Mostrar mensagens com a etiqueta Delírios Saudáveis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Delírios Saudáveis. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 13 de outubro de 2009

é a cultura, estúpido! *

[1767]

o mec escreveu no público mais uma crónica acima da média. parece-me que o homem já relativizou os males que conspurcam o mundo e anda mais light. anda menos chateado com o próprio mundo que o rodeia. alerta para a importância de certos factos sociais, mas de uma forma mais pilatosiana, algo do género "querem ouvir, oiçam. não querem ouvir, eu lavo as minhas mãos.".
.
a idade deve trazer esta acalmia opinativa. achamos sempre que podemos chamar a atenção para os acontecimentos modernos, coadjuvados com a enorme experiência de vida, mas com a distância de quem já pouco sofrerá com as consequências futuras dos mesmos actos consumados no presente.
.
a ignorância que graceja, em muitos momentos de decisão, mostra-nos que o acesso à cultura, aquela que abarca a formação escolar e tudo o resto que é maior na educação dos indivíduos, é o grande problema actual do nosso país.
.
com esta falta de ponderação e de espírito crítico é fácil levar a maioria a pensar a uma só voz. como diz o mec, "O pensamento é um luxo e um atraso.". as ideias já não importam aos consumidores, à vox populi. por estes dias o que importa é a convicção.
.
proponho ao mec um meio termo: ponderemos nas soluções, pensemos bem antes de decidir, pesemos todos os prós e contras, repensemos as ideias e as estratégias, analisemos as questões de vários pontos de vista, mas depois de decididos, avancemos pela execução determinada.
.
foi sempre essa a minha filosofia de vida.
.
.
* expressão adaptada de bill clinton (não por mim originalmente, claro está)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

eis o discurso [3]

[1713]

ideas para mudar portugal
.
sou um candidato de todos os dias.
escrevo e aponto as mudanças urgentes.
.
tinha 5000 posts atrasados para ler. já comecei a arrumar a casa. o exemplo vem de cima. é asseado e arrumado que quero o país.
.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

eis o discurso [2]

[1712]

ideas para mudar portugal
.
como já sabem, sou candidato.
a bem do meu país.
.
a minha primeira ideia é contratar o mourinho para treinar a selecção em part-time. alegrem-se os descrentes que ainda vamos a tempo de estar no mundial de futebol.
.

terça-feira, 16 de junho de 2009

eis o discurso

[1710]

candidato-me.
oficialmente.
depois de mais 2000 km pelo meu país sou outra vez forçado a candidatar-me. pelo meu país serei candidato à inércia da escrita. a bem de todos vós, claro está.
.
(troca-se tgv e aeroporto por uma central nuclear. obrigado)
.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

nós e os nós

[1699]

criaturas de deus,
.
sim, estou de férias. são factos indesmentíveis pela quantidade de palavras de palavras que vou escrevendo. e lendo. mas estou atento aos vossos blogs, no fundo estão criados laços invisíveis, mas muito extensos e firmes.
.
grande abraço.
.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

de profundis

[1685]

parafraseando o grande blog,
.
"Eu sou David. Golias é a preguiça que há em mim."
.
via [vontade indómita]
.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

meu amor na tua mão

[1677]

é sempre esta mania de ouvir incessantemente as palavras, que embrulhadas em som e imagem, fazem regressar do fundo do tempo outra certeza. e outro caminho sem direcção, mas que é mais certo por ser indicado pelo teu gesto. mas tu, meu amor, apontas ao horizonte e eu sigo em direcção ao sol. mas que perfeito coração, morreria no meu peito...
.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

.
Allexandre O´Neill
.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

on the road

[1673]

a estrada como companhia, o pensamento atravessando fronteiras, a alma como buraco no asfalto, a certeza do que se encontra no fim da linha. é isso que pode fazer-nos mudar de rumo, a certeza de onde isto vai parar, de como tudo vai terminar.
.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

não se ponham com esse olhar tão romântico *

[1647]

.
bem sei que o melhor era aparecer um post aqui a despentear o cabelo arrumadinho cá do sítio, algo do género,
.
"meus caros,
foram momentos absolutamente geniais estes meses. pensava em posts enquanto escovava os dentes, enquanto desfazia a barba, enquanto viajava. agora esgotaram-se-me as ideias. não sei mais que escrever. faltam-me as palavras. foi um desgosto enorme mas acordei um dia assim. e não foi há muito tempo. de modo que aguardo um dia aparecer como anónimo, noutra pele, noutro blog para matar saudades. até sempre."
.
não sei mas ocorreu-me citar a propósito disto brecht. não se ponham com esse ar para já. não é hoje que me ponho a monte. está a chover muito.
.
.
* bertolt brecht, in tambores na noite
.

