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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

a casa da mariquinhas

[1378]

o que mais custa aceitar com o avançar da idade é a perda da qualidade da beleza. é sintomático que a dada altura, principalmente nas mulheres, o adiantar da vida se revele por algo diametralmente oposto ao que se define como parâmetro de beleza. e os espelhos são os maiores culpados. a imagem de alguém que se deprime a olhar para o espelho diariamente, num exercício incompreensível de recuperar os anos perdidos, é-me absolutamente misterioso. não vou escrever o lugar comum de que a moda se arvora como a medida certa, nem irei dizer que os estereótipos vincados pelas mais variadas formas de comunicação e imagem são obstáculos que impedem uma saudável convivência pós-moderna. prefiro procurar entender a perspectiva de quem se deixa diluir pela necessidade consumista, procurando nesse exercício um estímulo emocional.
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(não vou imiscuir-me em assuntos profundos da filosofia pós-moderna, até porque continuo sem ter tido tempo para ler a felicidade paradoxal - ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo de lipovetsky. sendo assim passo ao que me levou a escrever hoje)
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a imagem que guardei deste filme é um pouco essa, a de que o declínio começa na imagem, no poder que ela dá (e tira) a algumas pessoas, na vida de felicidade aparente (paradoxal para lipovetsky). a viciação na imagem, a procura de incentivos visuais, a crença numa sempiterna juventude - qual elixir da juventude - torna-se no óbice maior da felicidade aproximada a que poderemos aspirar.
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o filme que assisti ontem em ante-estreia em braga, mostra essa queda para o fatalismo dos que ascendem a estados de pomposidade especial, e dentro desse mundo de sucessivas expectativas, se deixam cair em desgraça psicológica em determina altura de decadência. o filme amália (com um argumento bem amanhado - co-escrito por este blogger e escritor) é uma boa surpresa que recomendo. não posso deixar de estabelecer certos paralelismo na montagem do enredo com o filme acima citado. há um passado a que não podes fugir (uma infância marcante) e um futuro que pode estar à distância de um desejo. amália foi (é) um ícone para todos, e não será desvendando um passado de incertezas e erros amorosos que ficaríamos com outra imagem. e ela sofreu com o desmascarar do corpo pelo tempo. recomendo vivamente, porque está bem escrito, bem dirigido, com uma ou outra excelente interpretação, e porque é português. não é todos os dias que temos oportunidade de ver um filme nacional com tanta qualidade. a partir de 5ª feira nos cinemas.
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barco negro
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De manhã temendo que me achasses feia (de manhã que medo),
Acordei tremendo deitada na areia (acordei tremendo),
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o Sol penetrou no meu coração [...]
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estranha forma de vida
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Eu não te acompanho mais:
pára, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais
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