quinta-feira, 12 de junho de 2008

florentino ariza não morreu de amor

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florentino ariza não morreu de amor. morreu a dormir num dia de calma subida do rio.
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(a última seria a verdadeira depositária do seu coração. deixou-se embrenhar no peito solícito sem pagar o resgate necessário pela candura das mãos de fermina urbino. seria separado para além do limite razoável que a tolerância do amor permite.)
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suponho que as cartas que lhe escreveu nas horas de solidão, estavam bem guardadas nos cofres da empresa de transportes e navegação. ao entregar-se depois de uma vida inteira de espera - entre os braços de centenas de roliças - trancou todos os poemas de amor, carregando consigo a chave do cofre ao peito.
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(fermina urbino, enlutada de uma segunda morte, olhou a chave na mesa pousada em desassossego, até ao dia em que decidirá recuperar aquele homem pelas palavras. lerá durante os meses seguintes, as cartas escritas por florentino ariza durante quase 40 anos)

3 comentários:

Zé Baptista disse...

É curioso. Ainda ontem à noite vi o filme.

Nunca li o livro. Não gostei do filme, mas acredito que o livro seja bem melhor, todos dizem que o adoraram.

O filme tem muitas falhas, ligações estúpidas entre as várias fases, a caracterização está uma merda (vê-se bem que são novos disfarçados de velhos) personagens pouco interessantes... não sei, acho que faltou ali qualquer coisa!

Zé Baptista disse...

Pronto, gostei da banda sonora.

Fernando Pessoa disse...

eu nem da banda sonora. mas ver este com o livro já lido é muito mais simples. imaginas que o cenário que constuíste enquanto o lias é o que está lá, e pronto.

mas o livro é muito bom

(estou agora a ler o quarto livro do garcía marquez, "crónica de uma morte anunciada" - cortesia a um euro da sábado .) - e mais uma vez é uma maravilha.

(é aproveitar mais uma colecção da sábado vale bem a pena e sempre se poupa uns bons 70/80 euros)