quinta-feira, 29 de maio de 2008

a minha boca (até quando) ao separar-se da tua *

[1007]

hei-de voltar a ver o estado em que me compus de notas soltas
uma partitura vazia à espera dos dedos certeiros de compositor
que faça a escrita perfeita para o cancioneiro geral do amor,
ou das formas de amar. já não há quem se penitencie nas falhas
mas eu insisto em me contrariar na permanente inevitabilidade
a que assisto. não tenho tempo para desfazer um novelo amarrado
aos meus dedos, feito de nós do passado. resigno.
.
(já não há paciência para aturar a impertinência do tempo)
.
* oiçam aqui o camané

3 comentários:

S. disse...

sempre a música e esses dedos que tropeçam nas notas a cada passo...

Anónimo disse...

Carrego-te comigo para onde quer que vá e um rio não consegue levar de mim o que tenho de ti! Não consegue afastar de mim a energia da tua presença, o calor dos teus lábios, a intensidade da tua respiração, o teu ar meigo ao dormir…. E no entanto, foi um rio que te levou..!

Ps: fantástica a musica de Camane

Fernando Pessoa disse...

cara anónima,

da maneira que fala, mesmo sem eu desvendar qual o sentimento que a terá levado a escrever essas palavras, e mesmo sem perceber que rio é esse que separa as margens, devo admitir que a composição poética tem musicalidade suficiente para figurar num album do camané.

se esse rio não permite, permito eu e tanta proximidade só pode significar que tem o meu número de telefone. eu continuo aqui.

e a música do camané é de facto muito saborosa e intensa.