terça-feira, 31 de março de 2009

Jamie Cullum - Gran Torino

segunda-feira, 30 de março de 2009

zöe [16]

[1621]

fac-simile

eis finalmente a perfeição:
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o teu corpo como lombada,
e os braços capa dura,
das páginas da minha vida.
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domingo, 29 de março de 2009

fontes de inspiração

[1620]

o delíro que felizmente se concetiza em palavras apenas uma vez por semana. a crónica no sítio do costume. esta semana a análise da obra odes, de ana salomé.
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" [...] quem é ela que diz amor como se fosse um advérbio de tempo
de designação de modo de afirmação de negação
de loucura?" (Ode a Lisboa - pp.89)
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sexta-feira, 27 de março de 2009

Curtas #11

O Chico Drogado trocou a ganza pela heroína. Diz que dá mais pica!

Sugestão

Vejam este filme. A FNAC tinha-o em promoção aqui há dias. Vale bem a pena e a banda sonora, refiro-me mesmo a todas as músicas do filme, é muito boa.

Curtas #10

O gajo bateu à porta e a Luciana Abreu.

Aventuras de Supermercado

Ontem no supermercado, na secção das pessoas saudáveis e amarelas praticantes de religiões orientais, a dos legumes, vi uns Pimentos Padrón que diziam o seguinte na embalagem, em letras garrafais:

NENHUM PICA

Eu sempre pensei que a piada destes pimentos era encontrar uns lá no meio que picam! Aliás, sempre considerei estes pimentos como um verdadeiro escape à rotina diária, a roleta russa do cidadão comum. Um gajo carrega o prato com meia dúzia. Um deles há-de picar, não é essa a ideia? Parece que não, acho que andei enganado todos estes anos.

Pimentos Padrón que não picam são como o Champomi (acho que é assim que se escreve o nome daquele champagne para putos).

Os consumidores estão a ficar uns maricas.

quinta-feira, 26 de março de 2009

zöe [15]

[1615]

e eu a perder tempo. sempre na procura da definição simples para esta ansiedade. e era tão fácil.
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" [...] é tão ruidosa a existência de alguma coisa que começa [...] "
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o teu ontem foi o meu amanhã

[1614]

o azul refresco está pisado pelo verde escuro das copas frondosas. arredondadas e de limite esbatido, a silhueta do corpo das árvores (porque me agarras assim as mãos se é ainda cedo para ir embora?) resume-se ao alongar do espraiado da cor. o pássaro que nela se repousa, mesmo que não se veja, tem o canto lúbrico que não se confunde nestas cores garridas.
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este frémito corropio de sensações não é de água tépida mas de espuma maremótica. mas não me largues as mãos porque as árvores não fogem e o amanhã ainda fica longe da eternidade.
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a urgência do eterno

[1613]

nunca é demais exigir o tempo-vital. assusta-me a falta de eternidade, aliada à premissa da morte como dado adquirido. partindo do princípio de que estamos de agulhas acertadas nisto, passemos então a questionar o que nos faz falta para sermos felizes.

de mim sei eu, e cada um sabe de si. ao ler saramago (coisa que pouca gente faz, mesmo que seja um autor que vende como pão) apercebo-me que estou a atirar para os meus pés o peso do que deveria exigir apenas no futuro. deveria concentrar-me apenas no amanhã. tão simples como descascar uma cebola sem chorar.

" [...] Ora, enquanto se acaba e não se acaba o mundo, enquanto se põe e não se põe o sol, por que não nos dedicaremos a pensar um pouco no dia de amanhã, esse tal em que quase todos nós ainda estaremos felizmente vivos? Em vez de umas quantas propostas arrojadamente gratuitas sobre e para uso do terceiro milénio, que logo ele, mais do que provavelmente, se encarregará de reduzir a cisco, por que não nos decidimos a pôr de pé umas quantas ideias simples e uns quantos projectos ao alcance de qualquer compreensão? [...] "

via [o caderno de saramago]

um dia vou conseguir desligar esta minha forma de viver agarrado ao futuro, hei-de desacorrentar-me da máxima que vigora no meu palimpsesto, a de que tudo o que faças hoje terá consequências inevitáveis no futuro. que se lixe o futuro, a partir de hoje viverei apenas a pensar no amanhã.

mas eu sei é de mim. e cada um sabe de si.

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O Tuning chegou às ovelhas

Quando for grande quero ser pastor!

Este é o segundo post, num curto espaço de tempo, no qual falo de Tuning e Ovelhas. Estou preocupado comigo!

Curtas #9

(esta é um bocadinho private*)

O Poeta Morto e o Andy ainda vão presos por esticar o braço ao pedir a conta.

*este "private" tem a ver com "private joke" e não com DVD's.

Curtas #8

O Tone é pastor mas não daqueles que têm o carro todo artilhado. É um pastor a sério daqueles que levam o gado a pastar pelos prados. Ao abrigo do projecto "Novas Oportunidades" voltou à escola para acabar o 9º ano de escolaridade... mas ficou confuso. Ensinaram-lhe que a um conjunto de ovelhas se chama "rebanho". E ele que toda a vida pensou que tinha um "harém".

quarta-feira, 25 de março de 2009

Os Imaculados de Alvalade - 1



Não sei como descrever esta excelente montagem só ao nivel de uma qualquer produção de hollywood envolvendo excelentes programas de edição de imagem

Reparem que o artista (eu acho que foi alguem do benfica tipo aquele individuo que falava grosso e agora está na tertúlia cor de rosa...ou estava) caiu no exagero e pôs o vuckevic uns 2 metros em fora de jogo. Podia ter ser sido mais discreto e por um metro para não dar nas vistas... mas não, erro do photoshop na colagem. Mas devo admitir que está um trabalho bem conseguido. Se não soubesse que o sporting nunca é beneficiado até diria (baixinho) que isto aconteceu mesmo, que o sporting ganhou um jogo beneficiado numa competição que diz ter sido roubado.
E a esperteza dos técnicos audiovisuais do glorioso, ah, esse malandros que nem macacos? A referência ao jogo como sendo da taça da liga, mesmo só para terem argumentos para responder aos sportinguistas: “voces também foram beneficiados nesta competição e se assim nao fosse podiam não ter chegado à final”. trabalho sujo, sem qualquer dignidade, comentários falaciosos sobrepostos a imagens claramente alteradas relativas a um qualquer jogo treino do sporting. Sim, porque pela qualidade do jogo só podia ser de treino... podiam ao menos ter feito a montagem com um bom jogo do sporting, com golos, emoção ao fim, incerteza no resultado, constante troca no placard... assim de repente só me lembro dos jogos com o barcelona ou com o bayern de munique... não sei, assim um jogo mais equilibrado como esses que referi, podia ser...

