pá, sei lá! Não precisas é de andar por aí disfarçado de cabide a enojar o pessoal!

uma yoko ono qualquer

ainda a tempo (espero) daquele desafio das músicas preferidas...
esta é pela letra e não sabendo eu dizer coisas bonitas como o nosso fernando pessoa, faço uso das palavras e acordes de um grande artista (john lennon). FP, não leves a mal, também uso palavras tuas nas minha conquistas, principalmente nas mais demoradas ("J'essaie d'emballer une fille intelligente, c'est pas facile. Ca prend plus de temps". - Ensemble, C'est Tout)

dedicado a todas as "yoko onos"
ás dos nossos sonhos, ás que sonham connosco e ás que nos fazem sonhar,
ás que nos inspiram e despiram
ás que passaram, ás que ficam e ás que virão (para breve esperemos)
ás que nos conhecem e ás que não têm essa sorte (porque não querem... é só ir à adega)




Woman
John Lennon

(For the other half of the sky)

Woman I can hardly express
My mixed emotions at my thoughtlessness
After all I'm forever in your debt
And woman I will try to express
My inner feelings and thankfulness
For showing me the meaning of success

Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo

Woman I know you understand
The little child inside of the man
Please remember my life is in your hands
And woman hold me close to your heart
However distant don't keep us apart
After all it is written in the stars

Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Well

Woman please let me explain
I never meant to cause you sorrow or pain
So let me tell you again and again and again

I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah

terça-feira, 8 de julho de 2008

Junta-te à Legião






Escolhe o teu lado da barricada.

Alista-te aqui.

sud-express ghost

[1105]

8h37
o comboio pára na penúltima estação. seguem neste compartimento umas 20 pessoas todas sentadas e o silêncio interrompe-se com o arrancar do comboio.

de todos os pensamentos que consigo captar, e exceptuando o do homem que está com as canadianas e que vai fazer fisioterapia (pensa em pedir em casamento a sua namorada), há um que me atrai e impressiona.

(ela vai sentada com a cabeça encostada no vidro e conta os jardins que vai vendo desde que iniciou a viagem)

ninguém me vê ou sente. vou vagueando por entre eles como um sopro de brisa entrelaçado na manhã. sinto alguns perfumes. aproximo-me da mulher que aparenta ser nova.

(digo-lhe ao ouvido um segredo que ela não ouve. mas irá ficar no seu subconsciente de tal forma guardado, que daqui a dois dias fará o que lhe acabei de dizer)

ela sorri sem saber que o faz para mim. sorri e olha para a caixa pequena que leva nas mãos. é uma caixa simples e leve, e tem uma mensagem escrita à mão,

(abrir em caso de emergência do coração)

ela sorri outra vez. não abre e a excitação da curiosidade também não a mata.

8h43
o comboio pára no destino final. a mulher sai e, com o sorriso insistente e mais forte, guarda na sua bolsa a caixa com um cuidado vagaroso.

(não sabe ainda que em dois dias abrirá a caixa com a certeza de uma resposta. mas a dúvida ficará maior. é sempre a incerteza do futuro.)

mas nada mais importa se ela sorri.

mimos

[1104]

ando no mercado à procura de mimos. pensei que seria mais fácil encontrar. mas tenho a certeza que já descobri a loja onde abundam esses cuidados instrumentos da alma. é longe e dá mais trabalho, mas que importa isso se te roubar um sorriso? já listei.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

do que vou ler

[1103]

Exercício de Geografia

talvez a função do geógrafo
não seja cartografar
mares, ilhas, montanhas,
tentando dar-lhes
um lugar exacto ou
sentido à sua existência.
talvez a verdadeira
função seja amar
esses mares, ilhas,
montanhas, mesmo que
não tenham um lugar
exacto ou a sua existência
um verdadeiro sentido.
.
*
.
deixa-te de coisas

agarra a rapariga
pela cintura
sem qualquer possibilidade
de resposta

nunca entendi
parece que lhes dá prazer
sentirem-se subjugadas
apesar das fantasias feministas
em que acreditam

deixa-te de coisas

agarra a rapariga
vais ver que ela gosta

se não gostar
culpa o poema
.
Mapa
manuel a. domingos
Livrododia Editores
.
tenho de comprar isto e rapidamente.

do que leio [2]

[1102]

do blog reflexos,
.
" É mais fácil encontrar as palavras no meio da tristeza.