sábado, 11 de abril de 2009

equações da sandice [8]

[1641]

se fosse um super-herói estava encontrada a minha criptonite, o amor claro.
.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

equações da sandice [7]

[1627]

dá-me para ler certas coisas que me entram pelo olho dentro. descobri esta entrevista, e deixei-me estar na cadeira a ouvir (note-se a diferença) estes dois senhores numa conversa amena. é agradável perceber que não podemos deixar crescer um mito. estas pessoas que admiramos pela sua inteligência, são simples humanos como nós que buscam a razão de viver como todos nós. de preferência com um bom garfo, uma bom vinho, uma boa conversa.
.
em larga medida admito que me delicio como eles desarmam a vida e a razão porque se deve ler. é verdade que a máxima expressada por mec nesta conversa é a que eu professo para mim. aceitar o que temos.
.
" [...] Porque é que lês?
Para além de gostar, porque é a forma mais económica de conhecimento. É uma forma de roubo. Um gajo está dois anos a escrever um livro e tu lês aquilo numa noite, percebes? É roubar. É como roubar num supermercado.
.
Mas há sempre aqueles que dizem que lêem porque querem ser pessoas informadas, e mais isto, e mais aquilo. Tretas. Tudo tretas.
.
Essas pessoas não sabem o que verdadeiramente perdem. É como comprar um livro de viagens para depois ir conhecer o sítio. É ridículo. Os livros servem sobretudo a nossa curiosidade e também um sentimento de controlo que todos temos. Tu, ao leres um livro, és um pequeno deus. [...] Isso não acontece na vida real, essa possibilidade de escolha."
.
ao ouvir isto sinto que não há necessidade sequer de explicação do gosto pela leitura. nem para a vida com todas as suas contingências,
.
" [...] Há uma frase neste teu último livro que é muito interessante. Escreves tu: «A única atitude inteligente diante da vida é aceitá-la, o que significa aceitar que não é compreensível, previsível ou homogénea». Tu já chegaste mesmo a esta reconciliação contigo próprio?
.
Eu acho que é inato. A minha mãe é muito conservadora e esta atitude de aceitação é-nos inculcada. Aceitar é assim: eu não compreendo isto, paciência. Eu não sei consertar o candeeiro, paciência. Tento fazer um prato qualquer, não consigo, vai tudo para o lixo, paciência. Aquela atitude de «não vou desistir, lutarei até ao fim», isso é uma estupidez. Nós somos muito limitados no nosso tempo. Sabemos muito pouco. E isso dá uma grande alegria. [...]"
.
salvé mestre mec. em cheio. no relativizar é que está o ganho.
.
" [...] Temos de aceitar que somos limitados. Não somos suficientemente inteligentes para saber tudo, perceber tudo. É preciso saber viver com isso. Eu também gostava de ter sido guitarrista mas não tinha talento nenhum. E hoje penso: que falta faz um guitarrista neste país? E neste mundo? [...] "
.
ainda bem que há quem pense como eu.
.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

equações da sandice [6]

[1626]

é absolutamente incrível como às vezes esvazio o meu cérebro, ou pelo menos a parte operacional dele, aquela que nos faz encomendar as terefas diárias, organizar o tempo e descobrir as maravilhas perceptivas do mundo. é impressionante como saltamos de um lado para o outro, sem no entanto nos apercebermos, e nos vemos desarmados de ideias, recursos ou mesmo uma opção válida.
.
lembro-me agora de um exemplo estranho. quantas vezes abri a porta do frigorífico e me vi como num deserto, sem ter a mínima ideia do que lá ia fazer? e pior consequência é quando subimos umas quantas escadas para executar uma tarefa e, só no topo do esforço, nos esquecemos por completo do que íamos fazer. é como um clique de um interruptor de luz. estamos a olhar para o que queremos fazer e a acção não se completa sem a reacção.
.
depois pensas no que está a bloquear a acção. olhas para o teu próprio cérebro e só há uma luzinha estranha ao fundo, ilumina ténue e estranhamente o espaço. uns quantos papéis a esvoaçar, uns post-its ao dobrar das esquinas e um pouco de pó já varrido e pronto a ser despachado. e depois nada. não há mais nada.
.
não me parece mau, até porque é sinal de que nos ocupamos de outras matérias, e no meu caso são, neste momento, muito mais importantes que qualquer frigorífico.
.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

equações da sandice [5]

