No outro dia, à conversa com um professor de Português perguntei em jeito de provocação:
-Então e o novo acordo ortográfico?
Notei imediatamente um certo desconforto tácito face à questão. Por isso decidi amenizar a situação recorrendo á velha chalaça:
-Bom! Até existem algumas vantagens em escrever "fato" em vez de "facto" nomeadamente, o FACTO de assim os "pobres" dos autores brasileiros poderem vender mais alguns milhares de livros do Paulo Coelho no mercado português, sem necessitarem de ser devidamente traduzidos ou adaptados á nobre língua de Camões.
Depois da tentativa de blague, o meu colega de Português sussurrou sardonicamente:
-Sabes que mais, eu não vou obedecer ao acordo. Até porque uma língua deve evoluir naturalmente e não por decreto de lei.
Naturalmente aliviado, complementei a mesma ideia heroicamente:
-Olha, eu também não. Eu, também não!



