Mostrar mensagens com a etiqueta valter hugo mãe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta valter hugo mãe. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 17 de novembro de 2009

descarrega música grátis

[1785]


um título que parece saído de um site pirata. mas não é. para quem tenha curiosidade, está disponível o trabalho de valter hugo mãe e os ex-mão morta miguel pedro e antónio rafael, governo - propaganda sentimental. é grátis e só têm que fazer um registo.
.
e ouvir claro.
.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

fontes de inspiração [2]

[1489]

surge este encontro imediato para corrigir uma falha enorme deixada na minha análise da obra do passado sábado. assim, e se não leram podem fazê-lo no sítio do costume, depois de eu ter afirmado isto [sem pés nem cabeça para um cronista sério] " refira-se também que faltam nesta antologia pelo menos dois livros publicados pelo autor. "estou escondido na cor amarga do fim da tarde" (campo das letras) - obra esta que tenho e li; e ainda a mais antiga de todas cujo título e editora me escapam por completo. ", venho com este post repudiar a minha falha e emendar a mão com uma informação preciosa, cedida pela minha amiga, e grande poeta, ana salomé.
.
a obra em falta é Silencioso Corpo de Fuga, editada em 1996, pela editora A Mar Arte, da cidade coimbra. suponho que dificilmente será agora possível conseguir esta obra pela editora porque não há registo de movimentações recentes da mesma. contudo, e num acto ainda mais majestoso da nossa amiga (que escreve umas delícias literárias), deixo-vos o prefácio da obra,
.
"Inclino-me sobre esta folha branca. Espreito. Anseio ler aquilo que vou escrever."
.
e ainda o poema que ela mais gostou,
.
12.

Às vezes perco-me nos caminhos que
conheço. Adormeço nos ruídos do
mundo sonhando banalidades
enquanto sou feliz. Sempre que
falho e fecho os olhos, imagino
outra pessoa perto de mim aquecendo as
mãos no calor do meu corpo como nas labaredas
de uma pequena fogueira.

.
espero ter sido útil. agradeço a informação prestada pela solícita e simpática ana.

sábado, 24 de janeiro de 2009

fontes de inspiração

[1483]

a crónica da semana no sítito do costume. análise da obra folclore íntimo (cosmorama) de valter hugo mãe, em fontes de inspiração.
.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

há filisteus no deserto

[1400]

ou os caminhos cíclicos do entroncamento da literatura.
.
" [...] Fazes o caminho que só se pode fazer sozinho e de noite, pois todos temos um portão e um jardim para atravessarmos, sozinhos de noite, debaixo e sobre e entre o medo [...]"
.
nenhum olhar (bertrand), josé luis peixoto, pp. 82
.
" [...] vou buscar o meu coração. guardei-o aqui
algures e, por ti, tenho a certeza, vale a
pena voltar a encontrá-lo e correr todos os
riscos de novo. [...]"
.
folclore íntimo (cosmorama), valer hugo mãe, pp. 20

terça-feira, 9 de setembro de 2008

o apocalipse dos trabalhadores

[1205]



quem ler esta obra não passará a conhecer bragança, nem mais pormenores do interior de portugal, dos que não sejam já sobejamente conhecidos, mas poderá contudo provar um sabor mais requintado e eloquente desta gente, “porque isto aqui não é nada […] não vai ser terra de negócio para ninguém. vai ser um campo vazio a arder no verão e a congelar no inverno, e quem cá viver será só vítima de um dia atrás do outro e nada mais.” (pp. 180)

o enredo centra-se mais na vida difícil dos que sem empregos estáveis, e dos que com trabalho muito precário e muito mal pago, levam uma vida de desenrasque constante. a maria da graça, personagem principal , leva uma vida de mulher-a-dias, na casa de um rico senhor ferreira, que paga um ordenado miserável. certo é que o homem passa o dia em casa e em variadas ocasiões o sexo entre os dois é tema mais que estranho, dada a inconstância da reacção de maria da graça, ora consente o acto, ora se recrimina pela traição ao marido augusto que vive em alto mar.