[1625]

queres ver que a galinha está doida? não quer sair do meio do caminho, e juro que me pareceu que vinha a gritar que o céu estava a cair e que era o fim do mundo. eu que nunca li o apocalipse não me fio nisso.
.
(a sorte é que a velha saiu à rua enxutou-a e então pude passar à vontade)
.
equaciono as consequências de ouvir música clássica, no caso particular a primavera de beethoven. era a sonata que preenchia a minha tarde.
.
devo em algum momento ter-me deixado levar pela emoção. é isso ou o sol estava quente.
.

quinta-feira, 26 de março de 2009

a urgência do eterno

[1613]

nunca é demais exigir o tempo-vital. assusta-me a falta de eternidade, aliada à premissa da morte como dado adquirido. partindo do princípio de que estamos de agulhas acertadas nisto, passemos então a questionar o que nos faz falta para sermos felizes.

de mim sei eu, e cada um sabe de si. ao ler saramago (coisa que pouca gente faz, mesmo que seja um autor que vende como pão) apercebo-me que estou a atirar para os meus pés o peso do que deveria exigir apenas no futuro. deveria concentrar-me apenas no amanhã. tão simples como descascar uma cebola sem chorar.

" [...] Ora, enquanto se acaba e não se acaba o mundo, enquanto se põe e não se põe o sol, por que não nos dedicaremos a pensar um pouco no dia de amanhã, esse tal em que quase todos nós ainda estaremos felizmente vivos? Em vez de umas quantas propostas arrojadamente gratuitas sobre e para uso do terceiro milénio, que logo ele, mais do que provavelmente, se encarregará de reduzir a cisco, por que não nos decidimos a pôr de pé umas quantas ideias simples e uns quantos projectos ao alcance de qualquer compreensão? [...] "

via [o caderno de saramago]

um dia vou conseguir desligar esta minha forma de viver agarrado ao futuro, hei-de desacorrentar-me da máxima que vigora no meu palimpsesto, a de que tudo o que faças hoje terá consequências inevitáveis no futuro. que se lixe o futuro, a partir de hoje viverei apenas a pensar no amanhã.

mas eu sei é de mim. e cada um sabe de si.

.

quinta-feira, 19 de março de 2009

aceita-se permuta de blog

[1596]

cometo erros. há quem diga que não, que nunca erra e raramente se engana, mas eu assumo os erros tal como as virtudes, de tal forma que ao perceber a inqualificável falta dos meus enganos, me penitencio de uma maneira afincada, tanto que na próxima vez que estiver perto de errar novamente, o mecanismo de protecção activa-se per si. penso muito nestas coisas. mas pensar de mais não é um erro.
.
depois de (tres) ler, o que escrevi no último post, percebi que apregoei uma teoria certa, mas não era a que eu devia ter defendido. vamos lá ver (têm dois minutos para eu explicar? sim, então cá vai). há dias descobri que existem duas formas de verdade, uma verdade técnica, e uma verdade completa (garanto-vos que é absolutamente impossível contrariar isto, nem do ponto de vista filosófico, com todas as vertentes da lógica) disse eu que acreditava numa espécie de compensação universal, uma que milagrosamente aconteceria como funcional e equilibradora, sendo que todo o mal que te acontece seria compensado com um bem similar. ora isto defendido desta forma é absolutamente egoísta. embora também acredite nisto, defendo algo mais altruísta.
.
eu, ou mais propriamente a minha pessoa iluminada e carregada de moral e bons costumes, acha (e pratica) o bem como forma de ser compensado com o bem. ou seja, serás retribuido na mesma moeda, em peso e circunstância, mediante os teus actos. tal como o mal que pratiques, te será devolvido (a ler isto de repente, parece-me ainda pior do ponto de vista literário, e aguardo os delatores deste meu assassinato da prosa).
.
mediante isto, e porque me parece que o valor do blog pode descer, aceito permutar este blog por outro de design mais aprumado, mas que seja mais pequeno, dado a disponibilidade monetária não ser muita. até porque continuo em contenção de despesas.
.
[admito outro erro - pequeno é certo - mas que me compromete, e é melhor vocês saberem-no por mim. prometi não gastar dinheiro este mês em livros e não resisti. ontem naquele feirinha do bragaparque gastei 1,5 euros num livrinho em saldo do jorge fallorca (que tem um blog agradável e de publicação intensa que descobri há pouco tempo)]
.
ia filosofar um pouco sobre a diferença entre um erro pequeno e um erro grande. não me parece altura certa. adianto já o post em demasia e só tinha pedido dois minutos para explicar a minha teoria. devia ser mais conciso. um dia aprendo. mas já agora e se não é muito incómodo, leiam o que me chateia por estes dias. a literatura e a moral. jorge fallorca cita a prémio nobel, doris lessing sobre este tema.
.
" [...] Os grandes homens do século dezanove não tinham em comum nem a religião, nem a política, nem os princípios estéticos. Mas o que tinham em comum era um clima de discernimento estético; compartilhavam de certos valores; eram humanistas. [...] Todas as grandes palavras como amor e ódio, vida e morte, lealdade e traição contêm os seus significados opostos e meia dúzia de matizes de duvidosa implicação. As palavras tornaram-se tão inadequadas para exprimir a riqueza da nossa experiência [...] É muito difícil formarmos juízos morais, usar palavras como “bem” e “mal”. [...] maior parte das pessoas que conheço, pessoas da esquerda e da direita, comprometidas ou não, religiosas ou anti-religiosas, mas que, ao menos, têm isto de comum: lêem romances como me parece que devem ser lidos, para obterem inspiração, para alargar a nossa perspectiva da vida. [...] "
.
sono? ainda há mais. eu errei ao não cumprir a minha parte do acordo em não gastar dinheiro com os livros, mas sei que ao ler procuro viver noutras dimensões, e sobre outras realidades que enriquecem e enaltecem o moralismo e o humanismo. como diz doris lessing,
.
" [...] O que procurava era o calor, a compaixão, a humanidade, o amor pelas pessoas, que ilumina a literatura do século dezanove e que converte todos esses antigos romances numa declaração de fé no homem. [...]"
.
depois deste post, o valor de mercado do blog cairá em definitivo para valores próximos do zero à esquerda. porventura o melhor é desistir e dar este espaço a quem tenha mais tino.
.