Os sorrisos não precisam de justificação."
.
o sorriso encerra em si todas as justificações.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

do que leio

[1101]

quando a prosa respeita a poesia,
.
" [...] Mas, pela experiência que tenho, a poesia ou nos fala de imediato ao coração ou pura e simplesmente não nos diz nada. Um lampejo de revelação e um lampejo de resposta. Como um relâmpago. Como quem se apaixona. [...]"
.
in desgraça, j. m. coetzee
pp. 14
.
e quando a poesia respeita a prosa,
.
" em poucos dias toda a cidade estava pintada de rosa
e por todo os lugares lia-se o teu nome em prosa."
.
classificados, rosa (do teu jeito de ser)

por onde anda a minha vontade

[1100]

bem sabeis, vossas excelências, que não me contenho em palavras, a não ser nas inconvenientes. por isso mesmo - com a urgência que se impõe pela hora - garanto que não vou dizer o que me apetecia fazer este fim-de-semana. não seria cortês.
.
e não é só por causa deste tempo incerto e chuvoso. aliás, nunca seria por isso.

deolinda - fado toninho



deolinda se me estás a ouvir, para quando um dueto com o nosso fadista camurcina ou uma cantiga ao desafio com o zé?

p.s. gosto especialmente dos grafitis nas paredes... mensagens subliminares??

para não parecer que estou sempre a dar sermão aos peixes [2]

[1098]

o zé manel , não o nosso misterioso colaborador, mas outro que nos visitou (não sei como veio aqui parar) diz coisas muito interessantes,
.
"[...] Importante é, por vezes, ainda tropeçar nas pessoas que fazem este Mundo melhor. [...]"
.
ou ainda mais à frente,
.
" [...] Só sei que sinto este sentir invadir-me, que é grande e de uma beleza única...
.
Desculpa-me.
Eu não percebo nada do Amor.
[...]"
.
nem eu amigo, nem eu...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Xico Lordelo, o primeiro single.

Depois de Zé Camurça, surge outro artista da DiscoNexa Records. Xico Lordelo, o seminarista com a música "Sodomização".

para não parecer que estou sempre a dar sermão aos peixes

[1096]

felizmente há quem pense um pouco como eu,
.
[Queria estar, todas as noites, sentada num sofá. Queria poder ouvir-te pela casa. Depois sentavaste ao pé de mim e eu deitava a cabeça no teu colo. E lá ao longe alguém diria "vês, valeu tudo a pena, é só teu" e tu estarias ali simplesmente com o teu jeito. O jeito que eu sempre quis.]
.
"Vens me buscar?" Pergunto-te.
.
"Onde tu quiseres." Respondes.
.
.
.

e depois há os que dizem o que pensam como eu,
.
"...Não sofrer, e por conseguinte também não fazer sofrer — é certo e valhe-se o altruísmo — tornou-se com os anos na sua maior preocupação. Estava viva, dizia-me. Mas era mentira...."
.
via [vontade indómita]

quarta-feira, 2 de julho de 2008

P.Q.P.

Parece que na minha terra já há pessoas na praia, há sol, fresquinhas na esplanada (das que se bebem)...

Aqui onde estou, chove, chove, chove, p. q. p., quem pensa que em África só há sol e calor está bem enganado. O calor lá continua, pelo menos ainda ando de t-shirt, mas depois de meses a fio sem uma gota de água, deu para chover e diz quem sabe que isto agora vai até Outubro ou Novembro.

O que vale é que daqui a três semanas já estou de malas na mão a caminho do aeroporto.

Zé Baptista foi-se embora por tempo indefinido. Indústria is back.