a quitéria, segunda mulher-a-dias, é também peculiar pela idade avançada e por ser descrita como mulher desembaraçada no que toca a amantes. o andriy, seu novo namorado, é o personagem romeno que completa o cenário, entrelaçando a difícil vida dos romenos com a sua imigração em busca de um país que os fará ricos, com a realidade transmontana. as dificuldades levam à conclusão que “o melhor era beber a cada noite o suficiente para deixar de pensar nisso. não pensas, não falas, não queres falar […] é importante perder a lucidez para não existir a necessidade de se ser compreendido, […] viu-se como um competente administrador das suas penas, pondo-lhes fim, uma a uma, com força de ferro.” (pp. 55)

há dois aspectos de salientar na construção do cenário, um deles ressalta à vista por descrever de forma muito kafkiana (na vertente metamorfose), a forma como o pai do senhor ferreira se arrasta pelo chão como uma tartaruga – depois de uma queda que o paralisou – realçando o pormenor estético duro da imagem transmitida. o segundo aspecto é a constante descrição dos sonhos de maria da graça tentando entrar no céu, que apesar de peculiar, dá-nos uma visão dantesca do que poderemos chamar purgatório.

o refinar da qualidade do sarcasmo e principalmente da ironia, mostra que neste livro houve um esforço em tentar pintar de uma forma mais leve os cenários da vida difícil que os personagens são obrigados a enfrentar, sobressaindo principalmente na descrição dos velórios em que as duas mulheres vão ganhar dinheiro fazendo de carpideiras. há certos momentos hilariantes em que ao imperar o medo o autor alivia o suspense pela conversa das duas amigas “chiu. ouviste. não. pareceu-me ouvir qualquer coisa. quem dera seja um homem e nos viole. cala-te és tão estúpida. e tu pior, que te apaixonas pelo estupor de um velho que te come com um dedo mindimo e cheira mal.” (pp.33)

parece diferir em muito da forma como foi construído “o remorso de baltasar serapião”(2006) e “o nosso reino” (2004), estes sim muito próximos nos cenários um pouco carregados do fabuloso e do imaginário. neste caso a vida acontece tal como ela é, onde sobressai a permanente luta entre o que se pode compreender ser o amor, e o que se vive na prática. há sempre presente a ideia de que os personagens são românticos e sonhadores, aspirando a uma vida amorosa perfeita, contrastando com os seus inconsequentes actos dominados pela vontade sexual. atente-se nas duas citações seguintes: “encheu o peito de tanta coisa que poderia ter respondido de mil maneiras, boas ou más, tão diferentes e todas tão importantes. parou os olhos no ar expectante do desconhecido e respondeu, não me interessa o amor, isso é coisa de gente desocupada que não tem o que fazer.” (pp.29) desdenha-se o amor, para logo a seguir comprar esta imagem, “pois, coitada, morrer de amor á espera. isso de esperar é que me dói. morrer de amor tem de ser no acto, isso, sim, é morrer de felicidade. agora morrer à espera é do pior.” (pp.34)

gosto também de realçar a forma muito pessoal de encarar a religião do autor, porque em muitos aspectos parece um católico, que não sendo ateu, nem propriamente um agnóstico, delimita a força de chegar a deus ao homem e à sua vontade própria de se comunicar com ele, “é o que devia ser uma religião, apenas isso, uma profunda e tão intuitiva paixão pela vida.” (pp. 59)