A mim não me enganam.

Acham que se aquilo tivesse existido, os paladinos da verdade desportiva (diga-se Paulo Bento e afins) não tinham vindo cá para fora berrar a plenos pulmões? E os guardiões protectores do fairplay e da equidade desportiva(diga-se Sousa Sintra, Eduardo Barroso, Dias Ferreira, Ovelha Choné...) não tinham vindo para a praça pública pedir a erradicação daquele fiscal de linha(eu não digo árbitro assistente, sou da velha guarda).

Eu digo claramente que é uma montagem porque:

- não se activou o lobby vilacondense da comunicação social para se abrir telejornais com este lance.
- O treinador do Rio Ave, seu Presidente e capitão de equipa, não chamaram ladrão ao fiscal de linha.
- Nenhum jogador do Rio Ave perdeu a cabeça e deu uma peitada ao coitado senhor vestido de preto com uma bandeirinha (aquilo deve pesar muito porque tinha dificuldade em levantá-la)
- Não constou que tivesse havido um qualquer padre em Vila do Conde que a partir desse jogo se recusasse a baptizar qualquer menino com o nome do fiscal de linha (ver noticia: http://www.maisfutebol.iol.pt/noticia.php?id=1052206&div_id=1456 )

- O treinador do rio ave não fez também um qualquer gesto em que troca assim os dedos em perfeita harmonia como quem quer dizer que “gamaste-me ó filho da p*t*”.
- Os adeptos do Rio Ave e alguns bracarense-braguistas-anti-benfiquistas com blogs da cidade de braga mui respeitaveis não "apregoaram" com todas as letras que tinha sido uma vergonha e que assim a arbitragem não vai lá. Indignação só comparável ao justificavel jogo do benfica com o braga. (hmm, estou a ver um sujeito comum) será apetência para dizer mal sempre dos mesmos?

Continuemos...

- Não se ouviu falar que o fiscal de linha tivesse sido ameaçado dias depois.
- Nem que um elemento da liga tivesse visto o seu carro ser pontapeado por um grupo de verde (verde do rio ave, não confundir com o verde do scp)
- aquele caixa de texto em rodapé sobre a imagem onde se pode ler "sporting venceu rio ave com golo de vuckevic em fora-de-jogo"? claramente editado em paint...

é obvio que depois destes contra argumentos e analisando os factos em si ocorridos só posso concluir que isto é tudo uma manobra para denegrir as imaculadas entidades do sporting. assim não vamos lá, nunca chegaremos ao nivel de um futebol tipo liga albanesa, à simplicidade de passe caracterisitica da liga hungara ou da frieza da mini liga de primavera islandesa, ou até quem sabe aproximarmo-nos do jogo técnico/táctico do campeonato inter-insular das ilhas fiji.
Dito isto, é claramente uma montagem de elevado teor gráfico e qualidade acima da média. Como se dizia antigamente, “ah, foi feito por computador”.

p.s. Pergunta: Porque é que o Mountinho atravessa sempre a rua a correr?
Resposta: Para ganhar lanço e conseguir subir o passeio.

p.s.2 nao sei fazer links nisto. quem quiser ler a noticia do padre, desamerde-se

terça-feira, 24 de março de 2009

zöe [14]

[1608]

alastrava-se lentamente como uma lavagem de água tépida na pele. assim mesmo descrito, assim mesmo sentido, conquanto se possa admitir que as sensações dissimuladas no tempo se possam perder na essência e na acutilância da verdade. mesmo assim arrisco dizer que era assim mesmo, como água tépida na pele. depois desses dias não mais poderia disfarçar as mudanças mais que óbvias dos meus sentidos, mais apurados, vigilantes ou sensoriais.
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deixando de lado os dados empíricos, sobrepostos nas camadas do tempo-experiência, que formam a plataforma necessária para caminhar seguro nestes dias, circulo apenas nas margens desse conhecimento, sem medo de molhar os pés nessa água tépida do amor.
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segunda-feira, 23 de março de 2009

Gerês - Mata de Albergaria

O Gerês está a arder e só me apetece dizer uma dessas coisas que tresandam a comentador de café. Mas é a única coisa que me apetece dizer:

Caso se comprove a autoria criminosa deste fogo, era apanhar os autores e regá-los com gasolina.

Só posso sentir revolta.


fontes de inspiração

[1606]

a crónica. análise da obra anáfora, de ana salomé. as fontes de inspiração.
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"Num desses dias fizemos amor - duas crianças com corpo de sol envoltas no escuro -, e dormimos abraçados como se fossemos o boneco um do outro." (pp.14)
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anáfora, ana salomé
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domingo, 22 de março de 2009

Dia Mundial da Poesia

Almoço

Entrar num restaurante chamado "Rodízio de Peixe" e esperar um bom bife, é parvo! Sentar-se no restaurante e esperar pela lista é normal, mesmo num "Rodízio de Peixe". Mas não, sem perguntas, sem nada, dou por mim com um prato à frente e um batalhão de rapazes que corriam de um lado para o outro com travessas de peixe, muito peixe, vários tipos de peixe. Surpreendeu-me pela positiva, fica entre o Montijo e o Pinhal Novo e tanto peixe grelhado por menos de 10 euros (fora as bebidas), não está nada mal. O espaço em si não era nenhum requinte mas ainda assim valeu a pena. De papo cheio toca a pagar e seguir viagem. Para onde? Sul, decidimos em alternativa ao Centro Cultural de Belém onde se celebrava o dia mundial da poesia. Acabou por ser uma boa opção. Há para mim poesia suficiente numa estrada, um destino mais ou menos indefinido e a companhia da L.

