(fechei os olhos e respirei pouco. não aguentei o cheiro. era já o terceiro dia. o estômago a dar horas e eu ali à espera. respirei só mais um pouco. depois passei junto ao cadáver. estava quieto e sossegado. parece em descanso. mesmo descansado. feliz não direi, mas às vezes não se sabe. nunca sabemos o que está para lá da linha. fechei os olhos e beijei-lhe a testa. estava fria. mas ele continuava descansado e mesmo frio não parecia estar muito preocupado. feliz não sei se estaria.)
- que pena. parecia tão bem e de repente, foi-se.
- foi de cancro. mal ruim é assim, vem num ápice.
(mesmo que oiça tudo à minha volta não me importo. não quero ouvir. estou já em paz comigo mesmo. já cumpri a minha parte. se ele descansar em paz eu também estarei assim. vou sair sem que ninguém repare. vou para casa descansar. e comer que o estômago estava a pedir. vou fechar os olhos e esquecer. amanhã tenho que ir trabalhar. e não faço ideia onde pus a minha carteira.)
amanhã a vida continua.
terça-feira, 31 de julho de 2007
viagem ao fim
Publicada por S. G. à(s) 17:42 0 amigos do bagaço
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pensei e pensei...
e cheguei à brilhante conclusão que não se pode ter aquilo que não há...
este gajo não há dúvida...
Publicada por S. G. à(s) 17:38 0 amigos do bagaço
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há sempre alguém que nos diz tem cuidado
e há outras alturas em que um gajo fica meio parvo e se sente assim,
- "Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco onde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas.".
(Lewis Carroll -Alice no Pais das Maravilhas)
podia dar-lhe para pior...
Publicada por S. G. à(s) 15:25 0 amigos do bagaço
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Viagem ao Princípio
(sabes que é agora? o quê? que vai nascer. Ah?! sim vai buscar o carro que me rebentaram as águas.)
- respira fundo não stresses…
- eu estou bem.
- queres que vá mais rápido?
- eu estou bem.
- vê lá. se quiseres alguma coisa diz. eu vou concentrado na estrada, mas podes falar o que quiseres.
- eu estou bem.
- era melhor ter chamado uma ambulância. eu já sabia que iríamos a correr. não tem jeito nenhum. temos um seguro de saúde que nos dá tudo….
- pára! já te disse que estou BEM!!
- desculpa acho que sou eu que estou stressado.
- ok. mas agora olha só para a estrada e deixa que eu trato do resto.
- …
- …chamado à recepção.
- então está tudo bem?
- … está. é um lindo rapaz. quase três quilos. parabéns.
“- parabéns a você, nesta data querida, muitas felicidades"…
- parabéns meu filho. sabes, acho que já te contei a história do teu nascimento, mas o teu pai ia tão nervoso…
(sabes, o que vejo é a vida a nascer de novo a cada ano que passa. Não gosto do meu aniversário, mas gosto do que fizeste por mim.)
Publicada por S. G. à(s) 09:30 0 amigos do bagaço
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domingo, 29 de julho de 2007
hoje é dia de gravata preta
Publicada por S. G. à(s) 14:00 0 amigos do bagaço
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sábado, 28 de julho de 2007
Queres falar? (6)
(eu gostava era mesmo de chocolate. branco. depois de ter procurado e não ter encontrado, comi mesmo o azedo que lá havia. tu nunca tinhas muita coisa por casa.)
- queres tomar café?
- agradecia.
(não sei muito bem por onde começar. é duro para mim ter de te dizer isto)
- então que me querias dizer?
- bom. eu estive a pensar e acho que vou deixar a empresa...
- porque haverias de fazer isso?
- sabes que ela passa dificuldades e eu acho que era preciso alguém com vontade renovada.
- eu acho que és a pessoa certa para o lugar. nunca pus isso em causa.
- bem sei que tive muito apoio teu.
(o café não tinha açucar. pensei em te pedir mas não quis adiar mais a conversa.)
- só quero que penses mais um pouco nisso. não te vou deixar saír.
- olha queres ir dar uma volta?
- isso é muito boa ideia. onde vamos?
- talvez ao shopping? e ao cinema que dizes?
- deixa-me só vestir. trocar esta roupa.
- queres ajuda?
- hummm...pode ser.
(no cinema ao tocar a tua mão ao de leve tive a sensação de que tinhas razão. eu ia ficar.)
por ti.
e a empresa ainda se aguenta.
