quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

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a cada dia que passa que leio um livro, ou quando chego ao fim dele, sinto que faltava sempre alguma palavra. de apreço a certas personagens, a certos gestos, a certas atitudes, a certos heroísmos. desta vez a palavra vai toda para o escritor.
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o livro de josé luís peixoto é um refresco da língua portuguesa. tem um arranjo e uma estruturação raras na literatura portuguesa e depois de lido dá a sensação que é um risco corrido e bem sucedido. ao arriscar escrever histórias entrecortadas umas nas outras, saltando espaços, tempos, e personagens de forma rápida e estonteante, provou que se podem escrever verdadeiros contos rápidos como quem anda numa jangada a descer o rio minho. desces e lá vais. já não podes parar. queres entrar na história e segues com alguns sobressaltos aqui e ali salpintados com retratos muitas vezes demasiado realistas, outras demasiado inverosímeis.

leiam e apreciem que vale a pena.

4 comentários:

tonsdeazul disse...

José Luís Peixoto está sempre a surpreender-me. Este livro, como todos os outros dele, é delicioso.
Gostei de toda a história, pois toda ela é preenchida de afectos. Li-a em três partes e de facto acho que ela se divide bem em três actos. A parte da maratona parece mesmo real, pois os pensamentos do personagem, do filho, vão mudando, ao ritmo da sua velocidade. O objectivo do autor foi alcançado, sem dúvida!
Não sei se sabes (fica como curiosidade), mas as primeiras páginas (se não estou em erro as 5 primeiras) são biográficas.
E já estou a escrever muito... :)

Fernando Pessoa disse...

nunca se escreve muito... :)

não sabia isso mas vou reler as 5 primeiras páginas para ver com mais atenção os pormenores. Tenho a impressão que o llicro acaba da mesma maneira que começa...

(a morte de alguém ao mesmo tempo que nasce uma criança)

reler é o melhor...

e o livro foi muito bom, embora difícil de acompanhar em algumas partes devido às afinidades e aos discursos em narradores diferentes...

Teté disse...

Obrigada, aceito sempre sugestões para ler novos livros. Não serão lidos ao ritmo desejado, mas com o tempo vai-se conseguindo!

Fernando Pessoa disse...

Eu não gosto de reler. Acho que há muitos livros no mundo para podermos perder tempo com isso, a não ser que eles sejam muito bons.

Prefiro ir fazendo uma lista e andando e ouvindo as opiniões dos que lerem certos livros e apontando os que mais impressionam.

vou reler as partes que referiste.

:)