Setúbal

Acabámos por parar em Setúbal. Ainda não foi desta que me embrenhei com olhos de ver naquela terra. Estava bom tempo e apetecia-nos o rio. Encontrámo-lo numa esplanada. Hora do café. Olhar aquele rio faz-me pensar em algo que contraria a normalidade. Aquele rio corre de Sul para Norte, ou seja de baixo para cima. Se corre de baixo para cima deve correr com mais dificuldade, deve sofrer bastante para chegar ao mar (pelo menos na minha cabeça habituada a mapas direccionados ao Norte)... Eureka. Descubro que o rio Sado não é apenas Sado. É sadomasoquista!

A Travessia

E agora? Norte ou Sul? A Norte a serra da Arrábida, Azeitão, Sesimbra, já lá fomos e pretendemos voltar mas hoje vamos para Sul. Na primeira tentativa acabámos nos estaleiros da Lisnave. Fim de linha. Voltar para trás. Regresso à zona ribeirinha de Setúbal. E que tal apanhar o ferry-boat? Apenas a ida, depois logo se vê. Antes do embarque alguém me tentou vender uns óculos “Armande”. Não comprei. Em poucos minutos já estávamos a atravessar o rio. Depois de atravessar um rio, várias vezes, num ferry na Guiné-Bissau, esta travessia é uma brincadeira de meninos. Contudo, está longe de ter o mesmo glamour de uma travessia de rio africana.
Já se avistavam as construções de Tróia, sem muralhas, cavalos ou helenas. Apenas o calcanhar de Aquiles no horizonte. Sim, o ponto fraco daquela língua de terra. Fará sentido demolir uns mamarrachos para a seguir colocar outros no mesmo lugar? Tróia é bonita. Podia ser ainda mais.

Tróia

Nem paramos, apesar da promessa avistada do ferry, promessa de belas praias. Seguimos para Sul à procura de areias bem mais arejadas. A paisagem convida ao passeio, tal como a placa que indica a praia do Carvalhal nos convidou. Bela praia. Dois restaurantes, duas calmas esplanadas, construções em madeira, daquelas que sem ofender a paisagem se prolongam pacificamente pela areia. Lindo. O sol ia descendo, a brisa afagava-nos o rosto, mais um café para o caminho. Seguimos viagem.

Alcácer do Sal

Em tempos, numa viagem para o Algarve, possivelmente há mais de vinte anos, estive num local à beira rio, era noite e lembro-me de uma lua imensa reflectida naquelas águas que desfilavam sob uma ponte de ferro. Não estou a tentar criar uma imagem poética. Estou simplesmente a descrever uma memória, tal e qual ela habitava na minha cabeça. Talvez exagere ao descrever certas memórias mas é mesmo assim, tenho tendência a dramatizá-las, leia-se, tenho tendência a transformá-las em cenas de filme, em pedaços de celulóide que aqui e ali armazeno na minha cabeça. Talvez se deva ao facto de Cinema Paraíso ser um dos filmes da minha vida.
Reencontrei esse lugar. Vale uma visita mais cuidada numa próxima oportunidade. É, de facto, uma terra bonita que parece ter a sua magia. Após uns minutos numa esplanada estava na hora de voltar. Anoitecia.

Houve poesia no dia da poesia. Houve também Slumdog Millionaire à noite.

Curtas #7

Está a dar o "Conta-me como foi". Embalem na propaganda do engenheiro e qualquer dia estamos a ver o "Conta-me como é".

Curtas #6

Este governo (ps) é um violoncelo!

Segura-se com a esquerda e toca-se com a direita.

Dividir para reinar e a subtil arte da manipulação da opinião pública.

Após o 25 de Abril o povo cantava "O povo unido jamais será vencido".

Anos depois alguém entendeu o verdadeiro significado da frase e pensou "Se quero reinar tenho de dividir", professores contra pais, médicos contra doentes, metalúrgicos contra funcionários públicos, e por aí fora. Hoje dou a uns, amanhã tiro a outros, nunca tiro a dois ao mesmo tempo, eles acusam-se de "malandrage" uns aos outros e eu cá me sento no poleiro, eu e a minha clientela".

Como se faz? Para quem não tiver tempo de ler o "Príncipe" de Maquiavel ou "A arte da guerra" de Sun Tzu, aqui vai uma pequena amostra:

Ministério da Propaganda

Quando é que o nosso primeiro ministro apresenta oficialmente ao país o Ministério da Propaganda? Deve ser o ministério que mais trabalha em Portugal... gostávamos de conhecer os génios. Digo "génios" sem qualquer tipo de ironia, se tivesse uma empresa gostava de os ter ao meu serviço na secção de marketing. Melhor que eles, não deve haver ninguém, no que a manipulação de opiniões diz respeito.

Eu sei que este não é um blog político, mas isto não é política. É cidadania!

Há meses que ando a "bater nesta tecla" da propaganda. O povo dorme. Espero que não acordem demasiado tarde, com os vossos filhos a irem para a sala de aula sob o olhar atento do retrato do Sr. Engenheiro.

O recente caso do anúncio da Antena 1 é um bom exemplo disso. Foi uma forma do governo se colocar ao lado do povão a dizer "malandros, ide mas é trabalhar, era o que faltava, andar a fazer manifestações e a lutar por direitos... que direitos! Vocês têm é o direito de trabalharem caladinhos!"

p.s.- Cambada de Chulos

p.s.- O p.s. anterior, nada tem a ver com "post scriptum".

sexta-feira, 20 de março de 2009

zöe [13]

[1600]

E chamava-lhe amor como quem atira palavras aos pássaros.
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anáfora, ana salomé (pp. 23)

Porque é que eu digo que o advogado do Bibi é uma espécie de Vasco Santana da advocacia.

Esta cena é digna de um filme português, daqueles antigos que ainda nos fazem rir a bandeiras despregadas, como se não houvesse amanhã.

video

quinta-feira, 19 de março de 2009

Slumdog Millionaire



bom filme, grande música.