todo o resto da obra saltita entre vários cenários - com a facilidade típica do autor em relacionar espaços sem cortes bruscos - e os pensamentos interiores dos personagens, tantas vezes levando a uma quase cerimónia esgotante dos limites do bom senso e da força dos actores, não sendo de estranhar assim o desfecho do livro, “mas as coisas pareciam destruir-se, a partir da sua cabeça, sem dúvida, como se entrasse inevitavelmente numa depressão. como se fosse entrando, vendo a boca dentada da depressão, e não conseguisse recuar, alegrar, enfim, o seu espírito.” (pp. 127)
.
a luta está ali, os dois gumes da faca em contenda, como se a esperança revivesse no suor da amargura “quando bebeu o primeiro gole de vinho julgou que a vida, se fosse justa, poderia ser feita daquilo e de mais nada. ao inventar as coisas, quem inventara, deveria ter-se ficado por aquilo, um vinho, uma amizade sincera, o calor magnífico do fim da tarde, a paisagem mais bela de todas. era tão fácil inventar só aquilo e só com aquilo garantir com segurança que a todas as pessoas do mundo inteiro seriam felizes.” (pp.146)
.
percebemos que o futuro pode sempre ser melhor e conceder-nos um espaço mais preenchido das coisas que escrevemos serem boas. “um dia o futuro vai estar sobrelotado, e não vai haver ninguém para saber da minha história, se trabalhei ou roubei, se amei ou odiei, e eu não quero ser rigorosamente nada senão uma réstia de felicidade” (pp.177) e haverá algo mais importante na vida?

.
o apocalipse dos trabalhadores [8/10]
valter hugo mãe, quidnovi - 2008

APRESENTAÇÃO NA FNAC BRAGA - QUARTA-FEIRA, 10 de SETEMBRO

quinta-feira, 31 de julho de 2008

obrigado a todos

[1158]
.
queria agradecer a todos os amigos que ontem se manifestaram. a todos obrigado pelas mais variadas formas parabenizantes. elenco o que ganhei,
.
1) ofereci a mim próprio isto,

2) e ofereceram-me isto,


3) mais isto,


4) mais isto,

5) e mais uns belos calções de praia e uma toalha.
.
6) mais a certeza de ter muitos, e principalmente, bons amigos.
.
acabei por perder isto,

mas o dia era de festa, esperamos que venhas à fnac, para autografares o meu exemplar.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

apocalipse dos trabalhadores

[1118]

nunca é demais referir. à venda na fnac (pelo menos desde sábado). a não perder.
.

terça-feira, 17 de junho de 2008

às duas por três

[1061]

costumava dizer que tinha 3 depressões em casa. 2 pequenas que guardava nas gavetas, e uma maior que ficava guardada no gavetão da cómoda. por muito que se torne evidente a necessidade de as dispensar, até agora só despachei uma. guardo ainda duas. a minha mãe pergunta-me muitas vezes o que aqueles trapos fazem ali se nunca os uso. a minha mãe não sabe que há coisas que não se mostram. visto aqueles casacos de malha grossa em dias de silêncio. ou de solidão.
.
a solidão, pode até ser amparada e compensada pelo aconchego de uma depressão. se precisamos do espaço livre e arejado, o melhor é aceitarmos o peso daqueles trapos. pode ser recompensador.
.
mas o que me leva a escrever um post daqueles que ninguém lê, é o atraso a que tenho votado a minha actualização cultural. refiro-me aos posts bonitos e atempados sobre os filmes, sobre os livros ou revistas.
.
(o valter que me desculpe o atraso. mas a verdade é que continuo à espera da resposta da editora sobre o dia do lançamento do livro. por isso, e á falta de data mais prescisa, anuncio aqui também, e com muito gosto, a capa do novo livro do escritor que transformou a língua portuguesa num tornado. em julho poderemos adquirir esta preciosidade,


e os livros que li e que ainda não falei, são os seguintes,


o nosso reino, valter hugo mãe (****)

o maravilhoso aliado ao espírito negro da parte humana, um romance enquadrado em qualquer lugar perdido, com referencias a um portugal próximo do 25 de abril. o homem mais triste do mundo, o benjamim (suponho eu) vive numa aldeia que insiste em admirar os seus domínios das forças ocultas. é um santo que assite aos rituais e crenças profundas da ignorância do povo, que lhe pede milagres.
.
outra boa surpresa, o primeiro que li do gonçalo m. tavares,


jerusalém, gonçalo m. tavares (****)

um história desenrolada na cidade santa, com uma mulher cujo fim da vida se aproxima, dado conhecer a sua doença terminal. vamos avançando na narrativa até perceber o caminho percorrido por esta mulher louca, a sua passagem pelo manicómio, o casamento com o médico, o filho, a saída, o fim, o fim e o fim, até o milagre acontecer, a a morte não chegar de forma nenhuma.

