sexta-feira, 2 de maio de 2008

o máximo denominador comum

[949]

" a influencia que deixamos os outros terem sobre nós é absoluta. não há nada que nos atraia mais que a necsessidade de outras pessoas. "
philip roth
a pastoral americana
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reflectir um pouco sobre a solidão, depois de perceber que essa continua a ser uma incómoda e inexplicável chaga da mente humana, é uma necessidade. não tanto pela perspectiva de quem está só, mas pela perspectiva de quem a procura forçando um espaço envolvente pouco natural.
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(estive a ver os dead combo na fnac. foi uma surpresa agradável. um som magnífico, intenso, cativante e uma ocupação do palco com uma espécie de criação teatral)
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veio-me esta ideia depois de estar no meu sossegado lar (sozinho) a ver o filme into the wild. não há ali nenhuma busca que não a da solidão forçada. contra-natura, a luta pelo individuo limpo de influência externa. recuso-me a fazer juízo de valor sobre essa forma de estar na vida. há uma força e coragem exigentes para ser assim, contudo há um limite que nem mesmo a estupidez deve ultrapassar. morrer seja por que causa for, nunca.
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(ontem com o caramel vi um filme cuidadoso, duro também ele devido à visão da relação humana como um momento de solidão em companhia de alguém. a vida das mulheres, o amor como machado dilacerante e castrador da vontade própria. votando a vontade de cada uma para o espaço só)
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e a bem do que sinto ser a solidão, não poderia deixar de dizer que só esse momento nos podes iluminar sobre o que devemos seguir. embora defenda sempre o meio-termo, onde se deve ponderar as palavras dos que nos estão próximos, mesmo que essa ingerência seja às vezes pouco aceite, ou pouco produtiva, devemos olhar-nos de todas essas visões. avaliar o que temos. ponderar o que somos, depois das mudanças. e só então decidir o que precisamos.
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"hapiness is only true when shared..." - into the wild

3 comentários:

S. disse...

é que há situações em que a necessidade é a procura da solidão...a felicidade partilha-se mas a tristeza esgota-se a sós.

Mestre Chou Riçá disse...

A história desse jovem diz-me muito. n vi o filme, li o livro. a morte não foi provocada, foi um acidente. toda a viagem é ela mesma uma viagem pessoal, de descoberta, de encontro. a solidão é adjacente, não o motivo. de qualquer forma,a verdade ficou no alasca com o senhor e só nos resta especular...

Fernando Pessoa disse...

não é bem assim. a verdade existe até ao momento em que ele parte, depois pode-se especular um pouco. mas a realidade é que ele era um jovem ratraído na universidade, muito solitário, excelente aluno e com tendência paa o ascetismo como se refere no livro. despojou-se de tudo o que tinha, inclucsive o dinheiro, para procurar a solidão porque era evidente a sua desilusão com o mundo, e principalmente com as pessoas que nele viviam uma vida dita normal.

mas são opiniões. o que eu acho é que mais situação menos situação, ele acabaria por precisar de ajuda e não a teria pela irresponsabilidade de se isolar tanto.

abraço.