20:30

A fazer história!!!

aceita-se permuta de blog

[1596]

cometo erros. há quem diga que não, que nunca erra e raramente se engana, mas eu assumo os erros tal como as virtudes, de tal forma que ao perceber a inqualificável falta dos meus enganos, me penitencio de uma maneira afincada, tanto que na próxima vez que estiver perto de errar novamente, o mecanismo de protecção activa-se per si. penso muito nestas coisas. mas pensar de mais não é um erro.
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depois de (tres) ler, o que escrevi no último post, percebi que apregoei uma teoria certa, mas não era a que eu devia ter defendido. vamos lá ver (têm dois minutos para eu explicar? sim, então cá vai). há dias descobri que existem duas formas de verdade, uma verdade técnica, e uma verdade completa (garanto-vos que é absolutamente impossível contrariar isto, nem do ponto de vista filosófico, com todas as vertentes da lógica) disse eu que acreditava numa espécie de compensação universal, uma que milagrosamente aconteceria como funcional e equilibradora, sendo que todo o mal que te acontece seria compensado com um bem similar. ora isto defendido desta forma é absolutamente egoísta. embora também acredite nisto, defendo algo mais altruísta.
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eu, ou mais propriamente a minha pessoa iluminada e carregada de moral e bons costumes, acha (e pratica) o bem como forma de ser compensado com o bem. ou seja, serás retribuido na mesma moeda, em peso e circunstância, mediante os teus actos. tal como o mal que pratiques, te será devolvido (a ler isto de repente, parece-me ainda pior do ponto de vista literário, e aguardo os delatores deste meu assassinato da prosa).
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mediante isto, e porque me parece que o valor do blog pode descer, aceito permutar este blog por outro de design mais aprumado, mas que seja mais pequeno, dado a disponibilidade monetária não ser muita. até porque continuo em contenção de despesas.
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[admito outro erro - pequeno é certo - mas que me compromete, e é melhor vocês saberem-no por mim. prometi não gastar dinheiro este mês em livros e não resisti. ontem naquele feirinha do bragaparque gastei 1,5 euros num livrinho em saldo do jorge fallorca (que tem um blog agradável e de publicação intensa que descobri há pouco tempo)]
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ia filosofar um pouco sobre a diferença entre um erro pequeno e um erro grande. não me parece altura certa. adianto já o post em demasia e só tinha pedido dois minutos para explicar a minha teoria. devia ser mais conciso. um dia aprendo. mas já agora e se não é muito incómodo, leiam o que me chateia por estes dias. a literatura e a moral. jorge fallorca cita a prémio nobel, doris lessing sobre este tema.
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" [...] Os grandes homens do século dezanove não tinham em comum nem a religião, nem a política, nem os princípios estéticos. Mas o que tinham em comum era um clima de discernimento estético; compartilhavam de certos valores; eram humanistas. [...] Todas as grandes palavras como amor e ódio, vida e morte, lealdade e traição contêm os seus significados opostos e meia dúzia de matizes de duvidosa implicação. As palavras tornaram-se tão inadequadas para exprimir a riqueza da nossa experiência [...] É muito difícil formarmos juízos morais, usar palavras como “bem” e “mal”. [...] maior parte das pessoas que conheço, pessoas da esquerda e da direita, comprometidas ou não, religiosas ou anti-religiosas, mas que, ao menos, têm isto de comum: lêem romances como me parece que devem ser lidos, para obterem inspiração, para alargar a nossa perspectiva da vida. [...] "
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sono? ainda há mais. eu errei ao não cumprir a minha parte do acordo em não gastar dinheiro com os livros, mas sei que ao ler procuro viver noutras dimensões, e sobre outras realidades que enriquecem e enaltecem o moralismo e o humanismo. como diz doris lessing,
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" [...] O que procurava era o calor, a compaixão, a humanidade, o amor pelas pessoas, que ilumina a literatura do século dezanove e que converte todos esses antigos romances numa declaração de fé no homem. [...]"
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depois deste post, o valor de mercado do blog cairá em definitivo para valores próximos do zero à esquerda. porventura o melhor é desistir e dar este espaço a quem tenha mais tino.
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1998... +-



Há álbuns e/ou músicas que marcam uma época.
Fui ao baú, limpei o pó e voltei a por este na aparelhagem. a faixa 11 tem direito a repeat... várias vezes.

terça-feira, 17 de março de 2009

ademanes e amofinações de um homem feliz

[1594]

é horrível a matéria. ter de tocar estes assuntos aflige-me a alma. chateia-me. não gosto de repetir que me sinto um homem de sorte - já dou aqui de borla as coisas das quais ninguém imagina o peso - correndo o risco de me pintarem como um pedante do destino.
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a verdade é que me acorrento às minudências da vida como se elas fossem os solavancos imprescindíveis à evolução. o conceito que eu tenho de felicidade está tão próximo de banal que me questiono tantas vezes se não estarei a enganar-me. sabem, as respostas chegam cobertas da mesma certeza, o que eu sinto é a urgência do tempo, e como não o posso parar ou abrandar, o melhor é mesmo aceitar.
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mas mais do que a proximidade da não-resposta permanente para o que é a felicidade, eu alinho em apreciar o que tenho na verdade. querer mais permanentemente falseia a realidade, denigre a conquista, deprecia o valor do que tens em mãos, distancia-te do real, eleva-te ao estado amofinado e de enfado.
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(interrompo este pensamento só para vos aconselhar este magnífico blog, da fátima rolo duarte. se alguém me mostrar um único blog em portugal que seja melhor que este, no seu global, na estética, grafismo, texto e criatividade, fico muito agradecido)
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como dizia, custa-me falar sobre a minha facilidade em aceitar contratempos. estou demasiado moderado para reclamar ou para protestar. ainda hoje me avariou o carro a caminho do trabalho, e eu o que faço? ponho o rádio mais alto e fico a ouvir boa música enquanto espero pelo meu mecânico, de sorriso largo - e colete reflector - mas com a bonomia de quem já não trabalha para as úlceras nervosas. e o que não tem remédio, remediado está (garanto-vos que há uns anos atrás era capaz de dar três bons pontapés ao carro, dizer todos os nomes feios do dicionário, e ainda exigir a presença do santo-ofício para julgar as trinta putas que me amaldiçoavam) hoje sou incapaz de dizer a palavra putas.
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é horrível a matéria. aceito que haverá quem diga que se tenho sorte era difícil sentir-me de outra maneira. pois é meus caros, a razão assiste ao argumento que exponho a seguir. eu acredito na teoria da compensação universal (isto não existe na wikipédia, acabei de inventar o título - embora se pudesse chamar teoria boomerang) ou seja, de cada vez que nos acontece algo de mau, o universo vai-se encarregar de te repor com algo bom (venham de lá os destiladores de ódio ao esoterismo paulo coelho destas minhas palavras).
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o que olho a medo é para os momentos em que decidi a minha vida e nem sequer me apercebi da importância do que me acontecia nesses momentos. felizmente a imprevisibilidade dos acontecimentos ordena-se de forma positiva para mim. e se hoje não tenho palavras para o momento subime que vivo, é porque a minha teoria está correcta.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