outra das maravilhas que comprei na assírio e alvim, foi este monumento poético,

o poeta nu, jorge de sousa braga (*****)
"Nada nos seus olhos nos revela
o prazer que fruíram há instantes
Apenas a relva conserva todo o esplendor
dos corpos nus dos amantes"
pp. 160
.
há depois a renovada revista ler que devem dar uma espreitadela pois está muito bem conseguida e os dois números renovados começaram com duas enormes entrevistas a saramago e antónio lobo antunes. a não perder.
.


.
termino com dois filmes muito bons,
indiana jones, (***)
haverá sangue (***)
.
este último um pouco abaixo das espectativas, sendo que me é muito difícil considerar esta película melhor filme que no country for old men.
.
bom, aqui termina o minha diatribe, e o meu problema psicológico abrandou. de certo só vou vestir a depressão lá para quinta-feira, quando a selecção jogar. e aqui termina a minha hora de almoço, vou ter de correr para comer qualquer coisa.

terça-feira, 6 de maio de 2008

segundas dos livros

[956]

a velha-a-branca organiza em parceria com a comunidade de leitores [ver mais informações], um debate em volta de um livro escolhido, na primeira segunda-feira de cada mês. o livro é escolhido por um convidado. esta passada segunda-feira, valter hugo mãe (confesso que foi a primeira vez que participei e o que me levou lá foi o convidado), escolheu geometria variável de nuno júdice (prémio dst para a melhor obra de poesia - entregue na feira do livro de braga de este ano).
.
numa sala em que se exibe a exposição rotativa deste mês, pudemos (eu não porque não li a obra, mea culpa mas só soube muito tardiamente) discutir a qualidade (eu prefiro o estilo) da obra em causa. a opinião geral sobre o autor, um reconhecido poeta, é de que ele estará a voltar a um estilo muito classicista. nesta obra a vertente que predomina é essa e alguns menos apreciadores criticaram o facilitismo e o uso de alguns clichés.
.
sobre nuno júdice, tenho a dizer que li alguma (pouca) poesia. o blog que ele tem [de A a Z] - que segundo consta será editado em livro - mostra esse lado clássico. eu aprecio algumas passagens, pela simplicidade de descrição, ou antes a clareza. mas a minha forma de ler poesia exige variedade, seja de estilo, seja de autor.
.
a conversa foi agradável. espero voltar a este espaço e a estas conversas tão interessantes mais vezes. a moderação de eduardo jorge madureira é também de louvar pela pouca formalidade do debate, e pelo ambiente agradável que cria para a discussão.
.
admito que fiquei um pouco surpreendido com a confissão de eduardo madureira sobre a sua assiduidade de leitura do nosso blog. fico agradado. muito mais porque ele é um opinador que eu admiro e dos poucos que acompanho na imprensa regional. não sei se ele tem um blog, se o tem poderia dar-nos o prazer de o deixar por aqui referido.
.
sobre o valter, autor que já referi ser admirador, mostrou mais uma vez toda a sua simpatia. deixou uma dedicatória aos leitores do blog dos 5 pês, no mais recente livro que estou a ler dele. muito obrigado ao valter pela simpatia.
.

cá esperamos pelo novo romance (em fase de acabamento). e também por novas conversas à volta dos livros.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

palavras simples que me confortam

[738]

valter hugo mãe [casa de osso], ontem em entrevista ao JN, disse uma série de frases que confirmam a pessoa simples e concreta que ele é.
.
"[...] sou um deslumbrado por pessoas e não podia deixar de deslumbrar-me por quem parece andar palmos acima dos outros mortais. [...]"
.
" [...] gosto de ser desafiado, se houver no desafio um sonho honesto.[...]"
.
" [...] estou vivo. ainda não tive o grande fiasco da minha vida, acredite. há sempre a possibilidade de falhar melhor. até lá vou indo muito bem. [...]"
.
" [...] quando estou muito zangado, não tenho fé e digo coisas muito feias. [...] "
.
" [...] adorava acreditar que salvo alguém mais. gosto das pessoas. quero que elas sejam felizes, com fé ou sem fé. [...] "
.
não sei como ele faz. mas eu gostava de dizer assim umas coisas desconcertantes.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

a prosa - poesia ou o poder da escrita

[591]

o remorso de baltazar serapião, valter hugo mãe, quid novi - 174 pp. (*****)
.

