Hoje de manha enquanto tomava o pequeno-almoço na pastelaria observava um homem de idade a folhear o jornal, que se encontrava à minha frente. Não sei porque tinha cravado meus olhos nele naquele momento, mas não o larguei um minuto.
Ele passava pelas notícias de um modo ligeiro, dava um pouco mais de atenção a esta ou aquela notícia, mas nunca se demorava muito.
Quando chegou a secção de necrologia dedicou-lhe todo o tempo que tinha. Olhava para as fotografias de quem já havia partido, como um recém-formado olha para um livro de fim de curso. Parecia relembrar velhos e bons momentos com os seus amigos e esboçava um sorriso na sua cara já mal tratada pelo tempo.
Foi uma imagem reconfortante, vê-lo ali a encarar a morte dos seus amigos e conhecidos com naturalidade, muito tranquilo e seguro de si. Fez-me perder o medo de envelhecer.
Foi então que ele olhou para mim e disse “tudo isto é vida”.
Adorava ter ficado ali mais tempo com o meu avô.
…
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terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Tudo isto é vida
Publicada por Miguel Peixoto à(s) 11:00 4 amigos do bagaço
Etiquetas: Delírios Saudáveis, tributos
terça-feira, 2 de outubro de 2007
ode prosaica em português suave
[258]
quando subias pela escada, de pequenez insegura, tinhas no olhar o triste consolo da tua desventura. sorriso espelho de um desconcerto inebriante. seguravas às vezes, no desconsolo dos dias, o incerto deambular das nuvens imensas que seguravas nas mãos brancas. titubeantes as horas de cariz solarengo, que embebia os minutos em doces desenlaces, eras os ponteiros da hora certa.
(és um tributo a ti própria, dado em nascença ao destino que te propuseram.)
se o aceitas sorridente, então foge das linhas traçadas do desvio enegrecido. foge da mordaz crueldade dos dias que querem impor. foge sem olhar a meios para que te levem em boa proa, a um outro porto. sem abrigo. mostra a cara à chuva. deixa que te nasça a alegria em entrançados cabelos de vento. deixa que cresçam duendes e pirilampos em lugares habitados e inóspitos. deixa que se soltem torrentes de saudade. e ri. ri todos os dias. todos os dias que voltares.
(todos os dias.)
quando subias pela escada, de pequenez insegura, tinhas no olhar o triste consolo da tua desventura. sorriso espelho de um desconcerto inebriante. seguravas às vezes, no desconsolo dos dias, o incerto deambular das nuvens imensas que seguravas nas mãos brancas. titubeantes as horas de cariz solarengo, que embebia os minutos em doces desenlaces, eras os ponteiros da hora certa.
(és um tributo a ti própria, dado em nascença ao destino que te propuseram.)
se o aceitas sorridente, então foge das linhas traçadas do desvio enegrecido. foge da mordaz crueldade dos dias que querem impor. foge sem olhar a meios para que te levem em boa proa, a um outro porto. sem abrigo. mostra a cara à chuva. deixa que te nasça a alegria em entrançados cabelos de vento. deixa que cresçam duendes e pirilampos em lugares habitados e inóspitos. deixa que se soltem torrentes de saudade. e ri. ri todos os dias. todos os dias que voltares.
(todos os dias.)
sg
Publicada por S. G. à(s) 16:06 0 amigos do bagaço
Etiquetas: tributos
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