terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Tudo isto é vida

Hoje de manha enquanto tomava o pequeno-almoço na pastelaria observava um homem de idade a folhear o jornal, que se encontrava à minha frente. Não sei porque tinha cravado meus olhos nele naquele momento, mas não o larguei um minuto.
Ele passava pelas notícias de um modo ligeiro, dava um pouco mais de atenção a esta ou aquela notícia, mas nunca se demorava muito.

Quando chegou a secção de necrologia dedicou-lhe todo o tempo que tinha. Olhava para as fotografias de quem já havia partido, como um recém-formado olha para um livro de fim de curso. Parecia relembrar velhos e bons momentos com os seus amigos e esboçava um sorriso na sua cara já mal tratada pelo tempo.
Foi uma imagem reconfortante, vê-lo ali a encarar a morte dos seus amigos e conhecidos com naturalidade, muito tranquilo e seguro de si. Fez-me perder o medo de envelhecer.
Foi então que ele olhou para mim e disse “tudo isto é vida”.

Adorava ter ficado ali mais tempo com o meu avô.

4 comentários:

Fernando Pessoa disse...

Pois meu amigo, para lá caminhamos.Às vezes tenho medo de chegar a esse lugar da nossa vida, antes do tempo. Ter medo do que virá, antes da morte se começar a manifestar.

A luta mais intensa que vou travar na minha vida vai ser aprender a esperar a morte em sossego.

Andy disse...

O tempo será o melhor professor para tal ... na altura o pensamento estará sempre nos bons e velhos momentos ... mas até lá ainda faltam muitos bons momentos ...

O Poeta Morto disse...

e para isso, amanhã há mais uma ocasiao para daqui a 40 anos no lembrarmos.

Ainda vamos ficar para mito urbano: "havia uns individuos antigamente, a quem lhes chamavam camurcinas, que iam para o B.A. beber água" - Amigo de um neto de um qualquer de nós daqui a 40/50 anos

Acreditem amigos, ainda vamos ficar para a História.

Companhia das Camurcinas disse...

concordo e entendo o que dizem sobre os bons e velhos momentos. Amigos, vamos viver para um dia recordar ...
"viver não custa, custa é saber viver"!!