sábado, 24 de maio de 2008

I've got a bad feeling about this.


Passaram-se quase vinte anos, desde que Steven Spielberg tinha-nos oferecido aquele que supostamente seria o último tomo das aventuras do arqueólogo mais conhecido (e cool) do planeta, "Indiana Jones e a Última Cruzada". Assim, após eternos avanços e recuos, boatos e rumores (tornou-se lendária a pleiade de guiões e guionistas, rejeitados pelo instinto paternalista do criador da saga, George Lucas) surge-nos finalmente em 2008 um novo filme "Indiana Jones".


A questão que se coloca imediatamente é a da justificação (artística? comercial?) no acréscimo de mais um épisódio (Spielberg e Lucas pensam nos filmes de Indiana Jones como seriais e não como filmes separados) a uma saga impar, que nos soube cativar pela sua magia e inocência criativa na década de oitenta.


Bem, a resposta é positiva.




Apesar de alguma desconfiança inicial (os 66 anos de Harrison Ford!!! a intromissão de um novo membro no clã Jones ou o potencial anacronismo do filme) a mestria de um realizador como Spielberg associado ao carácter visionário de George Lucas desde logo garantiam algum crédito.


No cômputo geral o filme não desilude, estando ao nível dos seus pares. sendo este o melhor elogio que se pode fazer a um filme pertencente a uma saga que ainda hoje preenche o imaginário colectivo de muitas gerações.


Como aspectos posítivos, destaca-se a estética visual do filme, que dá seguimento ao estilo dos filmes anteriores, reduzindo ao minimo os efeitos CGI (os já omnipresentes e hipersaturantes efeitos visuais computadorizados) substituindo-os pelas técnicas/acrobacias mais físicas e concomitantemente mais credíveis. Steven Spielberg meteu-se numa máquina do tempo e filmou o quarto Indy como se estivesse em plena década de oitenta. E isso acrescenta misticismo, magia e autenticidade a um filme que quer reatar úma experiência que data da década de oitenta.


Outro aspecto posítivo é o humor patente na eterna tensão entre gerações diferentes, passando neste filme, Indiana Jones a assumir o papel paternalista, que coubera anteriormente a Sean Connery (lamentavelmente ausente, por opção própria, deste filme) e a Shia Le Beouf o de filho irreverente e revoltado para com a autoridade. O resultado dessa relação, acreditem, é honestamente hilariante!


Por último, a chave do sucesso de toda esta empresa, a prestação superlativa de Harrison Ford, talvez o único actor da sua geração capaz de transmitir virilidade física, magnetismo carismático, humor e inteligência num simples levantar do sobrolho, ou no esguar de um sorriso. O seu talento continua intacto, tal como a sua presença física, condição essencial num filme de aventuras. O resto é puro entretenimento.


Como aspectos negatívos, destaca-se a sensação de repetição em certos temas (talvez inevitável) tais como a busca do artefacto, os vilões sempre ultra-caricaturados, o maniqueismo ontológico das personagens (é quase risivel a forma como, mais uma vez, os russos são retratados como clones comunistas, repetitivos, acéfalos, musculados e com mau sotaque inglês) e ainda a ausência de John Rhys-Davies (o anafado companheiro de aventuras de Indy nos outros filmes).


Como últimos destaques, o facto de Spielberg continuar fascinado com extraterrestres, depois de todos estes anos é obra! A possibilidade da saga prosseguir (estará na forja uma nova trilogia?) e por último, as deliciosas piscadelas de olho de Harrison Ford aos outros filmes e até personagens que encarnou, como é exemplo uma "tirada espirituosa" em que Indiana Jones revisita a personagem de Han Solo (o fanfarrão caçador de prémios da Guerra das Estrelas) e exclama nostalgicamente :


- "I've got a bad feeling about this!".


Neste caso, os receios de Indy são infundados porque o filme é bom, muito bom!

1 comentário:

tonsdeazul disse...

Espero ver este filme ainda esta semana! Estou mesmo em pulgas para o ver e tenho a certeza que este também não me vai desiludir!