Publicada por S. G. à(s) 13:58 0 amigos do bagaço
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sexta-feira, 27 de julho de 2007
Viagem ao sul
(o sol na planície alentejana magoa. os olhos, a pele e alma. seca ao ver de longe. alma que seca ao ver a paisagem de perto. secamos. e dói. dói que se farta. por isso estas caras são assim. carregadas. os olhos desta gente não passam emoção. mas nós seguimos viagem com os vidros abertos. para nós é só de passagem e o que secar há-de um dia voltar a viver. a amargura que se entranha em certas alturas, fica. cravada na boca e nos lábios. não são marcas vivas. somos nós que sentimos, ao falar, que corre no ar algo de estranho. mas nós seguimos de vidros abertos. e sorrimos. falamos pouco. somos sempre assim a apreciar a paisagem. nada dizemos. olhamos como invejosos compulsivos que querem ver, a sós. nunca quisemos ser um só. tu e eu não quisemos. somos mais felizes assim. como com o vento que entra e sai e volta a entrar no carro. seguimos de vidros abertos. procuramos o espelho da água. e estivemos com ele. mas não foi bom. é grande demais e não gostamos de grandes obras. gostamos de coisas simples e pequenas. comemos batatas e bebemos vinho tinto. desta planície que fez corar os lábios. Pelo sabor estranho, diria que já não sairemos daqui os mesmos. levamos mais tristeza em nós. mas ainda assim dormimos. muito descansados.)
não deixei o vidro do carro aberto?
Publicada por S. G. à(s) 17:55 0 amigos do bagaço
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Viagem ao fundo (2)
(pegou na minha mão e disse-me, se queres ser feliz tens que esquecer a dor. e eu não ouvia muito bem. eu era feliz. à minha maneira. e nem sabia qual era a dor. mas para ela, a psicologia que aplicava ao meu caso parecia-lhe ideal. pensou por certo em me ajudar. eu disse-lhe que sim. sim senhor, eu estou pronto para seguir em frente e ser feliz. então porque continuava a pensar naquilo. nem eu sei. eu era às vezes aqueles pensamentos. e outras, não era nada. mas quando ela vinha para a sessão, eu comecei a perceber que ela gostava de mim. eu não gostava dela. era boa pessoa. e bonita. mas não me percebia. e eu também não queria. fizemos amiúde o papel de adultos. e outras de criança. mas eu não vi maneira de passar daquilo. um dia não fui. e olhava para o espelho ao mesmo tempo que pensava que aquela dor era eu. mais morto que aquilo já não podia estar.)
Então voltei ao pé dela e disse-lhe que podia ficar com ela. Afinal ela até gostava de mim.
Mesmo que eu não.
Publicada por S. G. à(s) 12:34 1 amigos do bagaço
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hoje não quero falar...
Publicada por S. G. à(s) 09:36 0 amigos do bagaço
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quinta-feira, 26 de julho de 2007
Queres falar? (5)
(vamos os dois de eléctrico. o tempo está abafado e custa-nos respirar. contudo vamos entrar na mata e refrescam-se os pulmões a cada inspiração. temos as mãos dadas. Suam as mãos juntas porque nunca as largamos. é novo este amor e não queremos deixá-lo fugir. sentes que são amarras que aprisionam a paixão. não são. eu sei que já não há nada que me faça acreditar nisso. mas estás feliz e eu feliz fico com brilho nos teus olhos.)
- já conhecias isto?
- não. sintra já conhecia, mas o castelo não.
- sabias que filmaram aqui uma parte do filme “a canção de Lisboa”?
- não sabia. nem conheço o filme.
- é romântico. Tem um final feliz. Mas ele é um boémio e mulherengo, convertido.
- mas quem fez o filme não sabe que um boémio nunca é romântico, nem se converte.
- não sei, alguns devem ser. pelos menos o Vasco Santana foi, no filme.
- dás-me um beijo?
- claro. Mas só queres um?
-…
- sabias que eles vinham aqui no dia do casamento?
- quem?
- o vasquinho, no filme.
- ah! Pois é romântico não era?
- eu se calhar um dia gostava de casar.
- humm…eu não sei…se tu quisesses eu não te diria que não.
- vamos trocar de mão.
-…
- “que negra sina ver-me assim, que sorte vil e degradante…”
-…
- às vezes tenho saudade da faculdade.
- parece que foi ontem. mas já lá vai. hoje tenho-te a ti.
- e eu a ti…
- até quando?
- isso só nós é que sabemos…
- para sem...? (shiu)
- não digas essa palermice.
- porquê?
- nada dura pr'a sempre.
- dá-me antes um beijo…
- um só?
- não. vamos por ali, que eu quero te contar um segredo.
