segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

fontes de inspiração [2]

[1489]

surge este encontro imediato para corrigir uma falha enorme deixada na minha análise da obra do passado sábado. assim, e se não leram podem fazê-lo no sítio do costume, depois de eu ter afirmado isto [sem pés nem cabeça para um cronista sério] " refira-se também que faltam nesta antologia pelo menos dois livros publicados pelo autor. "estou escondido na cor amarga do fim da tarde" (campo das letras) - obra esta que tenho e li; e ainda a mais antiga de todas cujo título e editora me escapam por completo. ", venho com este post repudiar a minha falha e emendar a mão com uma informação preciosa, cedida pela minha amiga, e grande poeta, ana salomé.
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a obra em falta é Silencioso Corpo de Fuga, editada em 1996, pela editora A Mar Arte, da cidade coimbra. suponho que dificilmente será agora possível conseguir esta obra pela editora porque não há registo de movimentações recentes da mesma. contudo, e num acto ainda mais majestoso da nossa amiga (que escreve umas delícias literárias), deixo-vos o prefácio da obra,
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"Inclino-me sobre esta folha branca. Espreito. Anseio ler aquilo que vou escrever."
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e ainda o poema que ela mais gostou,
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12.

Às vezes perco-me nos caminhos que
conheço. Adormeço nos ruídos do
mundo sonhando banalidades
enquanto sou feliz. Sempre que
falho e fecho os olhos, imagino
outra pessoa perto de mim aquecendo as
mãos no calor do meu corpo como nas labaredas
de uma pequena fogueira.

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espero ter sido útil. agradeço a informação prestada pela solícita e simpática ana.

4 comentários:

Indústria disse...

Gostei particularmente do prefácio. A luta do escritor com a folha em branco e a ansiedade de ler o resultado da própria escrita.

Se um dia escrever um livro vou lê-lo mil vezes. Há um certo narcisismo saudável dentro de quem escreve. A vontade de ler e reler aquilo que o próprio escreveu admirando a obra um milhão de vezes. O mais engraçado é que, por vezes, a cada leitura descobrimos coisas novas acerca de nós mesmos.

Teté disse...

Não considerei uma falha enorme, mas fizeste bem em acrescentar esta adenda.

Afinal de contas, como tu mesmo dizes, não és um cronista profissional, que esse sim, tem obrigação de se tentar informar... ;)

Beijocas!

ana salomé disse...

Ora bolas, Sérgio. Concordo ali com a Teté. Não foi falha enorme, claro que não. E também não podemos dizer que não te tentaste informar a tempo e horas, não é? :) E já li o teu texto, que está óptimo. Escreves muito bem e ainda és capaz de nos dar pérolas como «o eterno melómano da sonoridade poética». Não via uma coisa destas em crónicas, críticas, textos de opinião ou expressão de gosto há muito tempo. És humilde e de uma sensibilidade muito inteligente e intuitiva na forma como escreves. Vê-se logo na abertura do texto.

Beijinho da tua amiga, mas não grande poeta, Ana.

S. G. ex - Fernando Pessoa disse...

indústria,

eu tenho esse problema com a página em branco, mas quanto ao ler o que escrevo, só mesmo se o efeito for bom, há coisas que não têm sentido e não foram bem conseguidas...embora admita que há coisas que escrevi há muito que já nem parecem minhas :)

teté,

(não tenho tido muito tempo pra comentar o teu blog, nem outros,por isso obrigado pelo teu esforço :)

eu gosto de fazer bem o que faço, se não for com esse intuito mais vale ficarmos quietos :)

beijinho

ana,

minha querida e estimada poeta (sim poeta, a seu tempo falarei da tua obra com a dedicação necessária) eu não sou nada disso. gosto das leituras e acho que devo tentar mostrar alguns bons caminhos a quem quiser ler com qualidade.

beijinho e obrigado pelas tuas palavras.