terça-feira, 17 de março de 2009

ademanes e amofinações de um homem feliz

[1594]

é horrível a matéria. ter de tocar estes assuntos aflige-me a alma. chateia-me. não gosto de repetir que me sinto um homem de sorte - já dou aqui de borla as coisas das quais ninguém imagina o peso - correndo o risco de me pintarem como um pedante do destino.
.
a verdade é que me acorrento às minudências da vida como se elas fossem os solavancos imprescindíveis à evolução. o conceito que eu tenho de felicidade está tão próximo de banal que me questiono tantas vezes se não estarei a enganar-me. sabem, as respostas chegam cobertas da mesma certeza, o que eu sinto é a urgência do tempo, e como não o posso parar ou abrandar, o melhor é mesmo aceitar.
.
mas mais do que a proximidade da não-resposta permanente para o que é a felicidade, eu alinho em apreciar o que tenho na verdade. querer mais permanentemente falseia a realidade, denigre a conquista, deprecia o valor do que tens em mãos, distancia-te do real, eleva-te ao estado amofinado e de enfado.
.
(interrompo este pensamento só para vos aconselhar este magnífico blog, da fátima rolo duarte. se alguém me mostrar um único blog em portugal que seja melhor que este, no seu global, na estética, grafismo, texto e criatividade, fico muito agradecido)
.
como dizia, custa-me falar sobre a minha facilidade em aceitar contratempos. estou demasiado moderado para reclamar ou para protestar. ainda hoje me avariou o carro a caminho do trabalho, e eu o que faço? ponho o rádio mais alto e fico a ouvir boa música enquanto espero pelo meu mecânico, de sorriso largo - e colete reflector - mas com a bonomia de quem já não trabalha para as úlceras nervosas. e o que não tem remédio, remediado está (garanto-vos que há uns anos atrás era capaz de dar três bons pontapés ao carro, dizer todos os nomes feios do dicionário, e ainda exigir a presença do santo-ofício para julgar as trinta putas que me amaldiçoavam) hoje sou incapaz de dizer a palavra putas.
.
é horrível a matéria. aceito que haverá quem diga que se tenho sorte era difícil sentir-me de outra maneira. pois é meus caros, a razão assiste ao argumento que exponho a seguir. eu acredito na teoria da compensação universal (isto não existe na wikipédia, acabei de inventar o título - embora se pudesse chamar teoria boomerang) ou seja, de cada vez que nos acontece algo de mau, o universo vai-se encarregar de te repor com algo bom (venham de lá os destiladores de ódio ao esoterismo paulo coelho destas minhas palavras).
.
o que olho a medo é para os momentos em que decidi a minha vida e nem sequer me apercebi da importância do que me acontecia nesses momentos. felizmente a imprevisibilidade dos acontecimentos ordena-se de forma positiva para mim. e se hoje não tenho palavras para o momento subime que vivo, é porque a minha teoria está correcta.
.