(está fresco o ar. se o trote fosse mais lento faria menos barulho. mas vamos a descer e eu não me importo. haveremos de chegar lá. e rápido. descer e subir ao andar e jantar. e deitarmo-nos nos teus sonhos e descansar na minha descrença. é este o nosso verão. Por isso me refrescas. porque está calor.)
Publicada por S. G. à(s) 17:58 0 amigos do bagaço
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viagem ao fundo
(esperei sentado. a fonte de água jorrava forte. e o vento trazia os seus pingos. salpicava a minha cara como se fosse chuva miudinha. refrescava porque estava calor. eu estava sentado numa estátua. ao pé do chafariz. olhei para o relógio de novo. 3 horas da tarde. olhei para a esquina e não estavas. percebi que estavas talvez atrasada.
mas eu espero.
tenho tempo para olhar à minha volta. ver as crianças a cair e a esmurrar os joelhos. sangrando, elas vão continuando a brincar. só nós, os adultos, é que achamos que não é possível isso. sangrar e continuar. feliz pelo menos. a pedra da estátua é fria, gelada. refresca porque está calor. o relógio batia já a 4ª badalada. ainda espreitei de novo para a esquina. mas não estavas. E o pior é que tinhas dito que vinhas. E eu ainda acredito.
e tu disseste que vinhas.)
Mas isso foi há 20 anos.
Publicada por S. G. à(s) 13:21 0 amigos do bagaço
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
Eis que descobri algo novo...
http://www.adultswim.com/games/biblefight/index.html
O Sr. Jesus tem uma direita potente.
Publicada por El Salib à(s) 21:11 0 amigos do bagaço
viagem na minha terra
(como dói ver cair o céu. escurecer. como se nada findasse. como se fosse agora começar. a luz tornou-se então crepúsculo. vou pela rua em procura do lugar certo. para descansar. as viagens deixam-me cansado. encontrei a residencial indicada no papel. deitei-me e não adormeci. o barulho das obras na rua não me deixou. fechei os olhos e tive sonhos. despertos. acordei com o corpo dorido. desci para a recepção. paguei o quarto e saí de novo. pus os olhos no papel que tinha nas mas. rua ou travessa. sorri ao pensar no que já havíamos passado. bati na porta 33. abriu uma cara soturna que me disse que já não vivias ali. não fiquei triste. não contava com aquilo mas regressei. não tinha sono. fechei os olhos e imaginei como serias. hoje não sabias o que me marcava a tua imagem. não tinha sono, mas ainda assim fechei os olhos. Lembro-me de pintares os lábios. E de quando senti o teu perfume.)
ontem regressei a casa. nunca mais te voltei a ver.
P.S. desculpem. mas quem quiser ler histórias de final feliz leia Paulo Coelho (e eu até gosto do homem)
Publicada por S. G. à(s) 18:31 0 amigos do bagaço
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Queres falar? (4)
- apetece-te dizer alguma coisa?
- a mim não. porquê?
- não sei nunca dizes nada para me agradar.
- e que queres que te diga?
- assim não tem piada. quero que o digas genuinamente. que me surpreendas.
- então fecha os olhos…
- ui … não está mal, mesmo nada mal. espera não pares. desce mais um bocadinho.
- agora deixa-me acabar estes relatórios depois digo-te mais umas coisas boas.
- não agora, não. deixa isso e anda pr’á cama.
- está bem. vamos ... num instante.
- mas não quero pressas. sabes bem que com essa pressa não consigo.
- vá lá então. hoje vou-te dar tudo o que mais gostas.
- chantilly?
- não. só tu.
- sabes que te amo mais quando acabamos de fazer amor?
- um dia hás-de amar menos. ou talvez não. isso era bom.
- chantilly?
- agora pode ser ...
P.S. desculpem, cedi a um final feliz.
Publicada por S. G. à(s) 16:00 3 amigos do bagaço
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ponham-lhe um açaime
(na esplanada bebe-se vinho. branco, seco e fresco. o verão dá para isto. não fazer nada.)
- que fazemos para jantar?
- não sei bem escolhe tu. uma coisa boa.
- tens alguma ideia?
- não mas apetecia-me alguma coisa deliciosa. que me deixasse bem.
- bolonhesa?
- não.
- bacalhau com natas?
- também não.
- hummm...e se fosse camarão grelhado com salada de tomate e pepinos, mais um pitada de oregãos, e um queijo fresco?
- humm...que delicia! mas não pode ser, o tomate faz-me mal.
- por favor! traga-me uma tosta mista.
- e o jantar?
- quando chegares comes o que quiseres e não te faça mal. eu perdi o apetite.
- se calhar camarões grelhados até nem é má ideia. vá lá esquece a mista. eu faço a salada.
- a conta por favor.
