quinta-feira, 15 de novembro de 2007

cinenimação

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de facto fiquei surpreendido e realmente é algo que nunca tinha visto. este filme, já destrinçado pelo nosso Onun, é de facto um marco na comédia. há a ideia de criar uma comédia sem as piadas sexuais corriqueiras, e depois o soft-core é realmente hilariante.
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em "um azar do caraças" - "knocked up" na versão original - há uma mistura de "notting hill" com "american pie", que lhe dá um toque diferente do usual argumento de comédia. sem dúvida que vale a pena ir ver esta inauguração de um novo estilo.
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até a música final (propensa a apelar à lágrima) está muito bem escolhida. louden wainwright - 3. Daughter.

5 comentários:

O Poeta Morto disse...

Não acho que seja um novo estilo, mas sim algo que já à algum tempo não se via. Desde o Notting Hill talvez. Considero uma verdadeira comédia-romantica, muito boa por sinal...

Já dizia o outro: "Só tenho um "ajdectivo"... gostei!"

P.s. nunca soube quem é o outro.

P.s.2 a música é realmente algo de delicioso. e vale a pena ouvir outros sucessos do mesmo artista.

Fernando Pessoa disse...

só tenho pena que tenham posto lá uma parte do espectáculo que já nos saiu bem caro.

o cirque do soleil...é só nosso.

p.s. o outro era o outro caraças, tu não te lembras dele?

p.s. 2 eu até vendo o meu bilhete por 100 euros para o melhor circo do mundo...

Fernando Pessoa disse...

AH!

insisto que acho que o filme não é só Notting Hill, é a mistura de que falei.

Obrigado.

Onun Ras Al Gull disse...

Com o devido respeito pelas opiniões já manifestadas (até porque a diversidade é sempre sinónimo de um estado superior de liberdade)o filme em causa distancia-se, por um lado, da típica comédia americana para adolescentes (do género American Pie)na medida em que evita o a exploração da piada/situação sexual, explícita e gratuita (embora tenha momentos de puro nonsense hiperbolizado, esses momentos servem sempre como propósito de reforço de ideias e nunca o contrário) além disso, as personagens estão longe de se encaixarem na fórmula estérotípica dos filmes do género (o machão, o marrão, o cínico, a promiscua, a intelectual, o arruaceiro...)pela sua ambiguidade e tridimensionalidade psicológica (é surpreendente a forma como o típico porteiro de discoteca, por natureza insensivel, se torna capaz de realizar eficazmente uma "consulta de psicanálise" a duas mulheres á beira de um ataque de nervos.
Ao mesmo tempo "Um azar do caraças" leva a bom porto uma nova tradição de comédia cujos pontos fortes residem, na escrita inteligente e irónica (repleta de metáforas, analogias e outras figuras de estilo) assim como numa forma de representação naturalista/realistas, sem exageros/discrepâncias visuais ou estílisticas (o cuidado com o realismo começa nos figurinos, convincentes e adequados e acaba na linguagem utilizada pelas personagens, poética, vulgar, elogiosa, insultuosa, retórica, absurda, em suma, plural e genuina)
Por outro lado, resumirmos o filme a uma mera comédia romântica (cujas regras encontram-se previamente e repetitivamente pré-definidas) parece-me minimalista e redutor, pois o filme não é, nem previsivel, nem convencional, nem tão pouco concentrado na narrativa amorosa, mas sim, na disparidade das nossas escolhas, no complicado processo de passagem á vida-adulta e finalmente, no despertar de um sono egoista existencial para o anuimento de uma vida mais completa (com amigos, devaneios hedonistas) mas também e acima de tudo com a participação/dedicação aqueles de quem gostamos e que também gostam de nõs. Em suma, "It's life itself!"

P.S. Peço desculpa pela extensão do comentário, mas quando se gosta de algo...

Fernando Pessoa disse...

Caro amigo Onun,

Só nos dás trabalho para te responder (isto aqui não é a madeira - muito menos a guiné - onde há tempo para tudo).

eu disse claramente que estavamos perante um novo estilo. e disse também, no meu post, que o filme não era um american pie sendo que até fugia das piadas corriqueiras, ou "evita o a exploração da piada/situação sexual, explícita e gratuita" nas tua spalavras. até aqui estamos de acordo.

Tem o seu toque de comédia romântica, mas nada que se pareça com o formalismo desses filmes.

Aliás é um dos pontos que o filme me proporciona, a dificuldade em o definir. E isso foi uma agradabilíssima surpresa.

Agora o despertar para a vida comunitária (amigos) e a passagem da fase destruidora de casamentos (vulgo rédea curta) é mostrada numa forma que nunca vi.

E a vida pode ser assim divertimento. sem exageros nem desesperos.

Abraço

p.s.(eu da minha parte não posso escrever com mais pormenor porque disfrutei do filme ao máximo, e não deixei a minha veia de crítio suplantar a minha necessidade daquelas gargalhadas a bandeiras despregadas)

p.s. já agora, não vão acreditar mas esteve um gajo com uma puta brasileira a dormir no fundo da sala e a RESSONAR! é um episódio que parecia tirado do FILME!