sexta-feira, 6 de março de 2009

zöe [8]

[1573]
.
e depois há os dias em que
pura e simplesmente
gostava de estar enganado.
.

these days [3]

[1571]
.

deveria ter feito um comentário, acrescentado algo ao post anterior desta série sem nexo, ou pelo menos sem intenção definida. estes títulos espremidos ao limite, reclamando em si uma continuidade (nada de mais errado se pensarem que há nas minhas palavras lógica coerente e importante) são apenas as bóias de salvação, para quem no fundo não tem nada a dizer. confesso que os títulos são a razão dos textos e não o contrário. é como diz o senhor do blog do costume, "[...] os títulos têm a capacidade de apelar a outras histórias que a própria imagem [texto] não incorpora [...]" [vontade-indómita]
.
mas a minha obrigação para com este blog ultrapassa a própria razão da sua existência. é ver pelas horas que, como um pai admira o seu filho, eu me vejo a apreciar o seu crecimento. daí não deixar de pensar sempre na melhor forma de vos transmitir as mensagens.
.
[hoje mesmo, e porque a mais simples alienação da realidade me consola, deixo-vos três pérolas citadas entre aspas, como manda a boa regra da usurpação, mesmo que temporária, do brilhantismo alheio]
.
1 - numa caixa de comentários de um blog [um sub-mundo que é impossível acompanhar a toda a hora], pude ler esta citação de marguerite yourcenar,
.
" [...]"a felicidade é uma obra-prima: o menor erro falseia-a, a menor hesitação altera-a, a menor falta de delicadeza desfeia-a, a menor palermice embrutece-a", (in "memórias de adriano") [...] "
.
2 - no capítulo intítulado "o delírio" da obra de machado assis (memórias póstumas de brás cubas) talvez um dos melhores de que tenho memória na literatura (mas não se fiem muito nela) há uma passagem fenomenal,
.
" [...] Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da felicidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura - nada menos que a quimera da felicidade - ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, com escárnio, e sumia-se, como uma ilusão. [...] " (pp. 27)
.
3 - só mais um bom momento de relaxe, que isto de textos longos cansa. fiquem com este capítulo roubado do blog [escrita casual] (escusado será dar realce à parte que interessa, porque confio na vossa capacidade de intertextualizar o que está atrás e o que vem a seguir, sendo que a parte "tinha montes de amor para dar, só que ninguém o queria." é a mais hilariante),
.

(cliquem na imagem para ampliar)

.

quinta-feira, 5 de março de 2009

these days [2]

[1567]

" [...] Como tantas outras coisas na vida, e como dizia um antigo professor meu, tudo se encontra nos Gregos, que voltam a dar resposta a esta questão que eu aqui levanto. Quando Eros se enamorou de Psique, ia visitá-la todas as noites, e ela nunca lhe via a cara. As irmãs da menina, talvez invejosas da sua felicidade, começaram a espicaçá-la e a dizer-lhe que, se calhar, ela andava mas era a dormir com um grande monstro. Assustada, desconfiada, Psique espera que o namorado adormeça, no escuro, e acende uma vela para lhe ver a cara, apenas para se deslumbrar com a beleza de Eros e ficar largos minutos em reverente contemplação, de tal forma que acaba por cair um pingo de cera na pele de Eros. Este acorda, olha para Psique muito pesaroso e abandona-a, dizendo-lhe, tristemente, que "o amor não pode viver sem confiança". É claro que Psique vai à luta, acaba por comer o pão que o Diabo amassou, como se diz, para reconquistar o seu Eros, e lá o consegue novamente, mas aprendeu a sua lição - o amor não pode viver sem confiança.
.
E, com esta breve história, deveria estar para sempre arrumada a questão do ciúme e já mais ninguém para toda a eternidade precisaria de se preocupar com isso. Mas tal não acontece, e portanto voltamos à estaca zero."
.

quarta-feira, 4 de março de 2009

alegoria da alergia à alegria

[1563]

(juro que escrevi um texto bonito. mas mais uma vez não interessava a ninguém. acreditem que não é má vontade. apaguei tudo porque entrou num caminho perigoso. alegoriar é fácil, mas sobre a alegria é perigoso. e eu temo pela vossa saúde)
.
se brás cubas (personagem do livro memórias póstumas de brás cubas, do brasileiro machado assis) tivesse criado o seu emplastro milagroso antes da sua morte, "um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade" (pp.14), então teríamos evitado muitos males.
.
mas especular sobre os resultados práticos de um milagre que nunca chegou a acontecer, é ainda mais perigoso que tentar perceber a alergia à alegria.
.