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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

peito [5]

[667]

e de todas as luzes que na noite desceram
duas delas dilaceraram o meu peito,
.
uma reflectida nos teus olhos
outra transportada na tua boca.

peito [4]

[666]

encheram-me o peito de brisa fresca,
e não sei por onde circulou o ar.
abriram gavetas, sacudiram o pó, e
neste meu armário já não há cheiro a naftalina.
.
só primaveril esperança de cheiro fresco.

peito [3]

[665]

pousei os pés na água. límpida.
.
o frio que me encolhe os dedos
o gelo que enrijece a pele
a mágoa que adormece a circulação
e o peito a rebentar.
.
pousei os pés na água. límpida.
.
remexo o fundo coberto de algas
arrasto as pedras milenares
arranco ao espaço uma erva seca
e o peito em histeria.
.
pousei os meus pés na água, límpida,
e o meu peito a rebentar de histeria.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

peito [2]

[662]

deixa-me ouvir o teu ombro, deslocado
agachado pela minha cabeça em descanso.
deixa-me segredar o que precisas ouvir,
encostar a alegria sussurante do meu peito,
no calor do sorriso promessa.
.
dá-me a tua mão, agarra-a em força,
desenha arco-íris, arcos do triunfo
remete o silêncio para um pincel que rasgue
em bom termo, o espaço em branco.
.
sorri em voz baixa de novo, porque podes ser tu.