quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

w. b. yeats

[1522]

desde o filme galardoado com mais óscares no ano passado, cujo título do filme (e do livro de cormac mccarthy) foi retirado de um poema do escritor irlandês, que estou curioso com a sua poesia.
.
[para quem não conhece o poema, ele chama-se "sailing to byzantium" e começa com a lapidar frase "That is no country for old men." ]
.
acontece-me voltar a este tema, porque o livro que estou a ler tem um título que foi - mais uma vez - inspirado num poema do mesmo escritor. o título o animal moribundo, de phiplip roth (autor que começo a venerar), foi inspirado no seguinte poema,
.
death
.
Nor dread nor hope attend
A dying animal;
(título original)
A man awaits his end
Dreading and hoping all; [...]
.
se me fosse possível escrever um romance tão próximo quanto possível da qualidade de roth, ou no mínimo com a profundidade acutilante da sua simplicidade narrativa, optaria por este, "The Four Ages of Man",
.
Com seu corpo travou um duelo;
Mas o corpo venceu; anda erecto.

Então lutou com seu coração;
Paz e inocência pronto se vão.

Em seguida lutou com sua mente;
O altivo coração pôs-se ausente.

Agora a guerra com Deus começa:
Meia-noite em ponto, que Deus o vença.
.
na falta de arte e engenho, contento-me em pensar no que poderia ter sido um bom livro, a começar por um bom título. algo que no fim da minha vida me deixe um travo amargo que ficará próximo de um "tudo o que não escrevi" de eduardo prado coelho, ou análogo a "os livros que não escrevi" de george steiner . algo que se assemelhe ao velho ditado popular, de vitória em vitória, até à derrota final.
.

2 comentários:

S. disse...

Também tenho O Animal Moribundo na lista dos "next" :)

escreve esse livro, por favor...

S. G. ex - Fernando Pessoa disse...

:)

não se escreve sem propósito, ou tema convincente, ou inspiração, ou talento, ou capacidade, ou certeza, ou garantia de qualidade, ou sem nos sentirmos escritores. eu não ainda não sou.

beijinho