(mais tarde bebe-se outro vinho mais suave. menos seco. mais maduro e encorpado.
...com tosta mista.)
Publicada por S. G. à(s) 13:23 0 amigos do bagaço
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Português Contribuinte
Em cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de trabalho, o Estado,
e muito bem, tira-me 20 euros para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.
O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha força de trabalho, é
obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75 euros para a Segurança
Social.
E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado, e muito bem,
retira ao meu patrão outros 33 euros.
Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que o meu patrão
pagou , o Estado, e muito bem, fica com 21 euros para si.
Em resumo:
* Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55.
* Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 21.
* Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33.
* Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus
negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade
das verbas envolvidas no caso.
* Eu pago e acho muito bem, portanto exijo: um sistema de ensino que
garanta cultura, civismo e futuro emprego para os meus filhos. Serviços de
saúde exemplares. Um hospital bem equipado a menos de 20 km da minha casa.
* Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o país.
* Auto-estradas sem portagens. Pontes que não caiam.
Tribunais com capacidade para decidir processos em menos de um ano.
Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos.
* Eu pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma garantida
e jardins públicos e espaços verdes bem tratados e seguros.
Polícia eficiente e equipada.
* Os monumentos do meu País bem conservados e abertos ao público, uma
orquestra sinfónica. Filmes criados em Portugal. E, no mínimo, que não haja
um único caso de fome e miséria nesta terra.
* Na pior das hipóteses, cada 300 euros em circulação em Portugal
garantem ao Estado 100 euros de receita.
* Portanto, Sr. Primeiro-ministro, governe-se com o dinheirinho que lhe
dou porque eu quero e tenho direito a tudo isto.
Publicada por RSM à(s) 12:37 0 amigos do bagaço
o gajo não se cala
(sentei-me à tua espera. enquanto não chegavas. enquanto vinhas. enquanto foste. sentia fome mas não quis comer. fui para a janela respirar um ar puro. às vezes dá vontade. esperei mais um bocado. olhava interessado para quem passava. não conheci ninguém. depois sentei-me mais à frente e olhei para o mar. disse-me que queria trazer alguma coisa para me alegrar. agradeci. o mar é simpático mas eu não. fechei a janela, mas fiquei na mesma posição. inerte. enquanto esperava. senti fome de novo e não comi porque não quis. jantei mais uma vez ovo cozido no pão. não tinha fome. depois fiquei a olhar as letras de um livro amarelecido. dormi até ser de novo hora de ir respirar ar puro. assim foi o verão desse ano.)
enquanto esperava. enquanto não chegavas.
Publicada por S. G. à(s) 11:44 0 amigos do bagaço
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(...)
(três da tarde e não há vento na praia. nem brisa. há só sede e um mergulho. volto para perto de ti e deito-me na tua barriga. com a cara encostada na tua pele branca. sinto o teu bronzeador nos lábios.)
- pagas-te a conta da água?
- hummm..acho que me esqueci.
- já perdi a vontade de estar aqui...já vamos pagar uma multa.
- esquece isso a multa é de 50 cêntimos...
- não gosto de multas.
- não te chateies. vamos dar um mergulho?
- não. quero ficar aqui a descansar.
- amanhã dizes que tens vontade de dar um mergulho. estás bem onde não estás.
- não comeces. vai buscar um gelado.
- de quê? morango ou limão?
- desliga também o rádio...
"foste a frescura da minha sede, andei contigo na minha mão. pintei a boca de rosa e verde, foste o gelado do meu verão."
- não gostas dos humanos?
- gosto mais do variações.
- a tua pele sabe a bronzeador salgado.
(não corre brisa. nem vento e a tua pele ainda sabe a bronzeador salgado. toquei na tua mão esquerda e senti ainda a frescura da água do mar. é bom o verão.)
Publicada por S. G. à(s) 10:36 0 amigos do bagaço
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terça-feira, 24 de julho de 2007
Queres falar? (3)
- Lembras-te de quando nos conhecemos?
- Sim, lembro-me bem...Sabes que não esqueço.
- E lembras-te do vestido que eu levava?
- Humm...Talvez. O rosa, folhado?
- Vê-se que te lembras. Sabes eu é que não me esqueço que levavas o cinto castanho.
- Pois era. Mas isso não é importante. O importante é que continuamos juntos.
- Mas eu gosto de me lembrar, faz-me sentir mais nova.
- E tu és velha? La estás tu com as crises.
- Sabes bem que é o que sinto às vezes. Faz-me bem falar.
- Se queres falar disso, fala á vontade...eu não me importo.
- Mas se calhar tens razão...não é muito importante...
Publicada por S. G. à(s) 14:02 2 amigos do bagaço
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