terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

o branco matizado

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disseste-me que eras feita de um branco. uma ausência de cor.
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eu respondi-te em tom coloquial, talvez até incisivo, que o branco, é a união de todas as cores.
o sorriso que consegues disfarçar por orgulho deixa-te desarmada ao elogio. e remetes os teus argumentos para a retórica, evitando seres dominada pelos teus sentimentos.
por momentos calada, olhas a criança que passa, deixas que o passado te retorne em momentos.
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retomas a discussão. o branco que és tem várias nuances. hoje dizes ser um branco-escuro. estás triste. e isso entorna a cor para as escuridão. e tens dias em que te tornas um branco-claro. dias mais alegres.
eu ainda insisto que o teu branco é perfeito. é um branco sem granulados, sem sujidade. é um branco reverberante.
já não consegues disfarçar o sorriso, nem o tom rosado do branco da tua cara. e eu repito.
o branco que eu prefiro em ti, é esse. um branco celeste de quem gosta de um carinho e de uma mão amiga. nessa hora és um branco-bébé.
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e eu não sou pintor. nem preciso de tintas. só preciso de branco. de branco-bébé para acabar a minha obra prima.

6 comentários:

Anónimo disse...

Quem te disse que não és pintor? És sim, pintor de almas. Lindo, adorei. Tenho a certeza que ficará feliz.

Fernando Pessoa disse...

quem?

Fernando Pessoa disse...

:) se ficarem felizes todos os que lêem então eu também estou.

e obrigado pelas palavras.

Anónimo disse...

És um pintor sim senhor!

Eu próprio(a) já te vi a pintar a manta muitas vezes...

Teté disse...

Se não estás apaixonado, pareces... ;)

Fernando Pessoa disse...

ainda bem que não perdi essa qualidade. apaixonar-me todos os dias :)