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domingo, 14 de setembro de 2008

a insigne poesia dos limas [4]

[1211]

IV
.
hoje acordei com a casa cheia
de crianças. que me chegava
ao teu corpo e o teu ventre
era de novo dilatado de esperança.
acordei.
hoje acordei ao pé de nós, de novo
com o barulho dos teus sonhos,
como se crianças habitassem
a nossa cama.
acordei.
hoje acordei e voltei a pensar no
teu amor desperdiçado nesta casa
vazia de nós.
por fim acordamos de novo alegres e sós.
.
.
(a insigne residência dos limas [1], [2], [3], [4])
(a insigne poesia dos limas
[1], [2], [3])

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

a insigne poesia dos limas [3]

[1208]

III

a infinita amargura desprende-se no vento
arrastada pela folha da oliveira. o corpo
suspenso, amarrado ao passado, extirpando
o medo e a vergonha de falhar o presente.

a infinita amargura, despida na aragem
pesando como um fim cumprido ao relento,
sustenta a promessa da vida decepada, na
vinha,
sem as folhagens de setembro

a infinita amargura, de quem enlouquece,
é um tronco
de um homem como fruto nascido
de um tronco
da oliveira em pomo no fim do outono.
.
.
(a insigne residência dos limas [1], [2], [3])
(a insigne poesia dos limas
[1], [2])

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

a insigne poesia dos limas [2]

[1206]

beija-lhe na testa a poesia
que se acumulou pelos anos,
aquela que se verga nos riscos marcados
na pele suave.
beija-lhe a testa.
.
beija-lhe o cheiro do cabelo
que se entranhou na memória,
o cheiro que de olhos fechados semeia passados
na pele, no cabelo
beija-lhe a testa.
.
beija-lhe o implícito contrato
que se assinou com olhos postos no horizonte,
num destino bordado a ponto cruz
em tela, no cabelo, na pele.
beija-lhe a testa.
.
.
.
(a insigne residência dos limas [1], [2])
(a insigne poesia dos limas [1])

quinta-feira, 31 de julho de 2008

a insigne poesia dos limas

[1159]

uma casa ancorada num sopé
enraízada no rio,
tombada nas eras,
amíude cortada por ventos,
assustada pela tempestade.
.
é uma casa secular,
consentida pelas mãos do tempo,
moldada pelos olhos,
suja pela poeira,
sentida nos lábios dos dois.

é a casa deles. não só deles.
agora nossa também.