e assim passou uma semana. deleitado sobre esta preciosa escrita roubada aos dedos mais escorreitos que li nos últimos tempos, debrucei-me com todo o cuidado para que nada me escapasse neste enredo que me chegou às mãos.
.
a bem da verdade, merece ser destacado de facto o papel importante que a FNAC desempenha na vida cultural da cidade bracarense. eu pelo menos assisto com regularidade aos eventos que por lá passam. uma das apresentações recentes, que presenciei, foi a de valter hugo mãe. esteve a apresentar o seu livro galardoado com o prémio saramago. a apresentação foi interessante e ágil, de modo que prendeu até ao fim todos os que lá se deslocaram.
.


.
a entrevista foi conduzida pelo paulo brandão, director do theatro circo, amigo do escritor, e a impressão que fica é a de uma tremenda humildade com que encara o público ou como se relaciona na hora de interagir com os leitores.
.



.

a história de baltasar serapião, vivendo em tempo e espaço que, na minha opinião, poderia ser bem enquadrado neste século, e não só na idade média, mostra-nos o lado mais obscuro da vida em tempos difíceis. talvez seja assim mesmo, tal e qual ela é. o casamento com instituição, a escolha dos casamentos pelos pais, os senhores donos das terras e do trabalho dos serventes, a loucura da educação das mulheres numa época de pouca liberdade, o amor encarado das mais fortes perspectivas, e os remorsos de quem luta uma vida por um ideal e ele sai furado. no final ninguém ganha. toda a gente perde.
.
aliás, no fim só ganha o leitor. a escrita leva-nos a apreciar este estilo prosaico, impregnado de poesia, recriando algumas formas de oralidade de há algum tempo perdidas. uma delicia pois então.
.
queria deixar duas citações, das menos obscuras. pelo menos estas duas eu senti terem saído de um estado de inspiração maior.
..
"[...] senti uma felicidade absoluta, uma felicidade infinita como se possível fosse que, ali no meio de nada e deitados para a solidão, estivéssemos no paraíso. senti uma felicidade assim, como se, ainda mais, fosse posível não querer ver os defeitos de uma mulher e amá-la e conservá-la para além do que deus queria. [...]" pp. 169
.
"[...] sabe, senhor paulo, as mães são como lugares de onde deus chega. lugares onde deus está e a partir dos quais pode chegar até nós. porque só através delas nos encontramos aqui. e, por isso, não há mãe alguma que não mereça o céu, porque, em verdade, as mães transportam o céu dentro delas, e multiplicam-no a custo, como um ofício [...] haverá de se ter debaixo desta pedra uma mulher como se fosse uma própria núvem do céu, uma coisa muito leve sob o peso da pedra. muito leve mas forte, capaz de resisitir aos ventos. capaz de fazer tempestades. [...]" pp.73
.

e termino dizendo que a literatura portuguesa tem muitos e bons nomes. eu prefiro a literatura portuguesa.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

[552]
.
terei mais a dizer de valter hugo mãe. depois de ler obviamente o seu livro premiado, "o remorso de baltazar serapião". por agora deixo-vos uma letra que ele escreveu para uma música. um rebuçado a quem adivinhar quem a canta.
.
se te perguntarem por nós, sobre
que coisa fazemos quando estamos
juntos, diz a verdade

que deslocamos os cometas sem
querer, as estrelas para desenhos e
a lua garantindo o amor

diz a verdade sobre a intervenção
na cósmica escolha dos casais,
a obrigação de nos obedecer

não fosse o universo desentender quem
somos e favorecer a separação ou,
pior, o não nos havermos conhecido
.
via [casa de osso], blog de valter hugo mãe