segunda-feira, 3 de março de 2008

a janela do mundo

[776]

.
o mar salgado, que nos entrou alma dentro,
dentro de mim e nunca de nós,
refrescante de ti, e de mim que me pousaste,
na berma da areia, parapeito do mundo.
não me empurres ao vento de leste,
p'ra oeste é que quero ir, no mar de salina.
nesse mar que entrou em mim, soluçante,
que nem as feridas ardem ao seu passar,
deixou saudades para além de amar-te.
e o sol que aquece nesta janela aberta,
há-de ser a descoberta do calor,
se fosses tu as algas que desprendem
a mão que segura ainda o teu sorriso.
.
não vou voltar pelo mar adentro.
darei apenas sabor a esta saliva
que terra fora me molha os pés.
.
eu à janela não volto para me empurrares,
sigo apenas o que escolho e não suspiro mais
pelo passado que me trai a vontade.

2 comentários:

O Poeta Morto disse...

"a cabana, junto à praia..."

és mesmo sobrinho do tio cid!

Fernando Pessoa disse...

olha bem para o desenho...
eu falo em janela para o mundo, mas lá no casebre não há saída. nem uma janela. aquilo para ser cabana, ainda faltavam uns pormenores :)