terça-feira, 20 de novembro de 2007

Frank Black, depois dos Pixies, a carreira a solo, os Pixies...


Gostaria de registar o regresso de Black Francis, o mítico e pantagruélico vocalista dos Pixies, à boa forma. No seu albúm de regresso "Bluefinger"Frank Black parece finalmente aceitar o pesado fardo de "rock-icon" enquanto fundador de uma das principais bandas de referência nos anos oitenta/noventa (testamento corroborado pela fé com que o já canonizado Kurt Cobain depositava no "evangelho" musical dos Pixies) pela sua inacreditável fusão de elementos alternativos na composição e execução musical (as letras dos pixies falam-nos estridentemente desde o surrealismo de Un Chien Andalou até à pedofilia sem esquecer os OVNIS, sim, OVNIS, com sotaque espanhol!!!)


Charles Thompson IV, vulgo Frank Black volta a pegar naquilo que de melhor fez nos Pixies, a acutilância visceral dos seus rugidos, sussurros, ginchos e até risos, munindo-se de melodias com refrões e ganchos melódicos, preenchidos por linhas de percursão rápidas e impetuosas, sem esquecer o contributo indispensável que a voz feminina, hipnótica e monocórdica da sua esposa (em substituição da "Gigantic" Kim Deal) empresta à completude estrutural das músicas, de um albúm, bem pensado, executado, cantado e estruturado!


Quando um músico toca com inspiração, uma simplicidade brutal parece emanar naturalmente das suas palavras/composição. Sem complexos, sem recalcamentos, parece que finalmente Frank Black diverte-se e diverte-nos a tocar.


P.S.- Especial atenção ás seguintes músicas:


"Captain Pasty"- Registo punk, rápido, inspirado e desafiante (daquelas músicas que apetecem partir vidros e espancar alguém)


"Lolita"- melodia quasi-beatlesco pelo refrão que repete, sem complexos, as regras elementares de um adocicado "please, please me" e com uma sempre bucólica harmónica em replay dylanesco. (imprescindivel para bater côros)


"You Can't Break a Heart and Have It"- Música de ritmo contagiante e cavalgante, com acordes enigmáticos em crescendo. Como um assassino a respirar-nos sobre o pescoço. (Daquelas musicas com valor terapêutico, que nos fazem gritar em unissono o refrão em frente ao espelho)

3 comentários:

Fernando Pessoa disse...

eu sou do tempo em que, quando passavam os pixies, e todos os rapazes diziam com orgulho,

"here comes the man"
(tipo saiam da frente que eu vou arrasar, ou abram alas a long jonh)

e as rapariguitas muitas delas imberbes seres por desmamar gritavam com aqueles pulmões virgens,

"Aonde, Aonde, Aonde, Aonde..."

Zé Baptista disse...

É incrível como depois de tantos anos, sempre que oiço essa música há alguémn num bar a fazer a parte do "aonde, aonde, aonde" ainda que esse pedaço de letra nunca tenha feito parte da música.

Onun Ras Al Gull disse...

Aliás, acho que faz parte do código deontológico do barman, pôr a tocar pelo menos uma vez por noite, todas as noites o famigerado "Here comes your man" nem que já cause náusea!

Impagáveis, são os primeiros versos da letra que falam dos trolhas que vão para a sereia da Gelfa, numa carrinha de caixa aberta, duvidam?

(ex:Outside theres a boxcar waitting...)