sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

o amor é ...

[615]

o amor é uma palavra dedicada mesmo sem sentido,
o amor é assim por dizer um aconchego ao ego que todos prometemos ter.
todos queremos ter.
todos merecemos ter.

o amor é um emaranhado de cabelos na cara, cheirosos, e mesmo incomodativos
e tu não os desvias com medo de perder na memória o momento.
o momento que queremos ter.
o momento que merecemos ter.

o amor é uma vitória moral, diária, de pulmões cheios
de vontade emancipada à destruição pelo marasmo.
vitória que queremos ter.
vitória que merecemos ter.

o amor é um sorriso branco e resplandecente com cheiro a maresia,
espuma de areia envolvida com suaves toques humedecidos de saliva.
sorriso que queremos ter.
sorriso que merecemos ter.

o amor é o descanso deitado em sossego, acordado em lençol branco,
de certeza construído em cada manhã.
sossego que queremos ter.
sossego que merecemos ter.

o amor é o toque de pele suave, mãos dadas ao frio e ao vento,
de segredos impressos no deslizar do contacto.
pele suave que queremos ter.
pele suave que merecemos ter.

o amor não é senão uma astuta certeza de hoje. um sofrer baixinho
pela incerteza de amanhã.
o amor não é senão o que os olhos nos contam, água e sal correndo,
pela cara destroçada por vezes.

e se o amor não for isto que em palavras ponho,
seja então o que o coração manda.

10 comentários:

Teté disse...

O amor é... o que o coração manda! (certamente!)

O amor é... era, quer dizer, uma rubricazinha que saía diariamente na 1ª página do jornal a Capital, lá para os anos 70/80, com vários pensamentos diversos...

Este poema lembrou-me esses apontamentos de sentimentos, quando a malta ainda andava ao rubro com... politiquices!

E claro, GOSTEI!

Bom fim de semana!

butterfly disse...

depois deste post a lady vai pedir para me substituir na redacção do nosso blog, estou certa! :)

Fernando Pessoa disse...

o amor é..

é também agora uma rubrica de júlio machado vaz, o mestre do amor, na rádio.

jornal a capital?

e esses tempos em que se discutia a sério a política e que já nem me lembro, seriam o meu espaço...

Fernando Pessoa disse...

escrever é um prazer...

sobre coisas que não fazem sentido, ainda mais...

Anónimo disse...

a tua poesia é uma porcaria.

Marta disse...

Gostaria de saber quais são os referentes poético-literários deste sr./srª anónimo/a para tão contundente afirmação.

RSM disse...

e o teu anonimato é uma cobardia.

Joana Fernandes disse...

caro fernando pessoa,

não gostaria de participar no concurso lançado no fontes do ídolo? :)


cumprimentos,
joana fernandes

Fernando Pessoa disse...

Com muito gosto participo nesse vosso concurso.

envio o texto para o vosso mail? ponho em algum lado especial do vosso blog?

obrigado pelo convite.

Joana Fernandes disse...

obrigada por aceder ao meu convite, o qual se aplica igualmente aos restantes colaboradores deste blog, se assim o desejarem.
Os contributos serão colocados como comentários no post do referido concurso.

o/a vencedor(a) será anunciado/a antes do dia 14. escusado será dizer que a viagem que aqui publicitam seria um bom "sinal" de interesse em ganharem o dito!! :)

cumprimentos,
joana fernandes