sexta-feira, 29 de junho de 2007

O Homem e o pão

Certo dia, cansado da mesma receita, o padeiro mais velho da aldeia isolada de Mermes, decidiu recorrer a um sonho que havia tido fazia anos. Uma velha descia sorrateiramente sobre o seu rosto, e cara a cara com ele, disparava muitas palavras desconexas que ele foi guardando. Ao longo dos anos apercebeu-se da mensagem que ela lhe transmitia. Faz o teu pão, faz o teu pão e dá-o aos ímpios. Livrarás todos os teus conterrâneos de uma tragédia.
O povo era pacato e não muito numeroso, mas apesar de conhecer toda a aldeia nunca havia comentado com ninguém estes sonhos. Certo dia acordou com o céu carregado e a sua premonição dizia-lhe que ocorreria uma tragédia em pouco tempo.
Correu então para o seu posto e coseu um enorme pão onde pôs todo o seu saber e apenas mais um ingrediente. Pegou num pedaço, fechou a porta do forno e saiu. Ao provar sentiu a uma sensação de leveza e morreu. Dever cumprido.

No dia seguinte em seu funeral toda a aldeia estava presente. E ao cair uma chuva miudinha todos provavam o último pão feito pelo padeiro. Enquanto comiam já murmuravam a tragédia que se abatia sobre a aldeia. O pão era azedo.

A tragédia, essa, foi não mais haver ninguém que soubesse fazer pão.
A moral, essa, foi a força do padeiro em decidir para sempre fechar a porta do forno.


Até amanhã camaradas...
(às vezes sou comuna...)

1 comentário:

Zé Baptista disse...

Eu queria era ouvir outra vez aquela história do rapaz que foi comprar 99 pães.