Mandei o Baptista embora, essa personagem demoníaca que se apoderara de mim. Voltei a ser o Indústria. Porquê? Porque me apetece, e porque com esta cena do acordo ortográfico já nem sabia se escrever "Batista" ou "Baptista".

a verdade

[1093]

sabes daniela,
.
a verdade é discussão antiga, recorrente e volátil.
desde a caverna de platão, que as dúvidas sobre a verdade que
nos entra olhos dentro, se arrastam no tempo, e nem mesmo a filosofia
ou outra ciência mais exacta, arriscou uma fórmula que a desvendasse.
.
(é como procurar deus nos mandamentos ou nas bem aventuranças,
ele não está aí. não está nas palavras)
.
a verdade veste de uma forma simples. sem maquilhagens,
retoques estilísticos, daí passar tantas vezes despercebida.
a verdade é uma pintura sobre tela na natureza, que não traz
sorrisos, mas apenas e só a máxima do rigor.
.
cientificamente podes testar todas as minhas palavras,
.
1) pegas nelas e espalhas uma amostra de adn de verdade
e no fim do dia regista os resultados (verás que sai um gráfico constante
e sem variações duvidosas)
.
ou então,
.
2) pegas em todas as mensagens e textos, e testa-as no polígrafo.
(verás que o gráfico será uma linha de morte)
.
a cegueira da mentira é que não nos deixa ver a verdade.
mas ninguém te poderá mostrar, só tu a podes descobrir.

zé camurça (o anti-artista)

[1092]

da pena do nosso kumba ialá. um portento. a nova moda de verão. lagar's ao rubro. vai ser um sucesso.
.

Zé Camurça

terça-feira, 1 de julho de 2008

florentino ariza não morreu de amor [5]

[1091]


florentino ariza não morreu de amor. morreu a dormir num dia de calma subida do rio
.
frei justino, de sandálias de couro, tecidas à mão - pela sua própria mão - foi a correr ver o que se passsava no quintal do convento franciscano de macondo. nesta terra perdida no fundo do rio, nada se passa de anormal até que o destino se intrometa e faça remover o pó que se vai acumulando.
.
(eram ladrões de galinhas. levaram duas ou três, e a partir daí seguiram-se meses de episódios estranhos e macabros até)
.
(fermina era a cândida rapariga, filha do emigrante e negociador chegado a macondo em tempos de prosperidade. assentaram o negócio e mesmo sem a presença de sua mãe, fermina foi sempre obediente e temente aos mandamentos de seu pai)
.
recorda a sua vida como um filme que passa na núvem, a tela é o azul do céu, e o sol é o projector da película, onde até as ondas de calor realçam a nebulosidade do seu passado, como se estranhamente a verdade se escondesse entre a mentira, e os factos se enrolassem em promiscuidade com os argumentos.
.
(há ali na mesa de cabeceira mais uma carta que ela resiste a abrir. a caixa de pandora que transformou a sua vida, abrir aquele cofre sem saber que os fantasmas regressariam de mansinho, como o fumo da lareira nos dias de inverno, foi um erro tremendo que arruína o seu desgastado coração envelhecido,
.
meu cravo amarelo,
.
seduz-me ver-te escondida atrás dessas janelas, adivinhando o teu corpo despido do linho. a tua pele a cheirar a água de colónia e os sinos da igreja a tocar a rebate pela tua pureza. alma destruída carrego pelo peso do dia em que o teu pai nos separou. juro que me suicído, se arranjar arma mais forte que o meu amor. um dia verás, tão bem como eu no céu, o sinal enviado a testar o sal das tuas lágrimas.
.
verás que fui eu o teu grande amor, desde o dia em que te escrevo.
dá o teu corpo. não dês o teu coração
.
aguardo-te
.
florentino ariza.)
.
o frei corre na rua atrás de dois malandros, jovens com espírito brincalhão, carregando num saco às costas duas galinhas roubadas no sagrado espaço de deus.
.
a fermina vislumbra-se entre as ondas de calor uma libelinha que desce do céu e se vem encostar à sua janela. as lágrimas que dela deslizam, não são passíveis de serem medidas pelo desgosto. mas pela alegria de se ter entregue a florentino.
.
deixemo-la descansar

dúvida

[1090]

se ao pedir pouco, me derem pouco (sendo que me deram tudo o que eu pedi) isso torna-se muito?