equações da sandice [4]

[1593]

mais uma vez borges. as histórias em que nos metemos inadvertidamente. a confusão que medra nesta minha cabeça, contrasta com o efeito do sol e do fim-de-semana. relaxo pois. ou não sou eu um pedaço de deus deixado na terra para tentar compreender os seus desígnios.
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estava sentado num café a ouvir uma conversa alheia. a partir de nova iorque alguém se saudava efusivamente, como se fosse ali ao lado, na outra esquina. como se nova iorque fosse no fundo da rua, como se eu me levantasse, pagasse o café e o conto (ou é o conto que se paga e o café é de borla?), e pensasse em voltar mais tarde para o crepe do café progresso.
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(tento ir no encalço desse limite. desço uma rua, percorro outra convidativa, e entro numas portadas de ferro enormes. imagino-me a encontrar saramago no jardim das roseiras (borges outra vez). mesmo com a vista para rio, apenas me sentava ao seu lado e lhe dizia do meu prazer pelos seus livros. imaginei que ele tinha perdido a consciência de quem era. que apenas sorriria sem a noção de que era o prémio nobel. e ele apenas responderia que as roseiras estariaam para florir, que estava ali sentado à espera do milagre da primavera, o que prova que nem sempre a sandice degenera em tolice)
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aparte a distância entre um post que poderia ser útil e sensato e este, conquanto me divertiria com a imponência do mesmo, sou deveras instado a anuir com o que ele (saramago) diz no seu blog, porque na realidade - a tal que todos vemos e não a que eu apregoo - o que eu vi naquele dia foi o rio. já as roseiras não sei, que estava ocupado com outra beleza mais metafísica.
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" [...] Nada de surpreendente para quem quiser recordar o que sobre ela tenho dito e escrito em já quase um quarto de século que levamos juntos. Desta vez, porém, quero deixar constância, e supremamente o quero, do que ela significa para mim, não tanto por ser a mulher a quem amo (porque isso são contas do nosso rosário privado), mas porque graças à sua inteligência, à sua capacidade criativa, à sua sensibilidade, e também à sua tenacidade, a vida deste escritor pôde ter sido, mais do que a de um autor de razoável êxito, a de uma contínua ascensão humana. Faltava, mas isso não podia imaginá-lo eu, a idealização e a concretização de algo que ultrapassasse a esfera da actividade profissional ou que dela pudesse apresentar-se como seu prolongamento natural. [...] "
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há coisas em que eu acredito sempre. principalmente neste sentimento sem idade e sem limite.
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equações da sandice [3]

[1592]

estava capaz de vos contar uma história
mas como seria difícil guardarem segredo
fica para uma próxima oportunidade.
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obrigado na mesma pela vossa atenção.
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fontes de inspiração

[1591]
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a crónica da semana no sítio do costume, uma deliciosa entrevista com a autora do mês, ana salomé. quem diz o que ela diz, precisa de exposição mediática,
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sábado, 14 de março de 2009

make your choice


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sexta-feira, 13 de março de 2009

zöe [12]

[1589]

à mais bela mulher daquele mundo
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podia comprar um espelho mágico
para lhe dizer
da beleza que carrega.
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prefere que seja eu a repeti-lo todos os dias.
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Quando não temos que fazer...

Queres saber o que aconteceu no dia em que nasceste?
E o que foste numa vida anterior?
Tem alguma piada. Há dados engraçados que eu desconhecia ... noutros, acredita quem quer!

equações da sandice [2]

[1587]
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a verdade é que virem aqui sem passarem antes por ali, e lerem o post do famigerado e aclamado pela crítica, dr. etc - personagem e alter ego construídos com raça e obstinação - uma espécie refinada de luiz pacheco dos nossos dias - é puro delírio e perda de tempo da vossa parte. vale que eu estou atento e vou-vos alertando contra a degeneração qualitativa do vosso intelecto.
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certo também é que, não tendo eu nada de especial para vos dizer, ponho já à vossa consideração dispensarem a leitura do resto do texto, e iniciarem paulatinamente o fim-de-semana sem risco dele se auto-destruir com estas palavras.
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reparem então como com uma pirueta gráfica, construída apenas de palavras (nunca tive muita queda para o desenho, embora me fascinassem os desenhos das mulheres nuas - isto sem perceber naquele tempo, que eram feitos com modelos reais) reparem, dizia eu, como, com o facto de eu estar empenhado em que este post fique à altura da exibição do braga, ele ficará deveras agradável. quem perde uns minutos a ler isto fica de consciência apaziguada com a prática da auto-comiseração da minha pessoa. é que, sem desprimor para o optimismo reinante, o meu pessimismo não pára de me alertar para a correria do tique-taque do relógio e, por inerência, da vida. e detesto desperdiçar leituras no que não vale a pena.
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e depois desta ginástica rítmica compassada de palavreado em latente pré-tensão, respiro fundo. vou só almoçar qualquer coisa ali ao bar. e depois vou ler umas páginas do dom casmurro ao sol enquanto o tempo do almoço não expira. sim é um clássico. sim vale a pena ler. é uma obrigação ler machado assis. e porque num recente livro que li tinha a seguinte citação,
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“No tempo dos meus pais, e até em boa parte no seu e no meu, costumava ser a pessoa que ficava aquém. Agora é a disciplina. É muito difícil ler os clássicos; logo a culpa é dos clássicos. Hoje o estudante faz valer a sua incapacidade como um privilégio. Eu não consigo aprender com isto, portanto alguma coisa está errada nisto. E há especialmente alguma coisa errada no mau professor que quer ensinar tal matéria. Deixou de haver critérios, Mr. Zuckerman, para só haver opiniões.”
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philip roth, a mancha humana
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passo a questionar, que raio é que andei a fazer até ter acordado para esta realidade?
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ontem como hoje estou de bem com o mundo. e mais ainda com deus (não vou ouvir a palestra indústria). para quem começou uma corrida de meio-fundo há tanto tempo, e pensa desistir quando vê a meta aproximar-se, só pode sofrer de perturbações. e eu não sofro. só do mal de escrever.
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quinta-feira, 12 de março de 2009

