domingo, 11 de novembro de 2007

Faleceu Norman Mailer



Ontem (dia 11 de Novembro de 2007) o mundo da literatura ficou mais pobre, pois faleceu Norman Mailer. Um escritor norte-americano com um corpo de trabalho simultaneamente, audacioso, provocante, fascinante, eclético e deliciosamente subversivo. Facto que o levou a escrever com denodada mestria, desde romances, ensaios, biografias até episódios de seriados como "Starsky & Hutch"!?


Da sua vida como escritor, destaca-se a forma apaixonada como abraçou as vicissitudes e a terrível efemeridade da glória na sua profissão, tornou-se lendário o seu antagonismo visceral para com Truman Capote (outro monstro sagrado do jornalismo-ficção que também ajudou a criar, de que é exemplo o seminal A Sangue Frio) na procura da originalidade e da obra perfeita, que gravasse perenemente, e com letras douradas, o seu nome num panteão imaginário reservado apenas, para os génios mais excelsos da prosa. Se alguma vez o conseguiu, poderá ter sido pela sua obra mais reverenciada pela crítica, The naked and the dead (no original, em inglês).


Dos vários troféus que arrecadou, destaca-se o prestigiante Prémio Pulitzer (que ganhou duas vezes, em 1969 e em 1980 respectivamente).


Com uma vida pessoal temperada por escolhas improváveis, de que é exemplo a sua paixão pela escrita depois de uma frustada carreira como potencial engenheiro de aeronáutica, ou ainda, os seus seis (sim, seis) casamentos! Morreu com oitenta e quatro anos, vitima de falência renal.


Contudo, na sua condição de judeu, não esqueceria o tema da Shoá (השואה) e assim, antes de morrer brindou-nos com um último fôlego literário de tremenda inspiração e lúcidez, o corrosivo "Castle in The Forest" editado pela Random House em 2007 (comprei o meu exemplar no inglês original, porque na altura ainda não havia edição portuguesa, na loja Fnac).


O livro (Castle in the Forest) começa com o relato de um misterioso oficial das SS (que mais tarde revela ser muito mais que isso...) sobre a pútrida árvore genealógica de Adolf Hitler, pervertida por sucessivas gerações de incestuosa iniquidade. Baseando-se numa conjectura bastante aceitável, Norman Mailer, vai desvelando a ascensão do mal no seu estado mais puro, através do exemplo do "pequeno Adi" que paulatinamente irá sucombir a uma herança genética maldita asseverada pela doce voz do próprio Mefistófeles. A guerra entre o bem e o mal começa na primeira página, atrevam-se...(Vale a pena!)

1 comentário:

Fernando Pessoa disse...

da maneira que falaram da sua biografia e forma de estar, parece verosímil que gostes muito dele.

mas se o ler pode ser em português...não faço questão de o ler na versão original.

:)

Abraço