quinta-feira, 20 de março de 2008

peito [9]

[825]

caio a teus pés, como um resumo de mim
caio sem amparo ao desfecho,
.
confessaria o pecado, se pecado fosse amar
mas amar não é pecado.
amar é ter uma pátria
amar é ter um nome
amar é ter uma identidade
é o estado pagador e cobrador.
.
caio a teus pés, resumo de um sonho
caio a teus pés, reverto o assombro.
.
fechas o teu peito, recortado,
cozinho em linhas que julgas perfeitas.
deixas entrar todo o mar no teu peito
e esqueces que o coração se fez ilha,
isolada e banhada a sal.
deixa antes ser um barco livre
seguir as correntes e as marés
de vaza, em lágrimas de azul-celeste.
.
caio a teus pés, resumo de lágrima
caio a teus pés, crepúsculo das horas,
.
e só a noite pode descer suavemente com as palavras certas.

2 comentários:

S. disse...

não me passou este poema despercebido.

a ele voltei hoje por ser hoje que preciso que a noite traga as palavras certas.certeiro.

Fernando Pessoa disse...

ainda bem que existem os poemas. eles existem para nos suprimir a falta de algo, na altura que bem entendemos. por isso esses livros devem estar sempre à mão.

obrigado por essas palavras.
(mas o ciclo do "peito" terminou no 10)
(virão outros ciclos concerteza :)