Acreditar em Deus. Porque sim? Porque não?

Organização: Portal Ateu e
Faculdade de Filosofia - Univ. Católica
Local: Aula Magna da Faculdade de Filosofia - Univ. Católica
Praça Faculdade de Filosofia

Data: 14 de Março (Sábado)
Horário: 15.00h

Realiza-se dia 14 de Março de 2009, às 15h, na Aula Magna da Faculdade de Filosofia de Braga um debate sobre as razões para acreditar em Deus e as razões para não acreditar.

O debate insere-se no Projecto de Investigação ‘Epistemic Studies’ do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da Faculdade de Filosofia, na linha de investigação sobre o diálogo fé-ciência.

A iniciativa é co-organizada também pelo Portal Ateu, uma instituição que procura promover o ateísmo em Portugal. O debate insere-se numa tentativa de esclarecimento recíproco entre crentes e não crentes, com o objectivo de se superarem alguns mal-entendidos de parte a parte, e de assim se esclarecerem os termos do diálogo que deve existir. Pelo Portal Ateu intervêm dois dos seus membros fundadores, Ricardo Silvestre e Helder Sanches. Pela Faculdade de Filosofia intervém Alfredo Dinis. Bernardo Motta intervirá também como crente.

Vou ver se passo por lá. Há mais candidatos?

Porque este blog também é uma rádio!

Brevemente disponível em podcast. A história alternativa de Portugal. Em estudo, uma versão vídeo do documentário. Fica aqui só um cheirinho, a primeira parte do primeiro episódio na sua versão radiofónica. Deixem as vossas críticas e sugestões. O som será melhorado nas próximas edições.

video

À conquista da europa


Hoje vamos continuar a fazer história frente a uma das melhores equipas francesas, o Paris Saint-Germain!
Força Guerreiros!!!

ó indústria tinhas razão, com um título destes no blog não conseguimos aparecer nos jornais

[1583]
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tinhas razão. com este nome não vamos ficar famosos. ou pior, ainda nos arriscamos a uma excomunhão.
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Curtas #6

A poucos metros do sítio onde estou, está uma menina a dar pontapés e palmadas no rabo a uma estátua de um poeta alentejano. Daqui a pouco está-lhe a chamar "frígido"!

Curtas #5

Depois de vários anos a estudar e a gastar montanhas de dinheiro em cursos e livros para desenvolver a capacidade de comunicar através da telepatia, acabei por comprar um telemóvel.

quarta-feira, 11 de março de 2009

"O super-homem existe, e é americano!"



Terry Gillliam (rei de infames delirios visuais e cúmplice dos sagrados Monty python) disse vencido, sobre Watchmen, "o filme é infilmável!"


Para os desconhecidos da novela gráfica (nome pomposo dado a bandas de desenhas de autor e com conteúdo mais adulto) em questão, Watchmen é definida comummente como o Citizen Kane dos Comics americanos.





Esta reverência para com uma obra (que a revista Time colocou inclusive, entre as 100 obras de ficção mais relevantes do séc.XX) escrita num meio de comunicação (injustamente) considerado menor, confirma-se pelas inúmeras referências contidas na obra (resultantes da obsessão literária do seu autor, o enigmático Alan Moore) que a elevaram a um patamar estilístico e temático mais arrojado, mais adulto, mais inteligente e consequentemente mais elegante e sofisticado!



Watchmen, é uma história sobre a seguinte premissa "e se os super-heróis existissem?". O que se segue, numa descrição portentosa de doze capitulos (no livro) e aproximadamente três horas (no filme) é uma mordaz desconstrução do mito efabulado dos super-heróis.



Os super-heróis de Watchmen não têm super-poderes (com a excepção do Dr. Manhattan, apelidado desta forma, por encerrar dentro de si um perigo superior ao da bomba atómica) são descuidados (o homem-traça fica com a sua capa presa numa porta e é impiedosamente baleado) mentalmente insanos ou esquizofrénicos (Rorschach é um vigilante com uma personalidade dúbia, afectado por uma infância traumatizada pelo abuso físico e emocional da própria mãe, sublimando essa mesma fragilidade, partindo dedos e abatendo impiedosamente toda a escória humana) moralmente descomprometidos (Eddie Blake, o comediante, confessa no estertor da morte ter assassinado crianças e mulheres de formas horríveis!). Mas qual o papel reservado na sociedade civilizada a um conjunto de tipos que se vestem de collants apertados e se designam por nomes de guerra ridiculos?






A acção da história passa-se nuns anos oitenta alternativos, em que Nixon se prepara para ganhar as eleições pela quarta vez consecutiva, respirando-se pesadamente o medo causado pelo equilíbrio de terror da guerra-fria. A sociedade civil, inebriada pelos media, implode-se sobre ameaças invisiveis (a grande bomba omnipresente!) fazendo avançar funebremente o relógio simbólico do dia-do-juizo-final! O medo é sempre maior face aquilo que não se compreende e estes super-heróis são estranhamente familiares!


Watchmen é uma obra de época, porque foi escrita dedicadamente na, e para a década de oitenta e esse facto, retira-lhe alguma relevância e actualidade. Simultaneamente, pela sua estrutura gargantuesca, minuciosa e dependente do pormenor (o leitor tem que acompanhar simultaneamente dez, quinze linhas narativas diferentes ao longo da obra!) a novela gráfica daria generosamente mais de trinta horas de filme. Assim, como filmar o infilmável?


