terça-feira, 27 de maio de 2008

1000 (ou a vã glória de escrever num blog)

[1000]
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(esta ideia de escrever o número aqui ao lado como referência da numeração do post, foi roubada não sei de onde. foi de um blog que foi encerrado há uns meses. e eu pensei, será que ele se importa que perpetue uma ideia engraçada? um dia escrevo que foi roubado, fico perdoado, e a ideia, que interessa mais que o interveniente, fica intacta para mais alguém roubar quando este nosso blog acabar. está feita justiça ao idiota)
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mas o que me levou a adiantar a naturalidade do parto 1000, foi a necessidade de reflectir sobre alguns assuntos menos óbvios. não um discurso tipo padre manuel vieira (embora alguns vejam um texto enorme e não o leiam), mas um pensamento simples e coerente, como diria o capitão moura. um homem tem na verade de ser justo, honesto, coerente e imparcial. mas acima de tudo verdadeiro.
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verdadeiro
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a mentira é um chão fértil, tão fértil que se espetarmos lá uma semente de verdade, há-de crescer um vale e azevedo. e a brincar a gente vai dizendo o que todos precisam de ouvir. não há nada tão indecente como a mentira. embora eu admita que há mentiras pequenas e grandes. as grandes são mais difíceis de engolir, são como uma fenda nesse chão viril que nunca mais se fecha.
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(já vos disse que tinha acabado de ler há um mês a pastoral americana? não porque o meu tempo (mas principalmente a minha vontade) não abundam. (ás vezes quero ir ver a loira à terça na adega e não tenho tempo). o livro é extenso, mais de quatrocentas páginas dedicadas à vida de um ídolo que cai em desgraça por ter uma filha tola, e mais tarde porque a mulher espeta um par de cornos, mas entretanto ele arranja uma mais novita e vive descansado até ao dia em que morre de cancro na próstata.
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o certo é que dou por mim a ler horóscopos, e eles acertam. tantas vezes que até me apetece telefonar à maya e agradecer o facto de ela me avisar para eu ter cuidado com as quedas. devia haver um ministério dos tarólogos-cartomantes-pai-de-santo-lança-búzios, e devia haver um número verde para as pessoas orientarem a vida. tipo, telefonar para lá só para saber onde abastecer o carro e perceber pelos astros onde está mais barata a gasolina.
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eu acho contudo que a brincadeira neste país é o brinquedo favorito. nem mesmo num post que era suposto ser sério, e meditar sobre as catastrofes naturais do coração e da vida, das suas agruras e imponderáveis, consegue ser sério. o que é pena.
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não me vou alongar porque está na hora do jantar, a minha mãe chama-me - sim esta mulher é incansável - e eu como filho pródigo que volto sempre no dia seguinte, mesmo aos fins de semana, não me posso arriscar a perder uma herança. e isso ainda afasta mais as potenciais compradoras deste produto.
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com certeza já repararam que estou a ler o livro do valter, e digo-vos que está uma maravilha. já vos disse que o homem lança novo romance em julho? esperamos pacientemente.
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desculpem a demora em dizer obrigado pelas visitas (quase 22.000) e pelas palavras que nos deixam todos os dias. mesmo as mais parvas como as dos anónimos.
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estarei por aí.

4 comentários:

S. disse...

Post interessante ;)
Parabéns Sr. Pessoa!

Fernando Pessoa disse...

muito obrigado.

polícia_da_língua disse...

Fernando, estás a falhar e já escreveste melhor!! "CONCERTEZA"?? COM CERTEZA que não...

Fernando Pessoa disse...

tá.
um abraço para ti também.