Depois de uma pletura de notáveis realizadores vergados à magnitude do projecto, tais como, Terry Gilliam (Doze Macacos), Darren Aronosky (The Wrestler, Requiem for a dream) e outros, Zack Snyder (300, O despertar dos mortos) decidiu reunir as suas tropas e contar todas as espingardas antes de embarcar na odisseia de adaptar, somente, a mais venerada e respeitada novela gráfica da história dos comics americanos!





O filme é uma tradução fiel do livro que lhe serviu de base, estão lá todos os diálogos (por vezes palavra por palavra) todos os enquadramentos, tiques, cadências e acções narrativas, facto que não causa estranheza, dada a natureza cinematográfica dos desenhos originários de Dave Gibbons (desenhador original da novela gráfica). Por outro lado, é essa mesma subtracção criativa voluntária, por parte do realizador Zack Snyder, que causa uma certa sensação de incompletude ou falta de originalidade. Zack Snyder, provavelmente agradece a crítica como um puro elogio, pois a sua reverência para com o material em mãos é tal, que adulterá-lo poderia-lhe parecer heresia.


O filme, a par do "Cavaleiro das Trevas" (escandalosamente esquecido pela academia na nomeação para melhor filme) é em si mesmo uma experiência agradável, pela forma adulta e brutal (os seus heróis violam, sangram, matam e enganam como o comum dos mortais) com que pretende retratar uma história sem subestimar a inteligência do seu público. Alan Moore entendeu esta necessidade de elevar a fasquia, nos anos oitenta, escrevendo algumas das mais provocantes obras de banda desenhada (V de Vingança, Watchmen, Swamp Thing, From hell) finalmente, o cinema parece querer acompanhá-lo!




P.S. Atenção à banda sonora, que apesar de óbvia em alguns momentos, encerra significados deliciosos e subliminares sobre o desenrolar da história (a escolha engloba escolhas improváveis tais como, Simon & Garfunkel, Bob Dylan, billie holyday ou Hendrix) e como alguém disse, estranhamente, tudo isto faz sentido!

Observações

Se os produtos light mantêm o mesmo sabor dos ditos "normais", porque é que não passam a fabricar apenas os light!

É uma treta. A Coca-Cola só me engana uma vez!

zöe [11]

[1578]

Para mim o
amor
fica-me justo
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Eu só visto
a paixão
de corpo inteiro.
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Maria Teresa Horta, Só de Amor
via [abnoxio]
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terça-feira, 10 de março de 2009

equações da sandice

[1577]

oboé,
galinha o põe.
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zöe [10]

[1576]

tenho estado a esculpir as letras
(lascando o ébano para as definir)
procurando nas faces do limite
as sílabas do teu nome.
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queria construir um monumento
(sobrepondo as letras polidas)
para ilustrar à mão pesada do lustro
a afinidade da parte com o teu todo.
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talvez posta aos pés da minha cama
(no breu da noite insensata)
a luz do sonho incida sobre esta imagem
reflectindo a silhueta do teu corpo.
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segunda-feira, 9 de março de 2009

zöe [9]

[1575]

quando eram as cordas suspensas
nos rios
quando eram as ruas suspensas
nos trilhos
quando eram os sonhos suspensos
nos fios
quando eram os olhos suspensos
nos lírios
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eram só rios e ruas e sonhos e olhos
balançando nos ventos lentos dos lírios.
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sábado, 7 de março de 2009

fontes de inspiração

[1574]

a crónica da semana no sítio do costume. a primeira cidade não portuguesa retratada em as cidades e as terras. a primeira visão sobre a cidade de madrid depois da minha viagem. apesar de não ter processado toda a informação, a memória começa a arrumar as imagens.
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sexta-feira, 6 de março de 2009

zöe [8]

[1573]
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e depois há os dias em que
pura e simplesmente
gostava de estar enganado.
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zöe [7]

[1572]
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" Hoje tudo me dói, de não saber
como fazer que a chama te incinere, [...]"
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António Franco Alexandre,
em Duende, Assírio&Alvim, 2002
via [trama]

these days [3]

[1571]
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deveria ter feito um comentário, acrescentado algo ao post anterior desta série sem nexo, ou pelo menos sem intenção definida. estes títulos espremidos ao limite, reclamando em si uma continuidade (nada de mais errado se pensarem que há nas minhas palavras lógica coerente e importante) são apenas as bóias de salvação, para quem no fundo não tem nada a dizer. confesso que os títulos são a razão dos textos e não o contrário. é como diz o senhor do blog do costume, "[...] os títulos têm a capacidade de apelar a outras histórias que a própria imagem [texto] não incorpora [...]" [vontade-indómita]
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mas a minha obrigação para com este blog ultrapassa a própria razão da sua existência. é ver pelas horas que, como um pai admira o seu filho, eu me vejo a apreciar o seu crecimento. daí não deixar de pensar sempre na melhor forma de vos transmitir as mensagens.
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[hoje mesmo, e porque a mais simples alienação da realidade me consola, deixo-vos três pérolas citadas entre aspas, como manda a boa regra da usurpação, mesmo que temporária, do brilhantismo alheio]
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1 - numa caixa de comentários de um blog [um sub-mundo que é impossível acompanhar a toda a hora], pude ler esta citação de marguerite yourcenar,
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" [...]"a felicidade é uma obra-prima: o menor erro falseia-a, a menor hesitação altera-a, a menor falta de delicadeza desfeia-a, a menor palermice embrutece-a", (in "memórias de adriano") [...] "
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2 - no capítulo intítulado "o delírio" da obra de machado assis (memórias póstumas de brás cubas) talvez um dos melhores de que tenho memória na literatura (mas não se fiem muito nela) há uma passagem fenomenal,
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" [...] Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da felicidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura - nada menos que a quimera da felicidade - ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, com escárnio, e sumia-se, como uma ilusão. [...] " (pp. 27)
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3 - só mais um bom momento de relaxe, que isto de textos longos cansa. fiquem com este capítulo roubado do blog [escrita casual] (escusado será dar realce à parte que interessa, porque confio na vossa capacidade de intertextualizar o que está atrás e o que vem a seguir, sendo que a parte "tinha montes de amor para dar, só que ninguém o queria." é a mais hilariante),
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(cliquem na imagem para ampliar)

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quinta-feira, 5 de março de 2009

Não podem ver nada!

"Nuestros hermanos" também têm um emplastro.

Nim



"No, because my mom reads the newspapper."

Who watches the Watchmen?

Olá amiginhos! Hoje estreia o melhor filme do ano. Vão ver este filme.



Repito: Vão ver este filme!

these days [2]

[1567]

" [...] Como tantas outras coisas na vida, e como dizia um antigo professor meu, tudo se encontra nos Gregos, que voltam a dar resposta a esta questão que eu aqui levanto. Quando Eros se enamorou de Psique, ia visitá-la todas as noites, e ela nunca lhe via a cara. As irmãs da menina, talvez invejosas da sua felicidade, começaram a espicaçá-la e a dizer-lhe que, se calhar, ela andava mas era a dormir com um grande monstro. Assustada, desconfiada, Psique espera que o namorado adormeça, no escuro, e acende uma vela para lhe ver a cara, apenas para se deslumbrar com a beleza de Eros e ficar largos minutos em reverente contemplação, de tal forma que acaba por cair um pingo de cera na pele de Eros. Este acorda, olha para Psique muito pesaroso e abandona-a, dizendo-lhe, tristemente, que "o amor não pode viver sem confiança". É claro que Psique vai à luta, acaba por comer o pão que o Diabo amassou, como se diz, para reconquistar o seu Eros, e lá o consegue novamente, mas aprendeu a sua lição - o amor não pode viver sem confiança.
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E, com esta breve história, deveria estar para sempre arrumada a questão do ciúme e já mais ninguém para toda a eternidade precisaria de se preocupar com isso. Mas tal não acontece, e portanto voltamos à estaca zero."
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Curtas #4

Querer casar não é de homem!
Logo, os homossexuais são todos uma cambada de meninas!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Redemption Song

Recriar Bob Marley.


RedemptionSong.mp3 - Pedro Indy

Bandas sonoras

Podemos não ser os únicos autores do filme ou dos filmes das nossas vidas. Ainda bem, para não estragar o efeito surpresa, ou as maravilhosas linhas que algumas pessoas nos vão escrevendo no imenso argumento. Mas, aqui e ali, lá vamos inserindo uma ou outra linha da nossa autoria, uma ou outra música na banda sonora. A música que se segue é uma das músicas que, aos primeiros acordes, me transporta para um dos capítulos do filme da minha vida. O capítulo da Guiné-Bissau. Sei que também faz parte da banda sonora de outros amigos que fiz na Guiné, para dois deles sei que chega a ser uma música extremamente especial. Gostem ou não do estilo de música, garanto que vale a pena ouvir.

Kaysha - One Love

alegoria da alergia à alegria

[1563]

(juro que escrevi um texto bonito. mas mais uma vez não interessava a ninguém. acreditem que não é má vontade. apaguei tudo porque entrou num caminho perigoso. alegoriar é fácil, mas sobre a alegria é perigoso. e eu temo pela vossa saúde)
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se brás cubas (personagem do livro memórias póstumas de brás cubas, do brasileiro machado assis) tivesse criado o seu emplastro milagroso antes da sua morte, "um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade" (pp.14), então teríamos evitado muitos males.
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mas especular sobre os resultados práticos de um milagre que nunca chegou a acontecer, é ainda mais perigoso que tentar perceber a alergia à alegria.
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terça-feira, 3 de março de 2009

escolhas acertadas [2]

[1562]

está em todo o lado. anuncia-se em vários quadrantes uma manifestação pelo património. está no avenida central, no fontes do ídolo, e no bracara angustia (e estará em mais alguns blogs).
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no próximo domingo dia 8 de março, MARCHA PELAS SETE FONTES. a partir das 9h30, desde o largo da senhora-a-branca, organizado pela junta de s. víctor, com o apoio da ASPA. devemos participar pela preservação do património.
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escolhas acertadas

[1561]
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como sabem, escolho uma obra todos os meses como convidado pelo blog fontes do ídolo. assim, e como este mês é a vez da poesia, decidi escolher estas duas obras da simpática ana salomé.
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as minhas palavras não seriam as melhores para definir a sua poesia, por isso (e abusivamente porque recebi hoje por mail a sua aprovação literária) usarei a definição do colega do blog (e mestre em literatura pela universidade católica), para vos ilucidar sobre o poder da escrita da ana,
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" [...] estamos perante um caso sério de capacidade em habitar outros mundos com a quotidiana visão do dia-a-dia. Como se também a transparente água pudesse ser obscura e densa neblina. "
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these days

[1560]

não é importante eu sei. e até nem me faziam muita falta, mas esqueci-me da chave da gaveta da secretária. e agora que até nem precisa de nada que lá está dentro, até me irrita não a poder abrir. se isto não é o que acontece na vida diariamente, vou ali e já volto.
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domingo, 1 de março de 2009

Ainda o caso das obras apreendidas.

Todos criticam. Ninguém gaba o bom senso dos agentes da P.S.P. que apreenderam os ditos livros. Aquilo não é pornografia que se apresente!

Já ouviram falar de DEPILAÇÃO!!!

A P.S.P. só estava a proteger os cidadãos daquela aberração. Podiam criar uma nova P.S.P. só para estes casos. A Polícia de Segurança Púbica.

Vivam os prémios do cinema.

Depois dos Globos de Ouro os Óscares. Ninguém pára o homem a quem, num blog aqui ao lado confundiram com Di maria. Ele é na verdade o P*(inho), irmão do camurcina Pai Natal. A foto não deixa dúvidas! Parabéns.




* Não revelo a identidade porque ele pode não querer, mas os camurcinas sabem de quem eu falo.

fontes de inspiração

[1557]

esta semana a minha visão da obra do mês do blog fontes do ídolo. a crónica da semana que pode ser lida no sítio do costume, com uma opinião sobre o livro aonde o vento me levar de manuel jorge marmelo.
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